Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
E começa agora o primeiro Explicador das manhãs 360. Vamos olhar para o debate de ontem entre André Ventura e Paulo Raimundo, com a ajuda de Paula Santos, da CDU, e Rodrigo Tasha, do Chega. A moderação é do Bruno Vieira Amaral.
Bom dia, bem-vindos a este Explicador. O debate ontem começou com o caso da averiguação preventiva do Ministério Público à compra de casas por Pedro Nuno Santos. Rodrigo Tasha, o Chega vai insistir em mais esclarecimentos, para além daqueles que já foram dados ontem pelo líder do PS?
Antes de mais, bom dia, Bruno. Cumprimentar a Luci, a Paula e a todos os nossos ouvintes, naturalmente, é um gosto estar na vossa companhia. Como dito pelo nosso presidente, o doutor André Ventura, Pedro Nuno Santos não pode dar menos explicações do que aquelas que ele próprio, e na verdade, todos os partidos da Assembleia da República, exigiram que Luís Montenegro desse também nos casos que o envolvem e, até ao momento, as explicações consideradas não foram as consideradas necessárias, úteis e suficientes. A Pedro Nuno Santos não se aplica nada mais que a mesma coisa. E nessa medida, aquilo que esperamos é que Pedro Nuno Santos, até depois das palavras que deu ontem, cumpra aquilo que disse, que foi a entrega de documentos, a prestação de todos os cabais esclarecimentos, porque para já fez a mesma coisa que Luís Montenegro fez. Disse que ia dar esclarecimentos. Luís Montenegro até ao momento não os deu. Esperamos que Pedro Nuno Santos faça o contrário e é isso que exigiremos.
Paula Santos, bom dia, bem-vinda também a este Explicador. André Ventura acusou ontem Paulo Raimundo de ser mais suave com Pedro Nuno Santos do que com Luís Montenegro. O PCP, a CDU vão insistir também com a necessidade de mais esclarecimentos por parte de Pedro Nuno Santos em relação a este caso ou não acham que estes dois casos de Pedro Nuno Santos e Luís Montenegro sejam equiparáveis?
Relativamente à situação que veio a público, o Paulo Raimundo, ontem secretário-geral do PCP, deixou muito claro que é necessário que se investigue até ao fim e deixou ainda mais a necessidade que seja célere essa investigação para que estes climas de suspeição sejam clarificados rapidamente. Relativamente a Luís Montenegro, daquilo que veio a público, ficou muito claro a existência de um conflito de interesses. E, portanto, por isso é que relativamente a essa situação em concreto, o PCP, não só face à promiscuidade, face à degradação da situação económica e social e da situação política, apresentou, inclusivamente, uma moção de censura, mas relativamente a um e relativamente ao outro, o que o PCP deixou claro foi a necessidade de se investigar, neste caso concreto de Pedro Nuno Santos, de se investigar o mais rapidamente possível.
Rodrigo Tasha, ontem vimos o Chega, através de André Ventura, muito mais europeísta na estratégia de resposta às tarifas impostas por Donald Trump, do que a maioria dos seus congéneres europeus, dos partidos políticos da mesma família na Europa. Há aqui uma mudança de política, de estratégia do Chega em relação à resposta às tarifas impostas pela administração Trump?
Não, Bruno, se me permite. O que há é uma grande confusão sempre, nalguns casos má vontade, naquela que é a interpretação e depois a disseminação das palavras do doutor André Ventura. Como eu próprio tenho dito tantas vezes, e eu aqui repito, embora seja caricato ter que o fazer, o doutor André Ventura não se está a candidatar a presidente dos Estados Unidos da América, nem a presidente da França, nem a presidente do governo espanhol, nem nada que se pareça. Está a candidatar-se a primeiro-ministro de Portugal e, portanto, como sempre tem dito, primeiro Portugal, primeiro os portugueses. Naturalmente, fazendo Portugal e os portugueses parte do bloco europeu, naturalmente, primeiro os portugueses e primeiro a Europa.
Mas a resposta tem que ser sempre concertada e dada através das instituições europeias, da União Europeia, neste caso em particular das tarifas?
Repare, no que diz respeito a matérias que envolvam o bloco europeu como um todo, naturalmente que tem que haver sempre uma palavra forte de comando das próprias instâncias europeias. Agora, essa voz de comando das instâncias europeias forma-se, constrói-se, através do contributo de todos os Estados-membros nacionais que compõem a União Europeia. E nesse sentido, isto não são matérias separáveis, são matérias que estão umbilicalmente ligadas. E portanto, eu acho sempre curioso, e por isso essa é uma ideia com a qual eu me bato sempre muito, porque dá a sensação quando André Ventura fala sobre os Estados Unidos é porque está a proteger os Estados Unidos. Depois, se fala sobre a Europa, bem, já está em confusão, porque primeiro defendeu os Estados Unidos e a seguir já está a defender a Europa. Nunca há uma boa vontade de concorração e nalguns casos, não estou a dizer que é o seu caso, Bruno, nalguns casos, com a idoneidade que se exige ao jornalismo, fazer a interpretação e a disseminação das palavras do doutor André Ventura. Eu não vejo nada de diferente entre aquilo que o doutor André Ventura ontem disse no debate e aquilo que tem assumido sempre. E assumido sempre não é agora nestas eleições apenas, é desde que o Chega entrou na Assembleia da República.
Mas tenho a oportunidade aqui de esclarecer essas dúvidas que existem e podem existir também entre o eleitorado. Paula Santos, a resposta ao protecionismo de Trump, às tarifas impostas por Trump, é o isolacionismo de Portugal. Portugal pode sobreviver e prosperar sozinho, como dá a entender o PCP?
Há sempre no nosso deturpo também aquilo que é a posição do PCP relativamente a esta matéria. O que nós colocamos é que há uma necessidade no nosso país de intervir para sermos menos dependentes do exterior. E por isso é que nós colocamos três aspetos que são importantes. Por um lado, a dinamização do mercado interno, e isso exige, naturalmente, o aumento dos salários, o aumento das pensões, mas é isso que permite dinamizar a economia no nosso país, em particular das micro, pequenas e médias empresas. Segundo aspecto, a necessidade da aposta na produção nacional. Nós temos visto ao longo dos anos a dependência do nosso país em áreas que são absolutamente fulcrais para a nossa vida. Olhe, por exemplo, na produção de alimentos, nos medicamentos, na produção de equipamentos que são importantes para o nosso desenvolvimento. E nós apostamos na nossa capacidade produtiva, produzindo mais, reduzimos importações e naturalmente afirmamos a nossa soberania. São situações diferentes, não estou a fazer comparações, mas recordo que na altura da pandemia, da incapacidade para produzir mais do que nós tínhamos e um conjunto de produtos que se tornaram fundamentais na área da saúde. E, portanto, aquilo que nós estamos a colocar é que precisamos, de facto, de aumentar essa capacidade produtiva. E o terceiro aspecto é a diversificação das relações económicas, naturalmente pautadas pela cooperação e mutuamente vantajosas. Portanto, aquilo que nós estamos aqui a colocar é a defesa dos interesses do nosso país e a defesa dos interesses do nosso povo. E não podemos aceitar qualquer submissão aos interesses da administração Trump e, portanto, estes são os aspetos que nós consideramos que são prioritários.
Mas é uma resposta que tem que ser dada no quadro das instituições europeias, ou Portugal pode aqui seguir uma política mais autónoma?
Portugal deve ter uma intervenção própria e Portugal deve intervir no quadro das instituições da União Europeia, numa perspetiva de não aceitar pressão, chantagem, nem numa perspetiva de subserviência àquilo que são os interesses dos Estados Unidos da América.
Rodrigo Tasha, o Chega está a entrar no eleitorado que era do PCP ou é, como disse Paulo Raimundo, um partido próximo das grandes empresas que, Paulo Raimundo também disse, financiarem o Chega?
Essa é uma pergunta importante e eu vou responder com a maior franqueza. Eu penso que o Partido Comunista é objetivamente uma das poucas sombras de um passado que ninguém deseja. E nessa medida, claro que, em algumas zonas... Calma, Paula, eu não o interrompi, não me interrompa também. Ia eu a dizer, é uma sombra do passado que não interessa. É claro que esse mesmo sentimento tem respaldo no eleitorado e é óbvio que há zonas do nosso país em que outrora algumas pessoas que acreditaram e votavam no Partido Comunista já perceberam isto mesmo que eu estou a dizer e votam agora no Chega. Eu não queria também ir por aí, mas já que me faz a questão, eu vou ser também franco no que toca a essa balela sempre repetida de que o Chega é apoiado pelas grandes empresas. Ó meus caros amigos.
Foi dito ontem por Paulo Raimundo.
Sim, com certeza. É isso mesmo que eu estou a referir. O Chega pode ser apoiado quer pelas grandes empresas, quer pelas médias empresas, quer pelas pequenas empresas. O partido que eu sei que não é apoiado por empresa nenhuma é o Partido Comunista, porque o Partido Comunista nunca defendeu as empresas. O Partido Comunista aquilo que sempre defendeu foi o músculo do Estado, o Estado na sua versão mais alargada, daí ter realizado, ter defendido e ter participado em momentos historicamente tão negativos, como as ocupações de herdades, como as ocupações de empresas, como as ocupações de casas, como os saneamentos de gestores, os saneamentos de diretores de empresas, fossem lá essas empresas da banca, da agricultura ou qualquer outra. Portanto, a mim não me choca nada que as grandes empresas apoiem o Chega, mas apoiam as grandes, e as pequenas, e as médias. E nesse sentido, repare, eu acredito que o PCP ainda tenha alguma, mas pouca tração no setor mais envelhecido da sociedade, mas na malta nova, digamos assim, e na malta que já não vai para nova, que é o meu caso, mas que está na casa dos 30, dos 40 anos, já ninguém tem paciência para aquilo que o Partido Comunista diz. E digo mais. E depois, para lá dessas questões econômicas e financeiras e de gestão de um país, matéria da qual nunca perceberam nem percebem nada, até do ponto de vista internacional, às vezes arriscam dizer que os outros é que defendem isto e é que defendem aquilo, mas depois, perante um conflito armado na Ucrânia, não são capazes de condenar a Rússia e são atores vivos em cenas tão ridículas, tão caricatas, como a senhora embaixadora da Ucrânia vai ao Parlamento. Todos os deputados se levantam para aplaudir o esforço de resistência do povo ucraniano e o que é que a bancada parlamentar do Partido Comunista faz? Fica sentadinha, não bate palmas, ao olhar muito espantados e nem se condenam. Bem, eu penso que isto diz tudo, mas se quiserem mais exemplos, eu assim continuo.
Paula Santos, o PCP, de facto, está ameaçado pelo Chega? É um partido que, de acordo com o que disse André Ventura, está contra as empresas, quer as grandes, quer as pequenas e médias empresas?
De facto, a falta de argumento para fundamentar as posições e vir com toda a cartilha a Ticum diz muito do Chega e diz muito daquilo que defende e apoia. Porque ontem Paulo Rangel fez cair a máscara ao Chega, porque a verdade é que o compromisso do partido Chega é com os grupos económicos e com as grandes empresas. Aliás, veja-se a votação em matéria de impostos, com a redução do IRC, que ainda queriam que fosse mais longe. E quem é que beneficia essa mesma redução? São as grandes empresas da banca, da Galp, da Ren, da grande distribuição, dos grupos económicos. E portanto, a preocupação claramente não é nem com os trabalhadores, nem com os reformados, nem com o nosso povo, nem com os nossos jovens, nem com as micro, pequenas e médias empresas que todos os dias são sacrificados nos seus salários, nas suas pensões. E sabe aquilo que pesa de facto mesmo sobre as micro, pequenas e médias empresas? São os custos da energia, são os custos dos combustíveis, são as comissões bancárias, são os seguros, é tudo isso. E relativamente a essa matéria, o que é que diz o Chega? Não se pode beliscar os lucros das grandes empresas e por isso é que aprovou e está de acordo com a redução do IRC, que tira recursos ao Estado para investir na saúde, para investir na educação, para investir na habitação, nos grandes problemas que têm. Há pouco, estava a dizer para não interromper. Mas como me interrompeu, agora posso empertar. O Partido Comunista foi interrompida. Mesmo para concluir, Paula Santos, por favor. Para concluir, aquilo que é necessário e aquilo que nós colocamos, além de ter caído a máscara ao Chega, aquilo que nós colocamos e consideramos que é fundamental, de facto, é a valorização efetiva dos salários, é o aumento efetivo das pensões. E há condições para isso. Não podemos aceitar que os grupos económicos tenham trinta e dois milhões de euros de lucro por dia e os salários no nosso país e as pensões não deem até ao final do mês. E portanto, é aqui que é a questão central, mas também é aqui que o Chega não quer intervir, porque aquilo que importa é salvaguardar os interesses daqueles a quem servem e daqueles que defendem. E ficam claras as vossas ideias. Paula Santos. Fica particularmente claro que da parte do PCP, cá estamos. E cá estamos para estar ao lado dos trabalhadores, dos reformados, do povo, do desenvolvimento do nosso país. É isso que nós temos colocado em cima da mesa. E é futuro no nosso país. Muito obrigado pela vossa participação neste programa.
Roubaram Portugal durante 50 anos, foi o que o Partido Comunista fez, roubar Portugal.
Lutamos pela liberdade e pela democracia.