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Fora do Baralho, edição extra de resposta às perguntas dos ouvintes, hoje com o Luís Aguiar e Conraria. Temos aqui duas perguntinhas, Luís, que nos chegam através de foradobaralho@observador.pt, ou então perguntas que os ouvintes fazem, ou críticas até também no Spotify ou no YouTube. Começamos pela do Hugo Azevedo. Deixou uma pergunta no Spotify: não acham que há pouco contraditório nos painéis do Observador? Diz este ouvinte que entende que o centro político se desviou muito pra direita, sim, mas quando o debate é todo feito do mesmo lado do espectro, ou praticamente todo, empobrece a discussão.
Eu devo dizer que eu não sigo todos os painéis do Observador e, portanto, tenho alguma dificuldade em responder essa pergunta. Eu começava, se calhar, por dizer que desde que haja um conhecimento claro, que não haja agendas escondidas, que se saiba claramente qual é que é o posicionamento ideológico ou partidário de um comentador, eu não considero isso muito grave, porque acho que o ouvinte já consegue por si mesmo fazer o seu desconto. E toda a gente sabe que a Rádio Observador, no painel das rádios nacionais, está um bocadinho mais encostada à direita a nível de opinião. A nível de jornalismo não tenho essa opinião. Acho que a nível de jornalismo não há qualquer enviesamento que seja relevante, mas a nível de opinião, sim, nós sabemos que o Observador, desde o início, é um projeto que está mais encostado à direita e mais encostado a uma visão liberal da sociedade, liberal no sentido europeu do termo, do que a maioria dos outros órgãos de comunicação social. Se os painéis seriam enriquecidos com mais contraditório, talvez. Eu não sei muito bem o que dizer a isso. Também não acho que isso tenha de ser feito por quotas. A verdade é que as audiências da Rádio Observador têm vindo a subir, portanto, de alguma forma, as pessoas estão contentes.
Este ouvinte faz este comentário no programa Fora do Baralho, no Spotify. Achas que aqui a crítica pode assentar a carapuça também ao Fora do Baralho ou não?
Pela forma como a pergunta está feita, parece-me que o Hugo Azevedo não se está a dirigir diretamente ao Fora do Baralho. E se estiver, pronto, corrija-nos, terei todo o gosto em voltar ao assunto mais tarde. Mas a verdade é que já recebemos esta crítica muitas vezes, ao contrário, de que no Fora do Baralho estamos demasiado encostados à esquerda. E isto, de facto, também mostra, na minha opinião, como é que dentro da audiência da Rádio Observador há muita gente encostada mais à direita, porque eu devo dizer, nas redes sociais e em todo lado por onde ando, eu e o Jorge, eu que sou considerado uma falsa esquerda, porque eu digo que sou de esquerda, mas toda a gente me diz que é mentira, que eu sou de direita, portanto, ou pelo menos muita gente de esquerda me diz que eu sou de direita. No caso do Jorge, acho que o Jorge nunca se assumiu politicamente aqui no espectro ideológico, mas também acho que é connotado como um bocadinho mais à direita do que eu. E portanto, o facto de nós sermos vistos como um painel generalizadamente de esquerda, parece-me um sinal dos tempos, digamos assim. E um sinal também do enviesamento dos ouvintes da Rádio Observador, que não tem mal nenhum. Isto aqui não é nenhuma crítica. Aliás, se fosse alguma crítica, não estaria bem aqui. Eu gosto muito deste programa e de participar na Rádio Observador. Agora, eu olhando para o nosso painel, o que eu vejo aqui no espectro partidário? Vejo alguém como a Susana Peralta, que é declaradamente apoiante do Livre.
Assumidamente de esquerda.
Assumidamente de esquerda, é uma pessoa que está à esquerda do PS. E temos do outro lado do espectro, digamos assim, o Nuno Garoupa, que é alguém que está à direita do PSD, é alguém que já foi candidato pelo CDS à Assembleia da República, é alguém que já foi candidato pela Iniciativa Liberal há pouco tempo, já não me lembro, mas há três ou quatro anos foi candidato pela Iniciativa Liberal. E eu e o Jorge estamos um bocadinho mais no centro. Eu acho que na Rádio Observador o espectro esquerda-direita está representado. O que me parece que, se calhar, também está a acontecer no nosso programa, e sei que alguns ouvintes sentem a falta do João Marques de Almeida, é que o João Marques de Almeida, sendo uma pessoa independente, mas tinha posições um bocadinho mais alinhadas com o governo da AD do que tem o Nuno Garoupa. Digamos que o Nuno Garoupa faz mais uma oposição pela direita, enquanto que o João Marques de Almeida estava mais vezes de acordo e defendia mais vezes posições do governo. E portanto, como muitas vezes o debate parece que é defender o governo ou criticar o governo, de repente pode parecer que há pouca diversidade ideológica No nosso programa. Mas não é o caso. Diversidade ideológica há. O que realmente neste momento não há é nenhum apoiante declarado deste governo.
É dos programas da Rádio Observador mais plurais, o Fora do Baralho. Vamos a uma outra pergunta, Luís, sobre o caso de Paulo Abreu dos Santos, antigo adjunto da ex-ministra da Justiça Catarina Sarmento e Castro, que está preso preventivamente por abusos e pornografia de menores. Foi detido em flagrante delito, apanhado numa investigação internacional que contou com o apoio do FBI. O ouvinte Sérgio Costa gostaria de saber qual a leitura do tratamento jornalístico deste caso, tendo em conta que estamos a falar de um ex-adjunto de um governo do PS, que inclusivamente usou os meios do Estado para a prática dos crimes, em comparação com outros casos envolvendo políticos do Chega, e há também dentro do Chega suspeitos acusados do mesmo tipo de crime. Este ouvinte acha que há um tratamento diferente nos títulos e textos quando tem que ver com o Chega, aparece lá Chega, e neste caso não houve grandes referências nos títulos e nos destaques ao facto de este ex-adjunto ser do PS.
Nos factos tem razão. Nas primeiras notícias que houve, dizia adjunto de ministra, acho que era de Ministra do Trabalho, e eu tive de andar a pesquisar para ver que ministra era essa para saber de que governo é que se tratava.
Ex-adjunto da Ministra da Justiça.
Da Justiça, sim. Mas eu tive depois de estar à procura para ver de que governo é que se tratava. Portanto, havia uma clara omissão no início dessa questão. É uma pergunta difícil de responder. Eu vou responder de uma forma e depois vou ter um mas a seguir. Ok? À partida, eu diria que este tratamento que foi dado a este caso envolvendo alguém ligado ao PS é o tratamento correto. Quando estamos a falar de pedofilia, estamos mesmo a falar de uma atitude individual e não é minimamente razoável contaminar um coletivo por causa do comportamento execrável, e absurdo, não há adjetivos para isso, de alguém. Não me faltava mais nada agora haver um caso de pedofilia na Universidade do Minho, de um professor qualquer e de repente esse anátema cair sobre todos os professores da Universidade do Minho. Por amor de Deus. E portanto, o tratamento que foi dado no caso do PS é o tratamento correto e aceito que muitas vezes se acaba por ser injusto com o Chega ao se dar tanta relevância ao fato de serem pessoas do Chega. Dito isto, agora vem o mas, peço desculpa. Quando um partido faz deste assunto tema de agenda e passa a vida a falar no assunto, e não sei se alguma vez fez ou não, mas se calhar fez, e se nunca tiver feito, se calhar vai fazer no futuro, um cartaz a dizer: "Temos de castrar pedófilos", ou alguma coisa assim do gênero.
Sim, é uma das bandeiras do Chega, a castração química de pedófilos.
Depois é inevitável que se fale nisto. Não vejo como fugir a isso. Quando se faz disto bandeira, quem com ferros mata com ferros morre. Quando se faz disto bandeira, depois naturalmente a resposta é, ou a reação é: "Olhem para vossa casa antes de virem dar lições para o resto do país". Eu admito alguma injustiça, e concordo com a descrição que o Sérgio Costa faz dos factos. Acho que o Chega se põe a jeito.
Bom, e nós agora pomo-nos a jeito para nos despedirmos desta edição extra de resposta às perguntas dos ouvintes. Escreva-nos para foradobaralho@observador.pt ou por WhatsApp para o 91 002 41 85. Também pode enviar-nos mensagens por áudio. Obrigada, Luís. Até para a semana.
Ainda podemos desejar bom ano.
Ainda podemos. Até aos Reis pode ser.
Ok. Então para a semana já não dizemos, mas agora um bom ano para todos.
Um bom ano.
E para ti também, Vanessa.
Um bom ano.