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Está a passar a voar. Ainda agora estávamos na Figueira da Foz para a primeira etapa da Liga MEO Surf 2025 e já estamos na penúltima. A quarta etapa do campeonato teve lugar nos Açores, essa terra mágica de paisagens de postal e onde eu não estive. Sim, eu não fui. Lamento informar, mas não pus os pés na areia açoriana. Mas atenção, não foi por falta de vontade, foi uma decisão editorial puramente estratégica. Alguém tinha de ficar no continente, em terra firme, para garantir que o estúdio da rádio não apanhava humidade, até porque com o meu talento natural para o surf, corria o risco de ser confundida com uma bóia à deriva e acabar nos destaques das notícias internacionais. Felizmente, temos correspondentes no terreno com coragem suficiente para enfrentar ondas, pranchas e até chuva em nome da informação. Eu fiquei a surfar no conforto das fontes seguras e na MEO BeachCam em modo satélite. Prontos para surfar esta onda conosco e recordar tudo o que se passou nesta etapa? Quarta paragem, Allianz Ribeira Grande Pro. A Praia de Santa Bárbara recebeu a quarta e penúltima etapa da Liga MEO Surf 2025. E foi uma competição em grande. Foi tudo incrível. As encostas verdes, as falésias imponentes e claro, o palco principal, o azul do Atlântico. No último dia de provas, o mar esteve calmo, demasiado calmo até para quem veio aos Açores à procura de ondas para surfar, mas acabou por ser uma das marcas deste campeonato: o tempo de espera pela onda perfeita. A Ilha de São Miguel recebeu-nos com aquele clássico clima açoriano, portanto chuva, vento e aquela sensação de que estamos sempre a vestir a roupa errada. Mas não é que à primeira buzina da competição o sol decidiu fazer uma aparição especial? Coincidência? Talvez. Milagre meteorológico? Provável. O certo é que às 10:00 já tínhamos um verdadeiro dia de verão, daqueles que enganam qualquer turista a tirar o casaco para se arrepender 15 minutos depois e voltar a vesti-lo. No terceiro e último dia de provas, até os turistas já vinham preparados com os essenciais para uma competição de surf nos Açores. Na cara, óculos de sol e na mão, o chapéu de chuva. No areal de Santa Bárbara a tensão era visível. E não era só por causa da competição, era mesmo por causa das ondas. Neste caso, pela falta delas. Foi mesmo uma verdadeira aula de paciência para os atletas. E enquanto os melhores surfistas nacionais esperavam pela sua vez de brilhar, no parque de estacionamento já se vivia o desfile oficial do surf. Pranchas de todas as cores, bandeiras da liga ao vento, turistas em modo paparazzi, a magia a que a Liga MEO Surf já nos habituou. E claro, tudo isto com a estátua do surfista a vigiar o areal, aquela figura que representa o verdadeiro espírito do surf e que, ao contrário de mim, nunca perde o equilíbrio. Apesar das condições meteorológicas, a cidade da Ribeira Grande, agora com o selo de Capital do Surf, não desiludiu. A aquisição deste título foi uma aposta ganha numa marca que se tem afirmado e que tem tido naturalmente impacto na economia local do município. Quem o diz é o presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, Alexandre Gaudêncio.

Nós temos essa marca registada. Registámos antes da pandemia, ficámos muito preocupados, porque quando registámos a marca entrou a pandemia, ficámos um bocado sem saber o que fazer, mas hoje em dia foi claramente uma aposta ganha numa marca que cada vez mais se tem afirmado e que tem também passado para a economia local. Nós já temos muitos alojamentos locais, muita restauração que tem a marca na porta e que diz que fazem parte da Capital do Surf, o que também para nós é muito positivo. Isto arrasta aqui um volume para a economia local muito positivo em torno deste mundo que é o surf.

E além dos impactos na economia, receber esta competição tem contribuído para o reconhecimento do município e até mesmo para valorizar os atletas açorianos. Alexandre Gaudêncio disse mesmo à Rádio Observador que receber esta etapa do campeonato tem aberto portas à ilha.

Acima de tudo, estes eventos têm uma notoriedade que se não fossem esses eventos, provavelmente não éramos tão bem falados como somos hoje em dia. E depois, um segundo aspecto, que é a valorização dos atletas locais. Tivemos o maior contingente de sempre. Foram 10 atletas de cá que participaram nesta etapa, projetando-os para o mundo e acima de tudo, vendo as qualidades que nós nos atletas locais já começamos a ter. Isto é uma excelente oportunidade para todos, para o município, podemos mostrar o que de melhor temos para oferecer ao nível das praias, para os atletas locais e acima de tudo, é uma porta que se abre para quem nos quer visitar e dedicar-se, neste caso, ao desporto de ondas ou surf, que é cada vez mais um ativo que temos na nossa economia local.

E de facto, esta marca da Capital do Surf, que reconhece o enorme potencial da costa norte da Ilha de São Miguel para a prática do desporto, tem vindo a ser comprovada pelo crescimento de escolas de surf nesta zona da ilha. A prova disso é o caso de Peter Eilersen, um surfista local e proprietário de uma escola de surf na Ribeira Grande. A Rádio Observador reforça a aposta do município na modalidade.

A Ribeira Grande tem apostado muito no surf nos últimos anos. Acho que faz todo sentido. Nós aqui na Ribeira Grande temos praias com uma qualidade a nível mundial, o que deu para ver aqui neste campeonato. Felizmente, tivemos boas condições. E sem dúvida, acho que Ribeira Grande tem de se virar para o mar, que vá de encontro à Ribeira Grande Capital do Surf, porque nós temos de tirar partido de ter

Belíssimas ondas mesmo à porta das nossas casas.

É uma ilha que de facto se tem dedicado muito à modalidade e reuniu condições para que tivéssemos um verdadeiro espetáculo aquático. É mesmo isso que diz o presidente da Associação Nacional de Surfistas, Francisco Rodrigues.

E os Aviais de Santa Bárbara servirem bastante bem os melhores surfistas portugueses. Acima de tudo, acho que foi um espetáculo muito grande que aconteceu aqui no Surf Nacional, uma grande festa do Surf Nacional. E portanto, acho que levamos para casa, acima de tudo, muitas boas memórias, muitas e boas memórias desta etapa. Muito obrigado a todos aqui aos Aviais também por terem ajudado aqui a promover esta etapa. Foram três dias muito importantes também para nós e com certeza voltaremos para o ano.

E embora seja certo que o executivo do município vá mudar nas próximas eleições autárquicas, Francisco Rodrigues confessa que o desejo da Associação Nacional de Surfistas é de continuar a ter a quarta etapa na Ribeira Grande, uma etapa que é muito acarinhada por todos. E à semelhança do ano passado, esta etapa coroou a campeã da Liga MEO Surf. E não adiamos mais este momento. A atual campeã em título passa agora a bicampeã com uma exímia sexta conquista do campeonato, soma já 30 vitórias na Liga aos 25 anos. Meus senhores e minhas senhoras, Teresa Bonvalot.

Sabe sempre bem, acho que qualquer atleta não gosta de perder. Eu não gosto de perder nem a feijões. Sempre que entro dentro d'água é com o mindset de dar tudo e levar a vitória. Por isso fico realmente contente de sagrar mais uma vez campeã aqui nos Açores, um sítio que é bastante especial para mim, onde já tive grandes conquistas, onde já tive grandes momentos e grandes memórias. Por isso fico contente e estou preparada para o que aí vem também.

Apesar de ser a segunda vitória consecutiva da competição, para Teresa Bonvalot, ganhar não é tudo. Há que saber superar os obstáculos e dar a volta por cima.

Estou tranquila. Já tive também uns anos há uns anos muito bons. A vida de atleta, a vida de um atleta profissional é de altos e baixos. Nem sempre estamos lá em cima, nem sempre estamos lá em baixo, mas eu acho que o mais importante é a forma como encaramos cada momento e como olhamos e tentamos ultrapassar cada momento. E eu estou a aproveitar o dia a dia, o presente, cada momento, cada sítio, cada cultura da melhor forma e estou super preparada para o que aí vem, como é óbvio, e a continuar.

E curiosamente, esta é também a sua terceira vitória nesta etapa. E já sabemos que o tempo não foi o ideal, mas um atleta tem que estar preparado para tudo. Ainda assim, para Teresa Bonvalot, não há outra palavra para descrever esta etapa. Foi excelente.

Eu acho que foi um campeonato excelente, um overall. O primeiro dia acho que foi realmente o dia mais complicado. Ontem tiveram boas ondas ao longo do dia. Acabou por ser uma decisão dos surfistas não acabarem ontem. Mas mesmo assim eu acho que há boas condições e um atleta tem que estar preparado para tudo, quer sejam ondas grandes, ondas pequenas, ondas minis. E isso acaba por realmente tonificar num atleta perfeito, mesmo não havendo a perfeição, pelo menos ali o mais perto. Por isso acho que foi mais uma etapa excelente, mais uma etapa para ficar para a história.

Teresa Bonvalot, que disputou o heat final com Maria Salgado, a jovem surfista que já é presença assídua no segundo lugar do ranking feminino, também se defrontaram na bateria decisiva nas duas últimas etapas, mas desta vez com o título nacional em jogo, Teresa Bonvalot não deu hipótese a Maria Salgado, conseguiu um score de 12.1 contra os nove pontos de Maria. Na competição masculina, as contas não são tão fáceis. Temos um ranking muito fragmentado, mas já lá vamos. Há que parabenizar quem repetiu o feito o ano passado, como a Teresa Bonvalot. Conquista a segunda vitória na Liga, ambas precisamente nesta etapa, Francisco Ardónhes.

Sabe muito bem, é um sítio especial para mim, sem dúvida. As últimas duas etapas aqui correram muito bem e é uma onda com que eu me identifico, uma praia muito bonita, bom tempo, água quente, então é sempre um prazer vir cá. E ainda melhor com final feliz, portanto, é isso, foi uma boa etapa e soube muito bom.

Francisco Ardónhes, que procurava a vitória frente a Matias Canhoto, que curiosamente foi quem esteve no domínio da competição. O jovem surfista de Peniche começou melhor, entrou melhor, mas Ardónhes respondeu muito bem na segunda metade do heat e acabou por liderar a bateria e vencer Matias com um score de 15.80 contra 14,20 pontos. E como dizia, há muitos cálculos para fazer no campeonato masculino, há muitas possibilidades em aberto e apesar da vitória de Francisco Ardónhes, é Luís Perloiro quem mantém a liderança do ranking. Sai dos Açores com a licra amarela vestida e continua na luta pelo título masculino, que vai ser decidido na etapa final em Peniche. Agora temos pela frente uma pausa de verão até à última etapa, Bom Petisco Peniche Pro, que está marcada para os dias 24, 25 e 26 de outubro e que vai decidir o próximo campeão nacional masculino. Em suma, meus caros, esta quarta etapa da Liga MEO Surf foi uma prova marcada pela paciência dos atletas, pela beleza da paisagem e pela imprevisibilidade do tempo. Os surfistas fizeram o que puderam com as ondas que havia e eu fiz o que pude aqui do continente com a ajuda da correspondente Carlota Damas, e isso também é uma arte. Voltamos na próxima etapa com mais surf, mais sol, esperemos, e claro, mais tentativas minhas de parecer entendida em marés, sets e manobras que eu obviamente nunca vou conseguir fazer. Temos encontro marcado em Peniche, na maravilhosa Praia dos Supertubos, onde quem sabe, trago dicas sobre como não cair ao tentar surfar ou pelo menos como cair com estilo. Vemo-nos por lá?