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Lembra-se do momento em que começou a sentir que não se sentia bem? Lembra-se quando é que isso aconteceu?

Eu lembro que foi em fases. Momentos que eu me sentia triste, mas eu sempre estudei muito comportamento humano e pensava: "Está bem, pode ser uma fase". Mas essa fase durou meses. E aí chegou um momento que eu pensei: "Será que eu já sou triste?" Eu já não lembrava de uma Bárbara feliz. Eu tinha uns momentos com os meus amigos, tinha uns momentos de alegria, mas era quase não sentir emoção ou de emoção pra coisa negativa.

Portanto, era no dia a dia, desde que acordava até que se deitava, que sentia que era triste e não tinha emoções, pra além da tristeza, era isso?

Sim, sentia pensamentos negativos, que foi algo que me fazia muito mal.

Que tipo de pensamentos?

Pensamentos obsessivos e eu acho que como eu estudei e sou atleta, eu preciso muito trabalhar os pensamentos, a maneira que vem à minha mente. E eram pensamentos que eu não conseguia controlar. E eu às vezes escrevia no diário, eram coisas muito negativas, sobre mim. Eu me sentia muito mal, eu me sentia um lixo. Às vezes eu escrevia isso: "Eu me sinto um lixo". E era de uma forma tão obsessiva. E chegou o momento que eu pensei: "Será que eu sou assim agora?" Porque eu já não conseguia ter a memória de que eu não era assim, que eu era uma pessoa feliz ou que tinha pensamentos que conseguia controlar, ou tinha uma vida normal.

Mas eu sou um lixo por quê? Porque não faço as coisas bem? Porque não tenho amigos, porque não gosto de mim? Era um lixo por quê? Porque era uma pessoa que não prestava? Era isso?

Eu acho que uma das consequências da pandemia era as circunstâncias que me rodeavam. Toda a mudança que causou a pandemia, a incerteza de haver jogos ou não, a mudança dos jogos, que foi adiada durante um ano.

Dos Jogos Olímpicos.

Dos Jogos Olímpicos de Tóquio. A distância da minha família, acabou que eu fiquei dois anos sem contato, sem os ver. E nesse tempo, apesar de tudo, eu sempre tentei ter o controle de mim, só que num período de seis meses, eu tive que fazer duas cirurgias. Tive lesões nos dois cotovelos.

Então, Bárbara, vamos começar. Quando sente que tem essas fases em que já não sabe se é alguma coisa a mais pra além de ser triste, estávamos já com a pandemia, estávamos no confinamento, estávamos no primeiro confinamento?

Sim. Foi pra agosto, eu acho que foi perto da primeira cirurgia que eu senti já uma, como eu posso dizer? Já não era eu. Eu acho que foi a partir de outubro de 2020.

De 2020. Até lá, diria que era uma Bárbara feliz, com altos e baixos, como todos nós, mas era uma mulher completamente integrada e sem esses pensamentos obsessivos. Depois tem a lesão, é isso? A lesão chega primeiro que esses pensamentos tristes?

Eu acho que a lesão veio depois a parte de tratar, porque como foi um ano antes dos jogos, eu não tinha o tempo suficiente pra tratar, porque sempre tinha a marca dos jogos. A primeira competição, fiz oito semanas após a cirurgia, então com pontos eu ainda treinava. Isso, na hora, eu não senti, mas a gente entra no modo sobrevivência, eu preciso fazer isso, mesmo com dor. Só que chega uma hora que a conta vem. E depois de competir, continuo com dor. A cirurgia é um processo, não são em oito semanas que a gente recupera, às vezes são mais. E o estresse vem depois. Eu acho que é um pouco como a pandemia. Quando estava o ponto mais crítico, todo mundo sobreviveu, do jeito que deu. Só que eu vejo, às vezes agora, após a gente saindo um pouco desse cenário, que as pessoas estão sentindo mais ansiedade, mais de não saber o que está acontecendo. E eu acho que foi isso que aconteceu comigo.

Foi uma espécie de uma ressaca. Aguentou.

Aguentei, no modo sobrevivência.

Aguentou o primeiro confinamento, viu os Jogos Olímpicos serem adiados, tem uma lesão, tem uma cirurgia, tenta dar tudo e depois tem essa tristeza. Isso mudou seu dia a dia? Essa tristeza fez com que, por exemplo, deixasse de sair, deixasse de conseguir estar com amigos, de conversar?

Eu acho que eu me fechei mais, sem dúvida, mas a minha rotina é muito de não sair também. Então eu tenho meus amigos fechados que eu já os via todo dia. Mas eu acho que a depressão é algo que é muito fácil esconder pra sociedade. Eu sempre gostei de fazer os outros rirem, então eu acho que eu continuei com esse objetivo e ninguém reparou.

Portanto, era uma Bárbara triste que fazia os outros rir.

É, eu acho que era pra esconder o que eu sentia. Ou então eu tentava cumprir o papel na sociedade que estava tudo bem, mas por dentro estava destruída.

Estava destruída. Tem um diário, foi ele o seu confidente, foi só com o diário que ia contando Que tinha esses momentos de tristeza tão profunda?

Sim, no momento, sim. Naquele momento era só o diário. Mesmo fazendo terapia e tudo mais, eu ainda tinha um estigma, um preconceito muito grande, ou então não sabia mesmo o que eu tinha. Então eu não conseguia dizer realmente o que eu pensava de mim, que era muito negativo e eu pensava: "Não é possível. Não tenho nem coragem de dizer isso a outra pessoa." Era uma falta de respeito tão grande comigo e eu ficava imaginando, não consigo nem expressar isso em palavras, o que eu sinto por mim.

Quanto tempo é que demorou a perceber que estava triste e a escrever no diário e a ter essa interrogação: quem é que eu sou? Deixei de ser a pessoa alegre pra ser a pessoa triste. Quanto tempo é que guardou isso só pra si?

Outubro de 2020, fiz a cirurgia do cotovelo esquerdo, aí passou o ano, tudo mais. E em fevereiro de 2021, eu lesiono o cotovelo direito. Aí pronto, a chave aqui mudou totalmente e eu me pegava chorando muito. Disciplina nunca foi um problema, eu sempre estava no treino, mas estava sem vontade, sem dar aquele a mais que eu acho que os atletas de alto rendimento precisam, dar um pouco mais de intensidade. Então essa parte me faltava um pouco. Eu estava ali, fazia o que estava escrito, só. Só pra me manter em movimento.

Assim, aos mínimos.

Os mínimos, é. Só que quando eu ia pra casa, às vezes eu entrava no carro e tinha crises de choro. E não sabia por quê. Às vezes, do nada, eu me via chorando e pensava: "Por que eu estou chorando?" Eu não sei explicar. Sinto tristeza, sinto angústia, mas não sei explicar o motivo. Estou triste, estou muito triste, mas, ao mesmo tempo, é uma luta, porque eu pensava: "Eu sou atleta, eu tenho que ser forte, eu tenho que mostrar. Eu não tenho razões pra estar triste", como às vezes muitas pessoas pensam assim. Tenho uma casa, tenho amigos, tenho saúde, mas enfim, acontece, pode acontecer com qualquer um. E na minha segunda cirurgia, quando eu saí da clínica mesmo, do hospital, eu tive uma crise que eu pensei: "Não vai dar, chega". Faltavam quatro meses pros Jogos Olímpicos, eu falei: "Não quero sofrer, estou enlouquecendo. Vou marcar um psiquiatra, porque não é possível. Vou ver." Eu não sabia o que eu tinha, mas eu queria saber a opinião dele, de um especialista, pra dizer se é normal viver assim ou se eu tenho alguma alteração em mim.

Esses momentos em que chorava, em que explodia, que desabafava, passou-os sempre sozinha, nunca teve nada disto perto de ninguém? Guardava sempre esses momentos pra quando estava sozinha?

Tinha amigos, mas na maior parte sozinha.

Mas porque aguentava até estar sozinha ou acontecia estar socialmente com vontade de deitar cá pra fora essa tristeza?

Eu acho que eu tinha vergonha. Eu tinha um preconceito das pessoas me verem como fraca. Se eu perco pra mim, eu vou ganhar de quem? É uma frase que dizemos. Se eu perder pra minha mente, eu vou ganhar de qual adversário? Então eu achava que mostrar esse lado meu era mostrar ser uma pessoa fraca, o que não tem nada a ver.

E, portanto, guardava pra si. Ninguém percebeu?

Acho que não. Não que eu lembre.

Não. Nem o treinador? Quando tinha uma atleta que só cumpria os mínimos, e que já costuma dizer que gosta de criar os seus próprios desafios, o treinador, a equipe não percebeu que a Bárbara estava só ali a tentar passar despercebida e a não dar mais do que aquilo que conseguia?

Eu já li também, já vejo que muitos atores, até pessoas que cometem suicídio, às vezes, no dia anterior, no jantar anterior, estava sorrindo. As pessoas conseguem manter uma máscara. E eu acho que eu conseguia. Mesmo fazendo o mínimo, já é muito mais do que muita gente faz. E conseguia manter uma rotina social mínima. Então eu acho que essa é a dificuldade também das pessoas, às vezes, de conseguir se abrir, porque às vezes as pessoas nem imaginam o que se passa dentro da gente, mas a gente consegue manter um papel na sociedade de fortaleza. E como eu sou atleta, como eu sou judoca, como eu sou uma lutadora, eu sei fazer esse papel também, mas não preciso sempre fazer.

Às vezes, quando se faz esse papel, tendemos a nem perceber que estamos a passar por isso, não é? Estamos numa necessidade de enganar a sociedade, que nos enganamos a nós próprios.

Sim.

Mas a Bárbara sabia que havia alguma coisa que não estava bem.

Sim, sabia. Não era possível eu sentir tanta tristeza, tanta angústia, tantos sentimentos ruins, durante tanto tempo. Eu acho que fases de luto, fase de derrotas, de lesão, isso acontece e é importante a gente deixar esses sentimentos virem Mas quando passa por muito tempo, eu pensava: "Acho que tem alguma coisa estranha". Mas também eu já não conseguia lembrar como eu era feliz. Então o meu grande questionamento era: será que eu sou assim? Será que a Bárbara hoje é triste e negativa e vou ser assim para sempre? Essa era a minha dúvida.

E então decide sozinha procurar ajuda para perceber se a Bárbara era isso ou ainda era aquilo que era no passado. Lembra-se quando é que tomou essa decisão de pedir ajuda especializada?

Foi logo depois dessa segunda cirurgia.

Quando teve a alta.

É, e foi ano passado. Eu sei o dia, porque foi um dia antes de eu fazer 30 anos, foi dia 9 de março, eu faço 31 dia 10. E eu acho que foi uma data interessante, porque eu acho que seu aniversário é um ciclo. E ali ter tido a coragem de ligar, marcar e comparecer, que eu também pensei em não comparecer na consulta. Acho que foi um ato de coragem que eu pensei: "Tá, eu estou fechando um ciclo e iniciando outro".

Como é que escolhe o médico? Foi uma decisão sua? Procurou, aconselhou-se para procurar o médico certo, o médico que a pudesse ajudar?

Na verdade, como eu fiz tudo sozinha, foi o Google. Foi pela internet que eu procurei o médico e pelo plano de saúde, mas eu tive uma sorte de ter um excelente médico, que é o que me acompanha até hoje. E o doutor, desde o início, ele foi muito empático. Já cheguei na primeira consulta, eu sentei já chorando, desabando e falando o que eu sentia, o que eu pensava e tudo mais. E ele tratou isso de uma maneira tão natural, que deve ser o que ele vê sempre, que eu não me senti mais estranha. Ele falou: "Isso acontece. Dadas as características, as circunstâncias da tua vida, tem sintomas de depressão, vai ter que tomar um remédio". E quando ele falou que tinha que tomar um remédio, para mim já foi: "Sou maluca, não acredito". E aí eu perguntei: "Eu vou ficar maluca com esse remédio?" Ele falou: "Não, é muito tranquilo e tudo mais, mas é um remédio a longo prazo, só vai ver a partir, acho que da sexta semana, que vê uma melhora, um resultado. E é um tratamento". E pronto.

Portanto, a Bárbara vai para uma consulta destas com os preconceitos todos que existem.

Todos.

Quem vai para uma consulta destas é porque se calhar é maluca. Tinha os preconceitos todos quando lá chegou.

Eu lembro que eu pensei em desistir mesmo da consulta. No dia eu falei: "Acho que eu não preciso disso".

Por quê? Tinha medo de quê?

Eu acho que é o medo do desconhecido. E ainda há um paradigma de quem vai ao psiquiatra é quem não tem controle de si, a doença mental é vista com muito paradigma, com muito preconceito ainda. E eu tinha isso, desde pegar a ficha, mostrar para a atendente e falar baixinho, "psiquiatra". Ela: "Oi?" Eu falei: "Psiquiatra", para ver se ela entendia rápido. Sentar, olhar todos, ver se todos estão me observando, será que todos sabem quem eu sou? E julgar também. Falei: "Todos estão aqui, também são doidos, ai meu Deus". Eu acho que são pensamentos normais, mas o medo acho que é um pouco do desconhecido.

Tinha medo de ouvir alguma coisa que não estava preparada? Tinha medo que o médico lhe dissesse alguma coisa que pusesse em causa a imagem que tinha de si própria, dessa atleta que tem que ter segurança e que é forte?

Talvez. Na verdade, quando ele deu o diagnóstico, foi um alívio, porque eu pensei: "Eu tenho alguma coisa, não sou assim". Talvez o medo também poderia ser dele falar que eu não tenho nada e essa era a minha realidade. Meu medo talvez tenha sido esse também, que agora eu tenho que conviver com essa pessoa, comigo, e estava insuportável viver comigo, porque os pensamentos eram muito ruins e havia falta de motivação, tristeza e crises de ansiedade. Então eu acho que ia ser muito difícil conviver comigo daquele jeito.

Houve o diagnóstico logo na primeira consulta? Fica logo a saber que tem uma depressão?

Sim. Falei o que eu sentia, falei dos pensamentos, falei do que aconteceu na minha vida nesse ano, nesses dois anos. E na primeira consulta ele diagnosticou como depressão e indicou os remédios.

E portanto, diz que o que sentiu foi quase um alívio, porque afinal eu tenho uma doença, eu não vou ser sempre assim, não vou continuar a ser assim esta pessoa tão triste.

Sim, foi um alívio, primeiro, e foi muito fácil. Depois que aconteceu, é daquelas coisas que você fala: "É isso? Pensei que era mais difícil". Porque o médico foi muito receptivo, ele foi muito empático e acho que isso também faz a diferença, de a pessoa que está ali entender a sua dor e diagnosticar de uma forma natural. É muito importante também o papel do médico, como passar isso E eu saí de lá e falei: "Ah, tá, ok." Mas aí vem a fase dois, que é ter a receita e a farmácia. Isso também eu demorei um pouquinho.

Então, o que acontece? Tem um papel com a receita e vai ter que tomar uma medicação.

Sim. Aí fui na farmácia. A máscara ajuda muito, que a gente pensa que está escondida no mundo. Só os olhinhos assim, a gente põe um capuz e pensa: "Tá, vou comprar um remédio de maluco." Ok. Mas também é tudo muito fácil, porque o farmacêutico trabalha com isso todo dia, deve ser mais uma pessoa. Nós que olhamos com foco, com a perspectiva, tudo em nós mesmos e achamos que isso é o fim do mundo, mas não. No final também foi fácil, já fiz isso, já estou fazendo há um ano, é bem tranquilo.

Mas quando sai dessa primeira consulta, no consultório com a receita na mão, vai logo à farmácia ou fica a pensar se vale a pena dizer ao resto do mundo que eu vou passar a tomar uma medicação para pessoas malucas, como ele chama? Foi logo levantar a medicação?

Não. Fui logo, fui direto à farmácia. Como era meu aniversário no dia seguinte, eu falei: "Vou começar logo hoje pra iniciar um novo ciclo. Aos 30 anos, ser uma nova, ou pelo menos dar um primeiro passo pra tentar ser uma nova pessoa." E comecei um dia antes do meu aniversário, mesmo à noite.

E sentiu alguma coisa? Houve logo alguma consequência imediata prática?

No início, diria os primeiros dias, eu senti enjoo e sonolência, um pouco cansada, sono mesmo. Mas só. Depois foi tranquilo. Depois não me alterou nada no treino, que eu tenha tido a percepção. De um lado, acho que diminuiu meu apetite, de um modo geral. Mas também não sei se foi a ansiedade que diminuiu também. Eu descontava muita coisa na comida. Tudo pra mim era motivo de comer. Estava feliz, era comer. Era uma desculpa minha. E eu acho que juntando os dois, eu acho que talvez o remédio tenha tirado um pouco o apetite e eu também tirei um pouco da ansiedade. E aí eu acabei perdendo bastante peso também.

Tanto que até depois mudou de categoria, não foi?

Sim.

Foi nessa altura.

Isso foi um processo. Eu comecei em março a tomar os medicamentos, senti melhora, realmente foi quatro, seis semanas depois. Não sei se ficou no psicológico ou realmente foi isso. Eu lembro que na sexta semana eu me avaliei e falei: "É, acho que eu estou melhor". Já senti uma alegria, uma felicidade, tanto que na segunda cirurgia eu competi o Europeu, foi sete semanas depois da cirurgia do cotovelo direito. Também fui medalha de bronze e eu lembro que no Europeu eu já me sentia bem melhor, bem mais feliz de estar ali. Eu não tinha falta de confiança no tatame. Eu sabia que eu tinha condições, que eu era capaz. Eu sabia o que me faltava. Parecia que as sinapses, os neurônios não estavam batendo certo. E pronto, já no Europeu, já em abril, seis semanas depois, já comecei a sentir a melhora, a felicidade de estar competindo, senti o prazer de estar no pódio, de processo. E isso foi melhorando até os Jogos Olímpicos, que foi em julho de 2021. Só que aí também perdi os Jogos Olímpicos.

Já vamos aos Jogos Olímpicos. No dia 9 de março começa essa medicação, o novo ciclo dos 30 anos. O tratamento era só medicação ou também implicava ter consulta e conversa com o médico sobre aquilo que sentia?

Sim, toda consulta era pra mais de uma hora, era uma consulta terapia.

Sim.

E ele me explicava muitas coisas. Ele me explica ainda hoje, abre muito a minha mente pra coisas que eu achava que não deveria ser, ou certo, ou errado, ou como considero certo, ou como a sociedade considera como certo. E ele sempre abriu a minha cabeça pra seguir o que eu acredito, o que eu sou, eu acho, e o que me faz bem.

Portanto, o seu processo de reequilíbrio tinha a ver com medicação, mas também tinha a ver com questionar aquilo que sentia e a forma como olhava pra sociedade e a sociedade pra si, e a pressão que sentia por parte da sociedade. Havia aqui uma conjugação de dois-

Ninguém me pressionava. Eu que achava que a pressão... Ninguém falava nada, mas eu que imaginava que eu tinha que passar uma imagem de força e ter depressão era sinônimo de ser fraca ou não ter força, ou ser frágil. Mas sim, sou frágil. Tem momentos que eu sou fraca, tem momentos que eu tenho medo. Eu acho que a grande diferença hoje é isso, que eu aceito os meus dois lados.

Quando é que conta que está a fazer um tratamento deste gênero? A quem é que conta, em primeiro lugar? E depois, como é que isso se reflete na forma como, por exemplo, treina e juntamente com a sua equipa, como é que isso se reflete?

Antes dos jogos eu contei ao médico.

Só antes dos jogos, só antes de julho, portanto já com dois, três meses de tratamento.

Contei ao médico do comitê, porque nós temos que dizer todos os remédios que tomamos. E não é doping os remédios que eu tomo, mas precisa estar descrito. E ele também me apoiou e falou: "Olha, você não tem noção quantos atletas têm depressão e tomam remédio, só que isso ainda é um estigma, e está tudo bem". Eu falei: "É fácil assim? Tá". É uma coisa ainda muito fechada. E lutei os jogos sem contar para ninguém.

Nem para família, não contou à família.

Não.

Por quê? Não quis preocupar?

Eu acho que a distância, e não queria, principalmente, que me tratassem diferente. Como eu achava que os outros iam me ver como frágil, eu não queria que de forma nenhuma me tratassem diferente por causa dessa condição. Então a minha decisão foi manter a máscara, mas também eu já estava me sentindo melhor. Quando eu perco os jogos, volto para o Brasil, passo as férias lá e conto para minha família, eles agem de uma forma muito natural, com muita receptividade e amor. E mais uma vez, tomo um tapa na cara e penso: "Não é tão difícil assim". Tive a sorte também de ter uma família que me apoia e entende. E se eles apoiaram, e se eles lidaram com isso da melhor maneira possível, depois eu me senti mais à vontade para contar para todos.

Portanto, estava muito na sua cabeça. O monstro estava na sua cabeça, ninguém à sua volta estava a julgar.

Ninguém. Eu acho que é muito isso que nós pensamos. Nós temos um eu muito crítico, que é o mais difícil de lidar e o mais difícil de domar. E a gente pensa muito como ter aquela voz do que a gente faz errado ou que também precisamos fazer melhor e mais. Essa parte crítica é muito dura. E eu imaginava que seriam duros comigo, imaginava que teriam preconceitos ou então que eu não ia ser bem recebida. E não foi, absolutamente ao contrário.

Estava a falar dos jogos. Os jogos não correram bem. Isso abalou-a de alguma forma?

Completamente, porque eu mudei a vida. Nasci no Brasil, vim para cá, conquistei a vaga em um ano e meio, fui vice-campeã do mundo em 2019, supostamente um ano antes dos jogos, mas acabou sendo dois anos após. Então, de alguma incerteza, eu sabia que tinha capacidade, pelos meus resultados, de ter um bom resultado. E chegar lá, sentir que eu apanhei mesmo, doeu muito. Eu perdi e perdi mesmo, não tenho o que dizer, a atleta foi melhor. E isso me doeu muito, porque eu pensava: "Eu não dou a minha vida, não faço tanto para ter uma derrota assim". E isso me custou muito. Custou tanto que eu não tinha mais motivação de voltar. Eu já estava decidida a não voltar para o próximo ciclo. Mas aí que bom que eu tive a ideia de descer de categoria e pensei: "Essa é uma nova história que eu posso fazer". Gosto de novos desafios, acho que é isso que me motiva. Já são muitos anos no judo. Comecei aos oito anos, já são 20 e poucos anos e eu acho que eu preciso encontrar caminhos novos, já que eu posso e tenho a oportunidade de fazer mais um ciclo, quero encontrar novos caminhos.

Essa derrota, sente que fez regredir o seu tratamento? Ou o fato de ter encontrado logo um desafio novo é a prova de que as consultas e o trabalho psiquiátrico que está a fazer a ajudou a encontrar formas de dar a volta a uma situação de crise?

Eu não vejo muito como uma regressão, mas eu vejo, é uma condição que eu tenho hoje, mas coisas que eu tenho certas para mim é que eu sou capaz de superar e que existem altos e baixos. Têm dias bons e dias menos bons, fases boas e fases menos boas. E uma derrota como os Jogos Olímpicos, não sei como quem não acompanha pode levar, mas é como se fosse o trabalho de uma vida jogado fora. Pelo menos no início. Quando você tem a derrota, você pensa: "Eu joguei tudo no lixo. Foram quatro anos", nem quatro anos, é uma vida toda de trabalho para isso, para nada. Só depois que você vai assimilando, vai percebendo que o que vale foi o processo, vale foi a experiência, que ser atleta olímpica é algo muito grandioso, poucos conseguem. Aí que vai entrando essa parte de se valorizar também e saber o quanto eu já conquistei. Mas no início é realmente um luto do teu trabalho. Parece que o seu trabalho foi todo em vão.

Quando faz as malas em Pequim para voltar para Lisboa, vinha com a ideia de que já não ia jogar mais, não ia competir mais?

Sim, eu já saí da luta falando com a minha treinadora. "Ana, me arranja um emprego, me vê, quero ser treinadora, não dá mais." E ela: "Cala-te". Porque eu falei: "Não, não treino para isso, não". Isso entre lágrimas e raiva e choro. Foi nisso. E eu acordava no dia seguinte e pensava Não tenho vontade. E acordava no dia seguinte, olhava assim: "Não tenho vontade". E foi assim. Fui pro Brasil de férias e sem vontade.

Comunicou à família: "Nunca mais volto a entrar num tatame"?

Não, quando eu cheguei, eu falei: "Por favor, não vamos falar sobre os Jogos Olímpicos, foi uma experiência, vocês viram o que foi, está tudo bem, depois quando eu estiver bem, eu falo". Tanto que nas primeiras semanas lá, eu não encontrei com ninguém, só fiquei com a minha família, nós ficamos fechados mesmo. Porque eu sei que todo mundo ia querer ir aos jogos, e eu nem conseguia falar, nem conseguia me expressar. E a primeira vez que eu falei sobre os jogos, foi antes de voltar pra cá, uma academia me chamou pra visitá-los, pra mostrar e tudo mais. E eu: "Tá, eu vou, porque é minha amiga, que é professora, vou pela amizade". E quando eu chego lá, as crianças prepararam uma festa pra mim, cartazes, desenhos, no Brasil. Eu penso: "Ai, isso não é só por mim. Ir aos Jogos Olímpicos, nós pensamos que é só pela gente, mas nós impactamos várias pessoas". E é também por isso que eu estou aqui, porque eu acho que a minha voz pode mudar a vida de alguém. E ali que eu senti que eu consegui falar dos Jogos, e eu falei pra eles: "É a primeira vez que eu estou falando dos Jogos Olímpicos", todo mundo olhou assim: "Como assim? Você foi aos jogos!" Eu falei: "É, tá". Aí foi o processo de eu começar a me valorizar e a valorizar essa história também que eu tenho.

Porque estes Jogos Olímpicos do ano passado, foram marcados por muitos atletas a terem este tipo de reação no fim. Houve muita emoção, houve muitas lágrimas, como provavelmente em nenhuns outros jogos. O que que aconteceu? Acha que a pandemia abalou mesmo a preparação destes atletas? Que estão a vida inteira a planear ir a uns jogos que não foram num ano, foram no seguinte, e depois tudo parecia desabar. O que se passou nestes jogos? Não foi só consigo, pois não?

Eu só fui a um jogos. O que eu posso dizer foram das pessoas que foram a outros jogos. Foram várias componentes. Eu acho que esse um ano a mais faz completamente diferença na atleta de alto rendimento. Por exemplo, eu fiz duas cirurgias nesse ano a mais. Se fosse em 2020, eu teria feito os jogos sem cirurgia. Outras pessoas tiveram lesões. Manter mais um ano em alto rendimento é difícil. Então, às vezes os mais novos passaram, aqueles que em 2020 iriam para os jogos. É como se as cartas fossem embaralhadas e jogadas novamente. Teve muita mudança. E além disso, fazer todos os jogos num cenário fechado, nós ficávamos trancados na vila. Eu acho que a gente não conseguia muito extravasar as emoções, porque pela comparação que as pessoas falavam, jogos normalmente você tem entrosamento com as outras equipes, com os outros países, você vai assistir jogos do futebol, vai assistir jogos de natação, vai assistir outras coisas, até pra distrair um pouco a sua mente, vai conhecer a cidade, que também Tóquio é uma cidade maravilhosa, então a gente não conseguia muito extravasar, era só focado ali, não podíamos ir pra outro prédio. Até a alimentação, nós comíamos numa cabinezinha. Então não tinha muito como essa parte que é normal de Jogos Olímpicos, que é também uma festa. Então eu acredito que essa pressão ficou fervilhando ali numa panela de pressão e muita gente estourou.

E muita gente estourou. Está quase há um ano a fazer tratamento. Como é que está a Bárbara hoje?

Hoje eu me vejo muito mais segura, mas, principalmente, eu tenho mais entendimento de quem eu sou e aceito. Se tem uma palavra que eu posso dizer, hoje eu aceito muito mais quem eu sou. Na forma que eu entendo que não é uma condição que me define. Eu entendo que hoje a depressão é uma condição que eu tenho e vou ter durante um tempo. Talvez eu me cure, talvez não. Mas isso não me define, o que me define são as minhas ações. E o que eu faço com isso. Saber isso me dá um empoderamento, que eu posso ter um controle da minha vida e posso ter sucesso como tive, ganhei um Grand Slam, estou treinando em alto nível e tudo mais. É saber que mesmo com essa condição, isso não me define.

Então quer dizer que agora permite-se ter momentos de tristeza?

Sim, muito mais. Dentro do meu entendimento de quem eu sou, de como eu funciono da melhor maneira. Não sei muito dizer quem eu sou, mas eu sei como eu funciono. Eu acho que uma das grandes oportunidades que surgiram dessa fase, dessa depressão, foi mesmo me aceitar quem eu sou e saber que está tudo bem, que tem fases ruins, que tem momentos ruins, que é pra deixar a emoção vir, não reprimir, é tentar ajudar o próximo também, porque nada vale fazer isso só pra mim, e é por isso que eu acho que eu estou aqui também, pra levar uma mensagem também que possa, das pessoas terem a coragem de fazer, de tomar uma decisão, que às vezes a decisão é ligar pra alguém, às vezes a decisão é ligar pro médico, é marcar uma consulta

E é isso. Se por acaso, e ninguém quer, mas se por acaso tivermos que passar por outro momento de confinamento, a perspectiva de podermos ter que passar por isso outra vez, deixa-a como? Acha que isso lhe pode dar um clique negativo? Que isso a possa afetar outra vez de uma forma muito dura e muito profunda?

Eu acho que hoje consigo ter sinais de alerta. Eu aceito dias bons, dias ruins, mas tento ter o melhor de mim. Ter comportamentos que tragam o melhor de mim. Deixo a tristeza vir, mas tento não deixar que fique muito tempo, só o tempo suficiente que eu acho necessário.

O que são sinais de alerta?

Desmotivação, de me sentir muito desmotivada. Sentir pensamentos negativos. Os pensamentos vêm, isso é algo que vai vir sempre, mas eu como atleta tenho várias ferramentas pra poder levar pro pensamento positivo, pra poder cortar, pra poder entender porque sinto assim, mas chega uma hora que eles começam, parecem gremlins, e vão dominando a sua cabeça. E quando chega essa hora, eu falo: "Não, tem alguma coisa acontecendo". E sem dúvida, a psicoterapia, continuo em tratamento com psicólogo, tratamento com médico, e hoje tenho uma rede de apoio, eu me sinto muito mais confortável em falar com os meus amigos, e eu acho que isso vai fazer a diferença. Provavelmente pode acontecer novamente de eu ter outra fase ruim, mas isso já não me causa medo, porque eu sei que eu sou capaz de superar e sou capaz de recomeçar quantas vezes for necessário.

Por exemplo, quando acorda, já percebe se vai ter um dia com esses pensamentos gremlins ou eles podem surgir num momento qualquer?

Eu acho que muito tem a ver com os meus hábitos. Parece clichê, mas quando eu tenho hábitos saudáveis de tentar dormir melhor, me alimentar melhor, fazer o treino como deve ser feito, ter uma vida saudável, me coloca em um estado mais saudável mentalmente também. E ao mesmo tempo, ao contrário, às vezes, ter uma rotina de alimentação ruim, de hábitos ruins, de sono totalmente desregulado, isso altera completamente a minha forma de ser. Eu acho que a minha e de todas as pessoas. E isso se traduz em, às vezes, desmotivação, preguiça, e a preguiça leva a pensamentos negativos. Eu me cobro muito, não deixei de ser exigente comigo. E isso quando tenho hábitos não saudáveis, claro que eu não tenho forças pra fazer, então vai virando uma bola de neve. Então hoje, não só pelo rendimento, não só pelo judô, pra ganhar medalha, eu acredito que ter hábitos saudáveis é bom pra minha paz de espírito também.

E, portanto, tem controle agora, tem estratégias pra controlar quando os sinais de alerta aparecem?

Sim. Às vezes saio, às vezes volto, não sou 100%, mas eu consigo manter ali. Bem.

Quando olha pra trás, o que vê e o que diria à Bárbara triste, aquela Bárbara de há mais de um ano?

Primeiro, acho que daria um abraço nela e diria que está tudo bem. E diria muito que é um caminho de autocuidado e respeito. Às vezes a gente quer logo ter amor-próprio ou ter aceitação e tudo mais, mas o primeiro passo é de se respeitar. Às vezes nós respeitamos mais o outro do que a nós mesmo. E se pudesse falar qualquer coisa assim pras pessoas também: tenha a primeira decisão de se autorrespeitar. Qual seria? Às vezes, nós falamos coisas pra gente que não falaríamos nem pra um inimigo. E nossa cabeça diz pra gente. Então acho que esse processo de autocuidado, de respeito por si próprio, é o início da aceitação do amor-próprio, de entender quem você é. E que essa é uma condição que eu vou conviver, mas não me define. Você vai superar quantas vezes for necessário.

E, portanto, agora passado um ano, praticamente em tratamento, já não há malucos? Afinal, ou somos todos um cadinho malucos ou não há malucos?

Como o Rami Jji, são todos malucos. Ele foi uma pessoa que me ajudou muito. Eu li o livro dele. Hoje, às vezes ainda mantemos contato. Ele é uma pessoa que me deu muitos conselhos. Ele é um comediante e ele fala dos problemas de uma forma muito humanizada e engraçada, que acaba por ser mesmo. E muito dos episódios que tiveram na vida dele, eu vi em mim também. Tive episódios de crise de ansiedade que eu nem sabia o que era. Eu contava pros meus amigos como foi. "Ah, gente, eu passei por isso e fiquei desesperada", mas contava de um jeito "Eu sou assim", mas não. Eu tive crise de ansiedade e lendo o livro dele eu percebi isso, e percebi de um jeito muito natural a forma que ele contou. E é uma pessoa que me inspira muito, que eu vejo que tem sucesso, que está na batalha, que fala disso abertamente e também tem seus dias bons e seus dias ruins.

E é por isso que te cito falar agora abertamente sobre saúde mental.

Sim, a primeira vez que eu falei foi no meu Instagram, e de uma forma muito descontraída. E no dia seguinte, a Lusa me procurou para dar uma entrevista. E eu pensei: "Está bem, vou dar entrevista". Mas um pouco receosa, um pouco com medo, mas ok. E dei a entrevista, só que da Lusa foi para todos os jornais possíveis e foi na semana do Grand Slam de Paris. Então eu estava almoçando, eu olhava para a televisão e estava: "Bárbara Timo assume que tem depressão". Na semana que eu ia competir, eu falei: "Meu Deus, o que eu fiz?" O tanto medo que eu tinha de me mostrar fraca e de tudo mais, era o que eu fiz, foi o que eu mostrei. Mas aquilo já não me atingia tanto. Não tanto. Não 100%, mas me atingia de alguma forma. E pronto, saí para a competição, e a competição ocorreu da melhor maneira possível, porque eu estava feliz, estava aproveitando, já tinha minha tática de me conhecer e tudo mais, e eu ganhei o Grand Slam de Paris, que é uma das competições mais importantes do circuito mundial. Então as entrevistas foram: "Bárbara, que assumiu a depressão, ganha, supera". Eu falei: "Pelo menos ficou legal". E aí surge mais novas entrevistas. E não foi fácil no começo, porque não é fácil falar sobre isso. Abrir um lado meu que eu ainda tenho dificuldade de entender e de falar, mas eu comecei a ter mais força quando tive pessoas próximas. Recebi muitas mensagens de atletas, de treinadores, às vezes fisioterapeutas, que passaram por isso e eu trabalhei com eles e não sabia que eles tiveram algum problema desse tipo. Depois, jornalistas também, muitos que me chamavam, também tiveram alguma coisa. E no início, uma das primeiras entrevistas que eu dei, foi daí que eu tirei essa frase, foi: "É, o que você pode mostrar é que é possível tomar remédio, ter depressão e ter sucesso. Então o que você faz é muito importante para muitas pessoas". Então ali eu senti uma responsabilidade. E de lá, de outubro do ano passado até hoje, tenho recebido histórias inspiradoras e pessoas que se inspiram em mim. Então eu vejo: "Meu Deus, é muita responsabilidade". Então eu tento usar minha voz, não por mim, mas pelas pessoas que eu posso ajudar ou que possa tomar um pouquinho de coragem para tomar uma decisão e fazer uma ação pelo próprio bem.

E dar coragem às pessoas é permitir que elas façam o quê? Em um momento de sofrimento destes, o que é o ato de coragem?

Isso depende muito de cada situação que cada um está passando. Mas eu acho que é uma decisão. A primeira ação vem de uma decisão, que às vezes a decisão, para uns, pode ser levantar da cama. Isso pode ser uma decisão.

Tão simples quanto isso.

Tão simples quanto isso e tão difícil quanto isso. Requer coragem. Às vezes a decisão pode ser tomar um banho. Tem pessoas que não têm força. Às vezes a decisão é ligar para Saúde 24, ligar para algum amigo e marcar uma consulta, alguma coisa assim, procurar ajuda, não sei, até aplicativos hoje. Hoje a pandemia trouxe essas ferramentas tecnológicas tão grandes, mas cada um sabe. Eu acredito que cada um tenha noção do que é dar o primeiro passo. E isso é uma decisão que requer coragem. E depois que der o primeiro passo, você vai ver que: "Ah, é isso? OK". Depois que der o primeiro, fica um pouquinho no primeiro passo, é uma vitória, se orgulhe disso. Dá mais um passo. E vai ver, se orgulha, tenha prazer disso, do processo, e dá mais um passo, mais um passo, às vezes volta dois, mas aí depois já sobe três, e é assim. Acho que é assim com tudo.

Muito obrigada.

Obrigada. Obrigada.

Por esses passos todos.

Obrigada.