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"Prancha de surf adequada a principiantes destemidos. Entrega em três dias úteis. Tem bom ar. Será que dá para apanhar umas ondas sem cair à primeira?"
Maria.
Ah!
Maria, a sério que ias comprar uma prancha de surf sem falar comigo? Não achas melhor eu dar-te aqui uma ajuda?
Francisco Simões Rodrigues, presidente da Associação Nacional de Surfistas, o homem que não deixa ninguém remar sozinho, nem a mim, aparentemente. Ainda bem que vieste.
Maria, se a ideia é estar essa prancha, posso ensinar-te umas manobras básicas ou pelo menos ensinar-te a cair bem.
Teresa Bonvalot, campeã nacional e aparentemente instrutora de salvamento em compras online. Teresa, vou ter de aceitar a tua ajuda. Eu, de facto, nunca me consegui meter em pé em cima de uma prancha.
Se quiseres eu posso levar-te à praia certa, Maria, só não garanto que a maré esteja a teu favor.
Eu, de facto, já estou habituada a culpar o mar pela minha falta de jeito. Mas quem tem muito jeito são estes três grandes nomes do surf português que acabam de se juntar à onda da Rádio Observador. E esta, meus caros, é a última desta Liga MEO Surf 2025. Preparem as pranchas, vamos surfá-la juntos. Hoje tenho o prazer de tirar literalmente este despejo para fora d'água. Três nomes que dispensam apresentações: Francisco Rodrigues, presidente da Associação Nacional de Surfistas, Teresa Bonvalot, bicampeã nacional, e o novo campeão em título, Francisco Ardonhas. Bem-vindos os três.
Olá.
Obrigado.
Vamos falar de ondas que valeram títulos, das quedas que ensinaram e, claro, como é nosso apanágio, vamos lançar alguns desafios. Francisco, vou começar por ti. Este foi um campeonato onde as ondas foram grandes, as manobras foram incríveis e a emoção esteve sempre na espuma dos dias. Do primeiro ao último heat. Que balanço fazes desta época?
Eu acho que foi um ano bastante completo. Nós se percorrermos todas as etapas, pelo menos um dos dias, eu acho que tivemos ondas de alta qualidade. Algumas ao longo do período todo da competição, outras só em dias mais dedicados a esta qualidade e portanto, no final, acho que tivemos uma boa amostra, primeiro daquilo que são a qualidade das ondas em Portugal, e isto são os condimentos necessários para que haja um bom espetáculo dentro d'água. Temos aqui os dois campeões conosco hoje, estão absolutamente de parabéns. Começando pela Terezinha, nós temos esta ligação. A Teresa ganhou um campeonato na liga pela primeira vez com 13 anos, se não me estar a enganar.
Já lá vão alguns, Teresa.
Hoje em dia, passados estes anos todos, com seis títulos já conquistados e com um percurso a nível internacional também de excelência, acaba por ser um dos produtos que a liga, não vou dizer que produz, porque quem produz é ela própria com as suas equipas, mas pelo menos que a liga ajuda e contribui de uma forma positiva para a construção dessas carreiras e já está no nível superior das idades de quem está em competição. Uma curiosidade, nós hoje em dia no top cinco masculino e feminino, se juntarmos os 10 integrantes deste top cinco, temos uma média de idade de 21 anos.
Hoje está jovem.
Temos a renovação do surf português em curso. Hoje em dia são os mais novos que lideram esse processo e o Francisco Ardonhas é exatamente o indicador máximo do que é que estamos a falar. A forma e a celebração, como foi feita junto dos seus amigos, assim que o título foi anunciado, mostra muito daquilo que ele é nesta geração, que é o líder da geração. E a nós alegra-nos bastante, porque basta percorrerem os outros episódios e falamos muito nisto, ou seja, que está na hora dos mais novos tomarem a dianteira do surf português e felizmente isso está a acontecer. E agora aos dois, evidentemente, desejar-lhes que façam mais e melhor a nível internacional, porque é para isso que eles cá estão também. E não entendam isto como pôr peso nas costas deles, não é nada disso. É uma mera visão de quem os acompanha e de quem está na primeira linha de fã daquilo que eles tão bem fazem a nível internacional.
E para ti é uma sensação de sentimento de missão cumprida, teres um jovem Francisco Ardonhas hoje a falar de um título conquistado ao lado de uma já incontornável Teresa Bonvalot? É esta a missão da liga?
É uma das missões. São várias. Isto vai muito além daquilo que são vitórias nos campeonatos e particularizando aqui um bocadinho na Teresa também, porque já leva um percurso longo dentro das várias etapas da liga, é a sua construção enquanto desportista também, ou seja, a própria presença neste tipo de iniciativas, aqui o podcast com o Rádio Observador, isto também faz parte da construção das suas carreiras, porque no final do dia eles têm que também saber ter a sua presença não só junto dos patrocinadores, mas também junto de quem os segue.
E dos media.
E dos media, é tudo. Hoje em dia as pessoas olham: "Ai, não, isto é pegar na prancha e fazer surf". Não é. Não é de todo.
É uma parte da profissão.
É uma parte. Há uma série de parcelas aqui e eu acredito que a liga preenche bastante nesse processo de construção. O Francisco Ardonhas agora aqui vai começar a aparecer mais e se Deus quiser, vai continuar aqui a ter as suas vitórias.
Vamos ouvir falar muito o nome do Francisco Ardonhas.
Esperemos que os mais novos que venham lá, que lhe atrapalhem bastante o caminho. É bom sinal que temos muita competitividade, como aconteceu, aliás, agora na última etapa, no Bom Petisco Peniche Pro, o Francisco nem sequer chegou às fases finais e ficou em terra agarrado à máquina calculadora e a ver o que é que os outros estavam a fazer. E no fim, curiosamente, era um ainda mais novo, com 16 anos, o Jaime Vezelco, que foi o último, foi o last soldier no processo, que podia roubar, entre aspas, o título ao Francisco Ardonhas.
Uma prestação também impressionante.
Está muito bem entregue. Eu acho que o Francisco merece tudo. Campeão europeu júnior, já vice-campeão do mundo também sub18. Já fez muitas coisas boas no escalão júnior. Agora a missão é outra. Agora a missão é carregar numa aceleradora a sério. No palco sênior, é mais difícil, e desejar-lhe primeiro bom trabalho, muito esforço e que aconteça rapidamente e que um dia, se Deus quiser, podemos estar todos juntos no aeroporto a bater-lhe palmas por qualquer coisa boa que ele fez a nível internacional.
Vamos lá estar com certeza. Teresa, como o Francisco disse há pouco, é um ano de reafirmação, carimbo do teu sexto título nacional, segundo ano consecutivo. Qual foi a sensação de fechares esta Liga MEO Surf 2025 no topo outra vez?
Acho que é sempre ótimo, não só porque cada vez mais vejo o surf feminino a crescer, e acho que esse é um dos maiores papéis, até a níveis pessoais, ver o desporto a crescer, ver o surf feminino português a crescer cada vez mais, acabar por ser também uma influência para esse próprio desporto, para nós próprias miúdas, mulheres, elevarmos o nosso próprio surf. E tem sido muito giro estar a fazer parte deste processo todo ao longo destes anos todos, como o Francisco disse, a primeira vitória que eu tive na liga foi no Porto, tinha eu 13 anos, com nomes completamente que hoje em dia se calhar já não falamos, mas que eram excelentes surfistas, que na altura eram as surfistas que eu olhava, que eu tentava bater, e fazer esse processo todo, continuar aqui com isto como meu objetivo, a competição, o surf, tentar chegar ao mais alto nível e fazer parte deste progresso todo e ver onde o surf português está a elevar e está a crescer, tem sido mesmo inacreditável. E acho também acaba por ser não só para nós, que estamos na primeira fila, para quem está de fora, Francisco, que faz parte destes eventos e que faz parte deste próprio progresso. Acho que ele também de certeza que fica contente de conseguir contribuir para esta evolução toda no surf português.
E referias há pouco que o surf português já está muito bem colocado a nível internacional e muito se deve a ti também. Tu sentes alguma pressão acrescida por isso, por já teres acumulado e somado tantas vitórias na tua carreira?
Não acho que seja uma pressão negativa. Acho que é uma forma de afirmação que nós, Portugal, sendo um país relativamente pequeno, comparando com os Estados Unidos, Austrália, etc. Que temos muito bom nível, muito talento, excelentes ondas, toda a gente acho que hoje em dia já conhece Portugal com isso, mas tem sido bom mostrar isso a nível internacional, que para além de sermos de certa forma pequenos, temos muita qualidade e podemos chegar tão mais longe do que os outros todos, e que podemos estar aqui a bater o pé e a fazer a nossa marca.
Agora, também em jeito de balanço, mais uma vez, o teu título já estava assegurado antes da última etapa desta Liga MEO Surf 2025. Qual foi o momento decisivo em que pensaste: "Este ano é meu outra vez"?
Neste caso, eu nunca gostei de perder, nem a feijões, continuo a não gostar.
Bem sabemos.
Desde sempre que cada prova que faço, tento sempre dar o meu máximo, acabo por aproveitar a própria liga para meter em prática certas coisas que tenho andado a trabalhar regularmente nos meus próprios treinos, e acaba por ser uma ótima ferramenta de meter isso tudo em prática, começar a aprimorar essas arestazinhas que andamos a tentar limar nos treinos. Este ano, mais uma vez, fui feliz nos Açores. Acaba por ser uma etapa muito especial e fico contente de carimbar mais uma vez o meu título aí. E tem sido giro continuar aqui a batalhar com as melhores surfistas, surfar nas melhores praias de Portugal, com os melhores surfistas portugueses, ver a evolução dos mais novos também e fazer parte dessa história.
Como é o caso do Francisco Ordelhenes, que há pouco referimos. Já eras uma promessa, és agora uma certeza. Como é que é veres o teu nome a ser escrito na história, depois de conquistares uma vitória frente a atletas muito mais experientes, talvez até atletas que tu já admiravas quando ainda eras muito jovem? Como é que foi?
Foi muito bom, era um objetivo que eu já tinha há algum tempo e que sabia que era capaz. Comecei o ano bem. Já tinha feito alguns resultados bons na liga nos últimos anos, o que me fez pensar que eu era capaz de conseguir ganhar o circuito. Entrei com tudo este ano, comecei bem na Figueira e mesmo nas duas etapas a seguir já não me correu tão bem. No Porto, perdi cedo e na Ericeira não fui, porque fiz uma viagem à Indonésia. E sabia que quando voltasse eram os Açores e tinha que ganhar. Se quisesse ganhar o circuito no final do ano, teria que ganhar nos Açores pra me pôr numa posição boa. E acabei mesmo por ganhar nos Açores, que é sem dúvida uma etapa muito especial pra mim. Depois cheguei a Peniche com o objetivo de fazer um bom resultado e fechar a liga da melhor forma, mas perdi um bocado cedo e acabei por ser campeão na areia, a ver o que os outros iam fazer e acabei por ganhar, mas soube muito bem.
E de calculadora na mão, como referiu o Francisco Rodrigues há pouco, porque no pódio masculino, ao contrário do pódio feminino, as contas estavam muito complicadas, haviam muitos cenários em cima da mesa e foi mesmo decidido até à última. Em que momento é que tu te apercebeste que "ok, isto até pode correr bem pra mim, até posso ter uma hipótese"?
Desde o início da última etapa, eu sabia que estava numa posição melhor do que os outros surfistas, porque ao não ter uma etapa feita, esta etapa aqui eu estaria sempre a contar mais pontos do que os restantes atletas. De qualquer das formas, eu queria ganhar a etapa e não depender de mais ninguém. Acabei por chegar à ronda três e perdi na ronda três, e só me passavam coisas más pela cabeça, só pensava que já estava meio que a deitar a toalha um bocado ao chão. Mas lá no fundo da cabeça eu também pensava que ainda era possível, porque os outros ainda teriam que fazer um ótimo resultado, ainda teriam que ganhar ou ir à final É sempre difícil, nunca é fácil. Acabaram por não conseguir chegar à final, nem vencer o evento.
O que te passou pela cabeça nesse momento?
Fiquei muito contente. Tinha ali os meus amigos todos, a minha família, foi um momento especial. Tinha ali todo o ambiente à minha volta para as coisas correrem bem.
E valeu a pena o esforço.
Sim, valeu a pena.
Sentes algum tipo de pressão acrescida devido à tua idade e por competires com atletas muito mais experientes que tu?
Não, eu acho que até é bom. Até há mais pressão talvez nos mais velhos quando vão com os mais novos. Eu pelo menos sinto isso quando vou com um surfista mais novo, eu nunca quero perder pra um surfista mais novo, quero sempre ganhar, independentemente de ser mais novo ou mais velho, mas quando é mais novo ainda me dá um bocado mais vontade de ganhar. Até é bom pra mim, eu sinto-me bem por ser mais novo e acho que ainda tenho aqui muitos anos para-
Para construir a carreira
...para construir a carreira e para me bater com os mais velhos também e bater-me com os mais novos também.
E que eles ainda cá estejam, os mais velhos, para te ver conquistar mais títulos. Francisco Rodrigues, 2025 foi um ano de muitas novidades pra liga. Houve um grande trabalho da Associação Nacional de Surfistas para trazer novos hits, novos patrocínios, novos desafios, apoios aos nossos surfistas. Fala-nos um bocadinho das novidades que tivemos este ano.
Nós fazemos uma série de coisas e vamos aqui e ali acrescentando um bocadinho de peças ao projeto. Mas no final do dia, acho que devemos olhar pro desporto, pra Teresa, pro Francisco e pra todos os outros, que nós queremos é que eles sejam melhores de ano para ano. E portanto, uma das novidades que nós trouxemos pra cima da mesa este ano, que depois mais à frente houve uma segunda que entra neste nível de raciocínio, foi a ligação através do nosso novo patrocinador da Quicksilver, a um campeonato especial que acontece na Europa, que é o Quicksilver Surf Fest, no sudoeste francês, em que no fundo os dois líderes do ranking, exatamente antes dessa competição, foram convidados, convite especial, numa competição feita em França, enfim, tem o seu enquadramento, onde estão muitos dos nomes a nível internacional com muito prestígio. A Teresa Bonvalot infelizmente não pôde aceitar o convite, foi só o Luís Perloiro, que era o líder do ranking, portanto o camisa amarela, líder da GoChill, na altura, e que no final do dia foi uma experiência muito boa pra ele. Posso anunciar em primeira mão, que eles não sabem ainda, que eles são efetivamente os convidados pro ano que vem, a Teresa e o Francisco Ardónias, porque a ideia inicial era serem os campeões nacionais, naquela altura não tínhamos.
Ainda, exato.
Aliás, a Teresa já era.
É verdade.
Mas por antecipação, pro ano seguinte vale o título nacional do ano anterior, portanto, Teresa e Francisco, parabéns, para o ano vão ao Quicksilver Surf Fest.
Muitos parabéns!
Se tiverem agenda desportiva pra isso. Mais à frente, acrescentamos uma coisa aqui com o suporte de Visit Portugal, acrescentamos uma coisa também que eu acho que tem um efeito reprodutivo muito grande naquilo que é a evolução deles enquanto surfistas. A Teresa sai fora desta equação, está reservado para surfistas até 20 anos.
Ela já tem 21, não é?
Já tem 21 mês.
Exato.
Não, portanto, no fundo escolhemos cinco surfistas juniores a partir do ranking da Liga MEO Surf, que vão ter um estágio que está programado pra primeira semana de março com o Leandro Dora. E o Leandro Dora é um dos melhores treinadores de surf do mundo inteiro, é o pai do atual campeão do mundo, é uma das pessoas por trás do percurso todo que o Yago Dora fez até chegar ao título mundial este ano. E portanto, vamos dedicar uma semana fechada, vão se fechar no grupo. A ideia era ir pra uma região de Portugal fora dos sítios-
Onde é que vai ser? Já sabem o local?
Vai depender um bocadinho da previsão do mar. Temos as nossas ideias, mas a ideia é saírem fora aqui do eixo mais próximo de Lisboa, que é pra quando tirarem a prancha do carro, não encontrarem os amigos. "Olá, estás bom?" É exatamente o que nós não queremos. Queremos que eles se fechem pra dentro, que seja uma semana de máxima concentração e de foco, e aproveitarem tudo o que têm a beber de boas indicações e boas experiências vindas do Leandro Dora. Portanto, dar um agradecimento aqui mais uma vez ao Turismo de Portugal, portanto Visit Portugal, e proporcionar uma coisa que eu acho que é nobre, que é: se nós queremos ter um país líder, uma nação líder no mundo do surf, e obviamente aqui também num contexto de turismo, nós precisamos de ter aqueles que são os naturais embaixadores do destino. Quem são? São os melhores surfistas portugueses. Nós tivemos no passado o Tiago Pires a fazer esse percurso. Tivemos e temos o Frederico Morais a fazer esse percurso. Agora juntou-se a Iolanda Hopkins. Se Deus quiser, daqui a uns meses, vamos dizer adeus e à Teresa e à Francisca Veselko, porque ela ainda tem o percurso dela de qualificação pro ano que vem em aberto e estão bem posicionadas. E é muito isto. São eles que carregam a nossa bandeira pelo mundo inteiro e trazem de volta a legitimidade e o selo de qualidade do destino. E o que conversamos com o Turismo de Portugal na altura foi muito isto, foi: nós precisamos de ir à base, fazer tudo o que pudermos e tiver ao nosso alcance para que a aceleração desse processo seja máxima, para que rapidamente os nomes que vão estar nesse estágio é o Francisco Ardónias, é o Jaime Veselko, é o João Mendonça, a Maria Salgado e a Lua Escudeiro. É um grupo fechado, ainda bem pequenino pra ser dedicado. E agora esperar que isto também se traduza neles próprios, qualquer coisa de melhor e mais rápido, o mais rápido possível. Depois temos uma série de coisas que fomos fazendo, é uma coisa que já fazemos desde 2018, e que eu acredito que também é bastante nobre, que é a ação pedagógica que fazemos com a Joni Martins e com o Ping Doce, que é: levamos crianças dos conselhos à etapa, ao campeonato E mais do que a limpeza de praia, que é uma coisa que já está espalhada, é a consciência da importância de preservar os oceanos. Mais uma vez, os surfistas são os primeiros embaixadores do mar. E nós passamos um bocadinho através dessa iniciativa, que é concertada a nível nacional, acontece em todas as etapas, e que curiosamente o modelo é sempre o mesmo, mas as crianças vão rodando todos os anos. Temos um efeito aqui de valor acrescentado numa série de crianças que levam dinâmicas para a sala de aulas e para as suas vidas.
E para a própria vida, exato.
Exatamente. Acho que semear esta ideia junto dos mais novos é algo importante para o futuro. E depois também, uma coisa que lançámos agora na última etapa em Peniche, que vai progredir ao longo das várias etapas de 2026, que é a sessão de trabalho, o workshop, que mais uma vez fazemos também coordenado com o Visit Portugal, que é chamar os operadores de turismo em cada um dos destinos da liga e fazer ali uma sessão de trabalho numa lógica de qualificação e capacitação para que eles, que são realmente a porta da frente do nosso turismo, são os que prestam turismo relacionado com surf, evidentemente, sejam eles também os próprios melhores e criar aqui canais de sinergias entre os vários operadores. E foi uma sessão que agora em Peniche correu bastante bem e vamos ver agora no próximo ano. Havemos de ir às outras regiões de Portugal. Mas enfim, é muito isto. A liga vai além, como eu disse ao início, de vencer baterias, campeões nacionais e vencedores de etapas. Há uma série de assuntos laterais que nós estamos empenhados em fazer acontecer, usando a liga como pretexto, mas não se extinguindo ao perímetro mais óbvio da Liga MEO Surf. Acho que deixamos aqui uma pegada muito positiva, que vai além do desporto e acho que se espalha pela sociedade portuguesa em geral. Eu faço sempre o mesmo convite, que é: venham ver o que melhor se faz falado em português, surfado em português, e batam palmas à Teresa, ao Francisco e a todos os outros, porque eles merecem e esforçam-se muito também para chegarem onde estão atualmente.
Sem dúvida, e é tudo fruto de um trabalho extraordinário. E tu próprio já referiste muitas vezes que além de construir surfistas, há também a intenção de construir boas pessoas conscientes, e é isso que temos vindo a acompanhar ao longo dos últimos anos.
Só uma pequena nota muito rápida, que é: quantos desportos é que chegamos ao fim, como fizemos este ano nos Açores, celebrámos Teresa campeã nacional, Francisco Ordóñez venceu a etapa, entregámos uma série de troféus, e passado um bocadinho, está surfistas, treinadores, organização, patrocinadores, juízes, pessoas locais, autarcas locais, nadadores salvadores, quantos deles é que acabam de braços dados num churrasco na areia, num ambiente superpositivo? E isto mostra muito daquilo que é o surf português hoje em dia.
Sem dúvida. Há um ambiente de fair play inacreditável, e vemos isso quando são coroados os campeões, a receção ao mar que se faz, a intimidade que existe entre os próprios atletas. Há muita competitividade no mar, efetivamente, e são ferozes, há muita garra, nota-se, mas depois também há um espírito de entreajuda entre eles, quase de amizade, de união, que é no fundo o espelho de uma comunidade muito bonita e quase nobre, que existe neste desporto. É muito raro vermos isso, de facto, noutras modalidades. Mas já levantaste aqui um bocadinho o véu e 2025 já chegou ao fim. Já estamos de olhos postos em 2026, porque o trabalho da liga não para. O que nos podes já revelar para o próximo ano?
Essa é difícil. Nós ainda estamos a fechar o ano com o Sportske Surf Award, dar aqui as devidas distinções àqueles que realmente se destacaram ao longo do ano e que, mais uma vez, não se extingue aos campeões nacionais. Mas obviamente que as conversas necessárias, primeiro com os nossos parceiros, segundo, e temos aqui conversas em aberto com novos parceiros e novas ideias para o ano que vem, que vamos ver se materializam ou não. Mas acima de tudo, acho que o que podem contar é que nós temos hoje em dia uma estrutura da liga bastante equilibrada. Obviamente, não conseguimos ir a todas as praias de Portugal e temos uma estrutura fixa de cinco etapas, que é um número que está pensado, que joga muito não só com o equilíbrio financeiro, mas também com o equilíbrio da agenda desportiva de cada um deles. E mesmo até com o espaço internacional que nos deixam para nós posicionarmos as etapas da liga. Mas eu acho que o que podem contar é com o nosso empenho. Pelo menos nós somos os primeiros entusiastas a falar com os parceiros e a vender ideias que nós achamos que funcionam. E agora é acreditar que vão morder aquilo que nós já semeámos no mercado. E lá para janeiro, fevereiro, apresentaremos tudo e estaremos de volta, com certeza, com mais uma liga, em que eu costumo sempre dizer que para mim as novidades são os próprios. São eles que fazem a renovação de ano para ano daquilo que se passa dentro d'água, e isso é que é o objetivo último e para o qual nós trabalhamos todos os anos.
Cá estaremos para ver. Teresa, Ordóñez, eu tenho a sensação, e corrijam-me se não for verdade, mas que há cada vez mais público, mais jovens atletas, uma estrutura também cada vez mais sólida. Vocês sentem que o surf começa a ser, de facto, um desporto de massas?
Sim, eu sinto que o surf está a crescer imenso e tem vindo a crescer imenso nos últimos anos.
Já não é um desporto de nicho, pois não? Já consegue chegar um bocadinho a todas as casas, a todas as regiões.
Sim, por exemplo, eu surfo todos os dias e treino todos os dias, muitas vezes de manhã e à tarde. Muitas das vezes chego à água de manhã, são 09:00 da manhã, 10:00 da manhã, e o mar está cheio de gente. Talvez há algum tempo atrás, não posso dizer há muitos anos atrás, porque não era vivo há muitos anos atrás.
Nem eu, jovem.
Mas há algum tempo, quando eu ia surfar de manhã, eu ia surfar de manhã para apanhar menos grau, ou menos gente dentro d'água, e hoje em dia, vou surfar de manhã e apanho exatamente o mesmo número de pessoas de manhã Do que há tarde. Quer dizer que o surf está a crescer imenso e que há cada vez mais pessoas a fazer surf. E em Portugal não é só português, há muitos estrangeiros, muitas pessoas a vir de fora para Portugal para virem surfar e acho que isso é bom sinal.
Sim, até para assistirem etapas da liga, encontramos muitos estrangeiros no público. Tu também sentes isso, Teresa?
Sim, completamente. É um bom sinal, porque o surf tem estado a crescer. Temos estado a ter um crescimento gigante a nível mundial e acredito que tudo também devido a ligas, a nós atletas, que temos estado a meter o nome de Portugal cada vez mais fora. O próprio apoio de eventos grandes, de etapas grandes em Portugal, devido à qualidade geral, não só de ondas, como um país inacreditável para vir. E isso é sempre positivo, porque realmente mostra que o surf tem estado a crescer, que tem estrutura e tem capacidade para crescer mais. Claro que temos sempre coisas boas ou não. Se calhar já não vamos ter tantos surfes que não há ninguém dentro d'água. Mas isso acho que são as consequências positivas de um crescimento que comove. Depois, acho que é importante não esquecer que deve existir sempre a consciência do que fazer dentro d'água para quem vem do zero. Da mesma forma, quando eu comecei, comecei a aprender certas coisas básicas que eram importantes para não magoar outros surfistas. E acho que isso é sempre uma coisa importante, para não de repente ser uma balburdia. É como no trânsito, existem as regras de condução, da estrada e tudo mais, e o surf e o desporto geral também deve existir e não nos esquecer que isso é importante para a segurança de toda a atividade.
Dos praticantes? Sim.
Exatamente.
E temos cada vez mais praticantes de surf. Temos também cada vez mais atletas internacionais a darem a conhecer os seus nomes ao mundo. Portugal está a formar os futuros campeões mundiais, na vossa opinião?
Eu espero que sim. Eu espero que sim, acho que temos capacidade e qualidade para tal. E acho que hoje em dia a nossa própria mentalidade já acredita muito mais nisso e já não olhamos, de certa forma, que o outro é sempre superior porque vem não sei onde. Acho que temos estado a demonstrar isso ao longo destes anos, a demonstrar a nossa raça, a nossa vontade, o nosso esforço, e que temos tanta qualidade como os outros. Não é porque vimos de um país mais ou relativamente mais pequeno. E acho que isso também deve a todo o esforço das entidades todas por trás, para além dos atletas, a tentar fazer crescer o surf português, quer a nível masculino, feminino, e dar-nos cada vez mais ferramentas para acreditar neste sonho de carimbar lá a nossa bandeira no mais alto nível, de um dia, mais tarde, termos um campeão mundial, uma campeã mundial. E eu acho que cada vez mais os atletas começam a ter isso na mente que é possível e acreditam. Claro que nada acontece por acaso. Tem que haver muito trabalho, muito esforço para lá chegar, mas acho que cada vez mais existe um pouquinho mais esse intuito e os próprios atletas se calhar acreditam muito mais devido a este crescimento todo que o surf português tem estado a ter e a crescer.
É uma motivação, não é? Também achas, Francisco?
Sim, não sei se está a formar ou não, mas acho que há muita gente, pelo menos da minha geração, que tem o potencial para chegar lá. E cada vez acreditamos mais e em Portugal não temos nenhuma razão de queixa, porque temos boas ondas, temos uma boa estrutura, temos a liga que nos ajuda imenso a ganhar ritmo competitivo e a evoluir. Eu acho que o segredo é cada um acreditar no seu potencial e treinar muito, e acho que todos podemos chegar lá.
O próprio circuito nacional está preparado para isto? Preparado no sentido de construído para lhes dar uma alavanca aqui para o mundo?
Eu diria que esse é um dos principais desígnios. Ou seja, a própria Teresa é um bom exemplo disso. A Teresa tem seis títulos nacionais, salvo erro, já tem 30 vitórias em etapas. A primeira vez que foi ao palco, Teresa, com todo o respeito, mal conseguia falar com a vergonha toda que tinha e com a idade que na altura tinha. Depois daqui por diante, para entrevistas em televisão. Portanto, tudo isto fez o lado de construção dela, de relação com o público que a acompanha e com os media, que é sempre complicado. Há uma sequência consistente de não sei quantos anos, com o mesmo nível de competitividade, com o mesmo empenho, aquelas coisas todas. Um exemplo muito concreto, durante a fase do Covid, a liga foi o primeiro campeonato do mundo inteiro de surf, foi feito por nós, a seguir ao primeiro lockdown durante o Covid.
Extraordinário.
Isto mostra muito, isto não é nosso, isto é um resultado de todos. Ou seja, há uma relação de confiança, há uma máquina oleada entre nós, as autarquias, os nossos patrocinadores, entre os próprios surfistas e um empenho De que é uma coisa que funciona, que corre bem, tem as suas adversidades, o que é normal. Tem as coisas que nós podíamos fazer melhor, claro que sim. Tem as coisas que uns reclamam, ótimo, ainda bem que existem, quer dizer que há caminho para fazer as coisas melhores no ano seguinte. Tem outras mais difíceis de resolver, como qualquer outro desporto, que é a arbitragem. Há sempre quem não concorde. Nós até aí fazemos o nosso papel, de ver quais são os desportos em que, de uma forma consistente, sentamos numa reunião de trabalho, juízes, surfistas e treinadores, como vamos fazer outra vez para a semana e fizemos no início da época. Ou seja, nós tentamos ir aos vários eixos da liga, às várias gavetas do projeto e dar o nosso contributo da melhor forma que sabemos. Podia ser feito melhor, claro que sim, há sempre quem possa chegar e fazer coisas diferentes e que tenham melhores resultados, mas acreditamos que é um projeto relativamente equilibrado. Eu venho de uma geração diferente da Teresa e do Francisco.
Ninguém diria.
Não sou da primeira geração do surf português, sou da segunda, mas quando comecei a fazer surf no início dos anos 90, a realidade nas praias era completamente diferente.
Dos dias.
Eu tinha nove anos na altura e andava nas espumas ali a tentar meter-me em pé na prancha e à procura de pessoas para conversar, porque não havia ninguém. Havia o meu irmão com os amigos e minha irmã. Mas depois ficava ali às vezes um bocadinho abandonado no processo. Isto principalmente no inverno, evidentemente. No verão, a conversa era outra, no verão era fugir dos meus pais.
E dos banhistas.
E dos banhistas, para que eles me deixassem ir lá para fora e não começassem a criar problemas, porque era uma coisa nova na altura. Os riscos não eram conhecidos. Também tive os meus acidentes, as coisas que podiam ter corrido melhor, mas a realidade é que eu acho que há uma coisa que eu falo muito, que é: em 1993, e desculpem lá estar a ser um bocadinho saudosista, pela primeira vez houve um circuito júnior em Portugal, o chamado Circuito de Esperanças. E eu acho que as pessoas que participaram nesses primeiros anos do Circuito de Esperanças, é muito interessante ver o que eles fizeram pelo desporto a seguir. Porque temos pessoas na parte da estrutura do desporto, na Associação Nacional de Surfistas, na Federação Portuguesa de Surf. Temos pessoas que foram para as marcas, temos pessoas que são treinadores e seleção nacional. Há aqui um sem-número de cabeças que fazem parte da estrutura atual do surf português, que vem daquela altura. Teve um efeito enorme sobre aquilo que é o surf português hoje em dia, inclusive até mesmo a própria estrutura portuguesa da World Surf League, o Francisco Spínola passou por este circuito. É para verem como é que pequenas coisas depois têm um efeito tão grande naquilo que é o dinamismo que o surf português tem hoje em dia e a geração, tanto da Teresa como a geração do Francisco Ardonha, estão muito bem servidos, têm os campeonatos todos internacionais em Portugal. Nós não tínhamos na altura. Têm aqui uma série de ferramentas à disposição, que os fazem ser quem eles são hoje em dia e que com certeza também ajudam a que possam ser, eles próprios, também maiores num futuro próximo. Durante o Covid, como nós estávamos a fazer competições e o mundo inteiro, contava-se nem pelos dedos de uma mão quem é que estava a existir uns meses depois. Nós fizemos o primeiro campeonato e o segundo. E nessa altura, o Frederico Morais teve um waiver, quando eles estão qualificados para a elite, só podem competir nas etapas da World Surf League. E ele teve um waiver, obviamente devidamente acordado entre todos, para poder competir na Liga MEO Surf, porque não havia campeonatos a nível internacional. Claro que isto se soube e de repente já tínhamos uma série de surfistas internacionais a contactar-nos, a perguntar se podiam, mas no final do dia, nós temos a legislação portuguesa e comunitária que temos que respeitar. Gostávamos muito de os ter cá. Sei lá, posso dizer alguns nomes, o Kanoa Igarashi, o Leo Fioravanti, foram alguns dos que andaram aqui à volta a perceber se tinham ou não tinha.
E o Mick Fanning.
Infelizmente, tivemos que dizer que não, porque temos que respeitar aquilo que são as nossas regras também. Mas na altura, no ano seguinte, o Frederico Morais fez a melhor época da sua vida, em que terminou top 10 a nível mundial. Não tem nada a ver com a liga, mas a liga certeza que tem uma história aqui por trás.
Sim.
Porque lhe deu a sequência de competição e o ritmo que ele precisava e os outros não tinham.
Exatamente. Mais uma prova de que o nome de Portugal não é assim tão irrelevante no mundo, afinal. Bem, fim da liga 2025. Teresa, o que andas a fazer? Quais são os teus objetivos a seguir?
A nossa época, neste caso, para mim, ainda não acabou. A minha época só vai acabar em março. Temos agora um período off, que é quase como se fosse uma pré-época, mas a meio do campeonato.
Regressaste agora da Irlanda, não foi?
Estive agora na Irlanda, num estágio com a Red Bull. Mais uma oportunidade para aprender com os melhores surfistas do mundo, de ondas grandes, não ondas grandes, com atletas que já tiveram neste meio e começaram neste meio há 20 anos e sempre a ouvir experiências e conselhos inacreditáveis, que acho que acaba por também ser um dos grandes objetivos, sair um pouquinho de fora da nossa bolha e absorver tudo o que cada surfista, cada atleta tem para nos dar. E agora é treinar para Pipeline, que é a minha próxima prova no final de janeiro, a penúltima prova do Challenger. Há mais duas, acabamos depois em março, na Austrália. Ainda está tudo por aberto, ainda podemos meter pelo menos mais duas surfistas na elite. A Iolanda já garantiu a sua vaga. A Kika está lá perto, eu também estou lá perto. E agora é treinar o máximo e preparar-me da melhor forma para as próximas duas etapas. Pipeline é uma etapa que toda a gente conhece Uma etapa também de certa forma assustadora.
Mas é desafiadora, não é?
Muito desafiadora. Não só é desafiadora porque é um dos sítios mais iconics do mundo, uma onda também muito difícil de criar ritmo pelo crowd que existe. Mas vai ser mais um momento desafiador. Eu já tive a oportunidade de competir nesta prova há uns anos, como alternate no CT. Por isso, pelo menos ali, já tive alguma experiência a surfar numa onda que estamos habituados a ter mil pessoas dentro d'água, em que eu, de repente, durante uma hora e meia, tive só duas pessoas.
Já não vais às cegas.
Não vou às cegas, mas é sempre desafiador e estamos aqui pra nos metermos à prova desse desafio e treinar ao máximo até perante ondas cá em Portugal que tenham as suas semelhanças, pra chegar lá da melhor forma e meter lá pra dentro ou fazer boas manobras se não forem tubes. Estou supermotivada e superpresente no dia de hoje e dar sempre todas as ferramentas que consigo até lá para fazer o meu melhor.
E logo depois tens a Liga MEO Surf 2026 a começar a seguir. Tu sentes que estás no topo da tua carreira?
Acho que a vida de um surfista tem os seus altos e baixos. É impossível estar sempre lá em cima. Também é impossível, diria eu, estar sempre cá embaixo.
É como a maré?
É como a maré, é como o ritmo cardíaco. E tem sido giro perceber esta oscilação perante a vida, perante as adversidades, e tentar vir sempre mais forte de alguma forma. É um bocadinho assim que eu tento olhar para o presente, tentar estar o mais presente possível, porque daqui a uns anos não me quero arrepender que de repente estava tão estressada naquilo ou na outra coisa, que de repente nem aproveitei cada momento, cada viagem, cada sítio da melhor forma. Estou com muita motivação pro que aí vem, pra um 2026 inacreditável. Acho que ainda nem encaixa 2026, cada ano que passa, passa a correr. E tem sido giro também estar aqui à volta desta nova geração, e acredito que vamos levar Portugal ao mais alto nível.
Cá estaremos para ver. Francisco, primeiro título conquistado. E agora, mais motivado pro que aí vem?
Sim, sem dúvida. Agora também estou meio que numa pré-época, a meio da época, porque os campeonatos dão uma pausa até março, acho eu, porque depois em março começam os QSs pra mim. Começam não, acabam. São as últimas duas etapas que vão acontecer em março, uma em Marrocos e uma aqui na Caparica.
Vocês passeiam muito.
E pronto, é aproveitar pra evoluir, e pra tentar viajar até agora nesta janela grande, que acho que é importante também, pra por mais horas de água e em água quente, que é mais fácil.
Não custa tanto ao frio.
Não custa tanto. E tentar evoluir ao máximo pra entrar em 2026 com tudo e mais forte.
Cá estaremos para ver. Francisco Rodrigues.
Só dar aqui um pequeno enquadramento, que é: a Teresa e o Francisco estão neste momento a lutar por qualificações, à nível internacional, por coisas diferentes. Ou seja, a época da Teresa termina em março, que é a qualificação pra elite do surf mundial. Podia terminar antes, em janeiro, se ela ganhasse Pipeline, se Deus quisesse. Se Deus quiser, podia acontecer, e aí estaria qualificada e, portanto, a etapa de março já não era relevante. Mas isto só pra explicar. Ela está a qualificar-se pra primeira divisão do surf mundial.
Extraordinário.
O Francisco Ardóniz, o que está a dizer é que está à procura, através do circuito qualificação regional europeu, procurar qualificar-se para o chamado Challenger Series, que é a segunda divisão do surf mundial. Portanto, só dar esta parte, e ambas as qualificações não estão indexadas ao ano normal, vamos dizer assim. O Challenger termina em março, o regional europeu termina entre março, abril, em que depois abrirá a época do Challenger mais à frente, a meio do ano. Portanto, são dois objetivos internacionais que eles ainda têm bastante presentes e que este defeso em que nós vamos passar agora não é bem um defeso pra eles. É uma continuidade de treino, porque o objetivo principal deles está efetivamente neste primeiro quarter, primeiro, segundo trimestre do ano, e desejo-lhes boa sorte nesse processo e aos restantes portugueses também.
Claro, são competições que nada têm a ver com a Liga MEO Surf, mas a Associação Nacional de Surfistas de certeza que está a torcer por vocês e a apoiar-vos em todos os sentidos possíveis. E já agora, queria aproveitar pra vos perguntar aqui uma coisa. A nossa futura geração de surfistas, aquela que ainda se está a estrear, a dar os primeiros passos, ainda está a escolher a prancha aqui como eu e que está a ouvir-vos neste momento. O que vocês têm pra lhes dizer?
Eu quando comecei a surfar, neste caso aos nove anos, sempre fui muito competitiva em tudo. Já competi na escola, nas coisas típicas da escola, e então comecei a minha primeira prova, que foi no desporto escolar, neste caso também pela escola, passado dois meses.
Qual era o desporto que praticavas?
Eu fazia tudo.
Tudo?
Tudo. Os corta-mato, atletismo, fazia tudo.
A atleta dos sete ofícios.
E depois tive a primeira prova do desporto escolar no surf, em que tinha começado há dois meses, e foi uma ótima forma de, de repente, encontrar esta paixão pelo surf E que tinham objetivos gigantescos. Até nessa altura só tínhamos tido um representante no CT, o Tiago Pires. Por isso era como se fosse um sonho de certa forma ousado, que eu acho que é cada vez mais real na sociedade hoje em dia. Daí que, se calhar, antigamente era tão ousado que ninguém acreditaria, ou pouca gente acreditaria, e hoje em dia é tão mais comum, que eu acho que dá um pouquinho mais de força também a esta nova geração e para quem está a começar a surfar e está a começar a ganhar este gosto pela competição, de que nada do que eles sonham, nada do que eles têm como objetivo é impossível, desde que exista muito trabalho, muita dedicação e muito esforço. Daí que acho que é importante ter objetivos, ter sonhos e trabalhar por eles. E desde que exista essa diversão e essa paixão pelo mar, pelo surf, por tudo, merecem meter o pé no acelerador e ir com força.
Ir com força contra a maré. Os resultados depois podem colher-se no futuro e temos aqui duas provas disso. Francisco, tão novo, já com tanto conquistado, aqueles que já se inspiram em ti, o que é que podem esperar ouvir de ti? Qual é a mensagem que lhes queres passar?
O que eu quero passar a quem está a começar a surfar agora e provavelmente bem mais novo do que eu, eu diria que primeiro de começar a competir e a ganhar o gosto ao surf, e divertirem-se e passar horas na água, que acho que é o mais importante. E depois mais à frente, quando realmente perceberem que querem fazer isto a sério, tem que se treinar muito, não é só a parte da diversão. Há coisas que custa fazer às vezes e que não nos apetece fazer. Às vezes não nos apetece surfar ou não nos apetece ir ao ginásio, mas temos que fazer essas coisas na mesma, porque acho que isto não é só diversão, também tem a sua parte mais complicada. Acho que é isso. Se queremos fazer disto vida, temos que dar tudo, dar 100%.
E é isso que têm feito até agora. Francisco Rodrigues, a voz da experiência.
Eu acho que eles os dois tocaram em dois pontos importantes. A Teresa toca aqui num ponto que esta estrutura que cá está hoje em dia não existiu sempre. E há uma coisa lá atrás que aconteceu na minha geração, e curiosamente foi o Tiago Pires, que foi a primeira vez em que ele assumiu publicamente que ele se queria qualificar para a elite do surf mundial. Nem a Teresa nem o Francisco Ardõas eram nascidos quando isto aconteceu. E nós na altura, os parceiros dele de geração, ficamos todos a olhar: "É uma ambição boa, interessante, positiva, mas difícil." E a realidade é que ele conseguiu, passado uns anos. E tal como a Teresa já esteve aqui como alternate. Ela teve a condição qualificada para a elite do surf mundial naquelas épocas em que havia um corte a meio do ano, uma coisa um bocadinho esquisita no contexto do circuito mundial. A Teresa já fez o seu percurso, já se pode dizer que ela já esteve uma época na elite do surf mundial. O Francisco toca num ponto que é: o surf obviamente tem esta visão de praia, os miúdos da praia estão ali, não fazem nada e estão se a divertir, mas a realidade é que isto é um desporto como outro qualquer e é uma profissão como outra qualquer. Ou seja, o empenho tem que existir, e como qualquer coisa nas nossas vidas, não se faz só o que se gosta. Faz parte. Às vezes são os que nós não gostamos de fazer que nos tornam maiores. Eu termino com um ponto mais pessoal, que é chegar a posições de liderança a nível internacional é realmente muito difícil. Nós estamos a falar de um país europeu pequenino, mas que já tanto faz neste desporto, mas que está a competir com nações que têm muito mais gerações na modalidade do que nós, alguns deles com uma tradição de praia até mais aprofundada do que a nossa. Mas eu costumo dizer a alguns daqueles que às vezes fazem viagens comigo, que é: todos aqueles que fazem um percurso no surf e que atingem algum grau de competência e que são realmente bons surfistas, há uma coisa que, independentemente de virem a ganhar campeonatos, de irem à seleção nacional, de se qualificarem para isto ou para aquilo, há uma coisa que ninguém lhes tira, que vai ser a diversão que vão ter associada a isso, as viagens que vão poder fazer em Portugal ou a nível internacional, e usar essas competências para, acima de tudo, passarem bons momentos e divertirem-se em qualquer canto do nosso mundo. E isso, por si só, acho que já é um resultado bastante bom e que deve por si só também ser motivador de que vale a pena lutar para serem melhores surfistas, porque o prêmio não é só vitórias em campeonatos. E no final do dia, nós estamos aqui três surfistas, Maria, não sei se te podemos chamar já surfista ou não.
Estou quase lá.
Pela prancha que vais comprar aqui com a Teresa e com o Francisco Ardõas, mas no final do dia, a essência de um surfista é apanhar uma onda boa e são essas emoções todas e a sensação que isso nos traz, e que é uma coisa única, que todos nós gostamos muito e que é das coisas que costumamos dizer que somos mais apaixonados. E, portanto, o surf tem também esta capacidade de trazer coisas positivas para as vidas, é um balanço superbom para a vida em terra, para o estresse, para o telefone a tocar, para as coisas de trabalho, as coisas de família. E, portanto, o convite é esse, é que os mais novos apaixonem-se pela modalidade, porque há muitas coisas boas associadas a isso.
Que mensagens tão inspiradoras. Muito obrigada aos três pela partilha. Vamos então passar ao nosso primeiro desafio. Vamos a ele?
Bora.
O nosso primeiro desafio chama-se: Completa a Onda. Este nome é só uma versão surfista do completa a frase. É muito simples. No fundo, vou anunciar o início de uma frase e os três vão completar de forma espontânea, assim sem pensar. A melhor onda da minha vida foi
A melhor onda da minha vida foi no ano passado no Taiti, num dos meus free surfs em Teahupoo.
Por quê?
Porque foi uma onda que encontrei numa tarde com um pouquinho mais de vento, quase ninguém a surfar e foi um grande tubo.
Eu tenho ótimas memórias já de uma série de sítios, seja em Portugal, seja a nível internacional, mas hoje em dia o que eu costumo dizer que é qualquer onda boa, que eu reconheça pra mim próprio como boa, em que esteja rodeado de boas pessoas e bons amigos dentro d'água. E acho que há uma renovação quase, se Deus quiser, semanal, mensal, daquela que é a melhor onda da minha vida, mas é muito isto. Portanto, é qualquer momento interessante e que eu considero bom do ponto de vista de competência, mas que esteja rodeado de pessoas boas e num ambiente alegre dentro d'água.
Não depende só do mar.
Não.
Eu também acho que é um bocadinho isso a minha. Eu acho que não tenho assim nenhuma onda da minha vida em mente, acho que até renovo várias vezes. Por isso, acho que especialmente quando estou muito tempo sem fazer uma onda boa e realmente faço uma onda que eu sinto que foi mesmo boa, quase que esqueço as outras e aquela é que foi a onda boa.
É uma sensação extraordinária, definitivamente. Eu com a minha grande experiência em surf, como sabem, considero que é extraordinário. Antes de entrar no mar, eu nunca dispenso:
Pagar o parquímetro.
Riscar o wax.
Pra quem não sabe nada disso.
Isso é preparar pra não escorregar depois na prancha.
A tal cera que estávamos a falar lá fora.
O wax é uma espécie de cera e que precisa de alguma aderência e todos nós temos um bocadinho os nossos rituais de como é que vamos pra dentro d'água e preparamos isso.
O que é riscar o wax?
Eu tenho uma maneira muito peculiar, aqui o Ardónhas e os restantes gozam muito comigo, que é: nós na Praia Grande, em Sintra, usávamos muito os paus de gelado na areia para riscar o wax. No fundo, é quase criar ali uns riscos pra aquilo ter mais aderência. E eu hoje em dia continuo a simular tudo o que eu encontro como se fosse o pau de gelado. E é diferente do que toda mundo faz, mas tem uma razão, eu cresci na Praia Grande e vem daí.
Isto é quase ciência.
Cada um tem a sua.
Eu? Música. Ouço música. Gosto de ouvir música no carro antes de...
Qual é a música que toca no teu carro antes de surfar?
Depende. Eu ouço um bocado de tudo, mas agora ando mais numa de Linkin Park.
Pronto, pra dar motivação.
Sim.
O melhor momento desta época foi:
Foi os Açores. Foi ganhar os Açores e ter lá imensas pessoas que gosto imenso e amigos e amigas, do qual estamos um pouquinho fora daqui, de avião e tudo mais, e elas foram apoiar.
Maria, dás uma autorização pra serem dois momentos? Pode ser?
Vou pensar no teu caso. Quais foram os dois melhores momentos?
Eu não sou competidor, portanto eu não estou ali a disputar nada, mas eu acho que há duas coisas que nos alegram bastante. Há um momento nos Açores, a seguir a terminarmos o campeonato, em que fizemos um churrasco, que curiosamente nós fizemos o ano passado e este ano passaram o campeonato inteiro a pedir e lá fizemos, a seguir a terminar, muito no espírito de praia, e como o nosso patrocinador da Corona diz, é "this is living". Toca muito nesse conceito e forma de estar. A segunda coisa tem a sua relação neste espírito que existe na liga, que é nós em Peniche, no final do primeiro dia de prova, invertemos os papéis. Deixamos os surfistas cá fora, na transmissão, no julgamento e tudo mais, e fomos um conjunto de treinadores e organização pra dentro d'água, num espírito obviamente completamente de brincadeira, evidentemente, mas cada um de nós a fazer surf. E é muito isto. Isto mostra o que bom se passa ali de espírito e que é também isso que nós queremos trazer pro surf português.
Pra mim foi os Açores também, porque além de ganhar a etapa, acho que é uma etapa que tem um ambiente ótimo, pra além do churrasco também no final do campeonato com toda a gente. É sempre giro, já houve os últimos dois anos, eu gostei sempre. E mesmo o sítio, eu gosto muito do sítio no cantinho lá do lado esquerdo dos areais de Santa Bárbara. Acho que é aconchegador aquele cantinho e está sempre bom tempo, água quente, e pronto.
Tudo colabora, não é?
Tudo colabora ali.
O útil ao agradável. Eu estou a ver que vocês só fazem churrascos quando eu não vou. Eu começo a ficar preocupada. O mar ensinou-me que:
O mar ensinou-me a ter disciplina.
Perseverança.
Respeito.
Esta foi a ronda mais rápida que foi mencionada.
Isto mostra muito, acho que a palavra que o Francisco Ardónhas usa no fim, isto mostra muito o respeito que nós temos pelo mar e por aquilo que ele nos ensinou, porque encontrar uma onda boa dentro d'água, tem a sua ciência também.
Teresa, no próximo ano prometo:
Vou dar sempre o meu máximo pra levar a bandeira portuguesa e a nossa nação ao mais alto nível.
Empenho.
100% e diversão.
Esta também foi rápida. Vamos à última. Se eu não fosse surfista, eu era:
Eu na altura quando era criança dizia que a minha profissão, eu queria ser mãe. É uma profissão, não é assim tão fácil e eu vejo pela minha mãe, o trabalho que a minha mãe tem, tudo e fazer aquilo e coisas. A nível de desporto, eu sempre gostei muito de futebol, não é que fosse futbolista, mas sempre gostei muito de futebol. Por isso, não sei.
Pronto, mãe dá pra ser certamente e pra conjugares com o surf, o futebol se calhar aos fins de semana. Francisco.
Eu olhando pra trás, eu antes de fazer surf jogava ténis, de brincadeira, nunca fiz nada, nem treinadores, nem clubes, nem nada, era aquela coisa de miúdo, porque eu comecei a fazer surf muito novo, tinha nove anos, mas a realidade é quando agarrei no surf, larguei as raquetes de ténis pra sempre, não sei jogar ténis, não sou bom a jogar ténis, mas provavelmente, se calhar, tinha seguido um percurso mais ligado ao ténis, mais tarde, como qualquer surfista, também andei bastante de skate, mas se olhar pra trás, se calhar, provavelmente, tinha seguido um percurso mais ligado ao ténis.
Curioso, ambos na área do desporto. Vais manter aqui o desporto?
Sim, eu acho que sim.
Também?
Quer dizer, eu sempre gostei de futebol quando era mais novo. Quando era mais novo, por acaso, joguei rugby também e futebol, mas eu não gostava de rugby. Já não me lembro muito bem porque é que jogava.
Alguém te obrigou.
Sim, estive dois anos a três anos a jogar, só que depois andava sempre magoado e gostava mais de futebol.
Então se não fosses surfista, também eras futbolista?
Acho que sim. Não sei se era futbolista ou não, porque eu não tenho muito jeito.
Mantínhamos tudo aqui na área do desporto.
Sempre.
Pronto, excelentes respostas. Vamos ao nosso último desafio? Este é ainda mais simples. Eu vou dizer-vos afirmações e lações que eu posso ter tirado com o meu profundo conhecimento na modalidade e vocês só têm que me dar respostas rápidas de sim, se concordarem, ou não, se discordarem. Vamos a isso? As melhores ondas estão em Portugal. Ai se isto não fosse rádio, se isto tivesse vídeo. Queres justificar, Teresa?
Teríamos as melhores ondas do mundo se tivéssemos água quente. Isto é a minha percepção.
Ok, válido.
Eu acho que a água quente não tem nada a ver com qualidade das ondas e eu respondo à Teresa diretamente: sim, as melhores ondas do mundo são em Portugal e procura melhor.
Não dá pra combater com a Indonésia.
Não. Procura melhor.
Não dá, não.
Ordóñez, vamos a ti.
Ainda por mais o Xico Lim faz sempre uma viagem à Indonésia. Por que será?
Eu tenho os meus corners em Portugal, onde sei que existem ondas que são diferentes de Indonésia, é verdade, mas que são igualmente com muita qualidade.
Bem, eu acho que só há uma forma de termos a resposta pra isto, que é levarem-me à Indonésia e eu farei a análise. Ordóñez, vais desempatar? Pronto.
Vai desempatar, pois.
Também achas que não?
Acho que é bom, mas acho que há melhores.
Onde é que estão as melhores ondas?
Na Indonésia.
Francisco, olha...
Não, Portugal está num nível muito alto, só que a Indonésia...
Sim, é impossível bater a Indonésia.
E calma, é que também somos dois goofies a falar com o Esse é o problema.
Provavelmente, sim, porque Indonésia, isto aqui tem muito linguagem de surf, é a terra das esquerdas, tem as suas direitas, evidentemente.
Dos canhotos, não é?
E nós em Portugal também temos as nossas esquerdas, mas provavelmente as de qualidade a sério são quase todas direitas. Eu respeito, Teresa. Está bem. Mas ainda bem que não estamos de acordo.
Estou a ver o espírito fair play que existe na modalidade. Vamos à próxima afirmação: o surf é mais mental que físico.
Sim.
Aqui também concordo.
Os três concordam? Por quê?
É tudo. Acho que não ainda a própria parte da competição. É isso, é ter respeito, perceber os nossos limites, tentar overcome os nossos medos, ir a uma onda maior. Tudo. Acho que a essência vai muito a parte da mente.
Concordam?
Sim, eu acho que o mais importante é estarmos felizes e bem com a vida. E acho que o surf vai correr sempre muito melhor se estivermos contentes.
Se calhar é por isso que eu ainda não consegui surfar, porque foi nos meus dias menos feliz.
Por experiência minha, não sei se o Francisco e a Teresa concordam, cada vez que nós vem uma onda boa e pensamos demais enquanto estamos a apanhar a onda, a onda não vai ser boa. Ou seja, a nossa mente tem que funcionar numa forma automática e controla um bocadinho o que é que vai acontecer, porque a parte física já lá está também.
Já é mecânica, é deixar-nos envolver com o mar. Treinar com mau tempo é perda de tempo.
Não.
Não, de todo.
Também não.
É com as tempestades que há as melhores ondas?
Ai não, também não.
Não é isso que estamos a dizer. Acho que aquilo que os três concordamos, que é: o tempo não é determinante na questão do treino. Obviamente que às vezes quando estão aquelas tempestades as ondas não estão as melhores. Eu, pessoalmente, hoje em dia, não importa o que, vamos embora.
Mas custa mais um bocadinho entrar dentro d'água.
Isso é outro tema. Isso não tem nada a ver com valer a pena ou não valer.
Ossos do ofício.
É, exatamente.
Já surfei de ressaca.
Já.
Várias vezes.
Eu não várias vezes, eu só para aí uma ou duas.
Já, também.
Pronto, eu achava que se iam acanhar, que iam mentir e eu ia ter de puxar por vocês. E então, como é que correu? Qual foi o resultado? Foi melhor do que quando estão sóbrios?
O meu surf de ressaca, acho também foi só num momento de diversão, com mais amigas, também estávamos se calhar ainda com os copos, e foi só um momento de diversão, de repente surfar com os copos. Nunca foi modo de treino, nem nunca foi modo competição, porque eu acho que isso não encaixa. Para mim, a minha forma essência do que é competição e do que é ser um atleta profissional, por isso sempre foi num registo de off-season e de diversão.
Claro, é prova de que o surf não é só a parte profissional das nossas vidas, é também aquilo que nos diverte no fundo.
E obrigado a essas surfadas por terem resolvido a dor de cabeça.
Pois, exato. O efeito terapêutico do mar aqui está, não é?
A mim confesso que uma das piores vezes foi só mesmo um McDonald's que me safou.
Vamos à última. Este suspense é propositado. O presidente da Associação Nacional de Surfistas devia competir numa etapa para dar o exemplo.
Concordo.
Eu concordo também, sem dúvida.
Abstenho.
Ele concorda e ele passaria vários hits, tenho eu certeza.
É um voto em branco, Francisco, tens a certeza?
Não, votos em branco não se faz, risca o boletim de voto todo pra ser nulo.
Isso é um voto nulo. Tens vontade?
Eu tenho um passado de competição relativamente grande, obviamente que hoje em dia não tenho o ritmo nenhum deles. Mais difícil quando as ondas estão mais pequenas, se calhar é mais fácil quando as ondas estão maiores. Se calhar um dia acontece. A questão é que a liga hoje em dia, e principalmente no quadro masculino, normalmente está sempre cheio, e portanto não faz parte do plano inventar um lugar pra tirar a vaga a outro surfista que pra ele aquilo lhe interessa. Já fizemos as nossas brincadeiras aqui e ali, às vezes aqui em Portugal, às vezes já fui ao Masters também. São mais na lógica de diversão e não tanto olhar pra competição, e portanto, não está no plano, com todo o respeito à Teresa e ao Francisco, e a todos os outros que de uma forma simpática dizem isso, mas não.
Será que isto não é uma forma de dizer que tens medo que o Ordóñez fique à tua frente com um score maior?
Não tenho medo, tenho é certeza absoluta.
Mas se calhar o Ordóñez já ia ter medo de levar na cara do Francisco.
Até tu, Teresa, até tu.
Eu também, tenho a certeza.
Pronto, ainda bem que competem em rankings diferentes. Mas eu acho que pela diversão podíamos deixar aqui a promessa no ar e dia quem sabe concretizar.
Um dia brincamos sobre isso.
Pronto, eu posso ficar na areia a bater palmas, que eu sou incrível a fazer isso. Foi muito bom conhecer-vos ainda melhor. Muito obrigada aos três. Está surfada a última onda da Liga MEO Surf 2025. Muito obrigada, Francisco Rodrigues, Teresa Bonvalot e Francisco Ordóñez, por terem aceitado o nosso convite. E a si, caro ouvinte, que esteve desse lado, por remar conosco até aqui. Estamos todos de regresso em 2026?
Claro.
Sim, claro.
Vamos a isso, temos encontro marcado. Até lá, boas ondas.