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Avançamos para a análise mais uma vez, agora com Rui Vilar, especialista em defesa. Rui Vilar, muito bom dia e muito obrigado por ter aceitado o nosso convite. Fomos já recebendo várias opiniões ao longo desta manhã, mas também é importante perceber qual é que deve ser o papel da NATO neste conflito e como é que deve atuar neste momento, tendo em conta aquilo que sabemos e todas as informações que fomos recebendo, tendo em conta o ataque desta manhã.

Bom dia a quem nos ouve. Face às notícias que temos tido nestas primeiras horas, onde o presidente americano diz que se trata de um ataque massivo, mas também contínuo, ou seja, percebemos que vai durar algum tempo. Estamos a assistir a uma intervenção muito semelhante àquelas que os Estados Unidos já fizeram, por exemplo, no Iraque, também no Afeganistão, é o que me parece. E portanto, o papel da NATO parece-me que vai ser semelhante. Quando temos o principal e maior exército da NATO e o principal contribuidor da NATO a fazer este tipo de ataques, que podemos chamar de invasão, a NATO fica com um papel completamente diminuído, porque os Estados Unidos estão a liderar claramente a operação, apesar de ser uma operação conjunta com Israel. O que me parece é que isto é para durar, primeiro pelas palavras de Donald Trump, depois pelos alvos que me parecem serem evidentes face ao ataque israelita do ano passado em junho, que já destruiu grande parte das instalações nucleares. Agora, há um claro ataque ao sistema de mísseis iraniano e aos governantes, que eu acho que é o que temos que estar mais atentos nas próximas horas.

Até porque há aqui uma diferença em relação ao ataque de junho do ano passado, que ficou centrado nas instalações nucleares. Agora, os governantes iranianos são mesmo aqui os principais alvos.

Parece-me que sim. E apesar de haver nestas alturas muita informação e contrainformação, eu acho que esse é o objetivo principal, até porque Trump já falou para a população iraniana, para eles tomarem conta do país, foram as palavras dele. E quando já temos as agências iranianas a dizerem que o presidente e o líder supremo estão em segurança, percebe-se que o ataque foi muito direcionado para aí, também já há alvos identificados que eram alvos do governo e locais do governo. Agora vamos esperar, porque ou os Estados Unidos conseguem neutralizar os líderes iranianos e os governantes nestas primeiras vagas, ou então podemos ver um arrastar do conflito. Noutros conflitos, os Estados Unidos também tiveram alguma dificuldade em executar os governantes logo numas primeiras vagas, mas não desistiram. Portanto, o que me preocupa aqui é que as palavras de Trump foram mesmo claras. Estamos a falar de um ataque contínuo, portanto, vamos ver quantos dias é que isto vai durar.

Sendo que as pessoas que já ouvimos aqui nesta emissão especial, os especialistas, têm dado conta de que os Estados Unidos não têm a capacidade militar para um ataque tão contínuo no tempo assim, tendo em conta que não têm forças terrestres naquela zona. Os ataques são aqui sempre por via mais aérea.

Sim, é uma nova forma de guerra, entretanto os sistemas foram evoluindo e percebemos até na captura de Nicolás Maduro, na Venezuela, que o exército americano já tem um tipo de armamento que nós nem sequer tínhamos conhecimento que existia. É este novo tipo de guerra com o apoio do aliado regional, Israel, que será no sentido de massacrar as instalações iranianas. Aliás, Trump fez isso no vídeo divulgado, já instou a população iraniana para serem eles a tomarem conta do poder. Mas para isso acontecer, tem que haver uma fragilidade enorme por parte do governo e os iranianos têm que começar a sentir que quer as forças armadas, quer os serviços secretos, quer o governo e os governantes já não têm qualquer poder de resposta e de retaliação. Até porque nos últimos meses o povo iraniano sentiu essa repressão e essa violência dessa repressão, portanto, tem que sentir força. Vamos esperar para ver quais foram as conquistas que os americanos conseguiram nestas primeiras vagas de ataques. Porque me parece que o objetivo era claro: o arsenal de mísseis e os governantes iranianos.

Rui Vilar, muito obrigada por ter entrado nesta emissão especial da Rádio Observador, especialista em defesa.