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Está a começar o primeiro Explicador das manhãs 300 e center sobre a retirada de confiança política de Ana Abrunhosa a um jornalista e o que isso significa. É a convidada do Explicador Luísa Mareles, diretora da Agência Lusa.

A presidenta da Câmara de Coimbra acusou o jornalista da Agência Lusa, João Gaspar, de fazer política. Para este Explicador convidámos também a autarca, mas a assessoria explicou que Ana Abrunhosa não vai fazer declarações sobre o assunto. Assim sendo, Luísa Mareles, bom dia, bem-vinda.

Olá, bom dia.

A direção da Lusa enviou uma carta à presidente da Câmara de Coimbra a repudiar as acusações que foram feitas na tal reunião da autarquia de sexta-feira ao jornalista João Gaspar. Já passou o fim de semana, Luísa, já houve uma reação da presidente da Câmara de Coimbra?

Da presidente, não. Ao que sei, a presidente viajou no próprio sábado para fora do país em compromissos do seu cargo. Mas no sábado, a assessoria da Câmara entrou em contato com o nosso coordenador do Centro para resolver este assunto.

E o assunto está resolvido?

Ainda não.

Então, o que a Câmara propôs para resolver o assunto que não foi feito?

Ainda não propôs, porque tudo o que eu sei, e até agora parece que é uma informação atual, houve esse primeiro contato, digamos assim, quase exploratório. Se havia intenção, de fato, uma intenção mútua, digamos assim, pelo menos da parte deles existe e da nossa não existe também qualquer impedimento em se resolver este assunto, mas não houve ainda uma ação concreta, nem uma proposta. Penso que isso ocorrerá esta semana, esta segunda-feira, aliás.

Portanto, agora com dia útil, talvez se consiga perceber. Ou seja, esta afirmação de Ana Abrunhosa da retirada de confiança do jornalista, que se traduzirá em retirá-lo da lista de destinatários da comunicação da Câmara à Agência Lusa, ainda está sobre a mesa. Estamos aqui numa fase ainda muito intermédia.

Isso ainda existe. Agora, ou seja, depois de ocorrerem estes fatos e de haver essas declarações da presidente da Câmara na sexta-feira, o João Gaspar foi de imediato retirado do mailing, da lista de mails que a Câmara envia para os jornalistas que seguem a atividade da Câmara, que é o caso do João Gaspar. Enviou, contudo, esse material para o nosso coordenador. Agora, parece-me que é ponto assente para qualquer conversa, que tem que ser restabelecido esse contato, porque como bem sabemos, o direito ao acesso de informação é básico e é constitucionalmente protegido para um jornalista. E por isso espero que mal esta situação se componha ou recomponha, isso seja feito. De qualquer modo, nós não retiramos a confiança, digamos assim, ao nosso jornalista para continuar a cobrir os assuntos da Câmara.

Luísa Mareles, quantos jornalistas a Agência Lusa tem na delegação de Coimbra?

Na delegação de Coimbra, serão quatro, cinco. Depende, porque é a região centro.

Exato, cobre uma região muito grande.

É muito grande. Portanto, liga em Coimbra propriamente dito, quer dizer, às vezes não é só Coimbra, um jornalista está a fazer Coimbra, mas também pode ir para outro concelho, enfim, tudo depende das tarefas e dos serviços que ocorrem.

Claro que sim. Estava a perguntar isto no sentido de perceber se o João Gaspar é o único jornalista que poderia estar a cobrir a atividade da Câmara de Coimbra e se, de alguma forma, mesmo que seja restabelecida aqui alguma relação institucional, se não fica comprometida a relação entre os dois.

Vai depender de ambos. Do nosso ponto de vista, que entendemos ser nossa prerrogativa, da Lusa e da direção da Lusa, indicar quem são os jornalistas que cobrem o quê. Portanto, nós mantemos a nossa confiança no João e ele continuará a seguir a atividade da Câmara. Agora, se isto vai ter uma consequência a nível relacional, como estavas a dizer, isso vai depender do comportamento da parte da Câmara e da parte das suas entidades e de Ana Abrunhosa, em última análise. Eu penso que se houver vontade de ultrapassar isto e se houver um reconhecimento de que isto foi efetivamente uma atitude que não tem qualquer cabimento, acho que se pode restabelecer, eu não diria essa confiança. Aliás, Ana Abrunhosa não diz que retira, ela diz que não temos mais confiança. Ok, pronto, o jornalista não tem que ter a confiança daqueles sobre cujas atividades reporta, nomeadamente a expressão do poder político, tem apenas que reportar os fatos tal como eles são e tal como objetivamente lhe parecem, de acordo com as investigações que faz e, como foi este caso, procurando até o contraditório para as declarações de um De um responsável, como foi o caso em relação a este. Penso que posso esclarecer um pouco. A notícia em causa que motivou toda esta agitação foi uma notícia a propósito da Casa do Cinema de Coimbra, em que o nosso jornalista tomou declarações, entrevistou o coordenador desse espaço, que manifestava preocupação pelo adiamento ou pela não realização ainda de obras nessa Casa do Cinema, que são da responsabilidade do município, e que iria implicar a retirada da licença para passar os filmes.

Foi essa a questão.

Nem tão pouco. Foram declarações de uma pessoa responsável, uma fonte mais que nomeada.

Claro.

E ele depois, naturalmente, pediu o contraditório à câmara para saber qual a razão porque isto estava a acontecer.

Isso em reação publicou a notícia, sem qualquer dúvida sobre isso. Luísa, independentemente deste caso, ou melhor, a propósito deste caso, ele é um caso único da Agência Lusa com o poder local ou há outras situações em que, de fato, há uma pressão muito grande, sobretudo quando falamos do poder local e do jornalismo?

Aqui e ali, às vezes, isso acontece, mas as coisas acabam sempre por ser ultrapassadas. Esta atingiu esta proporção porque efetivamente foi uma coisa pública, eu até diria do nada, sem estar suficientemente abalizada, sem fundamentação. Agora, a Lusa está no país inteiro, aliás, não só, e fora. E nós sabemos que existe sempre alguma tentativa por parte de alguns órgãos de poder de fazer depender as notícias de um tom mais ou menos positivo. Agora, isso, de modo geral, não acontece. E se existe uma coisa pontual dessas, nunca exigiu uma intervenção tão forte da nossa parte. Acho que o próprio jornalista vai lidando com esse assunto ou o seu responsável diretamente local. Nós estamos organizados por zonas. Cada zona há uma coordenação no Norte, no Centro, no Sul, no Alentejo, no Algarve. E, portanto, isso tudo, em geral-

Vai se resolvendo, vai se sugerindo.

Exato, vai se sugerindo, como eu acho que se sugere em todas as redações do país.

Aqui fica, pelo menos, este caso ganhou, de fato, uma outra dimensão. Luísa Meireles, obrigada por ter estado neste Explicador. Um bom dia, diretora da Agência Lusa. Bom dia, bom trabalho e boa semana.