Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Começa agora o novo explicador da Rádio Observador. Esta manhã falamos sobre a segurança na Europa e o regresso das ameaças terroristas. Para discutir o tema, juntam-se a nós Isabel Santos, eurodeputada do PS, e Nuno Melo, presidente do CDS. A moderação deste explicador é do Paulo Ferreira.

Muito bom dia. Ontem à noite, em Bruxelas, um atacante matou a tiro dois cidadãos suecos, um ato que está a ser classificado pelas autoridades como ataque terrorista. A capital belga está, desde então, em alerta máximo, fazendo regressar à Europa o receio da insegurança. Isabel Santos, Nuno Melo, eurodeputados, muito obrigado por estarem neste explicador esta manhã. Eu sei que estão os dois em Estrasburgo para a sessão plenária do Parlamento Europeu. Isabel Santos, ontem à noite já estava em Estrasburgo ou ainda estava em Bruxelas? Só para perceber.

Estava em Estrasburgo quando recebi a notícia de que tinha ocorrido este lamentável ataque em Bruxelas e aproveito este vosso tempo de antena para desejar me solidarizar com as vítimas deste ataque, que é absolutamente deplorável e condenável por parte de todos.

E em Estrasburgo também se nota, de alguma forma, algum aperto de segurança em relação àquilo que é habitual nestas sessões plenárias?

É normal que haja uma certa apreensão sempre que ocorre um ataque deste tipo. No entanto, o clima neste momento é absolutamente tranquilo por aqui. Até o momento, há uma absoluta tranquilidade com a apreensão normal neste tipo de situações. Basta uma notícia destas para fazer com que todos fiquemos um pouco apreensivos. Mas não há motivo para um alarme generalizado, até porque temos que evitar esse tipo de reação. Se foi de facto um ato terrorista, o que pretende é provocar esse sentimento de terror em todos nós e isso devemos evitar. Se não foi, se foi um ato de um lobo solitário, de alguém desequilibrado, também devemos evitar alastrar esse sentimento de terror que motiva ainda mais outras pessoas que possam estar numa situação de desequilíbrio e que possam sentir-se animadas a cometer gestos deste tipo.

Nuno Melo, bom dia, bem-vindo também a este explicador. Queria também situá-lo no espaço, que está em Estrasburgo também para a sessão plenária. Como é que olha para estes acontecimentos?

Eu acho que estes acontecimentos são um sintoma de uma realidade muito maior. Na verdade, ontem, em relação ao atentado em concreto, eu precisamente tive conhecimento dele pelo Observador online e logo depois recebi uma mensagem do Parlamento Europeu dizendo que estávamos em alerta máximo e para termos as cautelas habituais de não frequentar espaços públicos, ter atenção, enfim, aquilo que acontece cada vez que um atentado ocorre. Agora, este atentado é, na verdade, um reflexo de uma realidade maior, que é mais sentida em países como a França, a Bélgica, a Alemanha, agora a Suécia. Não é à toa, parece-me, que são dois suecos que são assassinados e que tem a ver com uma lógica de migrações descontroladas, através das quais nós, sem critério, aceitamos quaisquer pessoas, mesmo aquelas que não toleram e desprezam o nosso modo de vida e que aqui ou ali, motivadas também por acontecimentos que podem ser conjunturais, caso agora dos ataques em Israel motivados pelo Hamas, fazem com que assim seja detonada uma violência extrema, que é uma violência contra o nosso modo de vida, é uma violência contra aquilo que somos, contra aquilo que significamos. E eu acho, sinceramente, que quem não perceber isto, realmente hoje em dia já não percebe coisa nenhuma.

Isabel Santos, concorda?

Eu tenho que rejeitar liminarmente este tipo de discurso que só alimenta sentimentos xenófobos e divisivos das nossas sociedades. Nós não podemos reagir a este tipo de fenômenos desta maneira. Primeiro, porque não há movimentos migratórios descontrolados, porque as nossas fronteiras externas são absolutamente controladas e não entra ninguém na Europa que não seja registrado, devidamente identificado e controlado quanto ao seu histórico. Por isso, este tipo de desinformação não pode passar de maneira nenhuma sem ser liminarmente rebatida da minha parte. Nós temos sistemas de registro, temos sistemas de verificação nas fronteiras externas. Sempre que as pessoas estão a chegar, são verificadas, são registadas, são controladas. Este gesto falta ainda sabermos em absoluto quem cometeu, quem não cometeu este gesto, qual é a real motivação, o que é que está por trás e isso deve ser algo que devemos aguardar com serenidade, esse tipo de informação, devemos aguardar com serenidade e será fornecida seguramente por parte das autoridades policiais belgas. Até lá, devemos aguardar sem extrapolar e sem vir para a praça pública com este tipo de discurso absolutamente alarmista e criador de um ambiente que até é favorecedor Da multiplicação deste tipo de atos que nós temos, de facto, é que combater com uma atuação firme por parte das autoridades, que é o que tem estado a acontecer, e ao longo dos anos. Os cidadãos têm que ter a confiança nos sistemas de informação e na cooperação policial que se tem vindo a reforçar ao longo dos anos. E até no próprio controle de fronteiras, que tem vindo a reforçar-se com melhor conhecimento técnico, com maior capacidade técnica, com maior investimento. É isso que se tem estado a fazer em toda a Europa e é isso que se continuará a fazer. Não devemos criar aqui um maior sentimento de insegurança para sobreviver sob o ponto de vista político, porque isso alimenta determinadas alas políticas. Eu rejeito esse discurso liminarmente e combato com toda a frontalidade.

Nuno Melo, não será uma conclusão precipitada?

Vamos cá ver. Eu já fiz sobre o tema mil debates com a Isabel Santos, a nossa divergência é muito antiga e acabamos sempre com a mesma contundência nessa discordância, é normal. E eu não deixo de dizer o que penso há muito, não é de agora, e não tem a ver com estes acontecimentos, e que é rigorosamente aquilo que me parece que traduz a realidade. Dizer-se que tudo é controlado e olhar-se para o que se passa na Grécia ou em França, ou mesmo em Espanha ou Portugal, é sinceramente para rir. Quando nós vemos pessoas a entrar de toda a forma e feitio.

Não entram de toda a forma e feitio. Ninguém entra sem um registo, ninguém entra sem o controlo.

Isabel, eu ouvia com toda a atenção. Eu por isso estou amarrado. E se nós não nos ouvimos um ao outro, depois quem está fora também não percebe coisa nenhuma. Eu peço-lhe por favor que me deixe expor o meu raciocínio, concorda ou discorda, é problema seu, mas deixe-me falar, por favor. Basta olhar para o que se passa nestes países para perceber do descontrolo. Basta ver-se, por exemplo, nas pessoas que entraram através de embarcações em Portugal, no Algarve há pouco tempo atrás, como simplesmente fugiram, não se sabe sequer onde estão, para se falar do controlo. E o que eu quero dizer, porque de facto aquilo em que eu acredito, é que a Europa não precisa de quaisquer pessoas. A Europa precisa de pessoas, mas não precisa de quaisquer pessoas. A Europa só pode estar aberta a quem respeita o nosso modo de vida, os nossos costumes, as nossas tradições, quem não nos faça sentir reféns dentro da nossa própria casa. A Europa tem que se defender de quem queira um retrocesso civilizacional, porque prega a diferença entre homens e mulheres, porque subalterniza as mulheres em relação aos homens, defende a aplicação da Sharia em muitos bairros, como acontece na Bélgica, como acontece na Alemanha, como acontece na Suécia, e pratica a violência por razão que é religiosa. Isto é uma coisa quase medieval, mas acontece na Europa. E achar-se que isto não acontece, que isto não existe, é para mim lirismo, é para mim absurdo assistir à proibição de carne de porco em escolas, como acontece na Alemanha, como já foi sugerido em França, ou carruagens só para mulheres, porque nós é que nos temos que adaptar a quem vem e não quem vem que se tem que adaptar ao nosso modo de vida. E, de facto, olhar para a França, para a Bélgica ou para a Suécia, aliás, a Suécia está a fazer agora uma inversão total em matéria de política migratória. E não se constatar a tragédia sem retorno provocada por migrações que são descontroladas por esta conversa das portas abertas, que levaram, em muitos casos, a uma islamização radical de parcelas relevantes do nosso território comum, naquilo que é hostil ao nosso modo de vida, é francamente não se perceber coisa nenhuma, na minha opinião. E eu não quero que Portugal se transforme naquilo que acontece neste momento em muitas partes da França, da Bélgica, da Alemanha ou da Suécia. Lamento imenso. É o que eu penso. Eu respeito imenso o pensamento da Isabel Santos. Sei que o que ela diz é com toda a convicção e o que Isabel Santos pensa é com toda a convicção, não invalida que a minha convicção seja equivalente a isto que eu penso.

E penso que as duas posições ficaram muito claras, a divergência entre ambos.

Eu só queria lembrar o ataque terrorista cometido em 2011 por André Breivik, da extrema-direita. Matou 77 pessoas na Noruega e não tinha vindo de nenhum país terceiro.

Fica essa nota também. Queria ouvir-vos também muito rapidamente. Hoje temos um Conselho Europeu informal à distância. Isabel Santos, o que espera que saia desta reunião dos chefes de Estado da Europa?

Uma posição muito clara quanto ao conflito que está a decorrer neste momento entre Israel e a Palestina, e uma posição que possa servir para a construção de uma paz sustentável. A União Europeia pode e deve ser um ator importante, um mediador importante, e é exatamente nessa posição de mediador que tem que se assumir e que se tem que colocar, e espero que isso ocorra nessa conferência.

Uma posição que, já agora, vá na linha daquilo que foi o comunicado da posição pública da Comissão Europeia, de há dois dias?

Sim, na linha de que lamentamos e rejeitamos liminarmente, condenamos liminarmente qualquer ataque terrorista, seja ele qual for. Solidarizamo-nos com as vítimas e com as suas famílias, mas que o combate a esse tipo de ataques tem que ser feito dentro daquilo que são as normas do direito internacional e do direito humanitário, que tem que ser respeitado também por Israel. Israel tem todo o direito a defender-se, mas dentro do mais integral respeito pelo direito internacional e pelo direito humanitário.

Nuno Melo, a mesma questão também muito rapidamente. O que espera do Conselho Europeu de hoje?

O conselho será o resultado das circunstâncias do momento, que infelizmente tem que ver com conflitos armados, com guerras na Ucrânia, num ponto, neste momento, em Israel e na Palestina, por outro. E por isso acredito que a reunião do Conselho traduzirá esta afirmação de valores, de definição de aliados com quem estamos, e intransigência em relação a tudo aquilo que signifique a violação da Carta das Nações Unidas, dos Direitos do Homem, mas também com uma palavra em relação aos esforços de paz, que são importantes. Israel tem o direito de se defender, Israel está a defender-se, mas aquilo que é suposto uma democracia é que as leis da guerra também sejam tidas em conta. E, portanto, no que tem a ver com a União Europeia, espero que a União Europeia seja clara na solidariedade em relação a Israel e no combate a tudo aquilo que esta barbárie, este retrocesso civilizacional do ataque do Hamas acaba por significar.

Muito bem, Nuno Melo, Isabel Santos, obrigada a ambos por esta disponibilidade, por estarem conosco neste "Explicador" esta manhã. Bom dia. Obrigado.

Muito obrigado a ambos e bom dia.

Obrigado