Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Este é o Gabinete de Guerra, um podcast da Rádio Observador, em que olhamos para as mais recentes notícias da guerra na Ucrânia. Daniela Nunes, voltam os rumores sobre Vladimir Putin poder estar doente. O Kremlin vem assegurar que não. De onde é que vêm agora estes rumores e como é que deve ser interpretada esta necessidade do porta-voz do presidente russo de vir dizer que está tudo bem?

Esta especulação em específico começou no domingo passado, mas os rumores e a ideia de que Putin tem duplos a fazer-se passar por ele e actores a fazerem-se passar por ele, é já uma ideia bastante antiga e que até é mais ou menos alimentada no mundo ocidental. Há várias teorias que tentam comprovar esses rumores, umas vezes porque ele surge com o relógio num pulso que não é o habitual, outras vezes porque está mais pálido do que o normal, outras vezes porque parece mais magro ou porque parece mais gordo. Enfim, são só teorias e mesmo que o senhor Putin se desdobre em sete ou oito, nós nunca vamos saber. Portanto, é perfeitamente normal que o Kremlin negue estes rumores e estas teorias e que ainda por cima sublinhe, como sublinhou o senhor Peskov, que o senhor presidente tem uma saúde invejável e que se recomenda, ainda para mais com 71 anos de idade feitos há duas semanas. Não me parece que seja muito relevante atribuir grande importância a estes rumores, porque mesmo que eles sejam verdade, nós nunca vamos chegar a saber.

Peskov falou também sobre as sanções do Ocidente à Rússia, não se mostra preocupado com o prazo de cinco a 10 anos, porque, segundo diz, o país tem aguentado as sanções pesadas até agora. Mas este prazo mais longo pode ser importante para que haja efeitos na economia russa?

Sim, para que haja efeitos na economia russa, sim, é muito importante, mas não é muito importante para fazer mudar a retórica russa. E mais uma vez, este é o papel do senhor Peskov. Portanto, é o papel de desvalorizar por completo o impacto das sanções da Europa e do Ocidente na Rússia nos últimos anos e, em particular, desde a invasão da Ucrânia, portanto, desde o princípio de 2022. O senhor Peskov jamais dirá que a Rússia está a passar por um mau bocado, porque as sanções não facilitam, naturalmente. Portanto, o que se espera, agora e daqui para a frente, enquanto houver sanções, é uma retórica de orgulhosamente sós adaptada à Rússia. Mesmo que os russos fiquem a pão e água, estas sanções jamais levarão o Kremlin a admitir algum tipo de fracasso ou algum tipo de insuficiência perante o inimigo ocidental. E aliás, a própria Rússia acredita que estas sanções, ou pelo menos essa é a narrativa que passam para este lado, acredita que estas sanções acabaram mesmo por ajudar o país a reinventar-se do ponto de vista industrial e produtivo e que até foi bom verem-se privados de um conjunto de regalias, chamemos-lhe assim, porque isso permitiu de alguma maneira energizar o sector produtivo nacional na Rússia e permitiu aos russos constatar que, e passo o slogan, o que é nacional é bom.

Isso faz algum sentido, Daniela?

Não, eu julgo que não.

É uma conversa de apoio moral.

É uma conversa de apoio moral e é uma conversa de regime ditatorial que tem palas nos olhos e que só vê para a frente. E se esta guerra, oxalá, termine em breve, tão breve quanto possível, mas se esta guerra se prolongar por uma década ou mais, não é isso que eu desejo, mas não sei, o que vai acontecer, parece-me a mim, é o regresso da Rússia a um cenário soviético em que as pessoas comem aquilo que plantam ou aquilo que colhem daquilo que plantam, aliás, e vamos voltar a um cenário possivelmente de fome, como vimos, por exemplo, numa era soviética da estagnação, que foram os anos Brejnev, e o regresso de uma Rússia a um cenário que já podia estar perfeitamente ultrapassado, se não fosse uma certa, e passo a expressão, casmurrice.

Daniela, o chanceler alemão Olaf Scholz veio defender um apoio sustentável da União Europeia à Ucrânia. Fica aqui a dúvida: não tem sido um apoio sustentável da União Europeia?

Sim, tem sido um apoio sustentável e eu não faço parte do grupo de observadores que acha que o apoio a Israel significa a diminuição do apoio à Ucrânia e julgo que as últimas declarações do chanceler alemão é isso que confirmam. Portanto, são ótimas notícias, sobretudo numa altura em que se fala tanto do esquecimento da luta ucraniana, devido, obviamente, ao deflagrar da guerra no Médio Oriente no dia 7 de outubro. Isto são notícias que nos recordam que os aliados, que a Europa e que o Ocidente não estão nada esquecidos e que o apoio à Ucrânia se mantém e mais do nunca a Ucrânia, nesta fase, é tratada quase como um par. Só não é totalmente tratada como par, porque ainda é uma candidata a membro da União Europeia e não é um membro efetivo. Portanto, a linguagem política aqui é um elemento chave que compromete não só os líderes e os Estados, mas também as instituições. E aqui, claramente, o chanceler alemão não deixa margem para dúvidas relativamente à manutenção da intenção europeia e ocidental, claro, de apoiar a Ucrânia. E ele até vai mais longe. Antes mesmo que se levante a questão da comparação entre o problema ucraniano e o problema israelita, ele esclarece: o apoio a Israel não compromete ou não impede o apoio à Ucrânia. E este apoio é um apoio económico, é financeiro, é humanitário, é logístico, é bélico. Portanto, tudo o que temos vindo a assistir até aqui, em matéria de ajuda à Ucrânia, não vai mudar. E muito menos mudará a solidariedade e o apoio moral do Ocidente e das opiniões públicas no Ocidente para com o povo ucraniano. Há uma clara intenção de demonstrar a firmeza e a validade das promessas europeias e das promessas ocidentais ao governo liderado por Zelensky, que de resto está hoje a participar na reunião do Colégio de Comissários Europeus. E esta até foi uma notícia avançada pela senhora von der Leyen, que também frisou, para além de agradecer ao presidente Zelensky pela sua presença virtual nesta reunião, frisou a intenção de continuar a apoiar a Ucrânia, o que é muito positivo e acaba por não confirmar de forma nenhuma uma certa teoria de que para apoiar Israel, a Europa e o Ocidente têm de alguma maneira de abandonar a Ucrânia.

O Gabinete de Guerra é um podcast da Rádio Observador, vai para o ar de segunda a sexta, depois do noticiário das 9h30, tem nova edição depois da síntese das 16h30 e está sempre disponível em podcast. Eu sou a Vanessa Cruz.