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Começamos por falar do coronavírus, que chegou oficialmente à Europa. Dois casos já confirmados em França. O coronavírus fez a primeira vítima mortal na Europa. Existem dois casos de coronavírus em Portugal. As primeiras análises deram resultado positivo.
É o primeiro caso de uma mulher infectada em Portugal. É professora em duas escolas na Amadora. De forma voluntária, largas dezenas de alunos vão ficar em casa. O número de casos na China está a estabilizar, mas no resto do mundo continua a subir. Hoje vamos tentar perceber melhor como funciona este vírus que está a deixar o mundo em alerta, mas por outro lado, está também a servir de inspiração a músicos e a cantores.
Mais tarde ou mais cedo, algum caso positivo se vai verificar. Estamos preparados para que um cenário semelhante àquele que está a acontecer em Itália possa acontecer também no nosso país. Agir com alguma atenção. Todos nós estamos sensíveis.
Miguel, há mais um caso de coronavírus em Portugal. É já o terceiro confirmado hoje? É o terceiro caso conhecido hoje, são nove no total. O número de casos confirmados em Portugal continua a subir, à semelhança do que vai acontecendo um pouco por todo o mundo. Mas na China, e olhando para os gráficos, esse número está agora a estabilizar, a abrandar. Por cá, está confirmado o primeiro caso de uma mulher infectada em Portugal. É professora em duas escolas na Amadora e as escolas já estão a tomar medidas, como garante à RTP a Diretora-Geral da Saúde, Graça Freitas.
Os alunos teriam tido contato com aquela senhora que é professora na escola e, portanto, tomaram a decisão de encerrar aquelas cinco turmas onde a senhora professora tinha estado a dar aulas. Esses alunos ficarão em isolamento profilático, voluntário, obviamente, é lhes pedido isso.
Os alunos vão ficar em casa 14 dias em isolamento voluntário. A TAP vai cancelar cerca de mil voos. Isto devido a uma quebra nas reservas para os meses de março e abril. Entretanto, ainda por cá, a Bolsa de Turismo de Lisboa vai ser adiada. A BTL estava prevista para arrancar a 11 de março. Também adiada foi a ida de jovens a Roma, que iam receber os símbolos da Jornada Mundial da Juventude. A cerimônia prevista para 5 de abril foi adiada para novembro. Recorde-se que no próximo ano o Papa vem a Lisboa para a Jornada Mundial da Juventude.
134 casos confirmados, 41 a mais que ontem e a morte de uma terceira pessoa, uma idosa de 99 anos que estava hospitalizada em Madrid.
Na Espanha, o número de mortos subiu para três.
"Radio anch'io", a atualidade em direto com os ouvintes.
Em Itália, a ordem é de encerramento. Escolas, universidades, campos de futebol. Fechar. Não se fala em outra coisa na televisão e na rádio italianas.
E do vírus em si. Daremos a palavra a muitos: a virologistas, ao Ministério da Educação, a farmacêuticos, a bispos, obviamente, a políticos, obviamente, a vocês, ouvintes, com as vossas perguntas.
O número de mortos em Itália é já superior a 100. O vírus continua a espalhar-se por todo o país. Na Holanda, em pouco tempo, o número de casos disparou, segundo a Reuters, de 38 para 82. Em França, foi pedido aos jogadores de futebol para não apertarem as mãos no início dos encontros. Na Califórnia, há um navio de cruzeiro retido depois da morte de um passageiro. A nível global, o número de casos aproxima-se dos 100 mil, mas há um dado importante: mais de metade destes doentes conseguiram recuperar da doença. São mais de 53 mil aqueles que conseguiram recuperar da doença provocada por este coronavírus. O número de mortos, esse ronda os 3300 a nível global. Bem-vinda, Marta Leite Ferreira.
Olá, Ricardo.
És jornalista do Observador, dás grande atenção à área da ciência. Temos aqui uma notícia em cima da mesa importante. Os cientistas descobrem como o coronavírus infecta os humanos passo a passo. E afinal, Marta Leite Ferreira, como é que é?
Então, é o seguinte: é como se o vírus fosse uma chave e uma célula fosse a fechadura.
Ok.
O vírus tem uma proteína, a célula tem outra, e o que acontece é que quando se aproximam, elas unem-se. E quando isso acontece, a célula deixa que o vírus introduza o seu material genético dentro da célula.
Ou seja, a célula abre a porta.
Sim, é mesmo isso. A célula abre a porta, deixa se infectar. E a partir daí, o que acontece é que a célula fica refém dessa informação genética do vírus.
Então o vírus funciona quase como um parasita.
Exatamente, isso mesmo. Ele toma pra si os sistemas metabólicos da célula e obriga a célula a replicar o material genético, e é assim que o vírus se espalha. Cria novas proteínas virais e dentro dessas proteínas vai o material genético para depois se espalhar pelo resto do corpo.
E aqui chegados, com esse mecanismo identificado Pode ser mais fácil encontrar um modo de combater este vírus?
Pode, porque a grande dificuldade que tinha havido até agora era perceber exatamente como é que este mecanismo acontece milímetro a milímetro e milissegundo a milissegundo. Sabendo como é que isto funciona, uma vacina pode, por exemplo, reprimir esta capacidade que o vírus tem de entrar dentro da célula, obrigar a célula a identificar que aquilo é um vírus, não é parte dela própria e, portanto, obrigar o sistema imunitário a reagir. É assim que este tipo de avanços pode ajudar a encontrar tratamentos.
E é aí que os cientistas estão a trabalhar agora.
Sim, há muitas empresas que estão a criar vacinas. Todas elas têm uma abordagem um pouco diferente, mas vão todas neste sentido: compreender primeiro como é que o vírus se comporta quando entra na célula e depois tentar pôr barreiras para que o vírus encontre obstáculos pelo caminho.
O problema da vacina é que vai levar ainda muito tempo. Nem sabemos se vai ser implementada ou descoberta em tempo útil.
Aliás, quando houve o SARS, em 2003, a vacina estava em desenvolvimento, mas entretanto o surto acabou e, portanto, a investigação também estagnou e nunca chegou a haver uma vacina.
Temos também uma notícia recente que diz que podemos estar na presença de duas estirpes do mesmo vírus. Uma é mais agressiva do que a outra?
Sim, se bem que a palavra agressiva, que foi usada, de facto, por estes cientistas no estudo científico que publicaram, é um bocado ambígua. O que isto significa? Normalmente, quando falamos de vírus, falamos de virulência, que é a capacidade que o vírus tem de se espalhar, de se replicar. Neste caso, nós não sabemos muito bem o que isto significa. Um vírus ser mais agressivo que outros significa exatamente o quê? Que é mais rápido, consegue espalhar-se mais rápido, que se replica muito rapidamente dentro das células ou que, por exemplo, cria sintomas muito mais nocivos para a saúde? Não sabemos muito bem e por isso é que os estudos têm mesmo de continuar.
E o facto de termos duas estirpes poderá ser uma dificuldade para encontrar o medicamento adequado?
Tudo vai depender do tipo de informação que conseguirmos obter a partir de agora. Porque aqui o problema é que estes dois vírus são muito semelhantes geneticamente, só que sofreram alterações ainda assim. Na verdade, existem 104 estirpes de coronavírus em circulação, mas eles são todos muito parecidos a nível genético, é mais de 99%. Estas duas são principais. Há uma que os cientistas dizem ser mais agressiva, que está a infectar 70 pessoas e a outra, que é menos agressiva, infeta 30%. A menos agressiva deu origem à mais agressiva, porque o vírus mudou para conseguir fazer frente a estes obstáculos que encontrou. É a seleção natural, é a lei de Darwin. O que o vírus fez foi adaptar-se ao ambiente e tornou-se, portanto, mais agressivo.
Não sei se fico mais descansado depois desta conversa. Obrigado, Marta Leite Ferreira. Já a seguir, fact-check. E hoje falamos de um vídeo que alegadamente mostra o mercado na China, em Wuhan, o epicentro da epidemia do coronavírus. Ora, este vídeo tem aqueles ingredientes necessários para se tornar viral. Imagens fortes, animais como ratazanas, cães, cobras, morcegos, todos estes animais à venda, ao ar livre. Este vídeo rapidamente se espalhou com legendas em várias línguas e milhares de partilhas indignadas. Ora, este vídeo é falso. As imagens não são bonitas, mas foram gravadas na Indonésia. São animais que estão à venda no mercado a céu aberto, mas não em Wuhan. A origem do vírus ainda não foi identificada 100%. Ainda não se sabe qual é o animal que serviu de reservatório, e reservatório é a palavra oficial, que serviu de reservatório e espalhou a doença. Se encontrar por aí vídeos com o título: "A origem do vírus corona veio do mercado de carnes da China", ou outro título como: "Origem do coronavírus, China, mercado, animais vivos, socorro, imundice", ou ainda: "Mercado de Wuhan, a origem do coronavírus, imagens fortes." Se encontrar estes títulos em vídeos, são falsos. Está na hora do carimbo de falso. O coronavírus também já serve de inspiração a cantores mais ou menos talentosos. No Spotify, ao fazer uma pesquisa com a palavra-chave coronavírus, surgem mais de 60 canções, umas com mais sucesso do que outras. Já percebemos que a maioria aposta no hip-hop, mas a mais ouvida é, sem dúvida, esta: "La Cumbia del Coronavirus." Esta canção é de um tal Mister Cumbia, artista latino que vive na Flórida, nos Estados Unidos, e que, atenção, se autointitula como El Rey de las Cumbias Virales. Na canção, o artista pede a todos que lavem as mãos, evitem grandes contactos. E sim, também esta música se está a tornar viral. A sonorização é do Bernardo Almeida e da Beatriz Martelo Garcia. Eu sou o Ricardo Conceição. Voltamos amanhã.
Começamos por falar do coronavírus, que chegou oficialmente à Europa.
Dois casos já confirmados em França.
O coronavírus fez a primeira vítima mortal na Europa.
Existem dois casos de coronavírus em Portugal, as primeiras análises deram resultado positivo.
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