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Explicador da Rádio Observador, ontem foi dia de festa, dia de tomada de posse. Hoje António José Seguro está na estrada e já lembrou que a primeira presidência aberta será no centro do país. Hoje esteve no Conselho de Arganil, também em Guimarães, e o dia vai terminar no Porto. E será que já se notam diferenças entre António José Seguro e Marcelo Rebelo de Sousa, no estilo e no conteúdo? Eu sou Ricardo Conceição e comigo está a Judite França.

E na estrada, a acompanhar o novo presidente da República, está a jornalista do Observador, Rita Tavares. Bem-vinda, Rita. Antes de irmos às diferenças, qual foi o programa de hoje? Qual foi o programa das festas?

Hoje foi o segundo dia de cerimônias da tomada de posse de António José Seguro e foi para a região centro do país. Primeiro esteve no Conselho de Arganil, na Aldeia de Mourísia. Depois seguiu para Guimarães, para assinalar este ano de 2026, que é a Capital Verde Europeia, e à noite vai estar no Porto para um concerto com atuações de um grupo que integra o programa municipal, que é o Desporto no Bairro, e também com Pedro Abrunhosa, na Casa da Música.

Que o apoiou nesta corrida presidencial.

Pedro Abrunhosa, que o apoiou. E outro apoio que também teve, nomeadamente na segunda volta, foi do presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, que também será visitado esta tarde por António José Seguro, tinha falhado esse ponto da agenda hoje.

Em Arganil, lembrou que a primeira presidência aberta será na zona centro. Já há datas e locais?

Ainda não há locais concretos. A região centro já tinha ficado anunciado logo ainda António José Seguro estava em campanha eleitoral. Na segunda volta, disse logo que a primeira presidência aberta dele, se fosse eleito presidente, seria na região centro, que foi afetada pelo mau tempo no início deste ano, mas também pelos incêndios no verão passado. E então António José Seguro a querer fazer essa passagem, mas só até o final desta semana é que haverá mais detalhes sobre essa primeira presidência aberta, tanto no local concreto onde se realizará, como nas datas.

Rita, ao longo dos últimos 10 anos estiveste muitas vezes com Marcelo Rebelo de Sousa. Também conheces muito bem António José Seguro. Podemos fazer aqui um daqueles jogos, assinala sete diferenças?

Eu acho que até conseguimos mais, provavelmente.

Então vamos lá.

Mas é um bom desafio.

Começa a fazer bolinhas.

Bom, é possível ver já, quase nas primeiras horas como presidente da República, aliás, mesmo a caminho da tomada de posse, Marcelo Rebelo de Sousa fez uma coisa que nem sequer é inédita no seu currículo e que António José Seguro jamais faria, que é parar inopinadamente num supermercado e depois num antiquário para fazer umas compras de última hora enquanto faz tempo para a tomada de posse que estava prestes a começar na Assembleia da República. António José Seguro é bastante mais calculista, cauteloso, se quisermos.

Institucional.

Estuda e mais institucional nas abordagens que faz, mesmo com a população, mesmo que seja próximo, porque também se pode dizer que é de fácil contacto com a população, é geralmente afetuoso com as pessoas que encontra, sim, mas é tudo mais estudado. Nada parece tão espontâneo como com Marcelo Rebelo de Sousa. Depois, na relação com a comunicação social, António José Seguro também quer marcar aqui algumas diferenças, alguma necessidade de institucionalizar esses contactos. Ontem, em Belém, foi muito notório isso, porque os jornalistas tiveram sempre com baias à volta para não se aproximarem nem do presidente, nem mesmo da população, quando os jardins foram abertos à população. Curioso até, porque foram abertos à população, mas essa população não podia ser contactada, estava a passear à distância e os jornalistas estavam contidos por uma baia a uns 200 metros, talvez. E o presidente da República acabou por se juntar às pessoas, mas nós nunca conseguimos ouvir nada. Nem se tratava quase de fazer perguntas ao presidente, era mais tentar perceber esse contacto com a população e o que os portugueses tinham para lhe dizer naquelas primeiras horas como presidente da República, e isso nunca foi possível fazer. E hoje aqui também, durante este segundo dia de tomada de posse, António José Seguro, na aldeia de Mourísia, fez uma conferência de imprensa, portanto, falou com os jornalistas, mas é um contacto diferente. Há um microfone que foi colocado para o presidente da República poder falar dali para todos os jornalistas que estavam mais distantes. Ou seja, aquela roda típica à volta do presidente.

Não é aquela coisa dos jornalistas com o microfone estendido a acompanhar Marcelo e Marcelo a falar.

A acompanhar o presidente a ir até a uma gelataria ou à máquina multibanco. É muito difícil de imaginar que isso venha a acontecer com António José Seguro, porque no terreno e no contacto com as pessoas é muito mais formal do que Marcelo Rebelo de Sousa.

Mas é menos comunicativo com as pessoas ou é só com jornalistas?

Com as pessoas, não. Com as pessoas não podemos dizer isso. Até fiz a campanha com António José Seguro, foram duas voltas e António José Seguro é comunicativo com as pessoas, é próximo, fala, perde tempo, fica muito tempo a falar mesmo com as pessoas, a ouvir, faz questão de mostrar que está a ouvir, de repetir o nome das pessoas para que as pessoas sintam que estão verdadeiramente a ser ouvidas. É um dos objetivos, aliás, que ele traz para esta presidência, essa aproximação das pessoas ao poder político e que as pessoas entendam no poder político resposta aos seus problemas. Aliás, é um dos objetivos da sua presidência, ainda esta manhã o relembrou, e tem colocado também isso como uma estratégia de combater o crescimento do populismo, haver políticos que respondem àquilo que efetivamente preocupa as populações. Portanto, ele faz questão de fazer esse contacto próximo. Isso tem acontecido, mas é tudo muito dentro daquilo que está definido. Não há improvisos, não há qualquer tipo de linha fora daquilo que está definido previamente. Não dispara rua acima em direção a uma papelaria que viu. Mas também são só as primeiras 24 horas, nunca se sabe o que poderá acontecer. Só estamos aqui a dizer que será mais difícil que este perfil se aproxime daquilo que era, por exemplo, o presidente Marcelo Rebelo de Sousa.

Mas, por exemplo, Rita, Marcelo Rebelo de Sousa comentava os temas do dia, às vezes todos os temas e mais algum. Por exemplo, hoje, com o aparente fim das negociações do pacote laboral, António José Seguro fala sobre isto, responde a perguntas sobre este tema, por exemplo?

Falou. Falou esta manhã, foi questionado sobre as conclusões da reunião de segunda-feira e falou concretamente. Aliás, surgiu logo neste primeiro dia os primeiros avisos ao governo pela questão da reforma laboral e ao pedir um acordo equilibrado e que as partes voltem a juntar à procura desse entendimento, mas também num pedido muito específico em relação à resposta aos incêndios, aos apoios aos incêndios de 2025, que António José Seguro sublinhou esta manhã que estão em falta e que ali na aldeia de Mourisia, o pano de fundo era toda uma montanha cheia de árvores ardidas, portanto, era o cenário ideal para fazer esse apelo ao governo, esse aviso de que é preciso uma resposta às populações e mais atos do que palavras, foi isto mesmo que António José Seguro disse. Portanto, eu até considero que se continuarmos nesta comparação, neste paralelismo com Marcelo Rebelo de Sousa, Marcelo Rebelo de Sousa acabava por não ser muitas vezes tão direto e António José Seguro hoje foi muito direto. Em menos palavras, fez os dois avisos muito diretos ao governo sobre a reforma laboral e sobre atrasos nos apoios a quem ficou lesado pelos incêndios de 2025 e também para a comissão técnica independente que o Parlamento aprovou para fazer a avaliação desses incêndios e que ainda não está a funcionar e, portanto, também fez aí esse reparo, neste caso, à Assembleia da República e ao presidente da Assembleia da República, que é quem está a gerir esse processo.

Parece-te mais exigente do que Marcelo Rebelo de Sousa? Pode-se dizer isso?

É difícil, porque estamos a comparar 24 horas com 10 anos. E logo aí já é um exercício mesmo muito difícil de fazer. Diria para já neste primeiro dia que noto que houve aqui este sentido mais, se calhar, pragmático e mais direto. Marcelo Rebelo de Sousa às vezes embrulhava um pouco os avisos numa espécie de conselho mais paternal.

Deixava assim umas frases às vezes no meio.

Se apanhasse governantes ao lado, ainda punha o braço em cima e piscava o olho. Por vezes, outras vezes não foi tanto assim, como sabemos. Mas António José Seguro aqui pareceu-me mais usar algum pragmatismo nesses avisos que fez, mas só nas áreas em que ele quer. Por exemplo, também foi questionado sobre ainda não ter, nesta altura do campeonato, um chefe da Casa Civil. E sobre isso, que não queria claramente falar, foi muito parco nas palavras e disse: "Ainda a minha equipa está em construção". De fazer aqui também a memória de que nos dois últimos presidentes, quando os dois últimos presidentes, estou aqui a falar de Cavaco Silva e de Marcelo Rebelo de Sousa, tiveram de indicar chefes da Casa Civil, fizeram-no uma semana depois de ganharem as eleições. Evidente que não estiveram na segunda volta.

Porque a equipa ainda não se conhece.

Não está fechada e falta o chefe da Casa Civil, que é o nome normalmente mais importante que o presidente tem para anunciar, talvez com o assessor diplomático. No caso da assessoria diplomática, já tem esse nome escolhido. No caso do chefe da Casa Civil, ainda não tem, fez ontem saber que tem uma solução transitória, que é a Cláudia Ribeiro, a pessoa que escolheu para ser secretária do Conselho de Estado, vai cumprir essa tarefa de forma transitória. Portanto, até ver, continuamos sem saber quem é o chefe ou a chefe da Casa Civil de António José Seguro.

Rita, só nos quero perceber se há jantar no Porto. Há jantar ainda ou não?

Se há jantar no Porto. Eu sei que concerto há, jantar não vejo aqui nada. Não sei se jantará antes do concerto com o presidente da Câmara do Porto.

Portanto, não há jantar oficial.

Mas não é nada aberto. A única indicação que temos é que há uma receção no Salão Nobre dos Passos do Conselho. Pode haver croquetes, se calhar, jantar.

Pois, há sempre um croquete. Obrigado, Rita Tavares.

Obrigada.

Que com o Vasco Maldonado Correia e com o Diogo Ventura estão a acompanhar o segundo dia da presidência de António José Seguro. Espero que agora não se atrasem porque têm de ir para o Porto a esta hora.