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Ideias Feitas. Ideias Feitas, como é hábito, todos os dias a esta hora, com o Alberto Gonçalves. Viva, Alberto.

Olá, boa tarde.

Alberto Gonçalves, boa tarde. Vamos falar do Serviço Nacional de Saúde agora nos próximos minutos, aqui na Rádio Observador, é isso?

Sim. Tudo começou com um post do deputado socialista Tiago Barbosa Ribeiro, acho que eleito pelo distrito do Porto, mas isso não é importante, que estava muito contente porque foi fazer o seu check-up anual de rotina ao centro de saúde da sua área de residência, com certeza, e que a marcação funcionou perfeitamente, foi atendido no dia marcado, foi atendido à hora marcada. Em termos de saúde, espero que tudo bem. Ele não informou essa parte, mas aproveitou para tecer os maiores elogios ao Serviço Nacional de Saúde e à sua eficiência, e para declarar que esta questão da Covid, apesar de tudo o que se disse, o Serviço Nacional de Saúde portou-se magnificamente. Ora, portou-se com certeza com o senhor deputado Tiago Barbosa Ribeiro, que pode ter tido muita sorte, não digo que não, vou considerar essa possibilidade, ou então tem privilégios que o cidadão comum não tem, porque mesmo as notícias e poucos órgãos de comunicação hoje em dia são verdadeiramente livres, mas mesmo até nos órgãos menos livres, é fácil achar notícias sobre a quantidade absolutamente incomensurável, inimaginável, de consultas adiadas. E não consultas de rotina ou de check-up, consultas para doentes crônicos ou doentes com doenças realmente graves, em alguns casos doentes quase terminais e que tiveram as consultas adiadas. Em junho, já se falava de um milhão e meio de consultas adiadas, de consultas de especialidade, etc. Consultas de que os pacientes precisavam, de facto, com alguma urgência, no mínimo. Além das consultas, temos também as cirurgias, uma quantidade absurda de cirurgias que foram adiadas por causa da Covid e da reação, sobretudo por causa da reação à Covid. Se o senhor deputado Tiago Barbosa Ribeiro conseguiu ser atendido para uma consulta absolutamente insignificante, de rotina, que podia ter sido agora ou podia esperar, com certeza, o senhor deputado é jovem e podia esperar mais uns meses, não haveria problema nenhum. Se ele foi atendido, repito, ou teve muita sorte ou tem, de facto, privilégios. Aqui há dias, ou coisa de uma semana ou duas, a senhora Ministra da Saúde disse que toda esta questão da Covid mostrou a necessidade, a importância e o sucesso do Serviço Nacional de Saúde e que os portugueses cada vez precisam mais dele, etc. Parece-me exatamente o contrário. Parece-me que a questão da Covid provou a absoluta falência do Serviço Nacional de Saúde, porque se virmos bem, a média de casos de doentes internados foram números muito baixos, doentes internados de modo geral e os doentes em cuidados intensivos eram e são, felizmente, quase insignificantes. Andam ali pelos 30, 40, 50 casos, têm andado assim há meses. E portanto, com este número de casos e com números absolutamente irrisórios, o Serviço Nacional de Saúde, em absoluto, parou. Não parou para atender, com certeza, o senhor deputado socialista em causa, mas parou para todos os outros portugueses ou para quase todos os outros portugueses que não sejam deputados do PS ou dirigentes do PS ou qualquer coisa que façam no PS. Ou então ele teve muita sorte, volto a dizer. Se há coisa que isto mostrou foi que a coisa pública, e particularmente no caso da saúde, não funcionou e não tem estrutura para funcionar perante uma situação que seja realmente muito grave, porque se com 40 doentes em cuidados intensivos, os hospitais públicos entraram em colapso, e esse é o termo, imagino que se houvesse uma doença realmente de contágio elevado e de gravidade realmente aflitiva, uma coisa que pudesse matar larguíssimos milhares de pessoas, não sei o que é que o Serviço Nacional de Saúde faria, já que deixou de atender e que todos conhecemos casos, infelizmente, de pessoas que teriam que fazer sessões de quimioterapia que foram interrompidas, teriam consultas para acompanhamento de doenças na sequência de AVCs ou de infartos que foram consultas que foram canceladas, pessoas que precisavam de cirurgias com toda a urgência e que desapareceram e que serão marcadas provavelmente, nalguns casos, quando as pessoas já tiverem morrido. O que esta questão da Covid mostra é que o Serviço Nacional de Saúde pôs a nu aquilo que era o tal fantástico serviço, um dos melhores do mundo, etc. Portugal tem N coisas que somos os melhores do mundo, felizmente, mas depois quando confrontados com a realidade, vemos que não só não somos os melhores do mundo, como às vezes até estamos se calhar entre os piores. E este caso do Serviço Nacional de Saúde perante a Covid mostrou isso mesmo. A reação à Covid também noutras áreas públicas não foi brilhante, como no ensino ou até nos transportes. Mas pronto, a questão da saúde tem realmente outra importância e na questão da saúde, isto foi absolutamente desastroso. Mais uma vez, dou os parabéns ao senhor deputado Tiago Barbosa Ribeiro, que teve a sorte de ter a sua consulta de check-up anual a tempo e horas.

Muito obrigado, Alberto Gonçalves. Alberto Gonçalves aqui a desfazer Ideias Feitas. Bom fim de semana, encontro marcado para a próxima segunda-feira.

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