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Começa agora o fact-check das manhãs 360 com o jornalista João Gama, que já aqui está connosco. Olá, João. Bom dia.

Olá, bom dia.

Hoje vamos falar sobre Bill Gates e um outro tema que me diz muito.

Então.

A Coca-Cola. Isto é o que dá não ler antes do texto. A gente pensa: "oi, o que é isso? O que me diz?"

É verdade.

Conta lá, João.

Mas diz-te muito.

Diz-me muito. Então, a zero, diz-me tanto.

Não sei se é zero, mas vamos falar de publicações que rapidamente ficaram virais e incluem Bill Gates, um dos homens mais ricos do mundo, o fundador da Microsoft, a empresa gigante de refrigerantes, a Coca-Cola, e para ajudar a mistura, vacinas contra a Covid-19.

Bem, isso é uma mistura exclusiva. Isso é um coquetel absolutamente exclusivo.

Não sei se apetece essa mistura.

De facto, não é a primeira vez que falamos aqui de Bill Gates e da pandemia, mas tirando, obviamente, o motivo da Maria João, que é muito nobre, muito válido, onde é que entra aqui a Coca-Cola?

As publicações nas redes sociais apontam a seguinte teoria: Bill Gates terá comprado ações da Coca-Cola com o objetivo de ordenar que a fórmula da bebida seja alterada para passar a incluir o RNA mensageiro, que é utilizado em vacinas contra a Covid-19.

Vou ficar vacinadíssima.

Até tenho medo de perguntar como é que as redes sociais descobriram isto.

RNA mensageiro, só isto assusta.

Quer uma Coca-Cola mRNA.

Basicamente, a publicação partilha um vídeo que mostra uma página de internet com várias notícias que mostram Bill Gates a tornar-se acionista de várias empresas, não só da Coca-Cola, mas também, por exemplo, a da Heineken. Sobre a Coca-Cola, este autor escreve que basta ver a propaganda da Coca-Cola sobre um só ADN para concluir que o RNA mensageiro das vacinas está a ser introduzido na bebida. E apesar de parecer não ter medo da Coca-Cola, garante que nunca mais vai beber cervejas Heineken na vida.

Portanto, são 7h40, estamos a falar de Coca-Cola e de cerveja. Bill Gates chegou ou não a comprar estas ações, João?

Vamos pôr seriedade em cima da mesa. Apesar de garantir que não é um grande bebedor de cerveja, o multimilionário adquiriu, de facto, 10 milhões de ações no valor de quase € 900 milhões da Heineken e, de acordo com a Reuters, Bill Gates comprou, de facto, ações à empresa mexicana Femsa, que é uma das empresas que engarrafa e distribui as bebidas da Coca-Cola. Ainda assim, essa é a única associação. O fundador da Microsoft não comprou ações da gigante de bebidas, uma vez que o seu nome não aparece na lista de acionistas que está disponível na internet.

Então e a Coca-Cola, a própria, já veio esclarecer esses rumores?

Já veio, sim, Júlio. No site da Coca-Cola Brasil, a empresa garante que os vídeos que estão a circular nas redes sociais sobre esta teoria da alteração da fórmula da Coca-Cola com a associação de Bill Gates para incluir vacinas contra a Covid-19 não são verdadeiras. Além disso, a empresa garante que todos os ingredientes utilizados nos produtos são seguros e foram aprovados pelos reguladores. A última vez que foi mudada a fórmula tradicional da Coca-Cola foi a 23 de abril de 1985, há 38 anos, e como as alterações não foram bem aceites pelo público, a Coca-Cola voltou logo à fórmula original três meses depois, a 11 de junho de 85.

Já não precisas dizer mais nada. Só a cor do carimbo, que eu desconfio que seja da cor da lata da Coca-Cola.

É um carimbo vermelho. Não é verdade que Bill Gates tenha comprado ações da Coca-Cola com o objetivo de incluir a vacina contra a Covid-19 na bebida. O nome do multimilionário não consta na lista de acionistas da empresa e a Coca-Cola já veio garantir que a última vez que mexeu na fórmula foi há 38 anos, bem antes da pandemia.

João, vai ali à vending machine buscar uma Coca-Cola. Carimbo vermelho, fact-check da Rádio Observador com o João Gama. Amanhã voltamos a olhar para as notícias que circulam nas redes sociais.