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Boa noite, o meu nome é Maria Miguel Marques, vamos às notícias. E começamos pelas manifestações no Porto e em Lisboa. A PSP reforça contingente no Rossio, com grande presença policial da Unidade Especial de Polícia. E é nesta praça que está o jornalista David Biléu. David, a PSP fez o aviso para que as tendas sejam retiradas.
Sim, é verdade, a PSP fez este aviso, mas a verdade é que a posição dos manifestantes aqui na Praça do Rossio não se alterou. Decidiram resistir e continuar aqui com as tendas. Neste momento, a situação está bastante complexa e complicada. Vemos aqui toda a polícia a formar uma linha de intervenção aqui na Praça do Rossio, enquanto os manifestantes aqui mais atrás vão gritando: "Juntem-se a nós, fascismo nunca mais". Inclusivamente, vemos aqui uma frase que diz: "Numa cidade devoluta, ocupamos as ruas". É esta a posição dos manifestantes, que não parece que vão arredar pé. Existem, de facto, algumas pessoas que começaram a desmontar as tendas, mas ainda não existe uma posição sólida, firme e consistente por parte dos promotores desta manifestação e, portanto, vamos ter de esperar para ver o que vai acontecer. Aqui também um momento importante, o deputado do Bloco de Esquerda, Fabian Figueiredo, esteve aqui a falar com um dos agentes para também tentar impedir que esta situação escale para a violência. De facto, a sensação que dá é que parece que não é do interesse de ninguém, nem da polícia, que haja aqui qualquer espécie de intervenção mais violenta e, portanto, neste momento, vamos apenas esperando que alguém tome uma iniciativa, alguém tome uma ação ou os manifestantes mudem a sua posição, ou a PSP vai ter de agir, Maria.
Exatamente, o jornalista David Biléu, na Praça do Rossio, dá conta deste impasse que marca este momento de manifestações. Ainda vamos ver se as tendas vão efetivamente ser desmontadas. A polícia voltou várias vezes a insistir para que tal acontecesse. No Porto, os manifestantes vão retirar as tendas e muitos vão ficar na praça sem tendas. Lá está o correspondente da Rádio Observador, Miguel Pinheiro Correia. Miguel, o que fica do diálogo entre a PSP e os manifestantes?
Está aqui, neste momento, na Praça Dom João I, um enorme impasse e neste exato momento está a ser votado, precisamente novamente pelos manifestantes, essa possibilidade de saírem ou não da praça, de retirarem ou não as tendas da praça. É imperceptível, para já, qual é o resultado desta votação, mas neste momento, e onde me encontro, na Praça Dom João I, é uma espécie de terra de ninguém, sendo que de um lado estão muitos manifestantes, agora de braço no ar, precisamente a votar, a fazer uma espécie de cordão humano à frente das tendas para impedir que a polícia atue. E do outro lado estão dezenas de agentes da Unidade Especial da Polícia, prontos a intervir caso necessário. E ainda estamos a tentar perceber se essa intervenção acontecerá ou não. Agora, neste momento, estão os manifestantes a aplaudir. Não consigo perceber ao certo qual foi a decisão, sendo que há instantes esse impasse surgia porque, e como nos garantiu a polícia, o promotor deste evento, o promotor desta manifestação, garantiu à polícia que os manifestantes iam retirar as tendas. Esse mesmo manifestante, que conversou com os polícias acompanhado dos advogados deste movimento, comunicou essa decisão à polícia e entretanto, munido de um megafone, falou com a multidão para explicar precisamente isso, que poderiam ficar aqui, a polícia autorizava que permanecessem aqui, mas sem as tendas. E quando ele estava a comunicar essa decisão aos manifestantes, teve reações negativas e muitos dos manifestantes disseram que não iriam sair da praça, que não iriam retirar, e entretanto, já decorreu também essa votação com essa intenção. Percebi agora que querem continuar aqui na praça, ou seja, há este braço de ferro e preparam-se outra vez para uma eventual carga da polícia. Não sabemos se irá acontecer, se poderá acontecer. O certo é que foi dada essa primeira palavra de que iriam retirar as tendas, depois em conversa com os manifestantes, nem todos concordaram, decidiram votar e agora há a decisão dessa votação. Não vão retirar as tendas, vão se manter precisamente onde estão, à espera de eventual atuação da polícia.
O repórter do Observador, Miguel Pinheiro Correia, na Praça Dom João I, no Porto, dá conta de maior tensão no momento em que os manifestantes que ocupam esta praça acabam de votar, que vão ficar com as tendas, apesar de a polícia já ter reforçado a carga policial nesta zona e já ter ameaçado intervir. O líder do Partido Socialista diz que está em solidariedade com estes manifestantes. José Luís Carneiro criticou o silêncio do primeiro-ministro. O secretário-geral do PS falava aos jornalistas em Coimbra. Carneiro diz que Luís Montenegro devia dar a cara ao país.
Aquilo que eu tenho ouvido desses manifestantes é que, fundamentalmente, querem que o primeiro-ministro meta na gaveta a nova lei das rendas, porque as pessoas perceberam, como qualquer pessoa percebe que olhe para aquela lei, que esta é uma lei que vai facilitar os despejos. É incompreensível, sobretudo o silêncio do primeiro-ministro. Era muito importante que o primeiro-ministro aparecesse ao país, dar a cara, explicar quais são os seus objetivos para responder à crise da habitação
Declarações de José Luís Carneiro à bleia da RTP. O líder socialista rejeita também responsabilidades de anteriores governos do PS no setor da habitação e do arrendamento. E não há protestos só em Lisboa e no Porto. As manifestações estão espalhadas um pouco por todo o país. Duas centenas de pessoas estiveram em Coimbra, na Praça 8 de Maio, a pedir que a nova lei do arrendamento não avance. Além desta concentração, esteve ainda presente uma assembleia popular organizada pela plataforma Habitação Coimbra. Em Faro, cerca de uma centena de pessoas desceram a Avenida 5 de Outubro. Os manifestantes estiveram na Praça de Liberdade, onde realizaram também uma acampada e uma assembleia popular, à semelhança do que tem acontecido um pouco por todo o país. Manifestações que estão a surgir também em toda a Europa. Na Catalunha, em Barcelona, os manifestantes partiram lojas e vandalizaram a cidade. Atos de vandalismo que resultaram em, pelo menos, 100 detidos, 27 destes detidos a serem menores de idade. É o que indica o jornal "El Confidencial". Os distúrbios tomaram conta da Plaza Catalunha. Por causa da violência das manifestações, várias pessoas ficaram presas dentro de uma loja do El Corte Inglés de Barcelona, depois de a loja fechar por razões de segurança. Entretanto, o presidente da Generalidade da Catalunha, Salvador Illa Roca, condenou os atos de violência nas redes sociais, afirma que protestar é um direito democrático, mas que cometer atos de agressão, intimidação ou destruição, não. Em França, quase mil pessoas foram detidas também nas manifestações de hoje. Um número que vai aumentar. É, pelo menos, isso que adianta o governo francês. O ministro do Interior do país acusou grupos de extrema-esquerda de procurarem confrontos com a polícia no final da manifestação em Paris e de estarem a saquear lojas. De acordo com o governante, eram 500 pessoas. As forças de segurança tiveram de recorrer a canhões de água e bombas de gás lacrimogéneo para responder aos ataques dos manifestantes que, segundo a Polícia de Paris, já foram dispersos. Durante a tarde, mais de 400 mil pessoas saíram às ruas da capital francesa, não tendo havido incidente de maiores dimensão a registar até o final da marcha. O Futebol Clube do Porto venceu o Gil Vicente hoje por 1 x 0 e soma a nona vitória em nove jogos na Liga, primeira vez desde que as vitórias valem três pontos. Os azuis e brancos vinham de dois jogos seguidos a perder para a Liga dos Campeões e o gol de Borja Sáenz, na segunda parte, evitou agravar esta crise. Francesco Farioli assume que era importante esta vitória, ainda para mais contra uma equipa difícil como o Gil Vicente.
Foi muito importante ter uma boa reação após a derrota na Liga dos Campeões, com uma performance com muita atitude, mas acima de tudo, conseguir mais três pontos e chegar aos 27.
Francesco Farioli em declarações após a vitória do Futebol Clube do Porto em Barcelos por 1 x 0. Dar nota que neste momento passam cerca de nove minutos da 1h, de novo, isto porque Portugal continental e as regiões autónomas da Madeira e dos Açores acabam de atrasar os relógios. Começou o horário de inverno. A mudança da hora afeta a relação entre o relógio interno do corpo e o horário social, o que pode exigir vários dias de adaptação para algumas pessoas. As crianças e os adolescentes podem apresentar mais sonolência e desconcentração ao longo das próximas semanas. Alguns especialistas sugerem estratégias como uma rotina de sono consistente, passar tempo ao ar livre, praticar atividade física, restringir estimulantes e ecrãs antes de deitar e manter o quarto confortável. O objetivo é regular o relógio biológico natural do corpo e acelerar a adaptação à mudança da hora. Por isto, ponto final neste jornal da 1 da manhã. A informação está de regresso dentro de meia hora.