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Sem falta na Rádio Observador, está dado o apito inicial para mais uma sessão de análise aos casos do jogo. Hoje, o jogo entre Gil Vicente e Futebol Clube do Porto, na nona jornada do campeonato, vitória do Dragão por um bola a zero, num jogo em que o Gil Vicente terminou a jogar com menos uma unidade, lance que suscitou algumas reclamações por parte dos homens do Gil Vicente. Vamos tirar as dúvidas já daqui a pouco com o nosso áudio, o árbitro Pedro Henriques. Pedro, vamos começar neste encontro ao minuto 36, porque na tua opinião não há pênalti sobre Murillo, apesar de algumas reclamações por parte dos gilistas.
Sim, estamos na área dos Dragões e o Murillo o que faz é tentar furar, entre aspas, por meio de dois jogadores, Alberto Costa, que estava à sua esquerda, conforme o Murillo estava a atacar a área adversária, e o Zaidu à sua direita. E ele acaba por perder o esférico, não porque alguém tenha carregado ou rasteirado, mas porque ele ao tentar passar entre os dois, há aqueles contactos laterais, ele acaba por se desequilibrar. Mas no meu ponto de vista, tudo correto, sem motivo para apontar pênalti.
Já na segunda parte, na verdade, só teve um caso. A primeira foi um pouco menos pródiga do que a segunda. Ao minuto 47, temos um gol anulado ao Futebol Clube do Porto, apontado por André Silva, mas antes disso tinha sido fora de jogo de Borja Sáenz, que ficou na cara do guarda-redes e acabou por deixar a bola para trás para André Silva. Mas Borja Sáenz estava fora de jogo, não estava, Pedro?
74 centímetros. Portanto, foi isso que a cidade do futebol nos injetou em termos, mais à frente temos sinal, no momento do passe do PP para o Borja Sáenz, que ele está claramente adiantado em relação ao último adversário, está os 74 centímetros e o assistente bem deixou a jogada terminar. Como disseste também, e bem, depois é o André Silva que acaba por finalizar para gol, levantou a bandeirola. Isto dá sempre a hipótese do VAR poder intervir. E o VAR, quando fez a intervenção, percebeu claramente que estava tudo correto e depois injetou o tal sinal, 74 centímetros.
Temos depois, Pedro, no correr dos lances deste jogo, ao minuto 55, amarelo para Pablo Rosario, médio do Futebol Clube do Porto.
O único cartão amarelo mostrado no jogo, foi bem mostrado. Foi uma entrada que eu chamo de varrer, porque este não é nenhum termo técnico, não vem na lei, mas para as pessoas perceberem aquelas entradas em que tu viras as pernas do adversário. Foi isso que aconteceu, o Pablo Rosario não para o movimento, vai de forma muito dura e impetuosa e arrasteira ambas as pernas do médio espanhol do Gil Vicente, que foi o Santi Garcia, e portanto esta entrada muito dura, negligente, cartão amarelo bem mostrado.
Temos, Pedro, depois ao minuto 64, o gol do Porto, gol do Borja Sáenz, o único da partida e tudo legal também com este gol.
Sim, gerou um pouco de contestação, até se viu depois o treinador do Gil Vicente na altura, filmaram, a pedir e houve também jogador do Gil Vicente, mais concretamente o Boatú, a dizer que foi empurrado. E a jogada tem dois momentos de análise muito interessantes, que é o Samu está entre o Elingi e o Boatú. E o Elingi, no primeiro momento, é ele que empurra o Samu, e o Samu desequilibra-se para frente e para não chocar com o seu adversário, com o Boatú, dá-lhe um ligeiro toque com a mão esquerda. Ou seja, o empurrão do Elingi, esse sim é um empurrão, o Samu é apenas quase para parar o seu movimento e dá um toque nas costas do Boatú, que mesmo assim tem todas as condições para cortar a bola e corta a bola de cabeça. Portanto, ele não corta de forma defeituosa por causa deste empurrão. Se fôssemos considerar este empurrão, ou melhor, esta mão nas costas, sobre o Boatú, tínhamos que ir mais atrás para marcar pênalti do Elingi. Portanto, no meu ponto de vista, eu considero que tanto o toque do Elingi com as mãos nas costas do Samu, que é mais faltoso, não faltoso, mas é daquelas situações de contacto, de estares a tentar ganhar posição e porque há uma bola que é centrada para aquela zona, o contacto claramente do Samu nas costas do Boatú é que não é mesmo para qualquer infração, porque é mesmo o tal contacto ligeiro inconsequente. Imaginemos que o Elingi não o tinha empurrado, o contacto era claramente sem falta atacante. E portanto, o gol do Futebol Clube do Porto, que é na sequência disso, é um gol legal.
Temos depois, na sequência de lances deste encontro, Pedro Henriques, ao minuto 73. Na tua opinião, ficou por mostrar um amarelo a Santi Garcia, jogador da equipe do Gil Vicente.
Sim, falamos isso no direto, é aquele pisão por trás.
Pedro Henrique, tínhamos pedido uns breves momentos. Se calhar, melhor o início, este é amarelo para Santiago.
Estou a dizer que na altura, no direto, falámos neste cartão amarelo que ficou por mostrar. O Santiago Garcia depois até vai pedir desculpa ao Bendreke, porque ele próprio percebe que sem querer acabou por pisá-lo, mas de uma forma um bocadinho dura. Ou seja, basicamente, naquele ato de passada na corrida por trás do Bendreke acaba por, com a ponta da bota do seu pé direito, mas com a sola e com os pitões, cravar mesmo ali na zona do calcanhar esquerdo do Bendreke. Portanto, é uma entrada dura, uma entrada negligente, que não tem em conta o perigo e as consequências do seu ato e era passível de cartão amarelo que passou ao árbitro. O VAR aqui não pode intervir, obviamente.
E a fechar os lances deste encontro, talvez o mais contestado, o capital deste encontro, um vermelho para El Yami ao minuto 84 num lance a envolver, creio que foi com Samu, já não tenho bem memória.
Não, é com Pepe.
Com Pepe, a impedir a progressão do jogador de bloco do Porto e aqui houve vermelho direto. Muita confusão durante a emissão, porque pensámos que o árbitro pudesse ter mostrado só o vermelho por se tratar de um cartão combinado, mas não, foi mesmo a opção vermelho. Entende-se esta decisão do Luís Godinho?
Não, para mim é errada esta decisão. Deixe-me só fazer uma correção, porque eu errei, eu meti 84 porque foi o momento da repetição, mas o lance ocorre ao minuto 81. Portanto, o lance 81, só para nós percebermos que do 81 ao 84 não há repetições e depois aí é que começou a tal confusão. Digamos que toda a ação foi filmada em direto, no sentido de não estarmos a mostrar repetições com aquilo que estava ali a acontecer. E por que eu não considero que é correta? O árbitro tem duas hipóteses para mostrar aqui cartão vermelho: ou pela falta em si, considerava uma falta grosseira do El Yami sobre o Pepe, ou por aquilo que nós chamamos de uma clara oportunidade de golo, que é quando a gente diz que o jogador vai isolado para a baliza. Basicamente isso. Em relação à primeira, não há grandes dúvidas, para mim não há motivo para cartão vermelho, porque a entrada em si é negligente. Negligente significa que o jogador atua sem ter em conta o perigo e as consequências do seu ato para com o adversário. Está na lei 12, faltas e incorreções, na página 115. E eu agora aqui estou a reforçar, porque já sei que as pessoas depois acham que isto é só opinião e achismo, isto não é opinião e achismo, é o que está escrito na lei, que é para as pessoas perceberem que é com base na lei e, portanto, é cartão amarelo. Ele basicamente o que faz é, El Yami em relação ao Pepe, braço esquerdo no ombro esquerdo e a perna direita pela frente acertar na coxa direita. Portanto, não há ali solavas, não há agressões, não há pontapés, é mesmo contato de coxa com coxa, mas contato no sentido de pores à frente e reesterares o teu adversário. Portanto, por aqui é sempre cartão amarelo. Eu tenho a ideia e tenho quase a certeza que o árbitro mostra por cartão vermelho pela questão da clara oportunidade de golo, porque considera que o jogador ia para a baliza com possibilidades de marcar o golo. E eu aqui discordo por uma razão muito simples, isto também não pode ser de achismo. É parar a imagem no momento da infração, ver em plano aberto, para se tentar perceber o seguinte: a lei 12, faltas e incorreções, página 124, diz que para ser uma clara oportunidade de golo, tem que haver quatro coisas que têm que acontecer ao mesmo tempo. Ou seja, basta que uma não aconteça para já não ser uma clara oportunidade de golo e passar para ataque promissor, que é só cartão amarelo. Primeira, a distância entre o local onde ocorre a infração e a baliza. É lógico que estas distâncias têm muito a ver também com a dinâmica, com a velocidade e com a colocação dos outros adversários. A distância é relativamente longe, ou seja, estás ali duas faixas de terreno, estás 12 metros à frente da linha do meio-campo, mas se não tiveres mais ninguém e fores impedido, esta distância não anula aquilo que é uma clara oportunidade de golo. Mas aqui, de alguma maneira, a distância não é propriamente aquela situação em que a gente diz que já está mesmo próximo da área ou da baliza. Mas eu esta aqui até aceito como concessão. Depois, a direção geral da jogada também é discutível. Obviamente, quando o jogador vai pelo meio, a direção geral da jogada tem que ir na direção da baliza. E esta bola é um bocadinho mais próxima da linha lateral do que propriamente da zona central. E a bola vai de certa forma a fugir para a linha lateral. Mas em termos gerais, realmente a bola é emitida em profundidade e o jogador, se domina a bola, obviamente que flete para dentro e vai na direção da baliza. Eu aqui também dou de bandeira. A terceira, clarinho que é o Pepe, neste caso, que é o jogador que sofre a falta, se tem a bola controlada ou tem possibilidades de controlar a bola. E a bola claramente estava na frente do Pepe com todas as possibilidades de a dominar e controlar. Se bem que o primeiro e o segundo deixam dúvidas, qual é o fator que claramente para mim é mais decisivo neste lance? É parar o momento da infração, é esse o momento que conta, e perceber o quarto fator que diz que é, passo a citar: "posição e número de defensores e atacantes". Para tentar perceber, neste caso, em relação, por exemplo, aos defensores, se há outros jogadores defensores, que não o El Yami, que parando o momento da infração poderiam, para a distância que falta percorrer e para a posição que ocupam, intervir naquele lance. E nós quando paramos a imagem, temos na zona central, por dentro, que isto é um fator também muito importante, porque se os jogadores que vão atacar vão por zona central e quem pode intervir está lateralmente, aí é que já não tem hipótese. Agora é o contrário. A jogada vem pela zona lateral e quando paramos, o Batu está na zona central por dentro, quer dizer que pode fechar este ataque que vem, neste caso, pelo corredor esquerdo, e está uma faixa de terreno verde à frente da jogada, afastado lateralmente. O que significa uma faixa de terreno? Seis metros. Quer dizer que ele está seis metros, não é meio metro, não é ao lado, é seis metros à frente da jogada e na zona central. E claramente que aqui não se vai dizer quem é que corre mais rápido ou menos rápido, porque isso não existe, para a lei correm todos à mesma velocidade. E portanto, com este momento, com a paragem do lance, com o Batu seis metros à frente, por dentro, pela zona central, claramente que este fator não se verifica, que é não haver nenhum defensor que possa intervir. Dito de outra maneira, há um defensor colega do El Yami, que é o Batu, que pode claramente intervir. Depois, se intervém bem, se é rápido, isso não conta para a lei. Isso é outros quinhentos, como costumam dizer. E portanto, para mim, não é clara oportunidade de golo. Isto é claramente para cartão amarelo. E termino com isto, independentemente das indicações que possam ser dadas aos árbitros, e sei que são dadas muito no sentido de ir por cima das claras oportunidades de gols, de vermelho, etc., quando houver sobretudo dúvidas, há uma coisa que eu sei. Eu, se estivesse no vídeo árbitro, intervinha claramente neste lance. Porque para mim, por muitas indicações e instruções que possam ser dadas, não se pode contrariar o texto da lei e o que está escrito na lei. Portanto, para mim, era claramente cartão amarelo e não cartão vermelho. E, portanto, há um erro de análise. O jogo depois desviou para o minuto 84. Depois ainda houve seis minutos de jogo, mais sete descontos. Houve mais 13 minutos. Certo que o Porto já estava a ganhar. Não sabemos se isto tem impacto ou não no resultado ou no jogo. No jogo tem sempre, mas para mim, cartão vermelho é mau gestão.
Pedro Henriques, temos que saber que nota merece a equipe de arbitragem hoje liderada por Luís Godinho. Acredito que com este erro não vá merecer a melhor das notas.
Sim, vou dar nota quatro. Estava aqui na dúvida entre o quatro e cinco, porque o resultado na altura o Porto já estava a ganhar. O que é que está aqui de positivo? O fato do cartão amarelo, que foi mostrado e único, ter sido bem mostrado, o fato do gol do Futebol do Porto ser legal, isso é importante, que é o gol que acaba por decidir o jogo. Mas é na parte disciplinar que acho que está aqui o calcanhar de Aquiles do Luís Godinho hoje, num jogo que realmente praticamente não tem cartões, pela situação de um cartão amarelo que perdia algum impacto, o do Santi Garcia, mas isso não deixa de ser um erro, mas sobretudo por esta questão do cartão vermelho, que acaba por ser um erro que não tendo impacto, porque o Porto já está a ganhar, não sabemos o que vai acontecer a seguir, obviamente, mas acaba para a categoria que o Luís Godinho tem, para aquilo que hoje em dia é a possibilidade de haver um vídeo árbitro intervir e independentemente das instruções que os árbitros tenham, as instruções não podem vir no sentido de contrariar claramente aquilo que é as leis de jogo. E eu estou a reforçar isto, só terminando com isto, indo buscando aqui uma situação que é quando oiço falar, que também não tenho a certeza, porque o Conselho de Arbitragem não fala. Se a ser verdade que aquele pênalti da mão do Doumbia não era pênalti por mão, está tudo dito relativamente às instruções que estão a ser dadas aos árbitros e se isso é verdade. Por quê? Porque aquela não era para pênalti e isto é para cartão amarelo e não há nenhuma instrução que possa contrariar o livro das leis de jogo e aquilo que está escrito nas leis e que não sofreu nenhuma alteração.
Pedro Henriques, está feito mais um Sem Falta na Rádio Observador. Amanhã vamos ter novo episódio para analisar a arbitragem do Sporting Académico de Viseu. O mesmo vai acontecer na segunda-feira para a deslocação do Benfica aos Açores para enfrentar o Santa Clara. Vamos também sempre ouvir do Pedro Henriques em sede de O Campeão É, com notas de 0 a 20 aos protagonistas do dia no mundo do esporte aqui na Rádio Observador, sempre de segunda a sexta e às vezes também ao fim de semana. Pedro, um grande abraço. Até amanhã.