Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Foi a ideia mais louca que tive em 10 anos de mandato. Eu sou considerado muito original. Esta foi a minha maior originalidade. Ouviu-se, começou a pensar e começou a trabalhar no retrato. Ali o retrato de alguém que foi primeiro-ministro comigo em tempos, ali problemas dos fogos, acolá problemas da pandemia.

Em 10 anos teve outras loucuras, outras marcelices. Foi um termo que também entrou em voga nestes últimos anos. Mas mais do que uma retrospectiva da última década de presidência da República, na jogada da semana do Fora do Baralho, a Susana Peralta, o Luís Aguiar Conraria, o Nuno Graopo e o Jorge Fernandes vão analisar as cartas que Marcelo Rebelo de Sousa deixa em cima da mesa, o legado para o país e para a política. E a política é feita de jogadas. Marcelo também as tem, mas deixamos para a segunda parte do programa. Há uma outra que marca esta semana, e vamos começar por aqui: é a jogada de Luís Montenegro. Se tivéssemos aqui um jogo de xadrez, Jorge Fernandes, foi um xeque a Passos Coelho, o desafio lançado pelo atual líder do PSD para que o antigo primeiro-ministro se apresente a votos em maio. É a primeira carta e é de ouros.

Sim. Olá a todos. Eu acho que esta jogada de Montenegro revela uma enorme fragilidade e um imenso medo de Passos Coelho e de que Passos Coelho promova um golpe palaciano para tomar o poder dentro do PSD. Nós não nos podemos esquecer que Montenegro é o primeiro-ministro de Portugal. Ele é líder do PSD, mas ele é acima de tudo o primeiro-ministro de Portugal e, portanto, o que muda bastante a equação. Esta jogada é aquela jogada típica de alguém que está, por exemplo, na oposição, um líder da oposição, e que quer travar um adversário potencial interno, e o que faz é adiantar as eleições para, no fundo, tentar esclarecer a situação dentro do partido. Mas Montenegro é o primeiro-ministro de Portugal e suponhamos que Passos Coelho decidia avançar e que Montenegro perdia as eleições internas, isso teria implicações não só dentro do PSD, mas também implicações dentro do governo e do país. Portanto, isto mostra uma imensa fragilidade de Montenegro. E é claro, Passos está a dizer aquilo que é o chamado óbvio ululante, que o rei vai nu, que o governo é fraco, que não tem ideias, não há qualquer reforma, mas também é verdade que o governo não tem condições políticas para fazer essas reformas. E aqui é que eu acho que é o erro analítico que Passos Coelho tem, eu acho que Passos Coelho acha, na cabeça dele, a inexistência de condições políticas para as ditas reformas é culpa de Montenegro. E eu acho que Montenegro tem parcialmente culpa, porque evidentemente é pessoal político fraco, digamos assim, mas em defesa de Montenegro, eu acho que há dois erros que Passos Coelho comete. Em primeiro lugar, o eleitor mediano em Portugal nem quer ouvir falar de quaisquer reformas, de nada. Tudo o que seja mudança é para ser evitado o mais possível. Apesar do status quo não ser brilhante, o que a geringonça mostrou, e mostrou bem, e o que os anos de António Costa mostraram, é que há claramente um prémio político para quem promove uma certa sociedadezinha do viver habitualmente com pequenos benefícios, pequenas prendas, um aumentozinho aqui, um aumentozinho acolá. E não é por acaso que eu estou a usar o "inho" como diminutivo para o que é claramente este tipo de pensamento pequenino que infelizmente o eleitor mediano tem. Em segundo lugar, e aqui é mesmo o maior equívoco de Passos Coelho, é a ideia de que vamos fazer uma coligação com o André Ventura e com o Chega, e claro, aí estarão reunidas todas as condições para fazer reformas. Isto é um denial absoluto. Ventura ou o Chega nunca apoiarão qualquer medida que seja impopular ou que possa de alguma maneira causar uma perda eleitoral ao partido em nome de um suposto benefício futuro para o país ou de uma reforma que poderá ou não vir a dar frutos. Montenegro é fraco, mas Passos Coelho, ao mesmo tempo, não percebe exatamente de onde é que vêm as fraquezas de Montenegro. E, portanto, enfim, tudo isto é triste, tudo isto é fado.

Susana Peralta, Passos Coelho é o supra-somo das reformas?

Eu não sei muito bem o que é que são as reformas, esse é que é o grande problema, é que nós andamos sempre aqui a discutir reformas. O Jorge acabou de dizer que o eleitor mediano não queria reformas e que as não sei quê, que depois as reformas vão mexer em não sei quê. Estamos sempre a falar de reformas, eu gostava que, não do fato de ti, Jorge, claro, mas do Passos Coelho, por exemplo, que ele viesse dizer quais é que são as grandes reformas que ele propõe, no fundo, ou o que é que ele tem em mente quando ele diz que Luís Montenegro não as faz. É só isso. É um conceito tão indefinido que eu fico sempre um bocado perplexa das horas que se passam neste país a falar das famosas reformas.

Posso acrescentar uma coisa?

Sim, Luís.

Justamente, é interessante, porque quando alguém diz, como eu disse na semana passada, que quando Passos Coelho lá esteve quatro anos e tal, que tinha uma maioria absoluta e tinha o empurrão da troica, que não fez reforma nenhuma relevante, tirando a do código laboral, imediatamente surgem as respostas a dizer que não pôde fazer porque o Tribunal Constitucional as chumbou. Mas se é disso que estão a falar, então sejam claros, porque as propostas que o Tribunal Constitucional chumbou foram de cortes de pensões e cortes de salários, mais nada.

Não houve nenhuma reforma estrutural que o Tribunal Constitucional tivesse chumbado. O que chumbou foram cortes. Se as reformas que pretendem implementar é cortar salários e pensões, digam isso claramente e logo veem quantos votos têm.

Mas ó Luís, deixa-me só acrescentar, e o Tribunal Constitucional vai continuar a chumbar. Se é disso que estamos a falar, essas reformas não podem ser feitas, portanto, não vale a pena ter esta conversa.

Agora há uma maioria de direita e devem conseguir aprovar e devem conseguir lá ter os juízes que aprovam isso.

Não sei. Isso temos que esperar ainda o dia 1 de abril, Dia das Mentiras.

É a resposta típica. Tem de ver o contexto, porque Passos Coelho não o deixaram fazer. As formas que ele propôs foram essas. Porque vamos lá ver, reformar a Segurança Social. O que é uma reforma estrutural da Segurança Social? Uma reforma estrutural da Segurança Social é introduzir um pilar de capitalização decente, e não a brincadeirazinha que temos neste momento, e preparar um regime de transição que permita ter uma componente de capitalização forte. Isso é que é uma reforma da Segurança Social. Cortar pensões? Isso não é reforma nenhuma, isso é cortar pensões.

Já que falavas aí do Dia das Mentiras, Nuno, se calhar íamos já à tua carta, porque tem que ver com mais um adiamento pela Assembleia da República de eleições para os três órgãos de soberania, Tribunal Constitucional, Provedoria de Justiça e Conselho de Estado, que estão remarcadas para esse dia 1 de abril.

Exatamente. E eu acho que isto tem a ver, aliás, parece que não, mas vem na sequência desta conversa, porque é evidente que a desculpa oficial é que ainda estão a tentar reunir os nomes, quando na verdade já tiveram quase um ano para fazer isso. Portanto, o problema é mesmo problema tático, ou seja, sabemos que o PSD esteve à espera das presidenciais para mostrar as cartas. Vai-se entender que o Partido Socialista, até onde tudo indica, parece que o Provedor de Justiça será dado ao Partido Socialista e serão dois juízes para o PSD e um para o PS. Só que isso cria um problema, porque é preciso fechar o acordo sem o Chega se vitimizar. E agora há um problema, é que nós já tivemos casos passados em que os dois partidos há deputados que não votam. E não só não somam os dois terços, precisam da IL e do Livre, como há um problema no PSD neste momento, é que com os apelos de Passos Coelho, não é claro que a bancada toda do PSD, em voto secreto, vai apoiar o acordo que Montenegro fez com o Partido Socialista. E portanto, estamos aqui numa tentativa de um mês para contar votos e tentar persuadir as duas bancadas, do PS e do PSD, a não haver votos perdidos que impeçam a eleição no dia 1 de abril. Não sei se isto vai ficar resolvido no dia 1 de abril, mas vamos aguardar. Para já, dou paus ou espadas, uma carta negra, mas isto também merece uma carta a certa altura positiva de gozo. Estão a gozar com o país há quase um ano.

O Nuno Garoupa não vai largar este tema, como já percebemos, até haver eleições e já foram adiadas várias vezes. A ver vamos se é mesmo desta no Dia das Mentiras. Vamos voltar agora a Luís Montenegro, porque há ainda aqui outra carta para o primeiro-ministro, de espadas esta. Susana, o Tribunal Constitucional rejeitou o recurso. Luís Montenegro tem mesmo de divulgar os clientes da Spin Livra, mas mesmo assim, o primeiro-ministro pede a nulidade do acórdão.

Sim, é mais uma aventura nesta história da Spin Livra. Eu recordo que Montenegro não tinha incluído a Spin Livra na sua declaração de interesses. Foi na véspera, no próprio dia do debate com Pedro Nuno Santos, em abril do ano passado, ou em maio, não sei, nas vésperas das legislativas, que ele entregou no último dia do prazo a declaração de patrimônio e registro de interesse, onde mencionava a Spin Livra, mas depois aparentemente não tinha lá os interesses todos. Se calhar vale a pena recordar aqui para quem nos ouve o que é. Um interesse é algo que pode interferir na tomada de decisão de uma pessoa que tem alguma espécie de poder político, neste caso ele é o líder do poder executivo, e portanto, obviamente que os clientes da Spin Livra podem ter esse tipo de interferência, porque nós temos o dever e o direito de escrutinar a atividade governativa de Luís Montenegro em função dos seus interesses privados e dos clientes que ele já serviu através da Spin Livra e que neste momento são servidos pela sua família próxima. A entidade para transparência pediu-lhe uma declaração de substituição e depois em novembro, há três meses, Montenegro entrega a declaração de substituição, mas a dizer que não quer que os clientes sejam tornados públicos. Já agora, tornados públicos, não é tornados públicos, isto não é um registro de interesses como, por exemplo, dos deputados europeus, que eu vou agora aqui em dois cliques e chego ao registro de interesses de Catarina Martins ou de João Cotrim Figueiredo. Não, isto é através da entidade da transparência, depois a pessoa tem que submeter um requerimento para ter acesso a dito registro de interesses, mas mesmo assim Luís Montenegro não queria. Correu para o Constitucional, o Constitucional neste momento disse que nem sequer chegou a analisar, o Nuno poderá corrigir-me aqui, mas aparentemente Montenegro submeteu este recurso ao Tribunal Constitucional fora do prazo, portanto a questão nem sequer foi analisada, mas Luís Montenegro não se cala, porque agora pede a nulidade da decisão e isso quer dizer é que aparentemente isto poderá ainda continuar a manter suspensa a possibilidade de tu ou de outro jornalista do Observador ir através da entidade para a transparência ter acesso a este registro de interesses. Quer dizer, Luís Montenegro tem de fato uma relação muito curiosa com a transparência, porque nesta coisa da Spin Livra parece que nunca quer dizer nada. Mas depois, por exemplo, nas faturas da casa de Espinho, eu tenho em mente uma conferência de imprensa de Luís Montenegro em que ele está com um grande dossiê na mão, não sei o que é que lá tinha, se calhar eram comentários de filmes, não sei, a dizer: "Eu tenho-as aqui todas e vou mostrar, não sei o quê." Mas aí, por exemplo, ele diz que as tem, mostra, mas também não as mostra. Há umas coisas que ele mostra, mas depois não quer que a entidade para a transparência nos mostre a nós. Há outras que ele diz que tem, mas depois também nunca chega a mostrar e parece que realmente é um homem opaco.

Luís Montenegro disse em maio do ano passado que nunca ninguém tinha sido tão transparente como ele foi. Em termos políticos.

Eu acho que isso contradiz completamente a sua história ao longo destes dois anos de governo. Ele começou por esconder a Spinoviva. Ele foi ao Parlamento dizer que a Spinoviva era para tomar conta de umas oliveiras e de umas videiras que iam lá em Trás-os-Montes, em primeiro lugar, e que era para uns terrenos rústicos, não mencionando que era uma atividade de consultoria, que serve por isso empresas e que por isso mesmo é problemática do ponto de vista da sua atividade executiva. Mas ele gosta de dizer estas coisas e depois estar à espera que as pessoas acreditem. Que as pessoas não infiram a partir daquilo que ele faz, das suas ações, a sua verdadeira natureza, mas sim a partir das coisas que ele diz e dos grandes discursos.

Ficou para o fim agora a carta do Luís Aguiar Conraria, mas é um tema que dominou a semana e muito importante. Tens aqui uma carta de copas, Luís, para Israel, que quer eliminar o que considera ser uma ameaça existencial, o Irão, e conseguiu, no teu entender, manipular os Estados Unidos de Donald Trump. Por quê?

Sim. Queria recuar um bocado no tempo e lembrar que em meio do ano passado, em junho de 25, Israel lançou uma grande ofensiva aérea contra o Irão, atingindo vários alvos nucleares, militares e por aí fora. E na altura, os Estados Unidos entraram largando os mísseis, aquelas bombas perfuradoras que entraram várias centenas de metros dentro do chão, que supostamente teriam obliterado a capacidade nuclear do Irão. E na altura, houve um medo de que a guerra escalasse, mas na verdade, o efeito foi exatamente o oposto. Os Estados Unidos, com essa ação, conseguiram travar e obrigar Israel a recuar e a parar com os ataques. E de certa forma, isso na altura foi interpretado como os Estados Unidos a imporem-se a Israel e a já não serem um joguete na mão de Israel e de Netanyahu. Agora, aquilo que nós estamos a ver, quase um ano depois, ou pelo menos muitos meses depois, é que Israel agora conseguiu ter os americanos a fazer-lhes o serviço. Não sei como é que conseguiram, obviamente que Netanyahu é muito inteligente e é um excelente manipulador de pessoas, mas conseguiram isso. Está a haver uma escalada e neste momento Israel tem os Estados Unidos a combater e a entrar numa guerra pelos seus objetivos. Trump já põe a hipótese de haver tropas no terreno. Conseguiu reverter completamente o que foi a ação dos norte-americanos em junho do ano passado. Estas copas são simplesmente no sentido de dizer que está a conseguir o que quer, sem qualquer julgamento de valor da minha parte relativamente a essas ações.

Ainda não sabemos até onde vai este conflito, que está a envolver já aqui vários países no Médio Oriente, e é bem possível que venha a ser também uma jogada da semana nos próximos tempos. Esta semana, a jogada da semana é a despedida de Marcelo Rebelo de Sousa, sobretudo aquilo que vai deixar ao país. Fica para a segunda parte. Até já. Mais do que a jogada da semana, hoje é uma espécie de jogada da década e o impacto que deixa para futuro. Quando as reuniões semanais do Fora do Bralho começaram, já Marcelo Rebelo de Sousa ia no segundo mandato. Foi, ainda assim, dos maiores alvos das cartas aqui lançadas na nossa mesa de jogo. Eu contei quase 60 programas em que esteve em destaque. Em muitos, Marcelo Rebelo de Sousa deu mesmo título. Sai agora de Belém e para além dos afetos, o que é que fica, Jorge Fernandes?

Nada.

Nada?

É isso mesmo, não fica absolutamente nada. Não fica uma ideia, um discurso. Um dia destes, a SIC fez uma reportagem sobre os 10 anos do Marcelo e não fica absolutamente nada. O Marcelo Rebelo de Sousa é uma enorme vacuidade total e deixou, inclusive, na minha opinião, o país numa posição bastante mais frágil do ponto de vista político, econômico e social. Haverá quem diga: "Bem, o presidente da República não manda, não governa". Mas se achamos que o presidente é absolutamente irrelevante, então podemos deixar de eleger o presidente ou eventualmente até podemos acabar com a figura de presidente. E eu acho que o presidente da República, dada a presença excessiva, até a presença midiática que teve, a intervenção pública e política continuada que teve, tem naturalmente grandes responsabilidades num momento de forte polarização, com a extrema-direita em grande e com enormes problemas de governabilidade que Portugal enfrenta neste momento. E Marcelo Rebelo de Sousa tem muita culpa nisso. Em primeiro lugar, a reinterpretação que ele fez dos poderes constitucionais, a ideia, por exemplo, de que havendo falhanço nas negociações do Orçamento de Estado, temos que ir para eleições, o que naturalmente dá um enormíssimo poder de chantagem ao governo de turno. Ou então, por exemplo, aquele momento em que quando António Costa ganha a maioria absoluta O momento em que ele diz: "Bem, esta maioria absoluta é de António Costa." Portanto, no fundo, obrigando praticamente António Costa, não só a ficar, e acima de tudo, autolimitando as opções que ele, Marcelo Rebelo de Sousa, teria num cenário em que António Costa, por um motivo ou por outro, saísse do governo. E portanto, logo ali ele limitou os seus poderes presidenciais e no fundo deu uma interpretação de como é que o Presidente da República se deve comportar, que ia completamente contra toda a prática constitucional vigente até aí. Foi-nos dito durante todos estes 10 anos que Marcelo Rebelo de Sousa é um génio e que estas coisas, as Marcelices que tu falavas na primeira parte, Vanessa, são meramente assomos de genialidade. Uma genialidade que não vimos em momento nenhum e realmente deixa um país mais fragilizado, um país muito mais não só polarizado, mas um país muito mais em guerra com si mesmo. E portanto, eu acho que Marcelo Rebelo de Sousa fez uma Presidência da República muito triste, com momentos de grande embaraço, de não ter a mínima noção do que é ser Presidente da República. Porque lembremos uma coisa, e eu percebo que haja esta ideia aqui de ter um presidente próximo das pessoas, mas o Presidente da República exige uma certa gravitas, por um simples motivo: o Presidente da República pode tomar medidas e pode tomar decisões que o cidadão comum não pode. E portanto, para que o cidadão comum reconheça na figura do Presidente da República a legitimidade política e simbólica daquelas decisões, não podemos ter uma pessoa a andar a tirar selfies pelo país, a falar em tronco nu continuadamente, a roubar batatas fritas dos pratos das pessoas, a ir a inaugurações da padaria portuguesa, quer dizer, uma banalização total do cargo da Presidência da República.

A ligar para a Cristina Ferreira para a face.

A ligar para a Cristina Ferreira, quer dizer, foi uma banalização total do cargo da Presidência da República e que teria deixado alguém, por exemplo, como o doutor Soares, horrorizado, porque realmente foi uma presidência tristíssima de Marcelo Rebelo de Sousa.

Luís, não sei se fazes a mesma avaliação, se encontras aqui também diferenças entre o primeiro mandato e o segundo mandato de Marcelo Rebelo de Sousa e o que é que fica na história e na aprendizagem política da presidência.

Ao contrário do Jorge, eu não acho que não fique nada, mas acho que ficam más coisas. Portanto, aqui a parte em que dou razão ao Jorge, há demasiadas situações em que Marcelo Rebelo de Sousa foi demasiado ridículo. Como estar a trocar cuecas em frente às câmaras enquanto segurava a toalha, ou passar em frente a um restaurante e tirar batatas fritas do prato de alguém que está sentado dentro do restaurante. Tudo isto, de facto, acho que dá uma imagem ridícula de um presidente da República. Mas acho que isso fica naquilo que o Jorge estava a referir.

Mas na parte política?

Do ponto de vista político mesmo, claro que o primeiro mandato é diferente do segundo mandato, mas as circunstâncias também eram diferentes, eu aqui também tenho sempre alguma dificuldade em dizer o que é a responsabilidade de ser primeiro versus segundo mandato, ou simplesmente o fato de as coisas terem mudado, de já não ter havido uma geringonça, e de não havendo uma geringonça, ali há uma determinada altura em que o Partido Socialista tem maioria absoluta, o que tem como um dos efeitos principais tornar o presidente praticamente irrelevante, e isso é algo que Marcelo Rebelo de Sousa claramente não consegue aceitar. Portanto, vai contra a sua natureza. Mas essa é a parte que eu acho que é verdadeiramente negativa do seu mandato, que é a forma como convocou eleições de forma disparatada. E eu nem sequer estou a falar desta última, que imagino que fosse um bocado inevitável depois de aparecerem aqueles €75 mil na estante do chefe de gabinete do primeiro-ministro. Não estou a falar dessa, mas estou a falar da primeira, quando temos um governo que não tem maioria absoluta, mas tem uma maioria confortável, digamos assim, que precisa apenas de conseguir fazer o acordo com um partido da oposição para aprovar um orçamento, e ao primeiro chumbo do orçamento, Marcelo Rebelo de Sousa convoca eleições. Isso não é aceitável, e mais grave do que isso, ele anunciou previamente, ele anunciou que faria isso, e ao fazer isso alterou completamente os termos negociais, alterou o poder, a capacidade negocial de quem estava na altura a negociar, que era o governo de um lado e do outro lado o Partido Comunista e o Bloco de Esquerda, e obviamente que deu ao governo a desculpa que ele precisava para convocar eleições e ter uma maioria reforçada, que depois até se traduziu numa maioria absoluta. E portanto, eu acho que isso sim, é um precedente grave

Espero que o próximo presidente seja diferente. Para não falar também daquelas questões que de certa forma já todos esperaríamos, como a cunha no caso das gêmeas, aquela cunha para entrar no sistema nacional de saúde, mas isso de facto era uma coisa que penso que todos nós esperaríamos de Marcelo Rebelo de Sousa, esse tipo de comportamento.

Tanto o Luís como o Jorge falaram aqui dessa questão das dissoluções. Marcelo Rebelo de Sousa foi, de facto, o presidente campeão nesta matéria. Num dos programas aqui no "Fora do Baralho", que estive aqui a revisitar, um de vocês referia, e na altura ainda não se tinha juntado aqui à grupeta, Nuno, que Marcelo Rebelo de Sousa ficou preso por decisões passadas, cometeu erros nesta frente. É o que marca muito a presidência, é esta forma como foi convocando eleições de pré-aviso.

Eu penso que sim, mas não só. Eu acho que há aqui duas questões. Uma é aquilo que eu acho que foi durante estes 10 anos a relação doentia do presidente da República com a comunicação social. E isso tem a ver com tudo isto, os feos diversos que se falaram aqui, porque a comunicação social entendeu que Marcelo Rebelo de Sousa fazia parte da comunicação social e, portanto, não teve o distanciamento e o escrutínio que era adequado e que teve com outros presidentes da República, e se criou uma relação muito doentia, em particular com alguns órgãos de comunicação social, em que os estados de alma do presidente da República eram capa de jornais e que depois condicionavam toda a atividade política. Eu penso que isso não fica nada, porque isso é um problema de Marcelo Rebelo de Sousa com a comunicação social e, portanto, ele já não é presidente da República dentro de uns dias e portanto, esse assunto morreu. Vamos ver se vai continuar a haver uma relação doentia entre a comunicação social e o ex-presidente Marcelo Rebelo de Sousa. Ele diz que não, que vai sair de cena, mas isso vamos deixar para outro programa, para outra vez. Agora, há aqui uma questão que toda a gente focou e eu penso que é o grande problema, e que é uma herança muito pesada para o novo presidente da República. É que Marcelo Rebelo de Sousa arrebentou com as convenções constitucionais todas. Ou seja, há um antes e depois. E isso é uma herança muito pesada para António José Seguro, que vai ter que refazer essas convenções constitucionais. Não é só a questão das dissoluções. É que ele, durante o seu mandato, intrometeu-se diretamente com o Poder Judicial, portanto, quebrou aquilo que era a separação de poderes, comentou sentenças judiciais, comentou decisões do Tribunal Constitucional, fez comentários prévios a decisões do Tribunal Constitucional, comentou decisões do Procurador-Geral da República e, portanto, houve uma intromissão direta do Presidente da República na Justiça, quebrou a separação de poderes, quebrou a separação de poderes com a Assembleia da República, condicionando negociações de orçamento de Estado, condicionando negociações de leis, fazendo comentários prévios à aprovação de leis, intervindo diretamente e comentando debates da Assembleia da República, portanto, violou a separação de poderes com a Assembleia da República e obviamente extravasou aquilo que são os poderes em relação ao governo, em que fez demissões de ministros no ar, forçou demissões, comentava ministros, diz mal desta ministra, diz bem daquele ministro, diz que aquele ministro é gênio, diz que a outra não é. Portanto, tudo isso é uma alteração substantiva daquilo que era a função presidencial e a leitura dos poderes constitucionais tradicionais. Ora, isso é uma herança muito pesada para o país e que o próximo presidente da República, até pelo estilo que António José Seguro tem, espero que venha a corrigir e de facto voltarmos àquilo que era a função do presidente da República antes de 2016, que me parece, aliás, que é aquilo que está de acordo com o espírito da Constituição, e não estes 10 anos, que na minha opinião, foram claramente contrários ao espírito de um sistema semipresidencial.

Susana Peralta, temos até aqui cartas mais negativas para esta presidência de Marcelo Rebelo de Sousa. Já vamos falar um pouco também sobre essa herança para António José Seguro, mas também gostava de te ouvir sobre o que fica de negativo, de positivo também destes anos de presidência.

Quer dizer, eu acho que há claramente uma diferença entre o primeiro e o segundo mandato em vários aspectos. No primeiro mandato, e aliás, Marcelo Rebelo de Sousa chegou a reivindicar isso. Ele dizia que no fundo, ele garantiu a estabilidade, que permitiu que a geringonça governasse até o fim. Claro que é preciso dizer que ele tinha herdado os papelinhos assinados que Cavaco Silva forçou na altura, em 2015. Mas depois, no seu segundo mandato, andou a brincar às eleições. Portanto, ele gosta, ele é sobretudo uma pessoa que gosta do jogo político, do comentário, os três já falaram disso, o Nuno, o Jorge e o Luís. E portanto, ele achou piada a isso, no fundo. E isso foi um completo disparate. Aliás, não quero agora também estar aqui a falar do novo presidente, mas há uma entrevista do António José Seguro, creio que foi ao Daniel Oliveira, mas posso estar enganada, em que ele diz: "Eu não quero ser um algoritmo em Belém", alguma coisa assim do gênero. Ou seja, eu não vou anunciar previamente o que é que eu faço em cada um dos cenários, porque isso obviamente limita imenso a ação do Presidente da República, porque a ação do Presidente da República assenta um bocadinho em poucos poderes que ele tem, mas que são poderes muito fortes. Poder de veto, o poder de dissolver o Parlamento, mas que no fundo, só são eficazes se houver alguma incerteza em volta dos mesmos. Portanto, é normal que o Presidente da República enuncie grandes princípios. O que não é normal é que faça aquilo que já aqui foi dito, quando ele avisou o Costa que se ele saísse, dissolvia o Parlamento quando o Costa ganhou a maioria absoluta e quando disse que se não houvesse orçamento, dissolvia o Parlamento. Depois quando foi da moção de confiança, aí já foi diferente. Eu acho que foi o único momento em que realmente Marcelo tinha mesmo de convocar eleições. E portanto, ele andou a brincar às eleições, acabou por nos levar em ciclos políticos extremamente acelerados a esta situação em que temos o Chega como segundo maior partido, com 60 deputados eleitos, basta ver o que aconteceu ontem com a Teresa Morais e a insinuação de que as deputadas deste país ignoravam violações porque eram feitas por imigrantes. Portanto, é nesse nível que estamos e eu acho que isso também é uma herança de Marcelo Rebelo de Sousa, não vale a pena dizer o contrário. Eu tenho alguma dificuldade em ir buscar. Eu acho que, apesar de tudo, Marcelo Rebelo de Sousa, se ele tivesse sido capaz de usar a sua capacidade de chegar às pessoas de uma maneira mais comedida e mais sóbria, eu acho que ficava disso um registo positivo, porque Cavaco Silva era um presidente extremamente distante e até crispado. Ele é uma pessoa crispada na relação com o mundo. E eu gosto do lado mais redondo de Marcelo. Agora, Marcelo levou isso a extremos que já aqui foram recordados, não vou recordar de novo, que de algum modo banalizam a sua posição presidencial e depois é um bocadinho difícil de perceber como é que essa facilidade que Marcelo Rebelo de Sousa objetivamente tem para se misturar com todas as pessoas e para efetivamente chegar ao contato com elas, mas depois como é que isso se coaduna com o Marcelo que, por exemplo, mete a cunha para a família amiga do seu filho ter um acesso privilegiado a um tratamento inovador no Serviço Nacional de Saúde. Portanto, dá ideia também, aliás, a minha crônica do Público hoje, mais ou menos bem-sucedida, é sobre isso. É um bocadinho esta dualidade um bocado desconcertante deste presidente, que de alguma maneira quer estar próximo do povo, mas que na verdade nunca foi do povo e nunca será do povo, porque ele é uma pessoa que fundamentalmente nasceu no privilégio, viveu no privilégio e que nunca quis verdadeiramente afastar-se desse privilégio.

Jorge, esta herança do país dos ciclos políticos curtos pode fazer com que António José Seguro fique menos seguro na Presidência da República. Tem aqui uma tarefa difícil pela frente neste contexto político.

António José Seguro tem objetivamente uma tarefa difícil, porque a situação política do país em termos de estabilidade é uma situação difícil. Mas eu espero que António José Seguro funcione como uma espécie de indutor de uma certa tranquilidade no país e penso que, aquilo que sabemos dele, de todas as entrevistas que deu e até do próprio estilo pessoal dele, penso que rapidamente adotará um estilo muito diferente, muito mais calmo, muito mais pausado, sem necessidade de estar constantemente a comentar tudo e todos, a aparecer diariamente na televisão, aquelas patetices de ir comer um gelado ou de ir mostrar à chefe militar que trabalha com ele uma rua onde foram supostamente assassinados os Távoras por trás. São umas patetices absolutas. Evidentemente, eu penso que António José Seguro reconstruirá a Presidência da República num modelo muito mais sóbrio e eu espero que com isso consiga, de alguma maneira, também imprimir uma certa calma à vida política portuguesa. No entanto, claro, estará naturalmente condicionado por aquilo que acontecer no Parlamento e temos uma situação objetivamente difícil e aí veremos o que o futuro nos reserva.

Susana, querias acrescentar?

Eu percebo quando o Jorge diz que são patetices, porque de facto, visto de fora, é uma patetice. Agora, eu não acho que o Marcelo faça essas coisas por ser pateta. Ele faz essas coisas porque ele gosta de mostrar que faz coisas um bocado fora da caixa, porque no fundo, ele sempre apreciou essa maneira. Desculpa, Jorge.

Não, o que tu estás a dizer, Susana, eu não discordo disso. O problema do Marcelo é que ele ouve desde muito jovem e o convenceram de que ele é um gênio. E eu não sei o que é que ele é um gênio.

Há um lado irreverente de Marcelo Rebelo de Sousa que o próprio até vincou aquando do retrato do Vils também.

Não, mas eu falo com imensos acadêmicos de Direito e toda a gente me diz que ele é um acadêmico perfeitamente medíocre. Politicamente, até chegar à presidência, foi um falhanço absoluto. Perdeu a Câmara de Lisboa quando concorreu. Dentro da liderança do PSD, quando era líder da oposição, foi um falhanço rotundo. Nem a eleições foi. Enfim, tal como Luís Filipe Menezes. Portanto, na vida política, não há nada que se possa considerar.

Mas entretanto foi presidente durante 10 anos. E ganhou a primeira volta sem fazer sequer campanha.

Eu disse antes de ser presidente, o que ele fez antes de ser presidente que confirme essa ideia de genialidade? Falava na televisão, fazia uns comentários perfeitamente banais. Pronto, ele é um muito bom comunicador. Isso aí, dou-lhe de borla, mas o Fiél Gouveia também era muito bom comunicador.

Tu quando não gostas de alguém, as tuas críticas vão por aí afora como se fossem um trator. O programa semanal dele não era nada banal. Era um campeão de audiências durante anos e anos esse fio, com um tipo sentado a falar sem recurso a mais nada. Isso não está ao alcance de ninguém.

Depois eu discordo disso que diz. Nem tão pouco acredito na falácia da popularidade.

Dizeres que ele é um académico medíocre, eu não conheço a obra científica dele e nem sei muito bem o que é uma obra científica na área de Direito e estou a dizer, isto é ignorância minha, não estou a ser irónico nem nada disso. Mas nós sabemos que enquanto ele dava aulas, durante anos a fio, ele subiu ao prémio de melhor professor, era de quem os alunos gostavam. Portanto, o académico medíocre podia ser numa dimensão, mas noutra que é muito essencial, que é o dar aulas e ser um bom professor, não era medíocre, era o melhor daquela escola.

Eu não acredito na falácia da popularidade.

Nós fazermos críticas é uma coisa. Agora depois vai tudo a hate como se o homem fosse um inútil e um incapaz. Não.

Nuno, deixa-me só mesmo dizer isto. Eu não estou a dizer que é um inútil. Agora, o que eu estou a dizer é:

Alguém que te ouça fica a achar que é um inútil.

Não. Luís, o meu argumentário foi que ele foi elevado aos píncaros da genialidade absoluta do país. Atenção, portanto, isto era por comparação com.

Ok, cita lá a pessoa que o elevou à genialidade.

Toda a comunicação.

Enquanto pensas vamos ouvir o Nuno.

É ler as últimas 1000 edições dos Preços.

Está bem, não é ler as últimas 1000 edições, trazes uma citação e diz. Pronto, alguém que diga que ele é a genialidade absoluta do país.

Nuno.

Essas hipérboles também não vais a lado nenhum com elas.

Vamos ouvir o Nuno que temos de terminar também.

Não, eu ia só dizer, eu acho que aqui há duas outras coisas que são importantes. Primeiro, eu acho que Marcelo Rebelo de Sousa, do lado das coisas que mudou em Portugal, eu acho que ele mudou muita coisa. Foi ele que inventou os programas de comentadores sem contraditório, isso é uma invenção dele e que temos agora uma série de cópias e isso de facto ficou e marcou a comunicação social portuguesa, porque isso é visto hoje como uma forma de chegar a cargos políticos, coisa que não era antes de Marcelo Rebelo de Sousa, isso é evidente. E eu acho que o discurso dele marcou Portugal. Eu acho que em 10 anos, o discurso do melhor país do mundo alterou drasticamente a forma como as pessoas falam de Portugal, como as pessoas sentem Portugal e evidentemente, como o próprio país se olha a si próprio. E por isso também cria obviamente problemas de natureza cognitiva política, porque de facto o país sempre foi um país que foi bipolar entre o melhor e o pior do mundo e neste momento o país tem um problema de narcisismo coletivo. E esse narcisismo coletivo foi fundamentalmente a mensagem de Marcelo Rebelo de Sousa. Portanto, eu também não acho que ele tenha sido um inútil e um pateta. Acho que ele mudou muita coisa em Portugal. Aquilo que eu chamo a relação doentia com a comunicação social, não sei o que é que vai acontecer depois de Marcelo Rebelo de Sousa sair de Belém nesse aspeto. Acho que António José Seguro também herança pesada, mas também acho que António José Seguro está à altura de tratar dessa herança pesada. E é para isso que foi eleito com dois terços.

Susana, tens aí um trunfo?

Isto aí não é bem um trunfo. Eu não tenho a certeza que o país esteja, como é que tu disseste, Nuno, numa vaga de narcisismo coletivo e que isso se deva a Marcelo. Eu acho que há uma fase provavelmente mais otimista em que estamos, mas isso também está ancorado nalgumas boas notícias que aconteceram à nossa economia desde que Marcelo é presidente. Marcelo pegou na presidência na saída da crise das dívidas soberanas. E aconteceram coisas ao longo deste tempo que foram globalmente positivas. Claro que continua a haver muita coisa a correr mal. Não sei, até porque Marcelo foi, lembras-te que ele chamava irritante otimista ao António Costa.

E ainda chamou agora também quando se despediu das instituições europeias. Voltou a chamar.

Portanto, eu nem acho que nós estejamos numa onda de narcisismo coletivo, nem me parece que o relativo otimismo em que potencialmente estamos mergulhados neste momento se deva apenas ou até especialmente a Marcelo. Acho que há outras pessoas a contribuir para isso, há muita propaganda governamental, mas além disso há também de facto bons sinais de Portugal. Nestes 10 anos de Marcelo, Portugal melhorou muito em muitos aspetos.

Só mesmo para terminar, se tivessem de inventar o nome para um jogo de tabuleiro sobre a presidência da República que Marcelo Rebelo de Sousa deixa, que jogo é que seria? Luís.

Eu não sei, estava aqui a pensar, eu acho que ele gostaria de ser um jogador de xadrez e acho que ele olha para isto como um jogo de xadrez, mas depois de facto não consegue jogar xadrez porque é tudo de intrigas, é uma pessoa cheia de sussurros e de notícias plantadas. Isso é exatamente o oposto do xadrez em que o jogo está ali à vista a toda a gente. Portanto, não sei, um xadrez à Marcelo. Não sei.

Jares?

Eu também não faço ideia, sinceramente, mas eu acho que o xadrez é uma boa ideia para pensar no Marcelo.

Nuno?

Não, eu vou mais para o Cluedo, porque é mesmo quem é que matou António Costa, quem é que matou a Geringonça e quem é que foi matando vários procuradores-gerais da República e portanto, é uma espécie de Cluedo. Onde, quem e como.

Susana?

Eu penso num jogo de role play, aquelas coisas de Dungeons and Dragons e não sei quê, muito mais fantasmagórico. E também com palácios e com elites. Enfim, estás a ver o que eu quero dizer com isto.

É chegado o momento das despedidas do inquilino de Belém dos últimos 10 anos. A ver vamos se agora António José Seguro também vai ter tantas cartas fora do baralho como Marcelo Rebelo de Sousa teve nestes últimos anos. Escreva-nos para foradobaralho@observador.pt ou por mensagem texto ou áudio para o 910024185. Eu sou a Joker Vanessa Cruz, o Fora do Baralho fica sempre disponível em podcast. Bom fim de semana.