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Guerra traduzida na Rádio Observador. Passamos agora em revista os destaques da imprensa russa com Martim Madeira. Rússia e Ucrânia preparam nova iniciativa para reunificação de famílias.
De acordo com a agência de notícias estatal TASS, a Comissária para os Direitos Humanos da Rússia confirmou que Moscovo e Kiev estão a preparar um novo programa humanitário. A iniciativa destina-se a facilitar a reunificação de famílias e de crianças separadas pelo conflito armado em ambos os lados da fronteira. O responsável russo explicou que os canais de comunicação humanitários continuam operacionais para coordenar o regresso em segurança de menores às respectivas famílias. Este processo de mediação representa um dos raros pontos de contacto direto que mantêm a viabilidade diplomática entre os dois países.
E Kremlin considera boa a ideia de trégua na energia, mas exige garantias para a sua frota.
De acordo com a agência estatal TASS, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, reagiu às propostas sobre um cessar-fogo focado apenas nas infraestruturas energéticas. Peskov afirma que a suspensão de ataques à energia é uma ideia muito boa, mas condicionou qualquer entendimento à garantia de segurança total para a navegação de petroleiros e ao alívio de sanções internacionais. Moscovo insiste que não aceitará compromissos unilaterais que limitem a margem de manobra russa, económica ou militar, no Mar Negro. Por outro lado, a liderança em Kiev mantém que a Rússia continua a bombardear alvos civis ucranianos, apesar da retórica diplomática que chega do Kremlin.
E ainda a diplomacia russa acusa o Ocidente de inviabilizar acordos de paz.
Terminamos este episódio com a notícia publicada pelo jornal "Kommersant Pravda". O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergei Lavrov, acusou publicamente os Estados Unidos e os governos europeus de serem os responsáveis pelo arrastar da crise armada na Ucrânia. Lavrov declarou que caso não tivesse havido um recuo nos compromissos diplomáticos assumidos anteriormente pelas potências ocidentais, o conflito já estaria resolvido há um ano. Moscovo reafirma assim a narrativa de que o Ocidente continua a alimentar o esforço de guerra ucraniano para enfraquecer a Federação Russa, ignorando os apelos para negociações com base nas realidades do terreno.
E fica por aqui esta edição da Guerra Traduzida, hoje com o jornalista Martim Madeira. Ficará disponível em podcast. Martim, até amanhã.
Até amanhã.