Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Bem-vindo ao 63º K4, a montra da arte moderna e contemporânea da Rádio Observador. Eu sou o João Paulo Sacadura e, como sempre, começo o K4 com uma protagonista no mundo da arte. No fim, faço-lhe três sugestões de exposições que incluem fotografia selvagem na Baixa de Lisboa, um sonho de Almada na Batalha e cenários contemporâneos para espreitar na arte antiga. Mesmo a fechar, falo-lhe como dois portugueses integraram a estranha técnica japonesa de reparar louça partida com ouro. Hoje, no K4, voltamos a acolher Cristina Azevedo Tavares. Ela é professora e vice-presidente da Faculdade de Belas Artes de Lisboa, doutorada em História da Arte Contemporânea, a pessoa certa para regressar para nos falar de João Cutileiro, o escultor que reinventou a identidade portuguesa. Homenageamos assim este mestre que nos deixou esta terça, dia 5, aos 83 anos. Olá, Cristina, e muito obrigado por mais uma vez ter aceito este convite para estar aqui no K4. Bem-vinda de volta ao Observador.
Muito obrigada. Cumprimentos a todas as pessoas que nos estão a ouvir também.
Estamos então a falar: esta terça deixou-nos João Cutileiro, este escultor do mármore, este artista de mente e mãos livres, indiscutivelmente um dos mais singulares artistas portugueses do século XX, nome de referência na escultura contemporânea, o artista do erotismo, do amor e do humor, também, principais temas da sua obra reconhecida cá e lá fora. Cristina, é incrível o percurso deste homem que passou desde tenra idade. Ele aos seis anos já tinha esculpido um presépio. Vem de uma família burguesa, em cuja casa se cruzavam figuras, o Lopes Graça, tanta gente importante. Ele estagiou, por exemplo, com o Jorge Barradas, com o António Pedro. Isso também tem a ver com o seu pai, que conheceu este grupo surrealista de Lisboa, mas ele tinha nove anos, era uma pessoa muito novinha para estar nestes ateliês. Depois com António Duarte, talvez onde tenha sido o seu primeiro contacto com a pedra. Na casa dos pais dele passava a Vieira da Silva. Fez a primeira exposição com 14 anos e aterrou, finalmente, na pedra.
Sim, é uma boa forma de falar. Aterrou na pedra é excelente. O João Cutileiro é realmente uma referência muito importante da escultura contemporânea portuguesa. É um autor que conseguiu, de alguma maneira, renovar e criar uma nova identidade, como o João Paulo disse há pouco, no que diz respeito, sobretudo, à estatuária e à estatuária comemorativa. Muitas vezes, como disse também, com certo humor, com uma certa desconstrução de uma iconografia acadêmica e tradicional. E por outro lado, também tem esta ligação muito profunda com a pedra, em particular com o mármore. O mármore até do nosso país, que ele esculpiu tantas vezes. E que também é uma situação muito interessante, porque a escultura do Estado Novo, embora também haja escultura em pedra, como sabemos, há muita escultura em bronze. Portanto, a passagem depois ao bronze, a grandes dimensões, monumentos. E realmente o Cutileiro trouxe para a década, sobretudo, 70, do século passado, esta relação muito próxima com o mármore, que ele começa, sobretudo a partir da segunda metade dos anos 60, a trabalhar de uma forma muito sistemática, utilizando também ferramentas elétricas, o que era uma grande novidade. Também foi criticado por isso. Mas na realidade, há esta relação com a pedra, que é muito difícil, é uma técnica que desgasta muito o escultor, sobretudo do ponto de vista da saúde.
É muito física. E todo o pó que eles aspiram.
Exatamente, é um trabalho muito pesado, mas que ele, no fundo, também tomou contacto através das aulas que teve com o Leopoldo Almeida na Escola Superior de Belas Artes. Ele fez uma breve passagem por lá.
E é muito curioso, porque o Leopoldo Almeida, no fundo, o Cotinelli Telmo fez o Padrão dos Descobrimentos e aquelas esculturas são de um que foi professor dele. Não pode ser nada mais Estado Novo do que aquelas esculturas inauguradas em 1940 e depois outra vez em 1960, no Padrão já definitivo. Mas com aquela típica imagem laudatória da historiografia do Estado Novo.
Exatamente, mas é uma imagem bem construída. O Leopoldo Almeida é um grande escultor.
A Cristina falou nisso, é incrível. Ele acabou por desistir dos cursos de escultura um bocadinho desencantado, porque não cortava a criatividade, não havia grande experimentalismo, só ligavam ao bronze. Ele queixou-se um bocadinho disso.
Claro, mas isso era muito comum nestes autores. Já tinha passado também anteriormente com os surrealistas. Há, de facto, um certo desencanto de muitos artistas por aquilo que era o ensino na Escola Superior de Belas Artes da altura e uma vontade de ter uma experiência diferente no estrangeiro. Podemos falar até da Vieira da Silva. Que estava no curso de escultura, que não chegou sequer a concluí-lo, fez poucas cadeiras e depois resolveu ir para França, Paris, para ter um contacto com a arte contemporânea. E no fundo, o João Cutileiro tentou a mesma coisa mais tarde, anos depois. Porque também não se sentiu realizado na então Escola Superior de Belas Artes. No entanto, eu penso que a aprendizagem que teve com o Leopoldo Almeida, e que era uma aprendizagem muito técnica e muito segura, também acabou por ser importante.
Engraçado, porque por influência também de Paula Rego, acabou por ir para a Slade School of Art no final de 250. Onde o mestre era o Reg Butler, que era muito conhecido pelas esculturas de meninas, de mulheres e se calhar também o influenciou um bocadinho nesta temática que passou a ser muito corrente e frequente dele, esta temática das meninas do Cutileiro.
Claro. Bernal Butler eram escultores de uma grande capacidade de passar o experimentalismo. E eu penso que a questão do experimental, que foi aquilo que marcou muito a primeira fase da obra do Cutileiro, em que experimentou materiais diferentes e fez guerreiros e fez toda uma série de esculturas, no fundo, também lhe deu uma dimensão da experimentação que ele depois haveria de encaminhar para a sua escultura em mármore e para as diferentes tipologias, se assim podemos dizer, ou temas que foi trabalhando ao longo da vida. Porque o Cutileiro também nunca deixou aquilo que era a escultura de homenagem ou a escultura comemorativa, porque se nós formos ver, temos o D. Sebastião, temos o Luís de Camões.
O D. Afonso Henriques, o D. Sancho, exatamente.
Exatamente. Inês de Castro, que é uma peça lindíssima. Portanto, houve, de facto, esta linha que o João Cutileiro não deixou de parte, mas que alterou completamente a iconografia. E por isso ele foi tão criticado, sobretudo com o D. Sebastião, como sabemos, em 73. Foi uma escultura que marca uma rutura muito grande com aquilo que era a tradição portuguesa, de uma escultura heroica, ligada a uma história do passado e muito laudatória.
E tem este pormenor também, de ele não a vendeu, é um pormenor muito curioso. Ao passo que, por exemplo, este monumento ao 25 de Abril do Parque Eduardo VII foi vendido naquele pedestal que ele desconstruiu e um bocado destruiu, porque era destinado ao Santo Constável, mas o D. Sebastião, de 73, em Lagos, aliás, onde depois ele morou, chegou a não vendê-la para estar livre de pressões, como ele dizia.
Sim, porque o D. Sebastião é realmente uma escultura de uma figura que é uma figura mítica, como nós sabemos, que é tratada até por vários historiadores e teorizadores, mas que, na realidade, o próprio Cutileiro o trabalha como um adolescente, como um menino, que está com uma malha de ferro e com elmo.
Com o elmo ao chão, exatamente, mas completamente perdido.
É um menino que está a ir para a guerra. E subentende-se também aqui, naturalmente, uma crítica muito feroz à guerra colonial. Por detrás, há também essa visão crítica da sociedade em que nós estávamos, que sem dúvida tinha uma guerra fratricida e que tinha que acabar. E, portanto, esta escultura foi muito mal recebida pela idelidade de Lagos, e mais tarde, evidentemente, o Cutileiro oferece à cidade de Lagos.
Há muita gente que lá vai vê-la. Há muitos turistas que vão lá de propósito.
Claro. Mas quem a veio defender foi realmente o José Augusto França, na altura, que publica na revista Colóquio-Artes da Fundação Gulbenkian, um artigo de apoio a esta peça do Cutileiro, aliás, chamando a atenção para o menino triste que era aquele rei naquela circunstância. E, por outro lado, há aqui um aspeto também que incomodava muito as pessoas, que era o facto de ser uma espécie de uma marionete, de uma figura que se desmonta em que as peças encaixam, que é muito característico da escultura do Cutileiro, quer nas meninas, quer depois nalgumas outras peças que nós encontramos, como o próprio Camões, etc. E que tem a ver com uma técnica que o Cutileiro utiliza, que é a chamada técnica do encaixe, que é uma técnica complexa, mas que neste caso, ele leva um bocadinho ao extremo para criar esta ideia ao mesmo tempo da marioneta. Quer dizer, do rei que é um menino, mas que também é obrigado a. Esta questão de obrigação, que tem a ver também com a questão de ir para a tropa durante a guerra colonial.
Exatamente. Diga.
Diga.
Estava só a dizer que ele dizia uma frase dele: "Eu nunca andei de braço dado com o poder. Por isso as grandes encomendas nunca vêm para mim", dizia ele. Subverteu realmente os cânones desta estatuária da altura.
Não foi o único que sofreu com isso. Houve outros escultores que sofreram também. De uma situação também política, não foi apenas ele, mas claro, o Cutileiro também, com certeza. Agora, eu penso que essa escultura foi realmente importante porque quebrou com uma tradição que já vinha dos anos 30, exatamente, da escultura sobre o Gonçalo Zarco. Mas realmente ele inicia aqui uma situação de rutura formal e de rutura também ideológica e iconográfica. Portanto, são várias ruturas em simultâneo. E daí as dificuldades que as pessoas tiveram de compreender esta peça. E realmente foi tão importante a defesa que o José Augusto França fez da peça do Cutileiro, que o Cutileiro fez um retrato em escultura. Que está no Museu do Mar, eu penso que agora há tanto tempo está.
Onde o José Augusto França doou a coleção.
Mas eu queria também dizer que o Cutileiro, para além de escultor, era um extraordinário desenhador. E, portanto, o desenho acompanhou sempre a obra dele.
E fotógrafo, também era um grande fotógrafo, curiosamente.
Sim, também era um grande fotógrafo.
É uma parte que não se conhece da sua arte, mas é verdade.
Menos, porque ele o desenho ainda mostrava em exposições. Nós fizemos uma em Tomar, em que realmente ele expôs desenho e também a escultura, mas havia uma ligação e um diálogo muito grande entre o desenho e a escultura. E, portanto, de certa maneira, o Cutileiro, por um lado, continua esta trajetória da escultura de homenagem, mas de uma maneira muito irónica, muito crítica e muito pessoal.
Muito original.
Muito original. E, portanto, o Camões, que é uma peça de 80, que está em Cascais.
No Centro Cultural de Cascais, exato.
Exatamente, ele está de braços cruzados, um bocado aborrecido. Como é que é? Tenemos um Camões que está aborrecido, que não está contente com a vida.
Ele era muito sarcástico também. O João Cutileiro era muito sarcástico e o humor era muito importante também para ele.
Era importante para ele.
Há um legado muito importante também. Eu estou a pensar no grupo de Évora, no Charrua, no Bravo, no Lapa, no Palolo. Pelo ateliê dele em Évora passou o José Pedro Croft, passou o Manuel Rosa, o António Campos Rosado, o Sérgio Tavorda.
Era a nova geração de escultores.
É um legado incontornável. Não é consensual, mas é incontornável. Mas ele também costumava dizer, ele citava Sartre a dizer: "Ser compreendido por toda a gente e adorado por toda a gente é um sinal de deficiência qualitativa." Muito curioso.
Exatamente. Há pouco falou também na questão do monumento que é a homenagem ao 25 de Abril.
Exatamente, encomendado pela Câmara de Lisboa.
Que é um monumento um pouco controverso. Mas que, por um lado, assume uma das vertentes.
Muito fálico.
Sim, por um lado isso. Mas assume na escultura do Cutileiro também a vertente da desconstrução das formas. Porque ele é, de facto, uma figura que articula, que desconstrói, que reinventa e sobretudo que tira partido muito das texturas da cor da pedra. E no fundo, ele vai um pouco desmontar a arquitetura do arcado do Amaral, que era uma arquitetura muito ligada exatamente a um certo ideário do Estado Novo.
Do regime.
E destrói aquelas colunas. Eu não gosto particularmente daquele monumento, acho que ele depois não resulta no seu conjunto, mas percebo a ideia do Cutileiro e é mais um monumento de evocação de uma ideia e do momento do que outra coisa qualquer.
Eu acho que ele também se divertiu imenso com aquela escultura, a fazer aquilo. Diz que ficou muito contente que o João Soares lhe encomendou aquilo a celebrar os 25 anos da revolução e que lhe deu carta-branca para ele fazer o que quisesse. E como o 25 de Abril foi uma fonte, fez aquela fonte. E também se deve ter divertido muito com as críticas ao longo do tempo.
Sim, e com os cravos, e depois que não são cravos. Um outro aspecto que eu também queria referir é a dimensão erótica da escultura, que é muito importante. Ele começa, evidentemente, sobretudo nos anos 70, com as meninas.
As meninas do Cutileiro, como se chamam.
A menina de Tavoupão, a menina de Casmário Castanho e depois as meninas que se viam através de um pequeno círculo e que estavam a tomar duche e coisas parecidas com isso. Portanto, todo um erotismo muito forte.
Estão no Largo dos Estágios, estão no Solar Mateus, estão em muitos sítios. Que marcam.
Sim, que marcam. Mas, por exemplo, há outros escultores como a própria Clara Meneses, que também tem alguma escultura erótica também na década de 70. O erotismo não é exclusivo do Cutileiro, mas ele tem realmente as bífidas também, tem as Dafné. Portanto, há um conjunto de peças que são muito no Estágio.
Em 20 segundos, Cristina, como é que definiria o legado deste mestre João Cutileiro?
Eu definiria como alguém que, de facto, foi capaz de reinterpretar um certo passado da escultura portuguesa e renová-la completamente através de uma nova idiossincrasia, que tem a ver com a desconstrução das formas, tem a ver com uma reinterpretação da matéria. E que é fundamental. O talhe direto que o Cutileiro também utiliza e que já era raro no tempo dele e no nosso tempo também. Portanto, ele é um homem da pedra. E reabilita essa escultura de uma forma muito lírica, por vezes, também. Há um lirismo também na obra dele, a par desse erotismo e desse humor, e o sentido crítico também é muito importante. E tudo isso passa por diferentes temas.
Muito obrigado. Agora não temos tempo para mais, mas quero agradecer, Cristina, pela sua disponibilidade. Fica aqui esta homenagem a esse grande mestre e homem do mármore, João Cutileiro, que nos deixou esta semana aos 83 anos. Bem-haja, Cristina, bom ano.
Obrigada, igualmente.
E no "K4" deixo-lhe agora três sugestões de exposições que incluem fotografia selvagem na Baixa de Lisboa, um sonho de Almada na Batalha e cenários contemporâneos para espreitar na arte antiga. Até dia 14, o espaço público transforma-se no museu ao ar livre. A exposição itinerante "Gênesis", do fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, está junto do arco da Rua Augusta, em Lisboa, e faz parte do programa Arte na Rua, da Fundação da Caixa, com o objetivo de democratizar o acesso à arte. A exposição fotográfica de 38 imagens a preto e branco centra-se no mundo natural e faz-nos questionar sobre o estilo de vida que levamos e os consequentes impactos que podem ter nos recursos naturais do planeta. Um projeto iniciado por Sebastião Salgado em 2013, que para isso fez 32 viagens pelo mundo virgem, com paragens na Antártida, Madagáscar, Alasca, Galápagos, Sibéria e, por exemplo, no Amazonas. Almada Negreiros defendia que os icónicos painéis de São Vicente eram destinados à parede norte da capela do fundador do Mosteiro da Batalha e usou a geometria para o provar. Essa investigação e um conjunto de 15 painéis, que até 21 de dezembro está finalmente na capela do fundador. A exposição Almada Negreiros e Mosteiro da Batalha, 15 pinturas primitivas no retábulo imaginado, celebra a ousada e original ideia do modernista português. Nesta exposição, além da reconstituição em tamanho natural do retábulo que idealizou, uma instalação com mais de 10 metros de altura, os trabalhos de Almada testemunham o seu longo e intenso processo de pesquisa, desenhos, cadernos de autor e até maquetes tridimensionais foram realizadas por ele e que podem ser vistas, muitas delas, pela primeira vez. É a primeira de várias exposições temporárias de arte contemporânea que o Museu Nacional de Arte Antiga vai organizar nos próximos meses. Até ao fim de fevereiro, a Sala dos Passos Perdidos acolhe a instalação Windows, do cenógrafo e arquiteto José Capela, diretor artístico da companhia portuense Mala Voadora. A instalação de cinco por cinco metros, em acrílico e linóleo, tem várias caixas de espelhos, a que ele chama contentores, que nos convidam a espreitar cenários no interior. Em junho passado, representou o país na 14ª Quadrienal de Praga, tida como a mais importante mostra internacional de cenografia e arquitetura teatral. Entre 12 de março e 4 de abril, a instalação estará no espaço da Mala Voadora, no Porto. Júlio Dolbeth e Mariana A Miserável pegaram na técnica ancestral japonesa de reparar cerâmicas partidas com ouro e prata e juntaram-na ao figurado português. Nessa sim exposição, Partir. Um nome que remete para a fragmentação, mas também para a viagem. Kintsugi, como é conhecida a técnica japonesa, repara as cerâmicas partidas recorrendo a pó de ouro ou prata, realçando deliberadamente a sua vida, imprimindo-lhes valor e reforçando a sua beleza única através do erro ou do acidente. Os dois artistas acreditam que, numa época que privilegia o consumismo, o Kintsugi surge como um lugar de contemplação, de afirmação do belo, ancorado na história e nas narrativas possíveis que as pedras cerâmicas têm para contar. Com essa ideia em mente, juntaram-lhe a inspiração do artesanato do Norte, ancorada em nomes como Rosa Ramalho, artesã barcelense e uma das mais conceituadas artistas portuguesas. O resultado? Um conjunto de peças que até dia 14 podem ser vistas na Galeria Senhora Presidenta, no Porto. Para já, as peças ainda estão intactas e podem ser resgatadas do seu destino. Em breve, irão viajar para a Galeria Almost Perfect, em Tóquio, mal acondicionadas, de forma a que se partam pelo caminho. As peças estão a ser trabalhadas desde outubro de 2019 e a exposição, que mostra também alguns designs dos artistas, faz parte do processo para uma residência artística no Japão. Contam com o apoio da Câmara do Porto, através do programa Shuttle, que visa promover lá fora o trabalho de artistas portuenses. Partir é também uma reflexão. É impossível não pensar numa analogia entre esta arte japonesa e a vida humana no geral, no que diz respeito aos processos de aprendizado. Nós somos peças de porcelana, caímos, partimos aos bocadinhos, aproveitamos o que resta, colamos os fragmentos, ficamos com cicatrizes. E o 63º K4 fica por aqui. Bom fim de semana, boas exposições. Eu sou o João Paulo Sacadura, conto consigo no próximo K4, aqui na sua Rádio Observador.