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O jornalista Aníbal Rebelo já aqui está connosco. Começa agora o novo fact-check. Fala Aníbal, bom dia.

Bom dia, bom dia, Joana.

Hoje vamos falar do Spotify.

É por causa de uma publicação que dá conta de que este serviço de streaming vai fazer alterações e pretende começar a cobrar alguns artistas que estão na plataforma de música.

Como assim? Até agora são os artistas a receber pelas músicas, agora vão ter de pagar?

É isso que quer fazer acreditar esta publicação, que começou a circular no início deste mês e que diz qualquer coisa como isto: como a hospedagem na nuvem é caríssima, o Spotify está a considerar cobrar pela presença dos artistas menos ouvidos. Ou seja, aqueles artistas com audiências mais baixas vão passar a ter uma taxa por usarem este serviço de streaming. Ora, nos vários comentários que têm surgido já esta publicação, é dito que se trata de uma notícia absolutamente terrível para a cultura mundial e que vai retirar espaço a artistas pequenos ou em ascensão.

Aníbal, até porque a promoção de artistas menos conhecidos é um dos pontos fortes da plataforma.

E com esta possibilidade, esses artistas com menos projeção deixam, com toda a certeza, de ter possibilidade de marcar presença nesta plataforma de streaming. Ora, esta publicação justifica essa possibilidade com uma informação alegadamente da empresa, que dá conta de que há sessenta e sete milhões de músicas com menos de 10 reproduções anuais e que, por isso, não estaria interessada em continuar a alojar esses conteúdos.

E qual é o modelo de negócio atual no Spotify entre os artistas e a plataforma?

Ora, o Spotify gera receitas através de assinaturas e de publicidade. Já os artistas disponibilizam as músicas na plataforma e depois recebem um valor baseado no número de audições. Ou seja, quanto mais, mais recebem. Ora, as plataformas têm disponíveis qualquer coisa como cento e cinquenta e oito milhões de faixas de música. Segundo a empresa, 38 milhões dessas faixas, no ano passado, não foram tocadas nem uma vez.

Pois, daí aquela ideia de para cantar tens que pagar. E com esses dados, a empresa pondera mesmo avançar com a cobrança desses artistas que têm menos audições?

Para já, não. Essa publicação para qual estamos a olhar, baseia-se num artigo que foi publicado num site de música, que logo no arranque do texto esclarece que pertence a um conjunto de análises relativamente a questões do mundo artístico. Ora, nesse mesmo artigo, é feito o paralelismo entre conteúdos pagos no Twitter e a alegada necessidade de o Spotify poder vir a fazer o mesmo. São analisados vários dados, entre eles o fato de haver muitas músicas sem reproduções. Ora, o autor da publicação agarrou nesses dados todos, criou esse artigo e lançou, através dele, esse pânico entre os artistas. Para já, a informação que temos é que a empresa não pondera avançar com essa medida.

Então, Aníbal, vamos ao veredito final.

O autor da publicação que estamos a analisar baseia-se num artigo de opinião, em que se comparam os gastos do Spotify no armazenamento de conteúdos e que esses mesmos conteúdos geram em termos financeiros, mas em lado nenhum está dito que há essa informação de que a medida de cobrança vai avançar. A empresa já reagiu também, diz que nada está a ser pensado nesse sentido nesta altura. Assim, e de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é errado.

Então leva carimbo vermelho este fact-check das manhãs 360 com o jornalista Aníbal Rebelo. Amanhã há mais para ouvir, sempre por volta das 7h40 ou então a qualquer hora em podcast.