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E voltamos a desfazer ideias feitas, edição de quarta-feira, sempre com Alberto Gonçalves, que já está conosco. Alberto, bem-vindo novamente.
Muito obrigado. Boa tarde.
Boa tarde, Alberto. E hoje queres falar sobre uma notícia de ontem sobre as restrições alimentares nas cantinas das escolas públicas. Ora, o título da tua crônica desta quarta-feira: "Vacinar crianças, claro. Dar-lhes pizza, nunca." Alberto, boa tarde.
Olá, boa tarde. Pois parece que o governo, que não se preocupa assim tanto em que as crianças nos liceus e nas escolas públicas em geral aprendam matemática e português e aquelas coisas que seria bom aprenderem, mas está muito preocupado com a saúde e, no caso, com a alimentação das crianças e produziu uma lista, um inventário imenso de alimentos que passam a estar proibidos nas escolas da rede pública. A minha intenção inicial era fazer uma lista desses alimentos para a ler aqui. Era impossível. Teríamos que ter 20 minutos de ideias feitas, porque a lista é infindável. São dezenas e dezenas e dezenas de alimentos, mas inclui os refrigerantes, as águas com sabores, as colas, as pizzas, os hambúrgueres, os rissóis, os croquetes, pastel, tudo e mais alguma coisa. As crianças que se limitarem a comer na escola, vão ficar privadas daquilo que gostam. Não estou a dizer que se deva alimentar crianças a hambúrguer e pizza, com certeza. Agora, a alternativa a isto, e já estamos a saltar e estou a deixar de dar de barato que é função de um Estado educar crianças em termos alimentares. Acho que não é, acho que é função dos pais. E os pais em casa é que têm que ter essa responsabilidade. E as crianças são livres de levar merenda e essas coisas, e de não comprarem pizza e hambúrguer, mesmo que eles estejam à venda. Nós somos livres. É assim que se passa uma ideia de responsabilidade, no caso das famílias e depois as crianças que são jovens e depois adultos. Existe à venda terpentina nas drogaria e nós não vamos lá, em princípio, comprá-la para beber. E, no entanto, poderíamos fazê-lo, mas normalmente evitamo-lo. As crianças poderiam ter acesso perfeitamente às pizzas e aos hambúrgueres e serem educadas em casa pelos pais ou por quem de direito para não adquirir esses produtos. Mas enfim, vamos dar de barato que a função de um governo e de um regime, de um sistema, é educar as crianças para a alimentação. Não acho que seja, mas pronto. Dito isto, as crianças vão fazer o quê? As que têm possibilidades econômicas vão comer as pizzas, os rissóis, os hambúrgueres e as colas no estabelecimento mais próximo, fora da escola, com certeza. Sem problema nenhum, desde que tenham hipóteses econômicas de o fazer. As crianças que não o podem fazer e que precisavam, por exemplo, das cantinas das escolas para ter acesso a refeições baratas, eu suspeito, não tenho a certeza, não sou vidente, mas suspeito que este tipo de comidas, os croissants e não sei o quê, que não vão ser substituídos por robalo grelhado com feijão-verde ou coisas do gênero. Eu presumo que vão ser substituídas pelos produtos mais miseráveis e baratos que a empresa que explora a cantina de cada escola, não sei se a totalidade, mas suponho que a maioria dessas empresas são privadas e que têm a obrigação de servir refeições com um preço máximo, com um plafond máximo, vão ter que ser pressionadas a servir coisas mais ou menos incomestíveis. Também acho que não vão servir refeições saudáveis, com tofu ou bulgur, ou coisa do gênero. Julgo que vão obrigar as crianças que não têm a hipótese de comer junk food e similares noutros sítios, a comer porcaria. Porcaria que não se esgota necessariamente na junk food. Há coisas piores ainda. Mas pronto, o governo que se diz muito preocupado, é um governo socialista, gosto de lembrar, muito preocupado com a igualdade ou com a desigualdade social, mais corretamente, não tem problemas nenhuns em que as crianças que têm posses comam o que quiserem e as crianças que não têm, não possam fazer e fiquem limitadas a uma alimentação provavelmente atroz. A hipocrisia não termina aí, porque este cuidado com a saúde das crianças, que repito, não parece que seja função de um governo, não se reflete noutras questões. E por isso é que no título eu falo da questão das vacinas. Este país, todas as autoridades deste país, grande parte das figuras públicas deste país e o governo, muito em particular, estão empenhadíssimos e estão a desenvolver uma campanha gigantesca de vacinação da população, o que até certo ponto acho correto, mas estão a estender essa campanha, desde há poucas semanas, a crianças e jovens a partir dos 12 anos. E isso já me parece que a preocupação com a saúde das crianças, do governo, aí começa a fazer pouco sentido, começa a ser um bocadinho duvidosa, para dizer o mínimo, porque todos sabemos que as crianças de 12 anos, 13 anos, 14 anos não adoecem de Covid. E se adoecem, adoecem muito ligeiramente e não de forma grave. Houve quatro pessoas até aos 18 ou 19 anos que morreram alegadamente por Covid. Já falei disso aqui há uns dias, e eram pessoas que sofriam de doenças graves. Infelizmente. Ninguém dessas faixas etárias todas morreu de Covid. No entanto, aplica-se-lhes uma vacina que, embora eu tenha tomado e muitos de nós o tenhamos feito, é uma vacina que tem um caráter Não digo experimental, como se diz por aí, não tenho a certeza que o seja, mas há alguma dose de experiência nisto. É uma vacina muito recente, muito menos testada que o habitual, etc. O risco que a vacina provoca, comparado com o risco que a Covid provoca numa pessoa de 50 ou 60 ou 80 anos, provavelmente é melhor correr o risco da vacina. É o que me parece até agora, com as leituras a que tenho tido acesso. O risco que uma criança de 13 anos ou 14 corre com uma vacina em relação ao risco que corre da doença de Covid, parece-me maior, pelo que tenho lido, repito, o risco da vacina. E depois é aquela coisa absurda de estar a vacinar pessoas contra uma doença da qual estatisticamente não padecem. Seria como vacinar homens contra o cancro do colo do útero. É mais ou menos a mesma coisa. Estatisticamente, a diferença seria mínima, porque vacinar homens contra o cancro do colo do útero provavelmente produziria resultado zero. Vacinar jovens contra a Covid produz resultados muito próximos de zero. E o argumento que isso serve para proteger os seus pais ou os seus avós, primeiro, simbolicamente, é triste que uma geração mais nova tenha que correr riscos para proteger os mais velhos, em vez de ser ao contrário, como sempre foi e como deveria ser. E depois, não se percebe qual é o argumento em proteger os mais velhos que estão, por natureza, vacinados. Se continuarmos a acreditar nas vacinas e na eficácia das vacinas, que infelizmente alguns estudos, sobretudo de Israel, parece que afinal não é assim tanta. Mas se continuamos ainda a acreditar que as vacinas produzem alguns resultados, produzem para nos proteger da versão grave da doença ou da doença propriamente dita. Portanto, as crianças não vão proteger os adultos nada, que já estão vacinados. Isto não faz sentido nenhum. Mas o governo entende que, no que compete ao domínio do governo, também não faltará muito para um governo deste género, não entrar pelas casas adentro, vasculhar frigoríficos e ver o que é que os pais estão a oferecer às crianças. Mas enquanto limita a sua intervenção às escolas públicas, o governo entende, para alguns muito bem, para mim não, proteger as crianças em matéria alimentar. Noutras matérias, o governo tem uma ação precisamente contrária. Acha que arriscar a saúde das crianças, por muito que esse risco seja baixo, contra uma doença que o risco é muito mais que baixo, entende que não há problema absolutamente nenhum. Portanto, a preocupação do governo com as crianças existe numas áreas, noutras não existe. Essa preocupação é absolutamente nula. Tivemos o doutor Costa a dizer que quando a DGS deu uma cambalhota na sua opinião e passou a aconselhar a vacinação de crianças, o doutor Costa muito contente a dizer que a DGS e a ciência vinham ao encontro das suas convicções. Enfim, nisto e em muito mais matérias, para nosso azar, para azar de nós todos, temos as convicções que o doutor Costa tem na sua cabecinha e depois a realidade, de alguma forma, há de se ajustar a essas convicções e há de fazer-lhes a vontade. Andamos assim. Infelizmente, não é só nisto. Se fosse nisto, não seria o mais grave, mas é como estamos.
Alberto Gonçalves comenta a seletividade nos cuidados com a saúde dos jovens. Vacinar crianças, claro, PISA? Nem pensar.
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