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Está no ar o fact-check das manhãs 360 com o jornalista João Gama. João, bom dia.
Bom dia.
Boa sexta-feira. Hoje vamos falar das notícias que estão a circular nas redes sociais sobre Coca-Cola. Ai, Coca-Cola.
O que o João Gama faz para agradar à Maria João Simões.
Eu não bebo há um ano e meio Coca-Cola. Estou a fazer uma cura. Sim. Tenho que te avisar que é muito cedo para beber refrigerantes.
Dos Coca-Colas anônimos.
Isto é mesmo uma dependência, realmente. Mas vamos lá.
Eu acho que tu vais gostar deste fact-check.
Então vamos.
Vamos ter que recuar no tempo para chegar aos Jogos Olímpicos de 1936, que aconteceram em Berlim, e que está a circular nas redes sociais, não da Maria João Simões, é uma imagem daquilo que parece ser um anúncio da Coca-Cola dessa altura, que dizia: "Um povo, um império, uma bebida é Coca-Cola". A imagem aparece com o fundo vermelho tradicional da bebida, mas com uma diferença: tem também uma águia por cima de uma cruz suástica.
Portanto, temos aqui uma associação clara da Coca-Cola à Alemanha nazista, antes da Segunda Guerra Mundial.
É verdade, o próprio anúncio que é usado nesta suposta fotografia da Coca-Cola é muito semelhante ao próprio lema nazista, "Um povo, um império e um líder". A associação que esta publicação tenta fazer é evidente. Aliás, a imagem desta suposta publicidade aparece exatamente ao lado de uma imagem mais moderna, em que aparece uma garrafa com o rótulo arco-íris, a bandeira da comunidade LGBT, com a legenda "Amor é amor". É uma diferença grande.
Claro.
Alguns anos.
A grande questão que se coloca é se o anúncio de 1936 é ou não verdadeiro.
E para ter a certeza, nós contactámos a Coca-Cola Portugal para verificar a veracidade da imagem. Não respondeu ao Observador por causa do consumo da Maria João Simões, que está parado no último ano.
Exato, estão sentidos comigo.
E por isso tivemos que nos socorrer de fact-checkers internacionais, como o site Check Your Fact, e percebemos que a fotografia existe. Foi tirada de uma exposição em Londres de 2004, em que foi pedido a artistas que criassem anúncios de Coca-Cola com o tema da Alemanha nazista. A informação foi confirmada pelo próprio autor da fotografia, e esta é uma das mais de 400 obras que compunham esta exposição.
Então por que a Coca-Cola haveria de organizar uma exposição sobre anúncios com o tema da Alemanha nazista?
Aí a história muda de tom, Júlio. Na verdade, a exposição foi feita sem o consentimento da empresa da Coca-Cola. É o que se pode ver logo no comunicado de imprensa desta exibição. As obras não são anúncios originais da Coca-Cola feitos para a Alemanha nazista, e se houver alguma semelhança a algum anúncio original, é porque foram voluntariamente alterados.
A Coca-Cola tem cerca de 136 anos. A empresa, entretanto, fez algum boicote à Alemanha durante a Segunda Guerra.
Na altura da exposição, a Coca-Cola foi questionada sobre isto. Assumiu que continuou a trabalhar na Alemanha, mesmo durante o regime nazista, mas negou ter qualquer simpatia pelo regime. É um esclarecimento que se pode encontrar no jornal britânico Independent.
Então, feito os esclarecimentos, vamos ao carimbo: é da cor da Coca-Cola.
É da cor da Coca-Cola. A imagem que está a ser partilhada nas redes sociais a associar a Coca-Cola à Alemanha nazista não é um anúncio verdadeiro. A imagem existe mesmo, mas foi criada especificamente para uma exposição em 2004, sem o consentimento da empresa de bebidas norte-americanas. O carimbo é da cor da Coca-Cola.
Carimbo vermelho, mais um no fact-check. Diz?
Estava aqui a pensar.
Se isto não fosse vermelho, era mais um motivo para eu continuar sem beber Coca-Cola.
Isto, de facto, não era tão assim. Nós, antes do 25 de abril, eu vivia em África, nós podíamos beber Coca-Cola, aqui em Portugal não. Não havia.
Interessante, não é?
O Estado Novo não deixava.
Claro. Água suja do Imperador. Era água suja do Imperador.
Nós em Angola já tínhamos e cá em Portugal ninguém podia beber Coca-Cola. Portanto, é mais um reforço.
Era mais um, sim, exatamente. Carimbo vermelho, então, no fact-check da Rádio Observador, com o jornalista João Gama. Segunda-feira, a nova edição.