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Como é bom estar de volta! Novo ano, nova edição da Liga MEO Surf 2025, em que acompanhamos os principais momentos deste campeonato. Eu sou o João Costa e Silva e vou ter ao meu lado a minha parceira do costume, a Maria Ribeiro Nunes. Só que, Maria, temos de explicar, tu estavas tão entusiasmada com este regresso, meteste-te em cima de uma prancha e o que aconteceu?

Olha, João, lembras-te da aposta que fiz com o Francisco Rodrigues no programa de arranque da Liga MEO Surf?

Uhum.

Pois, é verdade. Eu tentei meter-me em cima de uma prancha e pelos gessos que tenho no pé, acho que dá para ver que não correu muito bem. São ossos do ofício.

Digamos que tu é que ficaste sem ossos, Maria.

E vale dizer que o acidente foi ainda antes de chegar ao mar. Portanto, a culpa não é da minha falta de jeito.

Isso é o que vamos ver. Está prometido e vamos cumprir de alguma forma. Estás à distância hoje, mas estamos sempre ligados e os nossos ouvintes que se preparem, porque na próxima vais voltar ainda com mais energia. Portanto, é esse o problema, é ainda mais energia.

Com mais energia e com mais criatividade para desafios que claramente não vou conseguir ganhar.

Entretanto, Maria, vamos ao que interessa, às ondas da Praia do Cabedelo, na Figueira da Foz. Não sentes que falta aqui qualquer coisa?

Claro. Estás pronto, João?

Vamos a isto.

Prontos para surfar esta onda connosco e recordar tudo o que se passou nesta etapa?

Primeira paragem, Praia do Cabedelo, Figueira da Foz. É aqui que se dá o primeiro mergulho do ano e se apanham grandes ondas na primeira etapa da Liga MEO Surf, Allianz Figueira Pro.

Não só grandes ondas, João, como ondas praticamente perfeitas. O mar da Praia do Cabedelo brindou-nos com ondas quase tão boas como as do ano passado, que inclusive têm sido destacadas pelos surfistas que gostam de surfar para a direita. Mas arranjámos alguém que nos vai falar sobre isto com todas as explicações técnicas que o mar merece.

Sim.

A par disso, João, um público muito eufórico com as surpresas que se revelaram neste arranque de campeonato.

E Maria, quem esteve a acompanhar de perto a grande festa do surf foi Pedro Santana Lopes, presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz.

Isso mesmo, e o senhor presidente falou connosco sobre a importância do município acolher um evento da dimensão da Liga MEO Surf.

É muito importante para sublinhar, reforçar a importância da Figueira como destino turístico, como ponto de encontro turístico e também como local de residência. Temos cada vez mais pessoas a viver cá, pessoas que escolhem a Figueira, nacionais e estrangeiros, para virem para cá viver. E há cada vez mais pessoas a olhar para a Figueira, a querer fazer na Figueira, estar na Figueira e, portanto, o surf hoje em dia é um dos desportos rei. Sempre se disse isso do futebol, mas hoje em dia o surf também é desporto rei, e nomeadamente entre a juventude, cada vez arrasta mais pessoas, como sabemos. E é bom que ficam quase todos loiros. Se eu soubesse tinha começado no surf cedo. Loiros e bem tisnados. Enfim, mas agora já não vou lá.

Nota aqui um certo orgulho, não é, Maria?

Claro, receber um evento destes é sempre memorável e tem impacto na economia local. É um espetáculo dentro de água que acaba por influenciar positivamente também tudo o que está fora dela.

Mas esta competição de surf arrasta muitas pessoas e dá uma identidade à Figueira. O comércio já sabe. Aliás, basta ir ao lado lá, não é só aqui na margem sul. Ainda ontem à noite a Figueira estava cheia de gente a passear, a andar, a descansarem, uns daqui. Uns ficaram aqui, outros foram até ao lado de lá da ponte e, portanto, a Figueira de gente gira, bonita, com bom aspeto, a puxar pelo exercício, a puxar pelo físico, bem-dispostos. É ótimo para nós todos. Eu costumo dizer da Figueira, é cada vez mais uma região autónoma.

E Maria, queres contar aos nossos ouvintes o que descobrimos à conversa com o presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz?

Acho que é seguro falarmos, sim. Se tudo correr bem, João, Pedro Santana Lopes terá todo o gosto em marcar presença na próxima época e abrir as portas do Mar da Figueira da Foz à Liga MEO Surf.

Isto sim, que grande confidência. Também em jeito de admiração, não é só pela modalidade, mas para tudo o que ela representa. Pedro Santana Lopes disse mesmo que a grande modalidade já não é o futebol. Na Figueira da Foz, o surf tem muito mais impacto.

Precisamente porque a Figueira da Foz tem um mar muito específico, que agrada à grande maioria dos surfistas, e a questão é tentar perceber o porquê. Qual achas que é o motivo, João?

Eu sou suspeito, mas eu diria que é por causa do pôr do sol da Figueira. Foi dos mais bonitos que já vimos. Depois de um dia de competição, ver aquela tela à frente dos nossos olhos, conquista qualquer um. Não é só os surfistas.

Eu concordo. Não diria melhor, mas acho que há alguém que diz muito melhor. E falo precisamente de Pedro Monteiro, vice-presidente da Federação Portuguesa de Surf, que nos explica o verdadeiro motivo. E não, não tem nada a ver com sol.

Isto depende um bocadinho dos movimentos das ondulações, das direções das ondulações. Quando as direções são favoráveis, normalmente até no inverno são favoráveis, porque as ondulações vêm mais de oeste e mais de sul. Então há um género de um assoreamento, e a criação de bancos de areia junto aqui ao molhe. E esse banco de areia fica com um género de uma geometria, que faz com que a onda concentre a sua energia num determinado ponto e depois progrida ao longo de todo esse banco de areia. Esta tem velocidade própria, é só encaixar as manobras e como nós vimos aqui ao longo destes dias, os surfistas tiveram performances incríveis e principalmente frutos da sua qualidade como surfistas, mas com muito mérito também do banco de areia que se criou neste inverno, com tantas tempestades que têm acontecido. Há lados positivos destas tempestades.

Não tem a ver com sol, mas pelos vistos, tem a ver com areia.

Tem a ver com a areia, com o vento e com mais mil fatores que nós nunca conseguiríamos explicar tão bem.

E antecipou, inclusive, que diferenças é que iríamos encontrar no mar da próxima etapa, no Porto.

A Praia do Porto existe sempre entre a praia de Matosinhos, que divide Matosinhos do Porto, que tem umas características, ou quando as ondulações são pequenas, vão para a Praia de Leça como alternativa. A Praia de Leça é uma costa oeste, mais exposta, a norte do Porto de Leixões, por isso é exposta ao vento, também é exposta à ondulação predominante, que normalmente é a ondulação noroeste, e acaba por ser uma onda com umas características como uma onda mais forte, não tem a mesma dinâmica daqui do Cabedelo, mas conforme os fundos pode ter bancos de areia mais favoráveis ou menos favoráveis, dependente das marés. Já a praia de Matosinhos é uma praia mais protegida do molhe do Porto de Leixões. É uma onda com menos força, talvez um pouco mais extensa e quando os fundos estão bons, em certas marés, também é bastante interessante e apetecível.

Todos os mares são diferentes e nós ainda vamos falar da próxima etapa no Porto ao longo deste episódio, não é, Maria?

Sim, mais à frente. Para já, e ainda com o Pedro Monteiro, percebemos de que forma é que a Liga MEO Surf veio valorizar a modalidade em Portugal.

A Liga MEO Surf é a melhor plataforma nacional para os surfistas portugueses, de contexto de competição ao mais alto nível. Nós costumamos dizer, ou pelo menos pensar, que isto é uma plataforma que dá uma oportunidade aos surfistas nacionais competirem ao mais alto nível com as condições que a Liga MEO Surf proporciona, desde a equipa técnica, a equipa de live, toda a estrutura, em que os surfistas conseguem competir num contexto equivalente ao contexto internacional e com uma qualidade de surf muito competitiva. O grande pilar também deste circuito é o prize money. Também traz a oportunidade aos surfistas portugueses de recolherem fundos e de ganharem fundos a partir do prize money para completar e ir mais longe naquilo que é o seu investimento na sua carreira. E esta plataforma é excelente para isso.

Arrancamos o campeonato com muitas novidades, nomeadamente ao nível de patrocinadores, Maria. A Liga MEO Surf ganhou novos parceiros, a Quicksilver, por exemplo, mas também a Prio, que dá nome e energia a um dos prêmios mais, podemos dizer, prestigiados da competição, a Prio Best Wave, que foi vencida pelo Francisco Perloiro.

E além dos novos companheiros nesta competição, há ainda outra novidade. Os surfistas mais novos da nova geração têm conquistado lugar na liderança da liga. E isto não podia ser mais positivo. É o que nos explica Francisco Rodrigues, presidente da Associação Nacional de Surfistas.

Evidentemente, porque nós, por exemplo, sem desprimor nenhum pelo Guilherme Ribeiro e pelo Frederico Morais, portanto o Guilherme Ribeiro campeão nacional em título e o Frederico pela personalidade que é no mundo do surf, é sempre bom ver outros valores a fazerem diferente e a ganharem as baterias. Eu acho que o Luís Perloiro é um deles. Vê-los a tomarem conta da história e a serem os nomes mais falados, quer dizer que aquilo que dizemos sempre, que tem que haver mais qualidade dentro do grupo e para haver mais qualidade, tem que haver mais quantidade também daqueles que ganham competições e ganham baterias. E, portanto, acho que foi uma página muito interessante do surf português que foi escrita agora aqui na Figueira da Foz.

Uma etapa que não podia ter corrido melhor.

Foi um grande arranque de campeonato, João. Ainda que com ondas mais baixas do que na época passada, os surfistas conseguiram tirar o melhor proveito delas.

E o Francisco Rodrigues sublinha a qualidade dos atletas que cada vez mais têm elevado a fasquia nesta que é a maior competição de surf nacional.

Também não se esperava outra coisa, João. A praia do Cabedelo, na Figueira da Foz, é sempre uma boa anfitriã.

Não foi bem, foi muito bem outra vez. Acho que ficou aqui altamente bem demonstrado a qualidade das ondas locais aqui da Praia do Cabedelo e foi o palco ideal para arrancarmos outra vez com esta que é a grande disputa dos títulos máximos portugueses naquela que também é a primeira divisão da Liga MEO Surf. E, portanto, um grande agradecimento, obviamente, aqui a toda a comunidade local e à Câmara Municipal da Figueira, por mais uma vez nos emprestarem as ondas. Foi um campeonato excecional, com um nível de surf muito bom.

E falemos agora de campeões. É a nossa parte favorita do episódio, João.

Já tinha tantas saudades. Vamos a isto. E esta primeira etapa contou logo com uma surpresa, não é, Maria?

É verdade. Pela primeira vez, a conquistar uma vitória na liga, a vitória da etapa vai para Luís Perloiro.

Já tinha feito duas finais antes e tinha acabado por ficar em segundo e desta a terceira foi de vez e é isso, finalmente consegui uma vitória e fico muito feliz.

Luís Perloiro, que com 26 anos, o atleta com mais idade na prova, é também dono da melhor onda de todo o campeonato, com os incríveis 9,5 em 10.

Muito bem. E teve a oportunidade de disputar o heat final com um surfista revelação, Francisco Ordóñez, o que foi uma honra para o campeão da etapa.

Sim, porque o Francisco Ordóñez é das maiores promessas do surf nacional atualmente. Estreou-se como vencedor de uma etapa no ano passado, na Ribeira Grande.

Ainda me lembro.

Tenho a certeza que ainda vamos falar muito dele ao longo desta Liga MEO Surf 2025.

E Maria, vamos agora à campeã. No lado feminino, quem vai defender a licra amarela é Francisca Veselko.

Sem dúvida, muito contente de começar a primeira etapa da Liga MEO com uma vitória. A minha estratégia era começar com a prioridade, tentar apanhar logo a primeira onda e pôr um bocadinho mais pressão à Teresa, que é uma surfista muito experiente e acaba por ser muito importante ser inteligente e não só surfar bem, mas ter uma boa estratégia e também Só tentar apanhar as melhores ondas. O pico estava um pouco difícil, mas acabou por dar certo e saí daqui com a vitória, que é o mais importante.

A Kika Veselko, que também é dona do melhor score feminino da etapa. No segundo dia de competição, conseguiu um score de uns impressionantes 16,25.

É realmente impressionante, como dizes, João. E esta foi a segunda vez que a Kika ganhou esta etapa, a Allianz Figueira Pro, contra uma adversária de grande peso. A vitória frente à Teresa Bonvalot, que é a atual campeã em título, teve outro sabor.

É especial. É difícil de expressar emoções depois de uma vitória, mas é, sem dúvida, muito importante e muito especial para mim. A Teresa, como disse, é uma surfista muito experiente e compito com ela há imensos anos e é a melhor surfista em Portugal. Sair com esta vitória e agora ir para a próxima etapa com a licra amarela, roubar a licra à Teresa, sabe ainda melhor.

E se achamos que há uma receita secreta única para as vitórias, Maria, estamos enganados.

Totalmente enganados, é verdade, João, porque cada um tem a sua superstição, mas pelos vistos funcionam.

Às vezes até tinha o saltar das pedras por aquele lado ou entrar pela praia e este campeonato acabei por não pensar em nada e às vezes entrava pelas pedras, às vezes pela areia, às vezes surfava de manhã, às vezes não, portanto, literalmente não tive nada supersticioso.

Confesso que eu gosto de ficar na minha bolha, ouvir a minha música, beber a minha água, se calhar fazer um pouco de meditação, umas respirações antes do heat, mas acima de tudo analisar o mar, falar um pouco com o meu treinador antes e definir a estratégia e depois ir logo para dentro d'água e não pensar em mais nada sem ser as ondas que tenho que surfar e só confiar em mim mesma.

Maria, um dia também temos de revelar qual é a nossa superstição antes de começarmos a gravar estes episódios da Liga Melsurf. Acho que merece.

Não sei se é boa ideia, porque acho que íamos deixar os nossos ouvintes surpreendidos ou então assustados.

Quem não fica surpreendido é o presidente da Associação Nacional de Surfistas, Francisco Rodrigues.

Sim, João, ele fala de duas vitórias impactantes, de dois surfistas que estiveram em grande destaque ao longo desta etapa inaugural, com ambos a saírem da Figueira da Foz na liderança do ranking da corrida aos títulos nacionais.

No setor feminino, aquelas que são as duas surfistas que lideram o surf português atualmente, que é a Francisca Veselko e a Teresa Bonvalot, que estiveram muito bem ao longo do campeonato inteiro e, portanto, chegaram juntas à final e entre elas disputaram a vitória desta Allianz Figueira Pro. No caso do masculino, vimos os mais novos a levarem grande parte do espetáculo por sua conta, mas também é com especial agrado que vejo o Luís Perloiro, que nunca tinha vencido a Liga Melsurf, é um surfista muito esforçado, trabalha muito. Vê-lo a chegar aqui, a forma toda como surfou o campeonato inteiro, ver o Luís Perloiro a chegar à final e vencer da forma como venceu o Francisco Cordónhas. Está absolutamente de parabéns e que seja muito bom para ele, para continuar a motivá-lo nos seus projetos e na sua carreira profissional.

Antes das finais, Maria, houve ainda tempo para uma homenagem antes de surfarem as finais da Allianz Figueira Pro.

É verdade, João, é incontornável e temos de falar dela. Foi feita uma homenagem em memória do malogrado surfista Bilho Pinto, que nos deixou na última semana. Foi um momento muito bonito.

E é este o espírito do surf. Estamos mesmo muito felizes com este regresso. Tínhamos tantas saudades, Maria.

Tínhamos muitas saudades, João. E acima de tudo, estamos muito expectantes para esta edição da Liga Melsurf 2025.

Queres dizer qual é a próxima paragem?

Quero, João. Vamos para a tua terra, vamos para o norte. Vamos surfar nas ondas do Porto e Matosinhos para a Summers Need Porto Pro.

Onde, além de boas ondas e muita competição, somos sempre muito bem recebidos. É por lá que temos encontro marcado.

Isso mesmo, João. A Rádio Observador vai lá estar entre os dias 25 e 27 de abril para acompanhar a segunda etapa da Liga Melsurf 2025. Vemo-nos por lá?