O líder do Chega afirmou esta segunda-feira que foi o PSD que não quis um acordo de legislatura e considerou que agora “esse tempo já passou”, mas mostrou-se disponível para continuar a trabalhar em matérias concretas.
André Ventura esteve esta segunda-feira presente numa concentração de dirigentes associativos agroflorestais, em frente à Assembleia da República, para manifestar o apoio do partido. À margem, foi questionado sobre a entrevista do antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho à SIC Notícias, na qual insistiu que o PSD “tinha obrigação” de explorar um acordo de legislatura com Chega e IL.
O presidente do Chega lembrou que nas últimas eleições legislativas defendeu que deveriam ser criadas “condições de unidade para fazer reformas na área da saúde, da segurança, da agricultura, da justiça”.
“Mas francamente esse tempo já passou, os protagonistas do PSD na altura entenderam que isso não devia ser feito, nós respeitámos isso e a vida continua. Portanto, eu acho que essa crítica, que é justa, não é certamente para o Chega, o Chega esteve disponível para construir essa maioria, que depois, por decisões de líderes do PSD e não do Chega, acabaram por não se construir”, indicou.
No entanto, não fechou a porta a entendimentos pontuais, salientando que “o Chega esteve sempre disponível para resolver todos os assuntos que têm de ser resolvidos” e também para “fazer importantes reformas para o país”.
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“Ainda agora se viu isso em várias matérias, que vão desde a imigração ao IRC, o arrendamento, nós sempre que houve necessidade de trabalhar, trabalhámos. Se o Governo apresentar propostas para a agricultura ou quiser viabilizar as nossas, sabem que não somos nós que as vamos impedir, nós vamos trabalhar para isso. Isso é uma coisa, outra é, com estes protagonistas que estão agora, penso que há muito tempo que esse tempo passou por vontade do próprio PSD”, indicou.
Ventura valeu-se também dos mais recentes barómetros e sondagens divulgados que dão o Chega à frente da AD nas intenções de voto para defender que “não faz muito sentido agora estar a falar de um Governo liderado por Montenegro nestas condições com o Chega como parceiro”.
“Acho que o Governo escolheu o PS como parceiro, essa é a principal crítica que Pedro Passos Coelho faz, e eu acho que ele tem razão, o Governo escolheu governar com o Partido Socialista. Noutro contexto, noutro futuro em que as coisas mudem, eu estou certo que esse dia há de ter de chegar em que com o Chega a liderar, espero eu, nós tínhamos de fazer um corte profundo com o país e com reformas que o país precisa”, disse.
Questionado se nessa altura estará disponível para um acordo com o PSD, o presidente do Chega defendeu que, por agora, o partido tem de “liderar as alternativas à governação”.
“E eu tenho de construir essa alternativa à governação, porque quando governar, e eu espero que isso aconteça, eu quero ter um Governo maioritário, quero ter um Governo com condições de governar, e quero poder fazer reformas”, acrescentou.
Ainda sobre a entrevista de domingo à noite, André Ventura disse que Passos Coelho “tem razão em muita coisa”, por exemplo quando defende que “o Governo devia ter feito mais reformas do que aquelas que fez”, mas referiu também as discordâncias, nomeadamente no que toca à descida da idade da reforma.
“Eu acho que isto não tem a ver com concordar com tudo ou discordar de tudo, há uma coisa que é evidente, há uma grande maioria não socialista hoje em Portugal e no Parlamento, e essa maioria não socialista não está a contribuir para fazer a transformação que o país precisava, e aí Pedro Passos Coelho tem toda a razão, é isso que verdadeiramente importa na entrevista, o resto são timings internos de outro partido”, indicou.
Questionado se o futuro político do antigo líder do PSD pode passar pelo Chega, André Ventura considerou que “ficou evidente que há vontade e ambição e energia de Pedro Passos Coelho em ter um papel interventivo na vida nacional.”
“Outra coisa é, como é que isso acontece… No PSD, dentro do PSD, fora do PSD… Eu sou o presidente do Chega, não sei como é que isso acontece, não sei como é que acontecerá”, referiu.