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Que solinho bom! Bem o João me dizia que o ar do norte tem outra graça. Mas com ele de férias, é melhor parar de me tentar bronzear e começar a procurar surfistas no mar. Prontos para surfar esta onda connosco e recordar tudo o que se passou nesta etapa? Segunda paragem, Praia de Leça da Palmeira, Summersby Porto Pro. As cidades do Porto e Matosinhos receberam a segunda etapa da Liga MEO Surf 2025 e viva o norte! E deixem-me dizer, vos caros ouvintes, foi um verdadeiro dia de verão em abril. O tempo estava excelente e vamos ter de assumir a culpa. A culpa é toda do observador. Não, a sério, não sou eu que o digo. É mesmo o presidente da Associação Nacional de Surfistas, Francisco Rodrigues.

Eu acho que se calhar são vocês, é o observador que nos está aqui a dar sorte. Voltámos a ter um dia excecional de surf, dia de verão, aqui na Praia de Leça da Palmeira. Eu acho que mais uma vez, primeiro, com a missão cumprida, porque foi um bom espetáculo de surf. Segundo, e porque acho que assim é que é mais interessante, baralhámos as contas todas aqui do ranking e dos líderes dos campeões nacionais ou títulos dos campeões nacionais, inclusive na licra amarela, aqui com o devido acordo dos surfistas visados, obviamente, a federação também a validar e acima de tudo, a Go Chill.

Como dizia Francisco Rodrigues, foi um excelente espetáculo nas ondas da Praia de Leça da Palmeira e é disso que a associação se orgulha. Mas a missão da Associação Nacional de Surfistas não é só formar bons atletas, é também formar boas pessoas.

Nós acreditamos que aqui estamos a formar desportistas, mas também estamos a formar pessoas. Quando vemos esse tipo de situações acontecerem, o reconhecimento do Tomás foi, além de justo, foi também muito sentido. Eles são bons amigos. Quer dizer que estamos a fazer duplamente um papel importante aqui para os surfistas portugueses. Sendo eles os mais velhos, ainda bem que eles também tomam a dianteira desse tipo de processos para transmitir também aos mais novos que é esse o espírito, isso é que é o surf.

São estes os valores que a associação tenta incutir nos seus surfistas e felizmente a nova geração de atletas tem bons exemplos a seguir. E falando em nova geração, há cada vez mais nomes jovens a surgirem nos topos das tabelas. É o resultado de um bom nível competitivo, como nos explica César Navio, administrador executivo da Agro Cultura e Desporto do Porto.

Esta nova geração de surfista está mesmo a representar bem a modalidade, até porque a sua evolução internacional tem assim comprovado, temos tido representações nos Jogos Olímpicos e mesmo nestas provas, na Liga MEO, que é a principal liga nacional, temos aqui um nível competitivo muito intenso.

E nesta segunda etapa do campeonato, Summersby Porto Pro, foi o município de Matosinhos a ceder as suas ondas. Mas por quê? É, no fundo, uma parceria entre três municípios. O César Navio explica-nos tudo sobre esta frente atlântica.

Nós temos um apoio global entre Câmara do Porto, Câmara de Matosinhos e Câmara de Vila Nova de Gaia, que nós chamamos de Frente Atlântica, e temos muitos projetos comuns. Apoiamos muitos projetos que, por vezes, decorrem no município vizinho, tal como esta, como poderia ter acontecido no Porto com Gaia. É uma parceria que funciona muito bem entre as três câmaras municipais.

E como dizia há pouco, foram as grandes ondas da Praia da Leça da Palmeira a receber os melhores surfistas nacionais nesta segunda etapa. O presidente da Federação Portuguesa de Surf reconhece que estas ondas típicas do Porto podem dizer muito sobre o desempenho dos atletas. Gonçalo Salgueiro revela ainda as prioridades da federação.

Tivemos ondas de excelência, tivemos o mar difícil nos primeiros dias, o mar estava grande. E é interessante nós vermos muitas vezes a progressão mediante as condições, ou seja, quando nós temos este mar desafiante, automaticamente temos logo aqui uma triagem, quem gosta de mar grande, quem gosta de mar mais desafiante, quem tem mais preparação física pra poder aguentar essas condições. Por isso, para nós, federação, é engraçado, porque a nossa prioridade será e é sempre a formação, nós darmos matéria-prima ao campeonato nacional, mas essencialmente, é nós vermos como é que os atletas mais novos enfrentam. A posição da federação é essa, não é ansiar, é trabalhar para darmos condições aos clubes, trabalharmos para darmos condições aos organizadores dos campeonatos. Para quê? Para que hajam mais clubes a fazer campeonatos, para nós termos mais ligas a aparecer. Não é número de eventos que nós queremos, mas é qualidade, é que os atletas possam ter a sua formação local, possam ter os seus campeonatos regionais e depois então ambicionar vir para o panorama nacional.

E nestas ondas agitadas, as surfistas femininas tiveram espaço para brilhar, ou melhor, para brilhar a surfar.

Claramente, nós estamos a ter um crescimento muito grande por parte das senhoras e é para isso que cá estamos, pra ajudar nisso e para desenvolver esses programas. As meninas entraram, e é sempre esta coisa da guerra dos sexos. Não, tiveram exatamente a mesma atitude. Tivemos até situações desafiadoras, ou seja, como é que elas enfrentaram aqui já a parte quando nós tínhamos já muita corrente e tínhamos já uma maré difícil, já rasa. Foi realmente um espetáculo digno, mas o Porto não desilude e a nossa costa está sempre ao topo.

E pronto, estão mortinhos por esta parte, não é verdade? Eu gosto de fazer este suspense. Vamos começar pela competição feminina. Kika Veselko veio à Summersby Porto Pro com a licra amarela vestida e acabou por conquistar a terceira posição. A jovem Maria Salgado garantiu o segundo lugar na disputa do heat final frente à campeã em título. Teresa Bonvalot é a campeã desta etapa.

Voltar aqui ao Porto e ganhar mais uma vez é sempre incrível. Tenho memórias inacreditáveis. A primeira vitória que ganhei na liga, há não sei quantos anos, foi aqui com 13 anos. Passado mais 10 anos, estou aqui, continuar a dar o meu máximo e a tentar sempre puxar o nível de surf e o surf português ao mais alto nível. E tem sido giro e tem sido incrível estar aqui a aproveitar sempre os dias. No meio do mar tão complicado, Leça acabou por nos proporcionar sempre ondas Razoáveis. Acho que se calhar noutra parte do país não tinha dado para surfar e aqui, no meio do mar gigante, mexido, vento, conseguimos sempre encontrar umas ondinhas para realmente meter o nosso melhor surf e tentar sempre elevar.

Teresa Bonvalot, que além de vencer a etapa, é também dona da melhor onda do campeonato. Conseguiu uns impressionantes 9,5, que lhe garantiram também o prémio Prio Best Wave e ainda o bom petisco Girl Score, por ter conseguido o melhor score combinado, uns incríveis 17,50 na bateria mais marcante da competição. E aqui à nossa volta tens uma legião de pequenas fãs. Teresa, tu sentes-te verdadeiramente uma inspiração para esta nova geração de futuras surfistas?

Não sei, isso têm que ser elas a dizer.

Quem é que aqui é fã da Teresa Bonvalot?

Eu!

Como é que te sentes ao ouvir isto?

Acho que é sempre incrível. Acho que muitas vezes não temos noção do que podemos influenciar nesta camada mais jovem. Eu quando comecei, nós não tínhamos muitas, mas havia sempre várias referências e eu acho que ser uma referência acaba por ser uma coisa boa. Já brinquei com elas a dizer então quando é que elas começam, quando é que elas estão aqui. E acho que coisas leves e acho que podemos elevar cada vez mais Portugal e o surf feminino.

Teresa Bonvalot, que há precisamente 12 anos conquistava nas ondas da Leça da Palmeira a sua primeira vitória na liga, foi muito especial. Já são oito vitórias em etapas no Porto e este momento foi muito bonito. Vamos passar então à competição masculina. Sem mais demoras, não há duas sem três. Tomás Fernandes foi o campeão da etapa na Cidade Invicta. Conquistou um score de 15,80 frente aos 13,50 de Frederico Morais, com quem disputou o heat final. Foi muito renhido, até porque o Kikas ainda está a recuperar de uma lesão no pé, que certamente limita a sua performance dentro d'água. E isto só revelou ainda mais o espírito fair play que existe entre os surfistas. O Tomás Fernandes foi carregado aos ombros, como manda a tradição, e no discurso da cerimônia de entrega de prêmios, o Tomás disse que o Frederico, além de ser um dos melhores surfistas do país, é também um dos seus ídolos desde pequenino. Esta é outra das razões pelas quais me apaixonei pelo surf. Mas esta vitória trouxe para cima da mesa, ou melhor, para cima da prancha, uma questão: afinal, quem é que vai vestir a licra amarela na próxima etapa?

Podíamos seguir aqui o modelo tradicional das regras, dos encontros que foram aqui do ano passado, mas fizemos aqui um acordo entre todos, portanto com a federação, com os atletas e com o patrocinador. E porque a licra amarela é patrocinada pela GoChill, e porque a GoChill é uma marca arrojada e gosta de fazer diferente, nós vamos fazer aqui desta vez, e por motivo da utilização dos guisados, vamos fazer um par ou ímpar, ver quem é que vai competir de amarelo na Ericeira.

Aprovado por todos os intervenientes, a sorte ditou num renhido jogo de par ou ímpar quem será o próximo a carregar a licra amarela e será precisamente Tomás Fernandes a competir em casa com a licra da GoChill na terceira etapa do campeonato em Ribeira D'Ilhas. Aos apaixonados que queiram ir até lá, o presidente da Associação Nacional de Surfistas deixa um apelo.

Nós fazemos um apelo a todos os interessados em assistir à prova e quem vai estar a competir e a trabalhar. Fazemos o apelo ao voto antecipado, porque é uma obrigação de todos nós e assim deve acontecer. As eleições são imprevistas, nós não temos o calendário marcado, também não temos possibilidade de alterar, mas queremos também muito respeitar o ato eleitoral, que é muito importante para todos nós, e portanto, reforçamos esse apelo.

Votar nestas eleições, além de um direito, é uma obrigação. Siga a sugestão do Francisco Rodrigues e faça já o pedido para o voto antecipado nestas legislativas, para que nada impeça o nosso encontro na terceira etapa do campeonato em Ribeira D'Ilhas. A Allianz Ericeira Pro tem data marcada para os dias 16, 17 e 18 de maio. Vemo-nos por lá?