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Esta semana no Isto Não Passa na Rádio, o tema é: os melhores discos deste mês de abril. Olá, bem-vindos ao Isto Não Passa na Rádio. Esta semana estou em boa companhia, em companhia mais numericamente menos substancial, mas em belíssima companhia, aqui com o Tiago Pereira, como de costume, sempre presente.
Olá, Gonçalo.
Olá, Tiago.
Eu estava aqui a pensar, as pessoas estão habituadas a ouvir a voz do Nelson.
É.
E de repente-
E levam com isto.
Não, levam com isto e levam com o Spiritualized a destruir isto tudo e devem ter ficado um bocadinho preocupadas, a pensar: "Que estação é que eu acabei de sintonizar?"
Sim, mas acho que ficou bem. Esta semana decidimos andar aqui pelos discos do mês. Uma coisa que já tentámos implementar.
Não, mas agora é que vai ser.
Agora é que vai ser.
Agora é que vamos conseguir.
Vamos conseguir.
Se bem que esta lista pode mudar amanhã.
Sim.
Não é?
Pode.
Portanto, esta é a lista possível hoje.
É hoje, sim.
Exato.
É o que nos saiu hoje. Olhando aqui para a melhor música, ou para a música que gostámos de ouvir em abril, hoje, pelo menos, aquela que melhor nos lembramos neste último mês, eu trouxe aqui o Spiritualized com o tema "Best Thing You Never Had", the D Song, do disco novo, que se chama Everything Was Beautiful. Spiritualized é a banda de um senhor chamado Jason Pierce, um verdadeiro herói do rock'n'roll, um pastor do rock e do psicadelismo britânico.
Que às vezes nós nos perguntamos como é que ele conseguiu chegar aqui.
Sim, é impressionante. Não é só impressionante a música que ainda faz, é impressionante ainda estar capaz de fazer música.
E isto numa banda, entre aspas, que já teve para aí 20 músicos.
Sim.
Não sei. Ao longo dos anos. 30 anos, não é?
O capitão é sempre o mesmo.
Mais de 30 anos nisto.
O homem que vai ao leme.
Sim, completamente.
Depois o resto vai variando. Eu gostei muito deste disco do Spiritualized, este "Every Single Was Beautiful". Já tinha gostado do anterior. Eu faço parte daquele grupo de pessoas que-
Tu és um fã fácil
...sou fã. Mas o que eu acho é que as pessoas que gostam dos Spiritualized, normalmente gostam sempre dos discos e gostam sempre das canções. É uma coisa que transcende só a questão de gostar de ouvir de manhã. Há um lado meio de fé, de devoção, que eu acho que a música também tem e que contagia um bocado quem o ouve, porque a música dos Spiritualized e o universo, acho eu, que é muito reconhecível. É muito fácil percebermos que é uma canção deles quando temos um bocadinho aquela mistura entre um bocado de fragilidade, de melodia, de doçura, até. Às vezes, parece que o tipo está a desfazer-se aos poucos. E depois, a mistura disso, desses momentos mais calmos, com aquela avalanche, aquela tempestade de ruído rock que aparece por aqui.
Mas com pandeiretas.
Com pandeiretas, exatamente.
E essa é que é a grande questão.
Que é o instrumento favorito de Tiago Pereira.
Não, depende. Às vezes é, muitas vezes é. Mas é definitivamente o instrumento que faz a diferença.
Sim.
Se uma canção tem pandeireta ou não.
Sim. Acho a visão dele sobre música muito interessante, porque ele fala muito de tentar fazer música que soe a estar em viagem, a estar, de alguma forma, em transporte ou em trânsito.
No caso dele, o sentido da palavra viagem é muito abrangente.
Certo. Eu acho que ele experimentou as viagens menos saudáveis.
Todas.
Todas, primeiro, e agora está a canalizá-las, sobretudo para a música. Mas ele tem uma expressão também que eu gosto muito, que é: "por que não hei de tentar estreitar, por exemplo, a distância que existe entre um Sun Ra e um JJ Cale?"
Pronto.
Portanto, ter esse universo meio vórtice psicadélico escapista, mas ao mesmo tempo ter um lado de melodia e de canção muito trabalhado. Mas eu já falei demais.
Nunca.
Sempre.
Jamais.
E vamos para onde, Tiago, a seguir aos Spiritualized? O que é que gostaste de ouvir em abril?
Gostei muito de perceber, e isto é uma coisa muito recente, portanto ainda vou ter que investigar mais este disco, mas do que eu ouvi já é um dos meus discos favoritos do mês, de um senhor chamado Daniel Rossen, que é sobretudo conhecido por ser um dos Grizzly Bear. Ele é uma das vozes, é um dos compositores e uma das guitarras dos Grizzly Bear e é um compositor fora de série e é um guitarrista, é daqueles que consegue ser virtuoso e muito emocional ao mesmo tempo, que eu acho que juntar as duas coisas é uma tarefa muito difícil. Ele constrói canções que conseguem ser, ao mesmo tempo, elaboradas e muito frágeis, aparentemente. Parece sempre que alguma coisa vai cair e alguma coisa se vai partir ou vai haver ali uma quebra emocional qualquer a qualquer momento. Tudo muito denso, mas luminoso ao mesmo tempo. A composição dele é cheia destes contrassensos, destes paradoxos, e por isso é que eu acho que resulta muito bem. Ele tem o primeiro álbum a solo, chama-se "You Belong There", e esta canção chama-se "Shadow in the Frame". Não sei se te lembras daquele álbum dos Grizzly Bear, o Veckatemerest.
Sim.
Eu acho que ele aqui leva uma coisa que eles faziam muito bem nesse disco, que é: a canção, em princípio, não tem regras de tempo, não tem regras de ritmo. Nós vamos fazendo dela o que queremos, vamos moldando ao nosso prazer. E ele aqui ainda tem mais liberdade para fazer isso. Então tu consegues ficar ansioso por saber o que é que vem a seguir. De repente, estás num sítio confortável, mas entretanto há ali um ritmo que muda completamente, tu perdes o tempo, ficas nervoso e ele consegue fazer isto tudo na mesma canção, com aquela voz muito mel, saberia, meio infantil. É tudo muito baralhado e é isso que eu acho que é fantástico.
Não ouvi este disco. A explorar. Vou perder. Vou investir tempo.
Isto é daqueles growers. Aqueles que há logo alguma coisa que te diz muito no íntimo, mas isto evolui. E se te apanha na curva certa da vida, então estás tramado.
O que será que o nosso camarada Nelson que está ausente da série, diria?
Ele diria que isto era aborrecido.
Sim, tudo, na verdade.
Isto é choninha.
Estou a imaginar isso.
Siga a banda.
Siga a banda. Vamos agora para a música portuguesa. Eu vou tentar ser um pouquinho menos palavroso do que quando isto arrancou.
Deixa as palavras para a rapariga.
Spiritualized puxam por mim, se não tenho autocontrole, é um perigo. Isto foge um bocadinho ao guião. Mas vamos a Portugal e vamos a uma moça chamada Cátia Mazari Oliveira, que na música é mais conhecida pelo nome artístico que escolheu, que é A Garota Não. É uma cantora, compositora e instrumentista de Setúbal. Tinha lançado em 2019 um primeiro disco chamado "Rua das Marimbas" e lançou neste mês de abril, que estamos aqui a percorrer musicalmente esta semana. Lançou este disco chamado "2 de Abril", que é o bairro de Setúbal em que a Cátia cresceu. O primeiro álbum da Garota Não já se percebia duas coisas. Primeiro, que era uma pessoa que transporta para a música uma série de preocupações e de reflexões sociais, políticas, universais que tem. E depois, que conseguia fazer isso com algum engenho. Casava muito bem as palavras e essas palavras que se posicionavam sobre uma série de assuntos, que podiam ir desde os recibos verdes até à emergência climática, uma série de coisas diferentes, mas fazia-o bem. Só que neste disco, neste "2 de Abril", é um disco longo, tem 20 temas. Acho que é um disco em que ela o faz ainda melhor, nota-se que é um disco no qual gastou mais algum tempo. É um disco com, pelo menos, uma mão cheia de grandes canções e com muito boas canções fora esse leque restrito. Há canções mais nessa onda que nos põem a pensar sobre uma série de situações no mundo, desde crise de refugiados, até precariedade, até desigualdade económica e social. Há uma canção que eu gosto muito nesse disco chamada "Ai Weiwei", que é uma canção que nasce de beats do Fred, dos Orelha Negra, e ela depois pega nessa manta de retalhos de batidas e canta de uma forma muito peculiar, uma coisa que se ouve muito pouco no disco, é uma canção que se destaca muito nesse aspeto. Mas eu trouxe aqui uma outra canção chamada "Urgentemente", que também é uma canção que se destaca nesse disco por um outro motivo, porque é uma das canções cuja letra não foi escrita pela Cátia Mazari Oliveira, pela Garota Não. A canção nasce de um poema do Eugénio de Andrade, com o mesmo nome. Ela decidiu musicalo. E hoje, por hoje, já que estamos a escolher as melhores músicas de abril de hoje, aquelas que nos parecem as melhores hoje, esta canção, esta "Urgentemente" da Garota Não, com a qual vamos fechar aqui a primeira parte do programa, hoje é a minha canção de amor preferida, a canção de amor mais bonita que eu ouvi. Amanhã pode ser outra.
Amanhã logo se vê.
Amanhã logo se vê. Hoje é esta "Urgentemente" da Garota Não, que lançou este "2 de Abril", este disco no mês de abril, que é o mês que estamos aqui a percorrer nesta semana do Isto Não Passa na Rádio.
É urgente o amor, é urgente um barco no mar. É urgente destruir certas palavras. Ódio, solidão e crueldade, alguns lamentos, muitas espadas. É urgente inventar alegria, multiplicar os beijos, as searas. É urgente descobrir rosas e rios e manhãs claras
Cai o silêncio nos ombros e a luz impura até doer. É urgente o amor, é urgente permanecer. Cai o silêncio nos ombros e a luz impura até doer. É urgente o amor, é urgente permanecer. É urgente o amor, é urgente um barco no mar. É urgente destruir certas palavras: ódio, solidão e crueldade, alguns lamentos, muitas espadas. É urgente inventar alegria, multiplicar os beijos, as searas. É urgente descobrir rosas e rios e manhãs claras. Cai o silêncio nos ombros e a luz impura até doer. É urgente o amor, é urgente permanecer. Cai o silêncio nos ombros e a luz impura até doer. É urgente o amor, é urgente permanecer. Cai o silêncio nos ombros e a luz impura até doer. É urgente o amor, é urgente permanecer. Cai o silêncio nos ombros e a luz impura até doer. É urgente o amor, é urgente permanecer. É urgente o amor, é urgente um barco no mar. É urgente destruir certas palavras: ódio, solidão e crueldade, alguns lamentos, muitas espadas. É urgente inventar alegria, multiplicar os beijos, as searas. É urgente descobrir rosas e rios e manhãs claras. Cai o silêncio nos ombros e a luz impura até doer. É urgente o amor, é urgente permanecer. Cai o silêncio nos ombros e a luz impura até doer. É urgente o amor, é urgente permanecer. Cai o silêncio nos ombros e a luz impura até doer. É urgente o amor, é urgente permanecer. Cai o silêncio nos ombros e a luz impura até doer. É urgente o amor, é urgente permanecer.
Gonçalo, estamos aqui os dois. Vamos passar mais tristeza, mais melancolia, mas com muito charme.
Ou não estivéssemos aqui os dois.
Eu sei que tu tens algumas reticências em relação a este senhor ou, pelo menos, a este último disco deste senhor. Eu não digo o contrário. Já o vi a fazer coisas mais interessantes, porém, o disco tem canções muito boas e eu também não ouvi os discos todos do mês, portanto, nós temos que fazer uma escolha baseada naquilo que ouvimos.
Vamos embora.
E por mim, sim, senhor. Escolhi aqui o regresso do Father John Misty, Josh Tillman, novo disco, "Chloé and the Next Twentieth Century". É o de sempre, é o Father John Misty de sempre, a ser muito meloso, a gostar muito dele, mas a dizer que é um sacana. É aquele com franceses que procura dar charme.
Para já, está com menos pelosidade, porque aquele cabelo rapado, não sei se já reparaste.
Não, mas fica-lhe bem. Eu acho que lhe vai sempre bem. Está muito crooner. Está menos rock'n'roll e folk e aquele cowboy da cidade, está mais crooner. Canta sentado. Parece que está mais calmo na vida, mas ao mesmo tempo as músicas vão dizendo que se calhar não está assim tudo tão bem ou então é só fachada, é teatro. E é por não sabermos o que é verdade ou não, que eu acho que isto também resulta muito bem. Vamos ouvir. Esta canção chama-se "Goodbye Mr. Blue". A primeira coisa que eu quero dizer é: o início desta canção, para mim, é igual ao "Everybody's Talking" do Harry Nilsson.
Sim, percebo.
Essa é a primeira.
Percebo o que queres dizer.
E eu espero que seja uma referência propositada. Se calhar, não é, mas eu gosto de acreditar que sim.
Na bondade das pessoas.
Não, e acho que tem a ver com aquele universo. É uma canção dele a dizer: "Eu, se calhar, não sou bem aquele tipo que tu esperavas. Eu tenho mais coisas para fazer na vida. Vou à minha vida, ficas na tua e vai ficar tudo bem".
Vai ficar tudo bem.
Pronto. E ele diz isto com este estilo de guitarra.
Esse chatice é ele dizer isto assim.
Não, claro. Mas isto é aquela coisa de o bom malandro safa-se sempre.
Então se cantar bem...
É aqueles malandros que safam sempre.
Então quando cantam bem...
Fazem a coisa à maneira deles e chega a altura: "Baby, está na minha hora".
Está na minha hora.
"Mas vai ficar com uma boa memória". É um malandro bem conseguido. E Father John Misty veio à Terra para nos ensinar esse tipo de truques.
Certo, embora nos falte a barba e tudo o resto. Estavas a falar do Father John Misty em modo crooner. Eu acho que a primeira vez que eu o vi um bocado nessa onda de crooner e a achar que ele podia caminhar para aí, foi quando ele lançou a "Boarding the USA", que era uma canção cheia de pathos, de drama.
Sim.
Eu, por acaso, gostei muito dessa canção.
Mas muito teatro ao mesmo tempo.
Muito teatro, muito teatral.
Claro. Vira a página.
Vira a página e acelera o ritmo, porque vou trazer aqui um outro disco que gostei bastante neste mês de abril, o disco de estreia da Wet Leg, que são duas moças britânicas chamadas Rhian Teasdale, espero não estar a errar essa pronúncia.
Não, está ótimo.
E Hester Chambers.
Rock and roll.
São duas miúdas que aparecem inicialmente com um hype tremendo, porque a primeira canção que elas lançaram, que se chamava "Chaise Longue", conseguiu uma data de milhões de plays no Spotify e aquilo começou a circular. É curioso, eu reparei quando estava a ler um bocadinho sobre este disco e a tentar perceber a história destas duas moças. Achei curioso que, por exemplo, os números que elas têm no Spotify são incrivelmente mais altos que os números que elas têm, por exemplo, no YouTube. Não sei se isso tem a ver com as primeiras duas canções, os primeiros dois singles, essa "Chaise Longue", e depois a "Wet Dream", terem entrado em playlists.
Eu acho que tem a ver com uma coisa muito simples, que é o público que usa sobretudo o Spotify é um público diferente do que usa sobretudo o YouTube.
Sim, talvez.
E se fores ver, há muito mais plays. Por exemplo, se fores comparar na música portuguesa, tudo o que é hip-hop tem muito mais play no YouTube, muito mais do que no Spotify.
Sim.
Portanto, eu acho que tem a ver com o tipo de público, com a faixa etária e com o tipo de gosto. Mais pop, mais jovem, mais mainstream, mais YouTube. Parece-me.
Pois.
Ou então estou totalmente enganado.
Não, isso é verdade. O que acontece é, eu acho que as Wet Leg entraram aqui num campo meio híbrido. Uma banda que com duas canções está a fazer digressões pela Europa e pelo mundo, ainda sem nenhum disco, ainda sem nenhum EP, ainda sem nada. Acho que essas canções chegaram para além do público indie apenas, e não sei se a questão das playlists, eu acho que essa questão também foi relevante, que foi, eu acho que essas duas canções começaram a entrar em playlists organizadas pelo próprio Spotify.
A canção isolada hoje tem esse valor, não é?
Sim.
E com uma canção, se chegares ao sítio certo na hora certa, consegues...
Consegues espalhar aquilo.
Portanto, Gonçalo, só tens que fazer uma boa canção.
Uma boa canção. Só.
Basta uma para mudares a tua vida.
Exatamente. Portanto, estas duas raparigas da Ilha do Wight, que é uma zona do Reino Unido que não é muito conhecida por exportar talentos gigantes, eu acho que aquilo tem, salvo erro, 70 vezes ou 90 vezes menos habitantes do que Londres.
Tem 200 pessoas.
Não, mas tem menos pessoas do que Lisboa e Porto, num país que tem menos pessoas até que o Porto e num país que é muito maior que Portugal. O Reino Unido é bastante maior. Mas então, por que eu acho que as Wet Leg fizeram um bom disco e por que tiveram este hype em torno delas? Porque eu acho que o indie rock nos últimos anos andava um bocadinho chato, um bocadinho pesado Um bocadinho filosófico, metafísico, existencial.
Acho que andava um pouco preocupado em fazer canções.
Sim, e com essa carga pesada de coisas para refletir sobre os grandes temas da vida e com bastante melancolia. E as Wet Leg aparecem aqui a fazer canções de uma forma bastante livre, com uma alegria, com um ritmo que contagia, com uma falta de pudor, um humor que é difícil não achar piada. Elas costumam dizer que começaram a fazer isto apenas para fazer canções que as fizessem rir e que as animassem. Eu acho que isso contagia quem ouve. De repente, temos aqui canções que podem ser cantadas por muita gente, tendo esse bom gosto. São canções para irmos a um festival e tirarmos cerveja para cima das pessoas e cantarmos abraçados aos nossos amigos. Eu acho que isso andava um bocadinho arredado da música de guitarras destes anos. E eu, para o provar, trouxe aqui uma canção que não é um desses dois singles, porque isto não passa na rádio.
Exato.
E trouxe um tema chamado "Angelica". Eu acho que isto é uma coisa um bocadinho menos intelectualizada, digamos, e mais: "olha a miúda que está no meio da festa. Eu só vim aqui porque me disseram que havia cerveja grátis".
Certo, OK. Não é a banda sonora para pensares na tua vida.
Não, não é. Acho que é a banda sonora para te divertires. Mas tem um bocadinho esse lado curioso, que é elas facilmente passam de um estado para outro e de coisas sérias para coisas leves. Há ali uns versos em que elas cantam: "sometimes life gets hard to deal. I like you, you've got sex appeal". É um bocadinho essa coisa de também haver ali reflexões e coisas mais sérias, mas isso tudo sem carregar.
Essa é a velha questão, não é? Nós não podemos refletir na vida a ouvir Rolling Stones?
Podemos, exatamente. Pois podemos.
E não é que seja a banda mais filosófica do mundo.
Não, mas tu chegas lá.
Pronto.
E trazem lições.
Tal e qual.
Mas estamos a chegar ao fim.
Sim, vamos terminar com os Fumo Ninja, uma banda que junta o Ricardo Martins e o Norberto Lobo na bateria e no baixo. Só isto já dá um groove. O segredo deste grupo acho que está muito no groove. A Raquel Pimpão nas teclas e a Leonor Arnaut a cantar. Este disco eu ainda estou na dúvida se é final de março, início de abril. Não faz mal. Está na minha vida em abril.
Abril é quando um homem quiser.
Não, e está na minha vida em abril e é isso que importa. Eu gostei muito deste disco. Só para facilitar, é uma espécie de cruzamento entre Orelha Negra e Tem mimpala, uma coisa assim, mais ou menos. Tem muita cor, tem muita máquina e beat entre o groove acústico da bateria com o baixo e depois sintetizadores, etc. Meio psicadélico, meio pop, meio rebuçado. Gosto muito disso.
Também gostei muito.
A faixa de abertura chama-se, eu não sei se é assim que se diz, mas isto ajuda logo a não passar na rádio, AKU3. Pode ser o nome de uma máquina ou então tem outro significado, qualquer, não interessa, mas é uma bela amostra para este disco que se chama "Olhos de Cetim" e gostava muito de ver estes tipos ao vivo.
Gostava mesmo muito. Há um tema que também gosto muito desse disco, que é o "Chapada da Deusa", que também é um belíssimo tema, mas o disco é muito interessante.
Vale bem a pena.
Vale bem a pena.
Investigue-se.
Investigue-se.
É isso mesmo.
E nós voltamos para a semana, provavelmente já com-
Em formato trio? Ninguém sabe.
Ninguém sabe.
Vamos esperar que sim.
Vamos esperar que este duo se transforme em trio, senão cá estaremos também.
Cá estaremos.
Até para a semana.
Até para a semana.