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Ideias Feitas. Alberto Gonçalves, boa tarde, boa sexta-feira. Hoje, no Ideias Feitas, queres falar de Ceuta.

Olá, Miguel, boa tarde. Quero, porque Ceuta até há muito poucos dias tinha uma população de 83 mil pessoas e nestes poucos dias a população quase duplicou, já que da última vez que vi os dados, e foi há questão de minutos, pelo menos 60 mil pessoas vindas de Marrocos entraram naquele enclave espanhol. 60 mil pessoas em dois, três dias. Isto é um parêntesis, mas por muito que as notícias falem em homens, mulheres e crianças, é possível que as mulheres e crianças sejam tímidas e evitem aparecer nos inúmeros vídeos que estão disponíveis, que praticamente só mostram homens que desaguaram nas praias, que tomaram as ruas da cidade, que aterrorizam raparigas nas ruas de Ceuta, que desataram a assaltar lojas e que já tentam ocupar casas. Não sei se todos farão isto, imagino que não, mas há um número suficiente de pessoas a fazer isto nas ruas de Ceuta. E para fugir ao assunto principal, e como também, infelizmente, houve pessoas destas que entraram em Ceuta que morreram no processo, as notícias tendem a falar, sobretudo, no desastre humanitário. Mas por acaso esquecem-se que os habitantes habituais de Ceuta também são humanos, suponho, pelo menos, e que é para eles que, pelo menos para já, a situação é particularmente desastrosa. Imagino, se é que se consegue imaginar, o pavor sentido nestas horas por aquela gente, as pessoas que moram habitualmente, e imagino que pacificamente, em Ceuta, e que se veem de repente invadidos por hordas de estranhos. Uma das vantagens de levar o assunto para a temática do desastre humanitário, em que as vítimas são os próprios invasores de Ceuta, é desviar as atenções do que de fato provocou esta invasão ou que permitiu que ela acontecesse. Um amigo meu, Rui Ramos, que colabora com esta rádio e escreve no Observador, que todos conhecem, resumiu há poucas horas num grupo do WhatsApp em que participamos, resumiu as causas disto e fê-lo de uma forma que eu não consegui encontrar melhor, e por isso é que o cito. Diz o Rui que é obra da Espanha esquerdista, Sánchez propôs regularizar 1 milhão de ilegais, o Supremo Tribunal Espanhol proibiu o retorno e a Guarda Civil não fez nada, foi uma autêntica chamada. E parece-me que está aqui mais ou menos tudo dito, aquilo que eu vou acrescentar são pormenores. E um deles é que parece-me óbvio que as autoridades espanholas, a começar pela inqualificável abertura do inqualificável governo do inqualificável senhor Sánchez, são responsáveis por isto. Falta saber até que ponto isto é uma consequência inadvertida ou uma consequência desejada. Entre os que garantem que a invasão é desejada e prevista, e há muita boa gente que o faz, há quem ache que o senhor Sánchez pode obter benefícios nas relações com Marrocos, pode ganhar na pressão para aumentar os fundos europeus. Talvez. A mim parece-me que, estando o homem encostado à parede e cercado por quase todos os lados na própria Espanha, o objetivo do senhor Sánchez passa, sobretudo, por fomentar o caos. Acho que um homem desesperado, como se sabe, é capaz de ações desesperadas, e um homem desesperado e que já não tinha escrúpulos antes do desespero, é capaz de coisas ainda piores. Resta pensar agora no resto da Europa e já agora pensar em nós, aqui que estamos num cantinho demasiado próximo de Ceuta. A menos que sejamos ingénuos o bastante para achar que a situação ficará confinada a Ceuta, convinha tomar medidas urgentes, o tipo de medidas que a senhora Meloni já veio aplicar em Itália e os respetivos governantes já defenderam na Finlândia, na Dinamarca, na Áustria e noutros países europeus, e que sem o peso da governação, que o doutor Ventura, por acaso, honra lhe seja feita, defendeu por cá, e todas estas pessoas defenderam a exclusão de Espanha do espaço Schengen, ou pelo menos a aplicação de restrições muito específicas que versam Espanha. Da última vez que vi, há questão de minutos, o governo português ainda não tinha dito nada, há umas horas não tinha dito nada. Depois disse que acompanhava a situação com preocupação. Um bocadinho mais tarde, tudo isto durante o dia de hoje, o doutor Rangel acrescentou que Portugal não vai fazer mais do que tem feito, o que é exatamente igual a não dizer nada e mais grave do que não dizer nada, é não fazer absolutamente nada e prometer que não se vai fazer nada. E o primeiro-ministro, doutor Montenegro, corroborou e acredita que, e passo a citá-lo: "Não há razões para tomarmos medidas da suspensão das regras do espaço Schengen." O governo português, é o que se constata, é infelizmente mais rápido a reagir com firmeza, por exemplo, face ao que acontece no Médio Oriente, do que aquilo que acontece aqui ao lado. Se somarmos o perigoso indivíduo que chefia o governo espanhol à apatia ou à inoperância, ou à bondade infinita, podemos pôr essa hipótese, do doutor Rangel e do doutor Montenegro, é muitíssimo provável que o desastre humanitário de Ceuta se transforme um dia destes, e que se calhar não será um dia muito longínquo, que se transforme no desastre humanitário de todos nós. Esperemos que isso não aconteça, mas começa a haver poucas hipóteses ou pouca margem para que isso não aconteça. E dito isto, Miguel, um abraço e bom fim de semana.

Obrigado, Alberto. Bom fim de semana. Está feito o Ideias Feitas.

Já chegámos?

Sim, olha o céu tão azul, o mar ainda mais azul.

É a luz a brilhar no Algarve. Vai de férias? Também estamos no Algarve com o Hospital da Luz Loulé e clínicas em Vilamoura, Almancil, Loulé, Olhão e Tavira. Hospital da Luz: onde a medicina avança. Luz Saúde, S.A., NPC504885367.

Está com a Rádio Observador, com a Tarde Política. Estamos a aproximar-nos do fim. Daqui a pouco, às 19h em ponto, vamos ter as notícias atualizadas com o Vasco Maldonado Correia. E não esquecer que este fim de semana há um troféu no futebol em discussão, a Supertaça joga-se em Coimbra e na Rádio Observador.

Futebol Clube do Porto, Torriense. O campeão nacional e o vencedor da Taça de Portugal medem forças em Coimbra na luta pela Supertaça. Este sábado, a partir das 19h30, emissão especial com relato em direto do Futebol Clube do Porto, Torriense. A Supertaça joga-se na Rádio Observador.

Uma emissão que vai ser conduzida pelo Vicente Figueira, relato do Ricardo Loureiro e Pedro Fernandes, a partir de Coimbra, comentários de Gabriel Alves e Pedro Henriques, e contamos com um adepto de cada um dos lados, Luís Pinto Coelho, adepto do Futebol Clube do Porto, David Rosa, adepto do Torriense. Rádio Observador