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Bem-vindos a mais um explicador especial na Rádio Observador. Estamos a promover debates nos vários círculos eleitorais do país com os partidos que foram eleitos nas legislativas do ano passado. Hoje é sobre Coimbra. Tenho comigo o cabeça de lista do PS, Pedro Delgado Alves, 44 anos, professor universitário, atualmente deputado do PS. Também a cabeça de lista da AD, coligação PSD/CDS, é Rita Alarcão Judice, 51 anos, advogada, atual ministra da Justiça, e o candidato do CHEGA, Paulo Seco, assessor parlamentar do partido e presidente da distrital de Coimbra. Bem-vindos aos três. Obrigado pela disponibilidade. Pedro Delgado Alves, começo por si. O PS tem dito que a estabilidade política só é possível dando a maioria aos socialistas, mas a maior parte das sondagens aponta para uma maioria à direita e até uma possibilidade de maioria absoluta entre AD e IL. Onde é que esta afirmação da estabilidade política com o PS tem adesão à realidade?
Boa tarde a todos e todas. É um gosto também ter esta oportunidade aqui na Rádio Observador, que também saúdo pela realização dos debates. Ora bem, o que o PS tem dito não é distinto daquilo que tem sido a sua prática ao longo do último ano. Ou seja, nós encaramos a estabilidade como algo que é relevante no nosso sistema, algo que infelizmente não temos tido capacidade de construir. Ao longo deste ano, contribuímos sempre que foi necessário para a alcançar, seja na eleição do presidente da assembleia, quando se desbloqueou aqui a dificuldade na eleição, seja na não rejeição do programa do governo, mais tarde, na viabilização do orçamento de Estado. Ainda agora, apesar de todas as circunstâncias que levaram depois à queda do governo, em todos os momentos em que foram apresentadas moções de censura, também não demos o nosso desfavorável e, portanto, não o provocámos. Nós temos um ano em que, não obstante na oposição, e não obstante termos propostas construtivas que apresentámos no Parlamento, como deve ser, no sentido de que o Parlamento pode legislar, acho que demonstrámos que temos vontade e capacidade de construir essa estabilidade, porque conseguimos também construir diálogo e fizemos esse esforço com outras forças políticas. O que nos parece é que no final deste ano, o governo teve uma minoria relativa ou teve uma maioria relativa, se quisermos encará-la de uma forma ou de outra. Foi o governo mais minoritário dos últimos anos. Mas a capacidade mobilizadora dos consensos parlamentares, em sede parlamentar, até com o maior partido da oposição, respeitar a disponibilidade que tínhamos e não ter uma atitude por vezes sobranceira em relação não é propriamente à mão que era estendida, mas à mão que era estendida aos portugueses para lhes dar estabilidade, revela da nossa perspectiva, e os factos já tiveram nota disso, que seremos melhores intérpretes e melhores construtores de estabilidade vencendo este ato eleitoral e acho que os portugueses farão justiça. E esse reconhecimento, é nisto que damos nota.
Mesmo que não haja uma maioria à esquerda no Parlamento.
Neste período de tempo, acima de tudo, todos nós, nesta sala ou a partir dos vários pontos em que falamos, respeitaremos a vontade dos portugueses, que se quiserem dar uma maioria a uma força única ou a uma coligação, o farão. Se o não derem, temos que ter a responsabilidade e a capacidade de construir. O que nós estamos a dizer e o que demonstrámos e aquilo que o nosso histórico demonstra, é que estamos numa posição privilegiada pra poder ser intérpretes dessa construção, mesmo que a opção dos portugueses não seja dar uma maioria à esquerda. O PS revelou, ao longo deste ano, que tem a disciplina, a vontade e a responsabilidade para ajudar a construir uma solução estável e está disponível pra isso.
Deixe-me pegar nisso aqui para perguntar à Rita Alarcão Judice se a AD deve garantir reciprocidade ao PS. Ou seja, no caso de vitória do PS, a AD deve comprometer-se em viabilizar o governo, tal como o PS fez agora nesta legislatura?
Boa tarde a todos. Obrigada também pela oportunidade deste debate. É um gosto poder estar aqui também com os líderes, cabeças de lista pelo PS e pelo Chega em Coimbra. O doutor Luís Montenegro sempre disse que só governaria se ganhasse e, portanto, acredito que fará o mesmo se não ganhar, que é a solução que julgo que estaria em discussão. Agora, na verdade, o PS teve a oportunidade de governar com estabilidade. Aliás, nós saímos de um governo PS com maioria absoluta e o facto de este governo ter sido minoritário, como disse há pouco, o governo mais minoritário dos últimos anos, não tive essa contabilidade, mas o facto é que não nos impediu de governar e de fazer em 11 meses o que não foi feito em oito anos, em que havia maior estabilidade política à esquerda. E por isso está provado que a estabilidade política à esquerda não nos trouxe bons resultados. Foi possível e existiu. Procurámos ter uma estabilidade à direita e é isso que procuramos, e é isso que julgamos que vamos conseguir para melhor governar o país e poder continuar este programa e este plano de crescimento do país.
Sem desvendar se viabilizam ou não um governo do PS.
Não será a mim que me competirá agora dizer, entrar por esse detalhe e por esse debate. O que lhe posso dizer é que estamos a lutar e acreditamos que os portugueses, depois de verem o que o governo fez neste último ano, darão com certeza uma vitória mais expressiva à coligação PSD/CDS. Se no último ano algumas dúvidas existiram, e admito que existiram, porque a nossa vitória não foi tão expressiva como queríamos, também é verdade que algumas das dúvidas que poderiam existir se dissiparam. Não sei se se recordam, mas recordar-se-ão com certeza, que passámos metade da campanha anterior a discutir o não é não ao Chega. E isso teve dois efeitos. Embora o candidato a primeiro-ministro, na altura, tivesse deixado muito claro que não era não, esta discussão à volta da palavra que o senhor primeiro-ministro deu, à altura candidato ao Chega, à não coligação com o Chega, teve dois efeitos: por um lado, houve quem não acreditasse que o não era não e, portanto, quis dar mais poder ao Chega
E houve quem acreditasse que ia haver uma coligação e, portanto, não quis juntar-se e votar na AD com medo de uma ligação à extrema-direita.
Isso ficou clarificado. Deixe-me pegar nisso para perguntar ao Paulo Séco, candidato do Chega, que com as sondagens a darem o Chega longe de uma vitória como pede André Ventura, que diz que quer ser o próximo primeiro-ministro, e com este não é não que tem sido vincado pela AD, como é que o Chega pode ter influência nos destinos do país?
Boa tarde a todos. Antes de mais, a todos e a todas, aos ouvintes da Rádio Observador e em particular aos coimbricenses que nos estarão a ouvir. Agradecendo desde já na pessoa do jornalista Miguel Luís, o convite que nos foi endereçado, a nós partido Chega e a mim em particular, para poder esgrimir um bocadinho as nossas ideias. Como eu dizia num debate um dia destes, eu é que sou o rookie de serviço e para mim é um prazer, um enorme gosto, poder estar na presença de duas ilustres cabeças de lista, que era a doutora Rita Judas, da qual eu já a cumprimento, e ao doutor Pedro Delgado Alves, que já lhe disse pessoalmente nesse debate, que debater com dois ilustres candidatos assim, para mim torna-se muito gratificante. Apenas sugeria aqui algo tão simples quanto isto: termos sinergia acima de tudo, que todos somos poucos para Coimbra e sobretudo por Coimbra. Eu vou pegar um bocadinho pela última frase da doutora Rita Judas, quando fala de uma extrema-direita. Eu vou corrigir. Não é que eu seja a pessoa indicada para fazer isso, porque longe de mim elogiar alguém com tão ilustre calibre, mas a realidade é esta: nós não somos extrema-direita, somos extrema necessidade, que é algo diferente. E quando eu digo isto, eu tenho uma retórica um bocadinho diferente. Não sou tão efusivo nas palavras, mas acho acima de tudo que Portugal precisa de uma opção e nós somos a verdadeira opção. Eu defendo há muito tempo, e não é de agora, e o próprio doutor André Ventura já mais do que uma vez tentou esse tipo de ação perante o PSD, de ter uma união de esforços à direita. Portugal precisa urgentemente disso, não desprestigiando qualquer outra força política, mas nós precisamos urgentemente de um enquadramento à direita que nos potencialize e acima de tudo nos crie alguma coesão e romper com o sistema instalado deste bipartidarismo de luta que existe. Portanto, PS, PSD, já viu que não funciona, a instabilidade cada vez é maior. Flijam, infelizmente, aquilo que nós vemos é que nos últimos anos, devido a essa situação, os governos não têm durado. Não vale a pena estarem a dizer que é da responsabilidade do Chega ou a de qualquer outro partido, é da exclusiva responsabilidade. E mais nada se pode dizer acerca disso. É da responsabilidade do PS e do PSD, que não conseguem esgrimir ideias, nem opiniões, nem criar soluções para manter algum tipo de estabilidade e de qualidade na sua vida política. E eu digo isto até porque estavam a falar na questão da aprovação do Presidente da Assembleia da República. Eu estive nesse processo como assessor e sei exatamente como é que o processo decorreu e a realidade é esta: é que nós perdemos ali, salvo erro, um dia e meio para se decidir algo que se podia ter decidido em pouco mais de uma hora. E quando eu digo isto, digo isto mesmo de coração cheio. É que quando nós acionamos todos os meios e depois chegamos a uma conclusão tão simples que é não há acordo possível. Portanto, como é que é possível um partido de direita como o PSD não conseguir abrir mão e dizer assim: "Calma, eu para conseguir ter estabilidade política no país e acima de tudo conseguir que os portugueses tenham estabilidade política, eu nesta altura preciso inequivocamente de ter uma união de esforços à direita e garantir estabilidade."
Foi por Luís Montenegro que falhou esse acordo. Já percebemos a sua ideia.
Inegavelmente. Quem perde com isso é o povo português, nada mais.
Vamos entrar aqui nalguns temas mais específicos. Enfim, muitos deles a solução é de nível nacional, mas têm particular impacto e relevância em Coimbra. Começo pela saúde, até porque o Centro Hospitalar Universitário de Coimbra é um polo de saúde importantíssimo para a região e por isso também recebe muitos pacientes de outros municípios. Pedro Delgado Alves, esta pressão sobre o Hospital de Coimbra e sobre o SNS não é do último ano. A resposta começou a ser dada demasiado tarde. Como é que se pode acelerar esta reposição da normalidade?
Em primeiro lugar, eu não quero refutar, entrar logo a ter juntos, mas eu diria que no último ano as coisas pioraram significativamente e um bom exemplo disso. Se nós fizermos o balanço do que aconteceu ao longo deste último ano. Três diretores-gerais do Serviço Nacional de Saúde, dois diretores do INEM. Tivemos um total de 16 administrações do ULS substituídas. Felizmente, não foi o caso em Coimbra, nem na do Baixo Mondego. Portanto, o trabalho que ali tem vindo a ser realizado de qualidade, felizmente, tem mantido alguma estabilidade. Mas o facto de termos tido este ano, era ao ponto onde queria chegar, mais urgências fechadas do que há um ano, pressionou a ULS de Coimbra de uma forma como não tinha havido pressão em anos anteriores, porque foi a resposta perante fechos em Aveiro e no distrito de Leiria que obrigaram a que um serviço, que obviamente já tem uma dificuldade significativa, tem uma população muito grande, é das maiores ULS do país, abrange não só uma grande parte do distrito de Coimbra, como ainda tem uma porção substancial e relevante de concelhos do norte do distrito de Leiria e mais alguns, quer de Viseu, quer de Aveiro. Foi carregado com a falta de resposta de outros lugares. Isto é uma pioria, digamos assim, que se registou ao longo deste ano. O que estava a decorrer em todo o país era a mudança para um modelo novo, modelo ULS E o modelo da ULS procura assentar numa resposta de proximidade, que tem uma resposta que se centra não só naquela que é em torno dos hospitais, mas que procura também puxar os cuidados de saúde primários e articulá-los em rede. E, de facto, a experiência, especialmente em Coimbra, no Baixo Mondego, em ambos os casos, revela um sucesso deste modelo. Isto é, a ideia de mais autonomia para esta gestão, mas também a ideia de que se articulam as respostas entre os cuidados de saúde primários, também se evita a concentração excessiva nas urgências. Ou seja, se a resposta puder ser dada primeiro em proximidade e muito trabalho, muito investimento que estava programado pelo anterior governo do PS em investimentos nestes territórios tinha a ver com a criação de condições nos centros de saúde, descentralizadamente, levar coisas como exames, por exemplo, os rastreios da diabetes, seja o pé diabético, seja, por exemplo, a retinopatia, que são exames que podem ser deslocalizados, evitam deslocações ao centro, evitam deslocações a Coimbra, que é o caso, à sede e, portanto, ao hospital, e previne também uma outra coisa muito importante, que em muitos casos se evite o recurso excessivo à urgência. Ou seja, são episódios que podem ser resolvidos com esta articulação em rede e com esta resposta em rede. Agora, obviamente, os problemas do SNS continuam a precisar de dois tipos de investimento. Um, que é um investimento em recursos humanos, na qualificação de recursos humanos, mas acima de tudo num desenho de carreiras adequadas, carreiras que deem estabilidade, que sejam competitivas à entrada e que permitam, ainda para mais, e volto a dizer, Santo Tirso para o Baixo Mondego, mas é em Coimbra que temos a particularidade de ter também um hospital universitário e ter essa componente lá dentro, que isto acautele as necessidades das carreiras clínicas, que são médicas em primeiro lugar, mas também são de investigação e também são de docência. Portanto, esta componente, parece-me, é algo que no programa do PS, como diz o João Miguel, é um aspeto que são respostas nacionais, mas que é muito evidente neste caso, que sem uma boa resposta de captar profissionais, não se consegue superar. Por outro lado, é prosseguir o investimento. Ou seja, em Coimbra, em particular, é absolutamente fundamental e urgente concluir que se consiga construir a nova maternidade. A nova maternidade terá um impacto brutal na capacidade de resposta da ULS, porque não só liberta para outros usos na área da saúde, os edifícios que ficam vagos, como, por outro lado, também terá a vantagem de enormes economias de escala e de melhoria na qualidade da prestação de serviços. Mas ao longo deste ano, eles ainda estão a aguardar. Portanto, é um bom exemplo de que não só não tivemos inovação e avanço da parte do governo, como a falta da portaria de extensão de encargos, ou seja, aquilo que permite lançar o concurso, ou da repartição anual dos encargos para ser lançado o procedimento concursal para a construção da nova maternidade, penaliza especialmente o desenvolvimento da ULS de Coimbra e uma resposta que no quadro em que há várias coisas a fazer, há que continuar a investir no Hospital dos Covões, há que continuar a concluir as intervenções que estão a ser feitas nas urgências, mas esta grande obra de vulto, que é a construção da maternidade, neste momento, temos uma resposta da administração central que está em falta e que está em falta. Enfim, estava tudo programado, tudo planificado e esse desbloqueio, que por um lado, se as ULS tivessem mais autonomia, estava superado, mas que não atende, porque precisam de uma resposta do governo, infelizmente, está a colocar a ULS a marcar passo.
Rita Alercon Júdice, pegando aqui no que disse o Pedro Delgado Alves, em Coimbra é um bom exemplo de que não substituir as lideranças dos hospitais e dar estabilidade a esta reforma da organização traz bons resultados. E, por outro lado, se Coimbra devia ter uma capacidade de retenção maior, lá está, por ser um grande centro hospitalar universitário.
Quando as direções funcionam bem, não há razão nenhuma para as alterar e Coimbra foi a prova disso, com certeza. Eu achei alguma graça ouvir o Pedro Delgado Alves dizer que a maternidade não avançou nestes 11 meses de governo. Pois o governo PS deu luz verde à nova maternidade em 2016, pasme-se, em 2016. Portanto, há mais de quase nove anos. Inclusivamente, em 2022, já o ministro da Saúde da altura dizia que o concurso ia ser lançado em 2023. A verdade é que não aconteceu nada. Portanto, neste momento temos uma dotação no Orçamento de Estado de 45 milhões para a construção da maternidade, está o projeto avançado. Não fora a queda do governo, estaríamos a concluir com maior celeridade esse projeto. É um projeto estrutural que está reconhecido como importante para a cidade e para o distrito e que vai avançar e com o governo AD avançaria e com o novo governo AD avançará. Por isso não tenho qualquer questão ou qualquer dúvida quanto a esse ponto. Relativamente ao sistema de saúde. Eu, por acaso, no ano passado, já andei em campanha por Coimbra e já tive a oportunidade de visitar vários centros de saúde e ver o estado em que a situação estava. E vi e ouvi de muitos profissionais de saúde o desespero, da falta de meios, da falta de pessoal. Cheguei a ver infraestruturas, salas dentárias fechadas, todas equipadas, mas sem ninguém para nelas trabalhar. Portanto, eu vi. Não vi nada de bom. Vi, aliás, muitos problemas acumulados em Coimbra, como aliás acontece no resto do país. A situação da saúde em Portugal é um acumular de muitos erros, muitas decisões foram tomadas de forma errada, muitas delas motivadas por complexos ideológicos, como é bem sabido. Coimbra tem a sorte de ter um centro hospitalar de excelência, um hospital universitário, que embora estivesse ameaçado de perder alguma da sua dignidade enquanto hospital universitário durante o governo PS, a verdade é que subsistiu e muitos alertas foram feitos Para que não se perdesse o investimento que é feito no Hospital de Coimbra e para permitir que Coimbra continuasse a ser o cluster de saúde que sempre foi.
Mas não houve uma gestão de expectativas que acabou por defraudar a população na área da saúde?
Existiu, designadamente no que respeita à maternidade, que era importante e que é reclamada há muito. Há uma dificuldade de gestão de pessoal, como é natural. O Partido Socialista diz que temos que contratar mais pessoas, mais profissionais pro SNS, mas a verdade é que não é só com mais meios que se resolvem os problemas. Aliás, o orçamento da saúde tem sido sucessivamente aumentado. Nunca se gastou tanto em saúde como nos governos socialistas. E a verdade é que os problemas não só não ficaram resolvidos, como agravaram. O que nós podemos fazer é melhorar a gestão, melhorar as condições, designadamente de quem trabalha, dando melhores condições de carreira, revendo as carreiras dos profissionais de saúde, como foi feito, e é trilhando esse caminho que vamos apresentando resultados e que estamos confiantes que os portugueses percebem e reconhecerão.
Paulo Seco, o Chega e o próprio Vale já aqui apontou essas críticas ao PS e ao PSD que foram falhando ao longo de todos estes anos. Na saúde, o que é que o Chega pode trazer de novo à gestão que melhore esta situação? O que é que tem de diferente para mudar este problema? Porque a questão do financiamento já se percebeu que não basta. A gestão por si só também não está a trazer melhorias repentinas. O que é que o Chega tem para trazer de diferente?
Eu acho que o Chega pode ser diferente em vários âmbitos e na Assembleia da República tem feito propostas neste sentido. Mas eu queria aqui frisar algo tão simples quanto isto, que é: a saúde em Coimbra está de saúde, mas é uma saúde doentia. E o que eu quero dizer com isto? É que todos os anos, ano após ano, seja qual for a campanha eleitoral que ocorra, seja legislativa, seja autárquica, que seja o que seja, vêm sempre com o tema da maternidade. Eu já ouço isto há anos. Eu tenho 51 anos. Não referi isso ao início, mas eu tenho 51 anos, sou pai de três filhos e tenho 49 anos de vivência em Coimbra. Só há dois anos é que vivo em Lisboa. De qualquer das formas, em 49 anos, eu estou sempre a ouvir a mesma conversa da nova maternidade. Governos PS, governos PSD. Eu acho que falta aqui um bocadinho, e isto sem querer molindrar qualquer um dos meus colegas de painel, porque não compete a eles, não são eles os responsáveis por estas tomadas de decisão, mas compete aos poderes governativos, quer de um partido, quer de outro, apenas prometerem aquilo que podem executar. E a questão passa mesmo por aí. Acho que é de uma falta de respeito e uma falta de ética virem constantemente, de campanha em campanha, virem novamente falar da questão da maternidade. Eu gostava que explicassem isso às mães e às famílias que todos esperam por um serviço de saúde digno e, acima de tudo, uma maternidade digna. Eu não estou a dizer que ela não faz falta à cidade de Coimbra, provavelmente faz, mas quer a Daniele Matos, quer a Bissaya Barreto, provavelmente se fossem reestruturadas ou se fossem reconfiguradas, poderiam fazer face a essa necessidade. E a questão que aqui está é tão simples quanto isto: é que são dois partidos que se habituaram ao longo destes últimos anos a empurrar sempre com a barriga os problemas. E eu dou-lhe o exemplo do Hospital dos Covões. Eu tenho sido um grande defensor do Hospital dos Covões e tenho escrito alguns artigos. Aliás, eu escrevi um artigo não há muito tempo em que dizia que o Hospital dos Covões era o patinho feio da cidade de Coimbra. Para quem não conhece, o Hospital dos Covões foi criado há muitos anos com um outro intuito e passou a ser uma referência para a região. Aliás, para terem uma noção, quer do interior do país, quer do litoral do país, toda a gente recorre ao Hospital dos Covões, quase como se fosse um hospital não de segunda linha, mas um hospital de primeira linha, mas encostadinho um bocadinho mais ao lado. E a verdade é esta: é que desde o ano passado, por exemplo, dou-lhe o exemplo de Cardiologia e Pneumologia, o laboratório de hemodinâmica, retiraram-lhe estes serviços todos. Se acham que Coimbra, da forma como está, se calhar é prioritária à maternidade, eu não vou contrariar o que quer que seja. Agora, na minha opinião, passa acima de tudo por remodelar os serviços e reconfigurar os serviços do Serviço Nacional de Saúde existentes em Coimbra, desde o interior ao litoral, e deixarem de se preocupar com a maternidade. Mas quem diz a maternidade, diz outras situações, porque continuam a prometer os tais 45 milhões para fazer a maternidade. Uns dizem que é por causa da lei, outros dizem que está no orçamento de Estado e é porque caiu o governo, outros é porque não tiveram tempo de executar. Eu falo de uma forma prática, sucinta e acima de tudo que todos nos compreendam. A realidade é esta: não há necessidade de promessas, não há necessidade de chegarmos a este ponto, porque quem sofre, quem padece, são os utentes. Nós precisamos é, por exemplo, de uma urgência com dignidade e que trabalhe 24 sobre 24 horas, como é a do Hospital dos Covões. Nós precisamos é que os centros de saúde, quer da Pampilhosa da Serra, quer de Mira ou da Figueira da Foz ou de Arganil, onde quer que seja, tenham dignidade e tenham meios. Eu preciso é de ter meios específicos, por exemplo, no Quioda.
Que a rede trabalhe de forma eficiente e eficaz.
Eu dou-lhe só este exemplo: do Quioda a Arganil são 34 quilômetros, demora-se praticamente uma hora de viagem. Não há solução. Percebe? Isto são as soluções que se têm criado. Agora virem com demagogias de 45 milhões, nova maternidade, é à direita, é à esquerda, novo silo ao alto do CHUC. Isso é demagogia política, nada mais.
Estamos nos aproximando do fim do nosso tempo. Queria só ainda air aqui mais um tema e pedia-vos uma capacidade de síntese maior para conseguirmos ainda concluir, que é a questão da mobilidade. Também se fala, é também um problema já antigo na região de Coimbra e aqui arrisco dizer mais até na cidade de Coimbra. O Metro do Mondego já teve vários atrasos, entrará em funcionamento numa das variantes em julho. Pedro Delgado Alves, esta demora e as críticas de vários agentes políticos mostram que esta solução foi mal concebida desde o início
Eu penso imenso nisto. Ainda no ponto anterior, uma nota que eu acho que é importante. Temos que ter presente que o orçamento em saúde, em percentagem de PIB, é dos mais baixos da Europa. Ou seja, ele tem subido exponencialmente, mas não significa que acompanhe o crescimento dos custos e, portanto, a percentagem que hoje temos ainda é insuficiente. E eu queria só dar esta observação. Isto não é uma matéria de se ter demagogia destes anúncios. Há efetivamente em curso, em obra, só no ULS de Baixo Mondego, por exemplo, seis milhões em edificado, quatro milhões em imagiologia, 3,7 milhões na reabilitação da convalescença. E a opção da maternidade não é um capricho, é de facto uma melhoria da capacidade de prestação de cuidados, é a libertação de edifícios para outra realidade, que estão programados e fazem parte de uma visão de conjunto para a região. Há instantes, o Paulo Seco referia, de facto, a necessidade das respostas nos centros de saúde, nas zonas do interior do distrito, poderiam ter que ter uma capacidade de resposta melhor. Mas isso significa fazê-lo através da integração no ULS e os investimentos que têm ocorrido também nas zonas mais periféricas evitam a deslocação, não apenas à deslocação às capitais dos concelhos, mas à vinda a Coimbra para episódios de urgência que podem ser melhorados. E é esse o investimento paralelo que vai correndo. Tudo isto está em investimento e em execução. Portanto, que não fique a ideia que são projetos que estão apenas no ar, quando muitas destas coisas que estamos a referir ou foram edificadas, novos centros de saúde na cidade de Coimbra. O Doutor Magalhães, por exemplo, é um bom exemplo disso, a nível da sua reabilitação e da capacidade de dar resposta, mas também no resto do território. Portanto, não é de facto demagogia, são obras reais e que melhoraram a qualidade de vida das pessoas. Indo agora à mobilidade, que era a pergunta. O histórico é antigo, ou seja, a ideia da mobilidade regional, uma ideia que prezamos muito, porque de facto Coimbra, o distrito e a região, em consequência disso, tem características únicas de região metropolitana. A capacidade de poder ter, no fundo, território interligado através de vias mais suaves, mais eficientes de comunicação, permite resolver muitos destes problemas da interioridade, não obrigando a que todas as respostas tenham que existir em todos os concelhos, mas garantindo rapidez nas deslocações e que as pessoas possam ter forma de se fixar no interior do território e ainda assim, quando necessário, recorrerem a serviços que são prestados nos maiores centros urbanos. Ele de facto tem uma história acidentada que passou também por vários momentos acidentados da própria história do país. Quando se opta pela desativação da opção ferroviária, era na perspetiva de imediata substituição pela via da mobilidade suave, no momento em que se pensava mesmo como metro ligeiro. A troika, a intervenção externa, é um dos muitos investimentos que fica paralisado por isso. E depois a sua reconfiguração e a sua readaptação para ser possível conseguir uma resposta mais rápida, de facto demorou muitos anos, por várias gestões autárquicas de partidos de ambas as tendências, quer a nível nacional. Mas o que nunca se perdeu de vista, que os municípios integrados na CIM nunca perderam de vista, é a importância de voltar a existir uma estrutura, uma espinha dorsal, que consiga fazer a mobilidade na região. E esperamos, de facto, e é isto que para esta campanha temos vindo a sublinhar quando se tem falado no tema da mobilidade, neste eixo do tema da mobilidade, há muitos outros aspetos importantes, investimento ferroviário, a conclusão de eixos ferroviários também igualmente importantes, que também aguardam há muitos anos, mas concretamente enfocando-me nas respostas ao nível do sistema de mobilidade. Nós estamos numa fase em que estamos a começar a concluir obra, a iniciar exploração, e este é o momento em que não podemos baixar os braços e deixar de pensar a fase seguinte. Há várias opções em cima da mesa para a expansão a futuros centros urbanos e eu acho que é para aí que devemos olhar. Nesta próxima legislatura, deve ser feita essa reflexão sobre para onde é que vamos expandir a solução de mobilidade e começar a exploração o mais rapidamente possível. Porque se atrasamos outra vez esse debate, estaremos outra vez perante a dificuldade de muito tarde começarmos a executar e que as pessoas comecem efetivamente a usar o transporte e a perceber a diferença que faz nas suas vidas.
É trabalhar em cima daquilo que já existe e que vai começar em funcionamento. Rita Olivença Júnior, isso não é um pouco anacrónica esta solução do Metrobus em Coimbra em 2025, estarmos a falar deste sistema de mobilidade? Houve aqui falhas de conceção e de idealização deste projeto.
Deixe-me só também voltar um pouco atrás, só para dar nota do seguinte: relativamente às opções da criação ou não de uma maternidade. O doutor Paulo Seco, que é a postura que o Chega normalmente adota, é o tudo ou nada. Tem que ser sim ou não. E não é disso que se trata. Nós queremos criar eficiência, criar massa crítica e ter uma maternidade que preste serviços de excelência, concentrando serviços e conhecimento, é uma opção na qual nós nos revemos. Criação de novos centros do ULS, modelo F ou modelo C, está em vista, estão em andamento e fazem parte do nosso programa. Portanto, não temos que optar pelo tudo ou nada. Há soluções que permitem a conjugação de boas soluções que não sejam extremadas. Quanto ao tema da mobilidade, eu queria recordar que grandes medidas foram tomadas já por este governo, nestes meses, para aumentar a mobilidade e não fugindo à sua questão. Mas quer o passe ferroviário verde, que tem este valor único de €20 e que permite o acesso a serviços regionais, interregionais e também aos serviços urbanos de Coimbra, tem mais de 40 mil utilizadores. Vai também permitir e tem permitido andar em todos os comboios urbanos de Coimbra e com o alargamento que foi feito para jovens, sabemos a importância que isto pode ter para Coimbra, designadamente se pensarmos a população que vive nas redondezas de Coimbra, cidade de Coimbra, e que estuda em Coimbra e trabalha em Coimbra. Portanto, para nós é um foco muito importante a aposta na mobilidade. O tema do Metrobus é uma solução que existe em várias cidades europeias. Não sei se é uma solução anacrónica, não penso. Acho que houve uma grande precipitação do anterior governo quando arrancou todos os carris da linha da Beira Alta. Sabe-se que não o deveria ter feito e deixou sem solução, atrasou e ficámos dependentes da resolução e da conclusão da obra do Metrobus. Está a andar, que vai abrir agora em junho, vai ser transformadora para a cidade. Ainda ontem estive em Coimbra na apresentação da lista e já se nota também a diferença que existe na cidade. Claro que são obras perturbadoras, mas são obras que vão permitir com a ligação à estação e com a solução do TGV, de alta velocidade, que foi finalmente conseguida, assegurando A paragem na estação Coimbra-B vai nos permitir, com a ligação ao Metrobus, uma maior mobilidade da cidade de Coimbra que vai ser transformadora para a região, não tenho qualquer dúvida. E o governo está muito comprometido com esta solução. Se há governo que tem concretizado várias medidas na área da mobilidade e das infraestruturas, é este. Também por isso não vejo que sejamos com qualquer atraso ou problema nessa área. Havia muitos projetos estruturantes. Sabemos que já existiam muitos projetos e a decisão foi tomada pelo anterior governo, como sabem, do Metrobus. É um projeto que está em andamento e que está em execução e servirá, com certeza, bem a cidade. O Partido Socialista falhou na concretização deste plano. Há projetos que se atrasaram. Tivemos que fazer reprogramações, mas estamos convictos que será concluído e a tempo de em junho estar a funcionar, pelo menos em grande parte.
Paulo Seco, considera este Metro do Mondego um engano caro e uma promessa por cumprir, agora que está prestes a entrar em funcionamento, o Chega resigna-se a usar este sistema ou quer reverter se tiver força política para isso?
O Chega nunca se resigna ao que quer que seja. Eu só quero também voltar um bocadinho atrás, isto como forma de também fazer aqui um bocadinho de juiz às minhas palavras. Ponto número um: nem eu sou de posições extremadas, nem eu, graças a Deus, penso de forma extremada. Agora, devido à minha formação académica, eu sou contabilista certificado de profissão, olho muito para números e olho muito para posições. E há uma coisa que nós temos que ter na vida, é consciência. Estamos a falar de uma obra que decorreu durante 30 anos e seis governos. E depois deu no que deu. A primeira coisa que nos prometem, e isto não vale a pena, e eu continuo a dizer, não é da responsabilidade do doutor Pedro Delgado Alves, muito menos da doutora Rita Judice, mas são eles que representam as forças políticas. E isto nada pessoal, como é evidente. Agora, nós temos que ter consciência que os conimbricenses, e eu sei, porque fui um utilizador regular da linha da Lousã. Os conimbricenses foram enganados. E a verdade, o que prometeram foi um metropolitano ligeiro de superfície e não um autocarro articulado, por exemplo. A quantidade de anos que decorreu estas obras. Toda a celeuma criada em torno do processo das expropriações, de outras situações que houveram durante estes anos. Eu sei, porque eu estive envolvido no processo que deu início a toda esta situação do Metro Mondego. Provavelmente, seria de pôr qualquer uma das forças políticas, seja o PS, seja o PSD, de mão na cabeça e pensar até que ponto é que envergonharam os conimbricenses disto, independentemente de serem políticos eleitos como deputados na Assembleia da República, e existem responsáveis nessa área, como os ditos presidentes do município envolvidos nesta situação.
Mas tem condições para ser um bom sistema integrado agora quando entrar em funcionamento?
Tem condições, neste momento, de ser aquilo que é. É que a realidade é, depois de tantos milhões gastos, e estamos a falar de muitos milhões, há necessidade, num futuro, e não podemos estar só mesmo nas palavras. Nós temos que passar aos atos. E este tipo de obras, que são adjudicadas, têm que ser fiscalizadas com outro âmbito. Não podemos andar 30 anos para executar uma obra destas. Então se para fazer o Metro Mondego, e isto agora vai ser uma provocação positiva, mas a realidade é esta. Se para construir o Metro Mondego andámos 30 anos e seis governos, imaginem quando for para construir o novo aeroporto de Lisboa. Então vamos andar, se calhar, dois séculos. Percebe-me? A realidade é esta. Este processo merecia um projeto bem gerido, bem executado, competência e outro tipo de tratamento. E acima de tudo, até ter uma atenção bastante especial na questão dos 100 tuques. E isto é só o ponto final que eu lhe queria aqui deixar como evidência. A construção do Metro do Mondego.
Ia pedir mesmo para concluir.
Pronto, é muito rápido, são duas palavras. Há necessidades do Metro Mondego? É inegável que sim. Que num futuro próximo seja extensível a outros municípios, também não vou dizer que não seja necessário e acho que sim, até prever uma ligação mais próxima. Agora, também não podemos esquecer que dentro do município da cidade de Coimbra, existe uma empresa de serviços municipalizados de transportes urbanos que precisam de uma requalificação e precisam de uma reestruturação urgente, porque nós não podemos ter autocarros onde chove dentro e acima de tudo, instalações onde a deterioração é de uma tal maneira que os próprios funcionários têm dificuldade em lá trabalhar. Isto é um pequeno exemplo. Dar tudo pelo Metro Mondego, sim, mas não esquecer os outros sistemas de mobilidade que nós temos lá na cidade de Coimbra que precisam ser respeitados.
Paulo Seco, Rita Alarcão Judice e Pedro Delgado Alves, obrigado pela vossa disponibilidade para se juntarem a este debate da Rádio Observador. Obrigado.