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Bom dia, são 7h da manhã, está com a Rádio Observador, eu sou o Martim Madeira e está na hora de atualizar toda a informação com este noticiário das 7h da manhã. Começamos pelo internacional. Donald Trump rejeita a proposta do Irão para reabrir o estreito de Ormuz em sete dias. É o que avança o Wall Street Journal, que cita responsáveis norte-americanos não identificados. Em causa estão as declarações do ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, que à margem da Assembleia Geral da ONU, anunciou que esta proposta entraria em vigor assim que Washington aceitasse. Agora, o presidente norte-americano rejeitou esta proposta por desconfiar da capacidade de Teerão para corresponder às exigências norte-americanas. O Wall Street Journal avança ainda que os Estados Unidos podem mesmo retomar os ataques ao Irão depois das eleições intercalares, que estão marcadas para o dia 3 de novembro. Trump, no entretanto, também já afirmou várias vezes que a guerra terminará imediatamente depois das intercalares, pode ser por via de ataque ou pode ser por via das negociações. E agora seguindo uma linha causal com a guerra do Irão, falamos dos combustíveis. A Iniciativa Liberal, o PCP e o CDS deixam críticas ao governo. Mariana Leitão defende que o executivo de Luís Montenegro tem a obrigação moral de descer o ISP. Em declarações aos jornalistas, a líder dos liberais afirma que os portugueses estão a ser afetados todos os dias pelo aumento do preço dos combustíveis e diz que o governo está moralmente obrigado a ajudar as pessoas através da redução do imposto sobre os produtos petrolíferos e energéticos.

O governo legalmente não é obrigado, moralmente é obrigado. As pessoas estão a passar mal, as pessoas estão com dificuldades. Várias pessoas, famílias, são profundamente afetadas por isto. Não é só o custo da gasolina, é o custo depois em tudo o resto, pelo impacto que esse aumento do custo dos combustíveis tem. Portanto, moralmente, o governo devia pôr a mão na consciência e fazer a sua parte. E a sua parte é, uma vez na vida, em vez de virem com o argumento "não estamos a faturar", poder dizer uma vez que seja: "estamos verdadeiramente a ajudar as pessoas."

Mariana Leitão revela ainda que o partido enviou na quinta-feira perguntas à ministra do Ambiente para perceber qual a situação das reservas energéticas de Portugal. Critica também a atitude do governo, que apelida de ser paternalista, de pedir aos portugueses para pouparem nos combustíveis. Já o PCP quer mais esclarecimentos sobre as reservas de combustível do Estado e critica o que diz ser uma política de porcelana. Em causa está a mobilização de parte das reservas energéticas nacionais de combustível para França. A ministra do Ambiente explicou nesta semana que Portugal foi obrigado a enviar uma parte dessas reservas para fora do país, por falta da capacidade de armazenamento. Isto devido ao fecho da central de refinação de Matosinhos e ao fato da central de Sines não ter capacidade suficiente para armazenar estas reservas. Ora, Paulo Raimundo questiona a justificação do governo e pergunta o que o executivo tenciona fazer.

Perante essa possibilidade, perante essa justificação que levou a todo esse processo, qual é a situação com a qual estamos confrontados? É uma multinacional, neste caso espanhola, poder vir a ficar nas mãos com a única refinaria que o país tem, que é a refinaria de Sines. E o governo sobre isso não diz nada? O PS sobre isso não diz nada? Estão preocupados com a reserva estratégica e não estão preocupados com aquilo que pode acontecer amanhã, que é ficarmos sem nenhuma possibilidade, tendo reservas, não poder refinar?

Palavras de Paulo Raimundo, que avança ainda que submeteu também ontem no Parlamento uma pergunta dirigida ao governo. Em declarações em Loures, o dirigente comunista aproveitou também para apontar o dedo ao que chama de partidos da política de porcelana, por não quererem taxar lucros extraordinários. E do lado dos centristas, o deputado do CDS, João Almeida, discorda em absoluto dos apelos do governo à diminuição do consumo de combustíveis. Em causa, as declarações do ministro da Economia e da ministra do Ambiente, que pediram aos portugueses para consumirem menos energia. À RTP Notícias, o deputado do CDS diz que existem muitas pessoas que não têm capacidade de reduzir os consumos.

Eu devo dizer que discordo em absoluto dessas declarações dos dois ministros. Discordo em absoluto e acho que é a pior coisa que se pode dizer às pessoas neste momento. Do ponto de vista da sensibilidade política, não foram minimamente acertadas e também não reconheço às declarações uma consequência evidente que fosse positiva, porque há muita gente que não tem alternativa de transporte público, por exemplo, para levar os seus filhos à escola, para levar os seus idosos a tratamentos.

O deputado do CDS, João Almeida, a criticar as recomendações dos ministros na RTP Notícias. E Mário Centeno diz que não tenciona ser candidato a primeiro-ministro, nem concorrer à liderança do PS neste momento. Uma garantia deixada pelo ex-ministro das Finanças de António Costa e antigo governador do Banco de Portugal, na apresentação do livro Contas Certas, uma apresentação que contou com várias figuras do Partido Socialista. Mário Centeno apresentou o livro Contas Certas, com a coautoria do jornalista Filipe Santos Costa. Uma apresentação que contou com grandes nomes da história do PS. António Costa e o atual secretário-geral do partido marcaram presença e momentos antes do evento, questionados sobre uma possibilidade de Centeno poder vir a ser um concorrente na liderança do PS, Mário Centeno e José Luís Carneiro tiveram uma interação, no mínimo, constrangedora.

Vou ter aqui um concorrente. Concorrente para quê? Para quê?

Não sei. Você é que sabe.

Não, não, não. Então e o cartão, Mário Centeno aceitar? Isso é um assunto que diz respeito a Mário. Até já.

Uma questão sobre um cartão militante, que fica a cargo agora do ex-ministro das Finanças. Já no final do evento, Centeno explica que o livro é apenas uma visão sobre o caminho do país.

O meu papel, neste momento, é tão só

E se calhar já não é pouco, o de apresentar aquilo que é a minha visão sobre o caminho que o país fez.

O ex-governante do Banco de Portugal utiliza ainda uma analogia de uma mesa de três pernas como uma obrigação de os governos darem estabilidade a Portugal.

É obrigação de quem está e quem vive o ciclo político em cada momento, criar essas mesas de três pernas que a todo momento permitem fazer o país avançar. Não vai ser entregue pelo IKEA, nem vêm as instruções de montagem. É preciso construí-las.

Já sobre vir a ser primeiro-ministro, Centeno recusa.

Não gostava nada de ser primeiro-ministro.

Ainda sobre uma comparação, sobre ser o novo Passos Coelho da esquerda, Mário Centeno diz que é uma comparação sem qualquer cabimento.

Essa comparação é despropositada, porque o nosso passado é completamente diferente e não há nenhuma comparação possível, mesmo entre uma situação e a outra.

O livro "Contas Certas" de Mário Centeno, uns bastidores da vida do ministro, que no final até tem direito a uma playlist com a primeira música a ser de Amália e que Centeno diz ter dedicado ao secretário de Estado do Orçamento em 2016.

Aprendi a fazer contas, na escola de tenra idade. Foi mais tarde e ainda às escondidas, que fiz contas com a alma.

O resumo da apresentação deste novo livro de Mário Centeno, aqui ao som também da música de Amália Rodrigues, "Conta errada", a música que consta na lista de reprodução do livro de Mário Centeno. E por falar em intervenções de figuras do Partido Socialista, antes de Centeno, foi a vez de Pedro Nuno Santos, o ex-secretário-geral do PS, ataca o imobilismo de António Costa e o centrismo de José Luís Carneiro. Pedro Nuno Santos fez uma das poucas intervenções políticas de fundo desde que deixou a liderança do PS, num debate com João Cotrim de Figueiredo na quinta-feira, que foi promovido por uma associação de estudantes do ISEG e ao qual o Observador assistiu. O antigo ministro das Infraestruturas começou por criticar os governos dos quais fez parte, especialmente o de António Costa, ao dizer que houve muito que não foi feito devido a políticos muito hábeis que levaram Portugal à paralisia, nomeadamente na questão da localização do novo aeroporto. Para além da questão do aeroporto, também apontou críticas à pasta das Finanças, que durante os anos que esteve no governo foram de Mário Centeno, João Leão e Fernando Medina. Diz Pedro Nuno Santos que as Finanças têm de lutar contra as dificuldades que colocam ao bom funcionamento das empresas públicas e também sobre José Luís Carneiro e a atual liderança do Partido Socialista, diz que os principais responsáveis por o PS não sair e por Portugal não sair da cepa torta, é o extremo centro. Diz também que para manter o status quo, é preciso ser extremista. É aqui esta crítica que aponta ao atual secretário-geral do Partido Socialista, José Luís Carneiro. E a ADSE justifica a atualização da tabela de medicamentos com a evolução dos preços do mercado. No dia 1 de outubro, os preços vão subir. A ADSE, o Instituto Público de Gestão Participada, explica que a atualização da tabela tem como objetivo acompanhar a evolução dos preços do mercado das substâncias e recusa que se trate de uma média de poupança. Fonte do Instituto à Agência Lusa revela ainda que atualizam a tabela de medicamentos normalmente duas vezes por ano e dizem que não o fazer criaria uma distância significativa entre os preços pagos e as condições de mercado. Dar conta ainda de que o jornal Expresso avançou que os hospitais privados estão a ameaçar cortar acordos com a ADSE, o que já veio a ser desmentido pelo Instituto, que diz não ter recebido qualquer informação no sentido de denúncia ou suspensão da convenção por parte de prestadores privados. Notícia de fecho deste jornal das 07h, a informação está de regresso às 07h30. Até já.