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O fantasma LASK Linz volta a atacar em Alvalade. Depois de duas vitórias na Champions, o Sporting escorregou ontem em casa com os austríacos. 3x2, resultado final. Hoje há Benfica e Torriense na Liga Europa e a estreia do novo treinador do Braga na Liga Conferência. Bruno Roseiro, Augusto Inácio, João Pinto e Pedro Henriques para a edição de hoje de "E o Campeão É". Eu sou o Nelson Ferreira, sejam bem-vindos, campeões. Bruno Roseiro, como é que se explica esta descida de rendimento do Sporting na Europa depois de duas boas vitórias? Não se esperava uma perda de pontos a acontecer frente a este LASK.
Não, eu diria que só mesmo com o Sporting a baixar muito o seu nível é que era possível não só o LASK vencer, como até pontuar. Porque continuo com a ideia que o LASK Linz é uma equipa acessível a muitos dos clubes que estão na Liga dos Campeões. Se formos pela conferência de imprensa no final, do Rui Borges, é complicado explicar o que se passou, porque na visão do treinador do Sporting, os jogadores do Sporting sabiam tudo aquilo que tinham de fazer, mas depois não conseguiram. Faltou inspiração, faltou isto, faltou aquilo, mas da parte dele estava tudo bem. Os jogadores é que não conseguiram cumprir aquilo que estava previsto. Durante 90 minutos, eu vi outra coisa. Vi primeiro uma estratégia mal montada e dou aqui um exemplo prático, que para mim explica muito aquilo que foi o jogo. Depois da paragem para as seleções, o meio-campo do Sporting muda e há algumas dinâmicas que surgem novas também. E também se viu isso em França, na Liga dos Campeões. Por exemplo, sem bola, o Altimira recua sempre para a zona dos centrais.
Recuou demasiado. Há ali uma altura em que depois o meio-campo fica muito desprotegido, não é?
Ficou com um buraco.
É João Simões, creio, ou Flávio. É João. Fica um bocadinho sozinho ali.
Com uma diferença: em França fazia todo o sentido ter o João Simões pelas suas características e por ser um jogador que está ainda a reaparecer depois de uma paragem longa por lesão. Ali, com o LASK Linz, e o jogo mostrou isso mesmo, não só não fazia sentido Altimira estar a afundar tanto, como o próprio João Simões ficava num meio-campo onde Doumbia também não é propriamente um expert no jogo sem bola, quando a equipa precisa de ficar organizada e, portanto, ficava ali um buraco que acabou por ser bem explorado. Onde é que eu acho que ainda está o problema maior? É que apesar de tudo, o Sporting chega empatado ao intervalo e Rui Borges não tem capacidade de perceber aquilo que se tinha passado para encontrar soluções. Ou seja, provavelmente até poderá ter diagnosticado alguns problemas, não conseguiu encontrar soluções. Soluções para, por exemplo, desbloquear Maxi Araújo, que o LASK Linz identificou, e bem, como a grande mais-valia do Sporting em termos ofensivos e conseguiu bloqueá-lo, mas também não houve uma resposta por parte da equipa de encontrar alternativas a isso mesmo. Não conseguiu voltar a ganhar o meio-campo, que é por aí que o Sporting perde o jogo, e chega aos 80 minutos com apenas uma substituição feita. Ou seja, alguma coisa devia estar a correr bem, porque também não quis mexer na equipa. E aquilo que eu diria é que com todos os méritos que Rui Borges teve em Braga e em França com o Lance na vitória, ontem teve também muito demérito. E mais uma vez voltou um fantasma, que não é só o LASK Linz. Voltou um fantasma que as pessoas muitas vezes esquecem, mas que eu gosto muito de recordar, que é a final da última Taça de Portugal. Marcou um fim de era em termos de plantel. Para Rui Borges, passou ao lado. Tenho dúvidas que a maioria dos adeptos do Sporting também pensem assim.
Augusto Inácio, o que é que te agradou menos do que viste deste Sporting ontem à noite? Rui Borges, bastante criticado também por ter demorado bastante tempo a mexer, pelas soluções que não encontrou, como aqui dizia o Bruno Roseiro, foi mais no meio-campo que o Sporting perdeu este jogo.
Boa tarde a todos. Costuma-se dizer que o meio-campo, como diz o Gabriel Alves, e bem, é a casa das máquinas. Eu diria que é o pulmão daquilo que é uma equipa, tanto a nível defensivo como a nível ofensivo. Mas aquilo que eu acho e que tenho reparado, já com o PSV, com o Futebol Clube do Porto no Dragão e ontem com o LASK em Alvalade, eu diria que quando tu apanhas equipas que são intensas, que marcam homem a homem, que não dão espaços para a equipa adversária jogar, e quando tu erras na saída para o ataque E perdes bola, estás sujeito a sofreres os três golos que o Las Linx marcou. Duas bolas perdidas ou mal ligadas do Luis Suárez e outra do Altimira, que deram esses três golos. E quando tu tens essa intensidade toda do adversário e tens menos homens no meio-campo, automaticamente tu estás quase a dar o jogo de mão beijada ao adversário. Altimira, tal e qual como também Pablo Rosário no Porto, recua para o meio dos centrais. Altimira recua muito também para o meio dos centrais do Sporting, o Gonçalo Inácio e o Eduardo Quaresma, automaticamente falta ali preencher aquele meio-campo, se o Rui Borges quer jogar com essa estratégia. Iracunda é realmente um belíssimo jogador de linha, não é jogador para jogar no interior. Eu diria que Geny Catame também faz linha, embora faça depois as diagonais para a zona central, quando o jogo assim o permite. Eu diria que o Sporting ficou sempre em déficit durante praticamente quase todo o jogo, naquilo que era a sua função. E depois o Sporting marca um golo cedo. Marca um golo cedo, até parecia que era um jogo fácil de se jogar. Mas quando se começou a perceber, e logo de seguida o Las Linx empatou, e começou-se a perceber que o Las Linx estava muito por cima do jogo, estava mais perto de marcar o segundo golo do que o Sporting, aí olhava-se e desejava-se que houvesse realmente, se for com os mesmos jogadores, ok, mas muda-se a estratégia. Não pode ficar na mesma. Ficando na mesma, ficou os austríacos por cima do jogo. E depois a reação, quando estás a perder, é muito tardia, na minha opinião. O Sporting realmente nos últimos 10, 15 minutos tentou, depois chegar lá ainda fez o dois, três, mas já foi tarde, mas estas coisas quando dás 80 minutos de avanço, depois não pode estar a julgar o jogo pelos últimos 10 minutos, que foram mais de coração do que jogar com a cabeça, e o Sporting perde. Perde o jogo, perde uma grande oportunidade de fazer nove pontos, perde uma grande oportunidade, provavelmente, de estar quase com os dois pés no playoff, pelo menos, e perde dinheiro, porque cada vitória tem realmente muito dinheiro a ganhar, e perde acima de tudo aquilo que eu acho que é importante, porque o Sporting estava naquele momento que vai a Braga, naquilo que era o limbo, ou seja, estás para cair para o fundo do poço ou não, ganhas em Braga, ganhas na França, ao Lens, parece que a equipa agora vai reencontrar-se outra vez e levas com essa cacetada, como se costuma dizer, e perdes em casa. A confiança, vamos ver quando é que demora a voltar. Eu diria que o Sporting está-se a matar ele próprio.
Pedro Henriques, e o resultado até poderia ter sido um bocadinho pior se o VAR tivesse uma atuação mais certeira, pelo que percebi do teu podcast, sem falta, feito ontem no final do jogo.
Boa tarde. Na minha análise, não há penalti, mas também não sabemos, não havendo, o que é que acontecia a seguir. E depois o segundo golo, o dois, três, há uma falta para mim, essa ainda é a mais clara todas, do Flávio Gonçalves naquilo que é essa construção da jogada e que tinha que ser penalizada, porque acaba por ter impacto, porque o jogador sobre quem ele faz falta poderia eventualmente discutir o lance antes do cruzamento de bola. De resto, já foi praticamente aqui tudo dito. Eu sei que é difícil estarmos a falar neste momento, ainda é muito cedo, mas o outro dizia e se corre bem, oxalá que sim, corra bem ao Sporting em todos os aspectos, mas se esta época for uma cópia da época passada, mesmo que o Sporting consiga, que eu não acredito muito, fazer uma campanha a nível europeu, não ganhando títulos internos, a coisa é complicada. E eu relembro que o Sporting está a seis pontos do Porto e faltam ainda, obviamente, as taças. Relativamente ao jogo de ontem, quando o Rui Borges diz que o adversário estudou bem a equipa do Sporting, eu acho que o Sporting também estudou bem a equipa adversária e sabia ao que vinha. Não deixa de ser curioso que já vi o Sporting, como outros clubes, a ganharem com números estatísticos menos favoráveis e ontem o Sporting tem 62% de posse de bola, ganha em cantos sete, quatro, tem mais remates 16-11 do que tem o adversário, mas há um número muito interessante e vale o que vale, eu gosto de avaliar estas coisas, que é a questão das faltas. O jogo teve 32 faltas e o Sporting só, este só entre aspas, cometeu 10. Quer dizer que quando o Rui Borges fala, e o adversário 22, quando o Rui Borges fala que a grande dificuldade foi quando o Sporting tinha posse de bola a perder e eles vinham para aí, foi aí que eles criaram as suas melhores oportunidades, não deixa de ser curioso que se isso acontece uma, duas, três vezes, alguém tem que matar as jogadas. E o Las Linx não teve problemas em fazê-lo. Claro, depois há a questão dos cartões e a questão do condicionamento que um jogador com cartão amarelo fica, mas é aí que também há cinco substituições para fazer, para se jogar exatamente com isso. E o Sporting, se estava em posse de bola a atacar, perdia e era aí que eles se tornavam perigosos, vamos chamar, utilizando aqui uma expressão de Jorge Jesus, o contragolpe, então as faltas existem para ser cometidas, é aí que tem que se matar. E portanto, essa agressividade, que normalmente vem muito por Maxi Araújo, que esteve completamente apagado, e outros jogadores, eu acho que o Sporting não a teve. Não sei se isso explica tudo. Claro que há aqui alguns equívocos táticos, já foram aqui avaliados e têm sido avaliados na imprensa, e há, sobretudo, um aspeto, que termino com isto, que continua a me deixar em impressão, e eu percebo que o iPad pode ser bem útil. A ver se a gente percebe isto uma vez por todas em termos de liderança. Não é para o futebol, é para tudo. Eu não posso ter alguém que está homens com homens sistematicamente preocupado com o iPad. O iPad é para os adjuntos. Na tropa nós somos oficiais, depois temos os nossos sargentos, os nossos cabos, até por aí fora. Na medicina temos o médico, os enfermeiros, temos uma série de pessoas que são adjuntos. Os adjuntos é que têm que estar preocupados com qual foi o golo. O líder tem que estar olhos nos olhos com os seus jogadores em contato permanente. Não é estar a ver o golo, sentar e sempre a ver o iPad. Isso não tem interesse nenhum, o iPad é para depois
No jogo, o que aqueles homens que estão lá dentro precisam é de voz de comando, de grito, de ação, do que quer que seja. E o Rui Borges demorou, mesmo com o iPad, mesmo com a televisão, demorou imenso a reagir e depois era engraçado, porque houve essa filmagem, mostrarem ao Rui Borges o seu body language. É claramente de alguém que não tem atitude de liderança e sob o meu ponto de vista, eu que sou ex-jogador, não acreditava muito nesse body language, nem na mensagem que passavam.
Temos de avançar. Pedro, obrigado por essa análise. João Pinto, queria olhar já contigo o jogo do Benfica. Temos emissão especial de desporto aqui na Rádio Observador. O que é que esperas deste encontro do teu Benfica com uma equipa que tem nome de elemento químico da tabela periódica? Há risco de intoxicação?
Não. Primeiro agradeço, por uma questão de substituição, que não me perguntes pelo Sporting, porque realmente isto tem sido uma razia. Depois, em relação ao Benfica, o que espero? Espero muitas alterações.
Muitas ausências, não é?
Sim, exatamente. As alterações são jogarem os titulares e isso não deixa de ser, por um lado, uma má notícia, porque realmente há algumas lesões com as quais o Marcos Silva não contava. E, por outro lado, alguma segurança do meu lado, alguma tranquilidade, porque jogando os titulares, acho que o Benfica fica bem entregue. Depois é só uma questão de lançar aqui uma série de questões. Será Schjelderup ou Prestianni? Será El Kaouani ou Odal? Sabemos que na frente, muito provavelmente, vai jogar Pavlídis. Há ali uma pequeníssima probabilidade de jogar o Anízio. Será mais por aí, de perceber quantos dos titulares jogam e quais serão escolhidos para ir. O Benfica, tal como o Sporting e o Futebol Clube do Porto, não teve jogo durante o fim de semana, portanto, por aquilo que aconteceu aos outros dois, parece-me que é mais uma questão de falta de ritmo do que futebol a mais. Portanto, se tiverem que jogar os titulares todos, que joguem. É importante é que o Benfica ganhe o jogo.
E Bruno Roseira, olhando aqui também para Torriense e Braga, talvez a tarefa mais difícil seja a do Torriense, até porque é uma equipa da Segunda Liga. O Gent promove aqui a estreia de Franklin Carvalho no banco arsenalista, no que toca a esta Liga Conference. O que é que esperas destas partidas?
O Sporting Braga tem de vencer, o Torriense tudo o que seja pontuar é uma vitória. O Benfica tem uma vantagem em cima de todos os outros, que é, além de ser um jogo, como eu lhes chamo, estes jogos do Benfica na Liga Europa têm sido jogos de novas oportunidades, ou seja, jogadores que têm menos minutos e que mostram os seus cartões de visita. Acho que Echeverri, continuando a jogar como está a jogar.
Está garantido a titular.
Vai criar uma dor de cabeça complicada de resolver para Marco Silva, porque com Schjelderup, com Prestianni, que nesta altura é claramente o melhor jogador do campeonato, a par de Luís Suárez. É complicado depois também o próprio Marco Silva saber como gerir tantos jogadores aptos para poder fazer a diferença no 11. Mas a outra vantagem do Benfica é, mesmo não ganhando hoje, acho que dificilmente o Benfica não ficará no top oito da Liga Europa. E o mesmo não se aplica nem ao Futebol Clube do Porto, que vai pagar, entre aspas, esta derrota em casa com o PSV, nem ao Sporting. E por quê? Porque o Sporting, o fato de ter perdido ontem com o AS Kleinz, faz com que passe uma fronteira entre poder ambicionar a lutar pelo top oito ou nesta altura estar a fazer contas com jogos de Barcelona e City para chegar ao playoff. E essa é a grande vantagem do Benfica, estar completamente à vontade em termos de classificação.
Bruno, quem é o teu campeão hoje?
Vou dar uma nota 18 ao Abel Ferreira.
Está na final.
Não foi como ele queria. Terminar o jogo, ter de ir aos penáltis.
Mas está na final da Libertadores.
Sim, e eu diria que mais do que os 11 títulos que já ganhou, mais de N recordes históricos que já bateu, o Abel Ferreira é a personificação do que é perseverança no campeonato brasileiro, aturar aquelas conferências de imprensa, aturar, entre aspas, adeptos que basta não ganhar um jogo e está tudo mal, ele tem de ir para a rua. E a capacidade que ele teve e que continua a ter para conseguir resultados, a par do Flamengo, de Leonardo Jardim, que provavelmente até poderá também reeditar a final do ano passado, eu diria que é de facto é um salto brutal em relação ao Abel que saiu de Portugal e agora está no Brasil e vamos ver se no próximo ano não poderá voltar para cá outra vez.
A ver vamos. Augusto Inácio, o teu campeão de hoje?
Olha, eu também tinha aqui o Abel Ferreira, nota 18, é a quarta final. Vamos ver se vai jogar com o Flamengo ou com o Estudiantes. De lembrar que o ano passado o Palmeiras perdeu com o Flamengo na final por 1 x 0 e pode ser que se reencontrem outra vez. E a final é a 28 de novembro em Montevidéu. Mas queria dar nota 5 para o Sporting, pela fraca exibição que teve ontem e por aquilo que se esperava e que não conseguiu concretizar. Nota 20 sempre para todas as equipas que jogam nas competições nos seus dias. O Benfica joga hoje, o Braga, o Torriense, que tenham vitórias, que é o que interessa. E também queria fazer aqui uma homenagem ao nosso mestre, o Gabriel Alves. Sempre falou e falou aqui no Observador do Nico Paz, do Como.
É verdade.
Sempre disse que estava ali um grande jogador. E eu lembrando-me deste jogo do Como com o Manchester United, que o Nico Paz fez dois gols, lembrei-me logo do Gabriel Alves. Por isso, nota 20 para o Gabriel Alves e nota 17 para o Nico Paz, que fez um grande jogo com o Manchester United.
Pedro Henriques.
Mas é o Manchester United ou a gente ganha? Estou a brincar. A minha nota vai naturalmente para as equipas portuguesas que vão entrar hoje em jogo. Como foi dito, Braga hoje é ganhar ou ganhar. O Torriense só o ir e estar lá já é uma vitória. E em relação ao Benfica, olhando para a conferência do Marco Silva, é perceber que são três mais oito. Há três jogadores que são titulares indiscutíveis: Trubin, Echeverri e Pavlídis. Depois os outros oito é Obal, Sirica, Lenglet, El Kaouani, Aursnes, Palhinha, Rafa e Schjelderup.
A ver, vamos se confirma essa tua aposta, João Pinto, o campeão de hoje quem é?
O campeão de hoje é o Sporting, com nota oito. Eu não vou tão abaixo como o Augusto, que deu um cinco, mas é uma nota oito. Depois também acompanho com a nota 20 ao Abel lá no Palmeiras. Realmente ele parece que tornou uma coisa extraordinariamente difícil, muito fácil, e é alguém que vai ter que ter muito cuidado a dar o próximo passo na carreira. Espero que haja quem o receba com o mesmo amor que o receberam por lá do ponto de vista diretivo e que o mantenham o tempo que ele conseguiu lá estar.
Está feita a edição de hoje de "O Campeão É". Mais logo temos emissão especial de desporto para acompanhar o Omonia-Benfica às 19h30.