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Quinta final consecutiva para Portugal na Eurovisão, depois de Black Mamba, Maro, Mimicat e Holanda, já no ano passado. Os Napa também estão na grande final e provaram que as casas de aposta, afinal, não são mecanismos infalíveis. Olá, Napa, neste caso, Guilherme, seja muito bem-vindo, estás aqui conosco.
Seja muito bem-vindo, Guilherme. Como estás?
Alô, tudo bem. Muito obrigado pelo convite.
Vamos falar um bocadinho ao longo dos próximos minutos, mas é inevitável perguntar como é que está a ser esta montanha-russa. Tem conseguido dormir alguma coisa desde terça-feira à noite?
Por acaso, os últimos dois dias foram dias de descanso. Como os ensaios para a segunda semifinal e a segunda semifinal, que são durante dois dias, nós conseguimos descansar um bocadinho. O que foi bom, porque já estávamos há quase duas semanas sempre em ensaios, entrevistas e essas coisas todas. Isto tem sido muito intenso.
Daquilo que vocês tinham idealizado, no fundo. Esta experiência nunca se idealiza na totalidade, porque é sempre diferente quando se vive o momento em si.
Sim, é muito difícil prever como é que estas coisas vão ser, mas estamos a adorar a experiência, principalmente nós sendo cinco amigos já há muito tempo, passar por isso todos juntos com uma equipa também incrível da RTP e a nossa equipa de management. Tem sido o mais malta monte.
Guilherme, e as vossas famílias, como é que têm encarado tudo isto, toda esta caminhada até chegarem à grande final?
Nós temos sentido um apoio muito grande das nossas famílias, desde o primeiro dia. E eles também vieram aqui assistir à semifinal e vão assistir à final. Portanto, esse apoio tem sido crucial. Sentimos a energia deles também.
Não se sentem deslocados na Suíça?
Desculpa, não percebi.
Não se sentem deslocados aí na Suíça?
Neste momento, não. Curiosamente, sentimos tanto apoio de portugueses. Há uma comunidade muito grande de portugueses aqui na Suíça e vemos muitas bandeiras e às vezes quando passamos na rua, encontramos portugueses que vivem na Suíça e que nos dizem que a música fala muito para o coração dessas pessoas.
Exatamente.
Isso é muito reconfortante.
A vossa atuação gerou muitas reações e uma onda de amor grande nas redes sociais. Muitas pessoas até acabaram por mudar de opinião depois de vos terem visto no palco. É bom sentir esta recetividade por parte de uma comunidade tão fervorosa como aquela que assiste e vibra muito com a Eurovisão?
É claro, é sempre bom sentir que as pessoas estão do nosso lado. Nós estávamos muito felizes com a canção que tínhamos composto e que tínhamos levado para a Eurovisão. Achamos que estava cheia de significado, não só para nós, mas para tantos portugueses que estão aí deslocados pelo mundo inteiro. E não só portugueses, esta história acho que também chega a ser universal. E o fato de termos passado à final e termos recebido essa onda tão grande de amor, depois de estarmos tão mal classificados nas odds.
Exatamente. Foi por isso que eu referi as casas de aposta, porque é a prova de que isto às vezes não vale nada.
Sim, no fundo, vale o que vale. Já nos tinham dito isso, que muitas vezes essas odds, no fim, acabavam por não se verificar. E fomos com essa consciência tranquila que pelo menos tínhamos feito o nosso melhor trabalho dentro das condições que nós tínhamos e levávamos uma canção verdadeira, que era o mais importante para nós.
O vosso apuramento, Guilherme, foi mesmo no fim, foi mesmo já o último dos últimos dois apuramentos. Quando foi dito: "Portugal segue para a final", como é que foi essa sensação? É que, no meu entender, um dos festejos mais intensos foi o vosso.
Sim.
Já não esperavam ou ainda tinham confiança?
Nós não estávamos propriamente à espera de uma passagem. Acho que na Eurovisão também há tantos fatores envolvidos e a nossa música também não é propriamente uma música eurovisiva, como se diz por aí. E acho também por isso mesmo e por sermos também dos últimos a ser anunciados, a festa foi tão grande como se viu. E o fato também de sermos tão descredibilizados em alguns meios e pelas casas de apostas também. Acho que isso também ainda intensificou mais a nossa vontade de celebrar.
Dar aqui uma chapada de luva branca a tudo isto. Guilherme, quando vocês subiram ao palco e viram aquele mar de gente, como vocês falam na canção, o que vocês sentiram? Vocês foram interagindo muito com o público e sempre tentando puxar muito para cima, foi isso que eu senti ao longo da vossa atuação. Fizeram também, e isso já é uma questão que nós queremos saber, alguma espécie de ritual antes de entrar em palco?
Sim, nós temos sempre o nosso ritualzinho antes de entrar em palco, um cântico que foi o baterista que fez. Assim só para dar uma força, uma moral para irmos encarar o público. E quando vimos esse mar de gente, na verdade, eu acho que é sempre benéfico para nós, porque nós estamos habituados a tocar ao vivo E sentimos que a energia do público alimenta-nos bastante. Acho que de todos os ensaios que nós fizemos, a semifinal no dia do direto foi a que correu melhor. E eu acho que é mesmo por causa disso, que é o público que nos alimenta e nós depois damos ao público e há uma simbiose que acontece ali. Eu acho que essa presença do público foi muito importante e também vimos muitas bandeiras portuguesas. Essa interação que estavas a dizer que tinhas visto, muitas vezes éramos nós a apontar para as bandeiras portuguesas que estávamos a ver no público. Para nós é sempre muito importante essa presença do público.
E Guilherme, qual é que foi o momento mais surreal de toda esta experiência? Ou ainda está por vir?
Nós também não sabemos bem o que está por vir ainda, mas o momento mais surreal se calhar foi mesmo a passagem à final. Mais por essa descredibilização que eu estava a falar, ou pouca esperança que as pessoas tinham em nós ou algumas pessoas tinham em nós. Foi um bocado surreal termos passado por essas razões e também perceber o alcance e o impacto que isto tem para muitas pessoas. É mesmo inacreditável ver a quantidade de mensagens que temos recebido ao longo destes dias.
Guilherme, eu vou fazer aqui um pequeno desafio. Certamente já viram as atuações das outras equipas que vão estar na final. De todos os apurados, quem é que era a melhor atuação, o melhor país, o melhor artista para fazer um dueto com os NAPA?
Essa é uma grande questão. Há muitos artistas que acho que poderiam encaixar nesse slot. Nós temos nos dado bastante bem com os ucranianos. Nós conhecemo-nos desde as pré-parties, que são umas festas que acontecem pré-Eurovisão. Fomos em Madrid e Amesterdão e conectámo-nos bem com eles, porque eles também são uma banda.
E têm uma bela canção também.
E têm uma boa canção, que nós gostamos bastante. Eu acho que isso seria uma bela colaboração. Mas há tantos artistas aí, mais longe até do nosso estilo de música, que com uma música bem pensada deveria dar uma bela canção.
Isto se calhar até à final, vocês até lá mudam de opinião e têm mais uns quantos duetos para fazer. Entretanto, vocês, enquanto NAPA, passam muito tempo juntos. Tu, Guilherme, vais ter aqui agora um desafio. Vamos fazer aqui uma ronda de perguntas rápidas e és tu que vais decidir isto tudo.
Ok.
Quem é sempre o último a acordar?
Eu diria que o Lourenço.
O Lourenço é o último a acordar. E quem é que é o mais dramático?
Acho que vai ser o Lourenço também, mas o Lourenço às vezes solta um bocadinho neste tipo de perguntas, porque ele é o mais novo. Ele é oito anos mais novo do que todos nós e essa maturidade ainda não lhe bateu.
Ok.
O que é normal.
Veremos aqui na próxima também se confirma se é o Lourenço. O mais viciado no telemóvel?
Por acaso, isso é difícil de dizer.
Quem passa mais tempo. Vá.
É verdade. Talvez o João ou eu, não sei.
E quem é que tem mais piada e resolve sempre tudo com uma piada?
Quem tem mais piada é o João, o Jof.
Quem é o mais impaciente nos ensaios?
Eu diria o Francisco.
E por quê? Já agora.
Ele tem uma veia impaciente que às vezes solta-se.
Pronto. E quem é que é, Guilherme, o mais provável de fazer amigos com todas as delegações?
Sou eu?
Sim. Estamos aqui.
Alô, alô. Já voltei.
Exato. Quem é que é o mais provável de fazer amigos com todas as delegações?
Diria o João, é o mais extrovertido do grupo.
Quem é que adormece em qualquer sítio?
O Lourenço. O Lourenço adormece rápido.
Já só temos mais duas nesta fase de respostas rápidas. Guilherme, quem é que é o pai do grupo? És tu?
Eu diria que sim, se calhar.
Tens essa responsabilidade.
Exato.
Para terminar, quem é que tem a playlist mais estranha? Pode ser no Spotify, por exemplo.
Talvez o João.
Perguntas rápidas distribuídas. Ainda temos aqui mais umas quantas para ti, Guilherme. Zé.
Ok.
Há duas coisas que eu vou fazer uma declaração de interesses, é interesse não só público, mas também meu. Primeiro, que emoji escolhem para toda esta fase de ensaios, toda esta passagem à grande final, qual é que é?
Eu acho que, pelo menos uma palavra que nos tem vindo muito desde o Festival da Canção, é surreal. E um emoji que poderia representar isso é aquele emoji da cabeça a explodir.
Cabeça a explodir?
Isso representa bem o nosso estado de espírito ao longo destes dois meses, que é difícil de acreditar que isto nos está a acontecer, mas cá estamos.
Estão, vão participar na grande final e na grande final vão ter direito a um lugar na green room. Há sempre aquele momento em que há bandeiras, há festa e há também sempre uma mesa ali com alguns comes e bebes. Isso é da vossa responsabilidade, não é? Já sabem o que é que vão levar? Vai haver espaço para poncha e bolo do caco?
A poncha e o budacaku são mais complicados, porque não é possível trazer álcool para dentro da arena, de fora. Infelizmente. Mas nós trouxemos aguardente de Passos Suíço, com esse conhecimento. Vamos ver se conseguimos dar a volta de alguma maneira. Mas na green room o que há são uns aperitivos e, se não me engano, na final vai haver vinho.
Já não é assim tão mau. Espero que vocês consigam.
Sim, já não é mau, mas a poncha dá sempre uma força extra.
Exato, era o que eu ia dizer. Eu tenho esperança que vocês consigam resolver isso e levar a poncha.
A aguardente está na Suíça, está em Basileia, mas se vai estar na arena, isso já não sabemos.
Veremos, logo veremos. Entretanto, vocês levam o nosso nome, o nome de Portugal lá fora. O que acham que o resto da Europa mais tem gostado quando vos vê em palco e em todos os conteúdos que vocês também têm participado e têm feito nas redes sociais?
Eu creio que o que o pessoal mais gosta na Europa é o fato da nossa música ser uma música autêntica e genuína. E acho que as pessoas, apesar de não perceberem o português, sentem essa verdade através da nossa performance também. Acho que dá para ver a nossa amizade em palco. E eu acho que é essa autenticidade que às vezes perde-se um bocadinho neste mundo da Eurovisão, de tanto firework, como diria o Salvador Sobral. Acho que é isso que nós trazemos de diferente para este contexto europeu.
Guilherme, mesmo para terminar, uma última pergunta: como é que os Napa querem ser lembrados no final de toda esta aventura?
Voltando a repetir um bocadinho, acho que é como autênticos e verdadeiros. Acho que tentamos sempre fazer a música que nós mais gostamos e o "Deslocado" acho que é o melhor exemplo disso. Uma canção que fala sobre a nossa história, que é muito importante para nós também. E essa verdade acho que transparece, ou pelo menos quero acreditar que sim. E é isso que nós queremos levar de toda essa experiência.
Francisco Sousa, Guilherme Gomes, João Rodrigo, Diogo Góis, João Lourenço Santos, juntos são os Napa. Têm agora a final da Eurovisão pela frente, mas não se esqueça, vão também estrear-se nos Coliseus em 2026. Muito obrigado a todos. Muita sorte para essa grande final.
Exatamente. E só dar aqui a nota que os concertos estão marcados para 24 de janeiro, no Porto e 30 de janeiro, em Lisboa de 2026. Guilherme, os bilhetes já estão à venda, portanto, vamos ver os Napa agora nesta final, que esperemos que corra tudo bem, mas depois temos estes dois concertos pela frente e os bilhetes já estão à venda. Partam tudo o que tiverem de partir naquele palco, divirtam-se, acima de tudo. Muito obrigado e estamos todos a torcer por vocês.
Todos a torcer por vocês, meus caros.
Boa sorte.
Muito obrigado. Foi um prazer enorme falar com vocês. Obrigado pelo apoio e vamos estar lá com tudo, a tentar levar Portugal ao mais alto nível.