Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Está no ar o Explicador da Rádio Observador, esta segunda-feira, sobre as eleições na Madeira e a vitória do PSD. Por isso, são nossos convidados Paulo Neves, do PSD, e Jacinto Serrão, do PS. A moderação é do Paulo Ferreira e do Bruno Vieira Amaral.
E os eleitores madeirenses falaram pela terceira vez em ano e meio e desta vez os resultados foram claros: o PSD ficou à beira da maioria absoluta, que poderá alcançar com o deputado do CDS. Paulo Neves, bom dia, bem-vindo a este Explicador. Esta vitória pertence a Miguel Albuquerque ou foi acima de tudo um cartão vermelho à oposição e um voto a favor da estabilidade?
Olá, bom dia. Esta vitória, antes de mais, é uma vitória da Madeira. Aliás, se reparar, durante toda a campanha eleitoral, houve quem não percebesse, mas durante a campanha eleitoral aquilo que nós falávamos era sempre sobre a Madeira. Portanto, o Partido Social-Democrata, mais do que personalizar as campanhas, fala sobre a região. Portanto, quem venceu estas eleições, em primeiro lugar, foi a Região Autónoma da Madeira e os madeirenses. Mas depois, naturalmente, Miguel Albuquerque, que era sem dúvida o nosso candidato mais uma vez à presidência do governo, tem uma quota de responsabilidade enorme também nesta vitória. Mas deixe-me lhe dizer também que é impossível ganhar umas eleições com este resultado tão expressivo, se o PSD não estivesse a governar e a governar bem a Região Autónoma da Madeira, como deve imaginar. E se for reparar os resultados que nós temos tido nos últimos meses, macroeconômicos na Madeira, são extraordinários. Seja na relação do desemprego, nunca foi tão baixo o desemprego na Madeira, é o mais baixo a nível nacional, o crescimento econômico é o maior a nível nacional. Portanto, também temos resultados macroeconômicos que são muito positivos. Esta é uma vitória que pertence, naturalmente, às condições virtuosas e de boa governação de Miguel Albuquerque como presidente do governo. Como é evidente também a desgraça da oposição na Madeira, começando pelo Partido Socialista, que é absolutamente inenarrável toda a campanha que fez, a estratégia que teve de maledicência, do nível muito duvidoso dos ataques pessoais, tudo isso, naturalmente, a Madeira e o madeirense, na sua superior decisão eleitoral, naturalmente, penalizou.
Jacinto Serrão, bom dia, bem-vindo também a este Explicador.
Bom dia.
O que explica esta vitória do PSD e um resultado do PS que ficará bastante aquém das expectativas, passando a ser a terceira força política na Madeira?
Em primeiro lugar, eu gostaria, com a boa educação democrática, cumprimentar o Paulo Neves e felicitá-lo pelo resultado e o próprio PSD, que ganhou de facto as eleições. O Partido Socialista apresentou-se com um programa de governo. Foi, aliás, o único partido que se apresentou com programa estruturado para a governação da Região Autónoma da Madeira, para resolver problemas estruturais. E é evidente que na Madeira nem tudo o que luz é ouro, tal como o Paulo Neves acabou de dizer, que temos excelentes resultados. É evidente, do ponto de vista macroeconômico, nós temos alguns resultados bastante positivos, como por exemplo, o PIB, que é um dos PIBs mais elevados das regiões do país, mas em contraponto, temos um poder de compra per capita também dos mais baixos de outras regiões do país. Ou seja, temos uma riqueza gerada com o trabalho e com o contributo de toda a comunidade, mas depois a distribuição dessa riqueza não se faz de forma justa pela população, porque temos enormes bolsas de pobreza, enormes assimetrias no desenvolvimento regional, enormes problemas com os setores primários, como o da agricultura e das pescas, e a população que trabalha nesses setores, enormes problemas de habitação e esses problemas estruturais não têm sido, infelizmente, resolvidos pela governação do PSD. E o Partido Socialista tinha, efetivamente, essas soluções no seu programa de governo. Tínhamos também quadros qualificados e, ao contrário do que foi dito, o Partido Socialista não fez uma política de maledicência, fez uma política sempre pela positiva, apresentando-se com um programa de governo e com as suas próprias propostas. É evidente que depois, a dialética política e da campanha, existem argumentos que fazem com que haja esse tipo de interpretações.
Jacinto Serrão, apesar disso, fica a ideia que os eleitores não valorizaram isso.
É evidente que eu não estou com isto a procurar dizer que os eleitores votaram mal. Os eleitores votaram em função daquilo que foi a estratégia de comunicação dos diversos partidos. O PSD obviamente foi eficaz. A vitória do doutor Miguel Albuquerque deveu-se essencialmente a uma mobilização geral, porque eu conheço muito bem a Madeira, tal como o Paulo Neves conhece, e o PSD Madeira mobilizou-se como nunca e uniu realmente esforços de todas as frações ou sensibilidades internas e isso, evidentemente, capitalizou. Aliás, vê-se que o aumento da participação eleitoral, que já não estávamos tão habituados a uma participação tão grande, esse aumento foi mobilizado pelo próprio PSD, porque esses votos foram obviamente refletidos no crescimento do próprio PSD. E nisso é evidente que o PSD tem mérito, não estou a tirá-lo. Em termos de comunicação, o Partido Socialista é evidente que fez o seu esforço, usou as suas ferramentas de comunicação que existem, mas também nós sabemos que existem também algumas vicissitudes na própria forma de difusão da informação de alguns canais de informação regionais.
Está a referir-se concretamente a quê, Jacinto Serrão?
Por exemplo, é evidente que o Partido Socialista apresentando-se como uma alternativa de governo e com um programa de governo, esse programa de governo não foi valorizado como nós desejaríamos. Mas são critérios dos próprios órgãos de comunicação social, como nós desejaríamos.
Deixe-me ficar nesse ponto.
A culpa é evidente que o Partido Socialista tem de assumir as suas responsabilidades.
E já vamos a esse ponto.
Houve erros de comunicação, o Partido Socialista apresentou-se inequivocamente com programa de governo e com quadros qualificados. Infelizmente, o eleitorado não reconheceu realmente essas qualidades e esses atributos.
E já vamos daqui a pouco perceber qual deve ser o dia seguinte no PS Madeira. Paulo Neves, esta referência de Jacinto Serrão ao fato de eventualmente, segundo o próprio, haver alguma proximidade de órgãos de comunicação social ao PSD, remete-nos para uma ideia antiga da asfixia democrática na Madeira, que foi muito usada durante a governação de Alberto João Jardim. Até que ponto é que isso pode continuar? Deixe-me fazer a pergunta de outra maneira: é normal um partido político ganhar durante 50 anos uma eleição num território, neste caso, na Região Autónoma da Madeira?
Deixe-me quase fazer a pergunta: você acredita mesmo nessa ideia que foi o controle da comunicação social que deu a vitória ao Partido Social-Democrata? Pergunte aos seus colegas jornalistas que estiveram aqui se viram esse controle. Portanto, isso nem merece qualquer tipo de comentário. Quanto aos 50 anos, quem decide é o povo, como deves imaginar. E portanto, quando nós vamos fazer eleições, vamos todos iguais. Eu costumo dizer que quando se vai para o processo eleitoral, partimos todos com o mesmo número de votos, que é zero, e vamos então conquistar os votos. Isto é sempre assim, e o Partido Social-Democrata nisso, de facto, temos sempre uma preocupação. Repare uma coisa: é impossível você ter estes resultados eleitorais ao final de quase 50 anos se você governar mal. Se você não for o verdadeiro porta-voz dos interesses dos madeirenses. O Partido Social-Democrata é por excelência o partido das autonomias, é o partido que governa bem a Madeira. Ainda ontem, o líder do Partido Socialista a nível nacional, Pedro Nuno Santos, fez uma declaração absolutamente ofensiva para o povo da Madeira, quando dizia que pior do que a derrota do Partido Socialista foi a vitória do Partido Social-Democrata. Quer dizer, é uma declaração absolutamente ofensiva ao povo da Madeira, à soberania do povo da Madeira na eleição do seu próprio Parlamento. Aquilo que se passa é muito mais simples. Eu sempre disse que o segredo do Partido Social-Democrata na Madeira é a coisa mais simples possível: é governar bem. E foi exatamente isso que Miguel Albuquerque fez. Aquilo que a oposição fez, e o senhor deputado Jacinto Serrão até tem alguma razão em muitas das críticas que faz ao seu próprio partido. Repare uma coisa: o Partido Social-Democrata ontem teve três vezes mais do que o Partido Socialista. O Partido Socialista ficou a 15 deputados do Partido Social-Democrata. O Partido Socialista foi ultrapassado por um partido local, nem é regional, que agora passou a ser regional, mas que começou numa junta de freguesia. Portanto, isto demonstra bem o que é o Partido Socialista e o que é o Partido Social-Democrata. Ontem os madeirenses foram claríssimos a penalizar todos aqueles que trouxeram a instabilidade para a Madeira, todos aqueles que trouxeram a maledicência para a Madeira. Houve ataques pessoais contra o doutor Miguel Albuquerque absolutamente inaceitáveis. A narrativa contra o PSD, contra os social-democratas, contra o governo, contra Miguel Albuquerque, foi uma coisa absolutamente inaceitável. Os madeirenses deram a resposta, mas não deram só ao Partido Socialista. Repare também que o CHEGA também perdeu um deputado. Não deram só ao CHEGA, nem só ao Partido Socialista. O Bloco de Esquerda e o Partido Comunista nem entraram no Parlamento. O PAN, que também foi um dos partidos que mais atacou nos últimos tempos o Partido Social-Democrata, também não entrou no Parlamento. Agora, isto foi uma decisão soberana, sábia do povo madeirense, que foi pôr a governar quem sabe governar, pôr fora do Parlamento quem causa instabilidade e dar uma derrota extraordinária ao Partido Socialista, porque de facto era o partido da maledicência nos últimos meses aqui na Madeira.
Jacinto Serrão, vamos então ao dia seguinte no PS Madeira. Que ilações-
Não, eu só gostaria de replicar um pouco.
Já replica, mas deixe-me fazer já a questão. Paulo Cafôfo devia ter saído ontem, devia ter apresentado a demissão ontem ou não? Peço-lhe que responda então depois dessa réplica que vai querer fazer.
Com certeza. É evidente que eu não disse que a culpa era dos órgãos de comunicação social clássicos, mas existe realmente uma tendência de a própria comunicação ser instrumentalizada e uma tentativa de instrumentalização pelo poder instituído. E nós temos exemplos, talvez no passado são muito mais gritantes, disso mesmo. Portanto, não vale a pena, e o doutor Paulo Neves seguramente não crerá que nós façamos o histórico de como é que a comunicação social houve sempre tentativas de controle da própria comunicação social. E é evidente que toda esta instabilidade foi causada devido à própria irresponsabilidade do doutor Miguel Albuquerque ou da governação, porque não foi o Partido Socialista que também mobilizou todos os casos judiciais e mobilizou a Polícia Judiciária. Também é o que nos faltava, estar a acusar o Partido Socialista de estar a se intrometer nas questões da Justiça.
Mas o PS votou a favor da moção de censura apresentada pelo CHEGA. Acha que foi um erro cometido pelo PS?
Provavelmente, isso deverá merecer uma reflexão e provavelmente foi um erro, porque o eleitorado deu exatamente esse sinal Erros todos cometem e isso poderia ter sido uma falha, mas numa análise mais complexa poderemos identificar onde é que o Partido Socialista falhou. Mas o que o eleitorado demonstrou é que realmente quer uma solução de estabilidade. Isso sem dúvida nenhuma. O Partido Socialista apresentou-se como uma solução de estabilidade, o eleitorado não reconheceu, voltou a reconhecer no PSD essas potencialidades e, como disse, há que respeitar a vontade soberana do povo da Madeira.
E tirar conclusões sobre isso, Jacinto Serrão?
E tirar conclusões, obviamente. Em relação às conclusões, é evidente que o Partido Socialista não pode estar satisfeito com este resultado e internamente tem que se fazer uma reflexão profunda, avaliar exatamente como é que pode inverter este tipo de situações. O Partido Socialista é um partido estruturado, é um partido com ideologia, com uma história na luta pela democracia no país e na região. Nunca desistiu de ir à luta e não pode, obviamente, agora desistir. Tem de refletir.
Significa o quê? Paulo Cafôfo deve sair?
O doutor Paulo Cafôfo deu uma declaração das mais sensatas que um líder podia dar neste momento. O resultado foi mau, não era o que esperava e o Partido Socialista, tal como todos os partidos, temos dois atos eleitorais imediatos. Criar uma perturbação interna com as questões da disputa pela liderança só vai ainda agravar mais a situação política do próprio Partido Socialista junto do eleitorado. Por isso, o doutor Paulo Cafôfo disponibilizou-se a criar realmente condições para que haja eleições logo a seguir a estes atos eleitorais. E neste momento o partido, estamos a poucos dias das eleições nacionais, estamos também a poucos meses das eleições autárquicas, e neste período mais perturbação só vai prejudicar o Partido Socialista. Um partido responsável como o PS e com a implantação que tem do ponto de vista autárquico, e o eleitorado merece que o Partido Socialista se organize e se prepare para esses embates eleitorais ou para esses confrontos. E nisso acho que o PS não tem outra alternativa senão manter a liderança, coordenar os próximos atos eleitorais e depois encontrar, de facto, a solução que melhor entender para o futuro.
Paulo Neves, agora olhando para o futuro, para o governo da Madeira, prevê-se um acordo para a legislatura com o CDS, um entendimento caso a caso, qual será a melhor solução, aquela que garante mais estabilidade para a Madeira?
Aquilo que eu lhe posso garantir já é que o PSD será como sempre foi, é o partido da estabilidade. Curiosamente, se reparar, nós governámos sozinhos durante muitos anos na Madeira. A partir do momento em que o povo soberanamente disse que nós não poderíamos governar sozinhos, porque não tínhamos maioria absoluta, o Partido Social-Democrata soube encontrar sempre soluções de estabilidade. Se há um partido que sempre contribuiu para a estabilidade na Madeira, foi o Partido Social-Democrata. E curiosamente tínhamos a fama que éramos arrogantes, que não sabíamos falar com outros partidos, que não sabíamos fazer alianças. Repare, fizemos alianças de governo, fizemos acordos parlamentares, e não só com o CDS. Repare que o Partido Social-Democrata tem uma experiência de acordos parlamentares não apenas com o CDS. Portanto, nós temos o perfil perfeito de encontrar as soluções para trazerem a estabilidade aqui à Madeira. Portanto, ontem foi o dia da vitória, a partir de hoje é o dia das negociações e de pensar nas soluções. Uma coisa que eu lhe posso garantir: a Madeira vai ter estabilidade. Foi isso que o povo decidiu ontem nas eleições para o Parlamento Regional, foi isso que o Partido Social-Democrata sempre prometeu dar à Madeira e condenarmos todos aqueles que não contribuíram para a estabilidade na Madeira. E agora a nossa responsabilidade é encontrar a equação de estabilidade para a região. Essa equação de estabilidade do governo e do Parlamento vai ser encontrada.
Muito bem, vamos aguardar então essas negociações do PSD Madeira com os restantes partidos, eventualmente, para chegar a esse entendimento. Paulo Neves, Jacinto Serrão, obrigado a ambos pela presença neste Explicador. Bom dia e boa semana.
Obrigado, bom dia.