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Linha da Beira Alta na Rádio Observador Viseu. Este é o espaço em que damos voz a figuras e personalidades do distrito de Viseu. Eu sou o João Costa e Silva e ao longo da próxima hora convidamos todos os ouvintes a participar neste espaço, que também é seu. Podem enviar a sua opinião, aquilo que pensa sobre os assuntos que vamos falar nos próximos minutos, através do nosso número do WhatsApp 910024185 e também através do e-mail viseu@observador.pt. No Linha da Beira Alta de hoje recebo João Tilly, deputado eleito pelo Chega no círculo eleitoral de Viseu. João Tilly, muito obrigado por ter aceitado o nosso convite e por estar mais uma vez conosco aqui na Rádio Observador Viseu.
Eu é que agradeço. Muito obrigado.
João Tilly, vamos falar sobre saúde e mais concretamente sobre uns problemas na linha 112. Constrangimentos no atendimento voltaram à discussão pública com várias críticas que estão a ser lançadas pelo PS, neste momento ao governo, e também por parte do PSD, que estando agora no governo acusa a impreparação socialista dos oito anos de governo que não prepararam para isto que está a acontecer. Mediante estes problemas que estão a existir agora, o que é que o Chega e o que é que o João Tilly propõem para que este problema seja resolvido o mais rápido possível? Lembro que em Tondela, o comandante de bombeiros até já vai dizer que é preciso uma reflexão profunda, até porque uma mulher morreu por causa deste atraso que tem acontecido nos últimos dias.
Sim, claro, é um assunto bastante desagradável. É o culminar de um cumulativo de problemas e de deixa passar. E o interior é o interior, como sabemos. Por exemplo, o Jornal do Centro traz a notícia que os bombeiros salvaram a linha 112. Bom, a linha 112 eu não sei se os bombeiros a salvaram, o que eu sei é que os bombeiros salvam as pessoas. Se elas estiverem à espera de uma resposta do outro lado da linha, bem podem morrer, como aconteceu. Há cinco pessoas, não só infelizmente a de Tondela, que morreram à espera de serem atendidas só na última semana. A notícia hoje do CNN, quando eu estava a sair de casa de manhã, era que uma delas, infelizmente, portanto não cito Tondela, mas que morreram cinco. Nem eu sabia que eram cinco, eu pensava que eram três. Repare que só numa semana são cinco pessoas que morrem porque não têm sequer socorro. Elas podiam ter sido salvas se tivessem socorro a tempo. Portanto, isto não é uma questão sequer de saúde, isto é uma questão logística. É que não há ninguém que as transporte para o hospital. E já sabemos que os hospitais também estão neste momento muito cheios de serviço, com falta de médicos. A saúde no interior está um completo caos. A verdade tem que ser dita. Está até mais próximo da inexistência, do zero, do que até do caos. Porque nós temos edifícios? Temos, mas não há médicos, não há enfermeiros. Nós temos ambulâncias? Temos, com fartura. Mas há ambulâncias, só que não há quem as conduza. E a mesma coisa para o 112. Portanto, isto é a morte acelerada do interior, porque mesmo que invadam o interior, agora estamos a falar que o interior está a ser despovoado, mas entretanto estão a chegar os imigrantes. Mas mesmo que venham imigrantes, eles também precisarão de cuidados médicos. Isso não são só como os chineses. Sabe que os chineses nunca adoecem nem morrem, não se sabe por quê, ninguém estuda isso. Era até um desafio jornalístico que eu gostava de deixar. Por que é que nenhum chinês morre ou fica doente? Enfim, esse tema levar-nos-ia muito longe. Mas os imigrantes adoecem e muitos deles até já trazem consigo doenças exóticas que aqui até são praticamente desconhecidas. São estranhas, mas são normais no Nepal, no Paquistão, no Bangladesh. É um desafio acrescido ao nosso SNS. E para esses imigrantes também não há médicos, não é só para os portugueses. Portanto, se não existir um verdadeiro plano de urgência para a saúde que este governo anunciou, mas que nós não vemos, todos estamos condenados a não chegar à esperança de vida estatística no interior. Se bem que aqui na cidade também o problema não é muito melhor. Nós, os dois deputados eleitos por Viseu, fazemos todos os dias o nosso melhor para alertar para esta imensa questão.
O que o Chega tem proposto e acho que também é para o conhecimento de todos os viseenses e também toda a gente que está no distrito de Viseu. O que o Chega tem proposto e o que tem falado também com a tutela para conseguir que isto avançasse pra frente e que não fosse um problema a médio e longo prazo?
Mas é que esse problema parece resolver a curto prazo só importando médicos. Nós temos que ser honestos e sinceros na política. Não há panaceias, não há poções mágicas, não há soluções para isto. Há falta de médicos. Vá-se lá saber por quê. Nós até sabemos, porque durante décadas, quando eu entrei para a faculdade, era preciso uma média 17. Hoje em dia é preciso quase 20. Portanto, há um filtro muito apertado para os médicos. Só os melhores alunos é que entram para medicina e depois faltam médicos. E depois esses alunos que se formam, vão para o privado, que lhes pagam muito melhor. Portanto, isto não tem grande solução, a não ser formarem-se cada vez mais médicos e esperando que com a profusão do número de médicos no mercado, que naturalmente a oferta seja maior do que a procura e então os ordenados baixem, porque neste momento há médicos que não aceitam, seja qual for o ordenado que o SNS proponha. E em Viseu tivemos um problema, que a antiga administração do hospital só pagava €50 a hora, quando noutros lados pagavam 100 e 120. E foi por isso também que os médicos foram para outro lado. Mas o que é que nós temos proposto? O Chega exige, por nosso intermédio, os dois deputados de Viseu, a construção de uma faculdade de medicina no distrito de Viseu já há mais de dois anos. E atenção, pode não ser em Viseu, pode não ser na capital do distrito. Nós temos mais seis cidades no distrito Para além de Viseu, temos Tondela, Lamego, Mangualde, São Pedro Sul, Santa Comba Dão e Tarouca. Todas elas com condições para receber uma futura faculdade de medicina. E já agora recordo que este é um projeto e uma ideia original nossa, do Chega. Claro que está a ser adotado também por outros partidos, e muito bem, porque é uma boa ideia. Está a ser ultimada para ser apresentada como projeto de resolução com cabeça, tronco e membros na Assembleia da República, ainda durante a atual sessão legislativa. Isso para médio e longo prazo. Para curto prazo, meu caro, só importando médicos da América Latina, seja lá de onde for, porque nós temos que dizer a verdade: não há médicos. E se não há médicos, tem que se importar algum lado. É isto.
Muito bem. E João Tilly, há bocadinho já falou aqui da questão dos bombeiros. Nas redes sociais multiplicam-se publicações que alertam para que sempre que a população necessite e não consiga entrar em contacto com o CODU, através da linha 112, deve ligar diretamente para os quartéis. No distrito de Viseu, são várias as corporações que também já difundiram esta informação, sendo exemplo disso os bombeiros de Oliveira de Frades, de Penalva do Castelo, Mangualde e também Tondela. Esta solução acaba por ser viável por aquilo que disse há bocadinho. Não acredita que esta solução possa ser duradoura, mas é eficaz?
Não, salva-vidas. É que se estivermos uma hora à espera que alguém atenda o telefone do outro lado e ninguém o atende, a pessoa morre. Infelizmente, este país é mesmo um país ao contrário, como diz o nosso presidente, é verdade. Nós temos que voltar à solução anterior, a toda esta logística que nos custou milhões, se calhar centenas de milhões, que é o 112. Não é o 112 em si, é toda a mecânica e o CODU, e liga pra aqui, liga pra ali, liga pra polícia e toda gente atende, temos que dar os dados 30 vezes até que a ambulância sai. Ora, se nós ligarmos para os bombeiros que nós conhecemos, os bombeiros passados poucos minutos estão lá a socorrer-nos. Eu sou completamente apologista desta solução, porque é a única que salva-vidas. Dir-me-ão: "Mas não é tecnológica, não é digital, não é desenvolvida, não é de futuro." Não é. É que se fizermos o que o governo nos tem mandado fazer, o governo socialista, e este também, porque não tem outro remédio, ligarmos para o 112 e esperarmos que eles nos atendam. Repare, até um simples engasgar, já tem morrido gente engasgada, que bastava uma manobra de Heimlich, em cinco minutos salva-se a vida à pessoa. Mas o 112 demorar 45 minutos a chegar, adeus. Não há nada a fazer. Eu estou de acordo, o meu partido ainda não tomou posição, mas eu pessoalmente, enquanto deputado eleito por Viseu, estou de acordo que se ligue para os bombeiros, porque isso pode salvar muitas vidas, como vimos agora, só numa semana, salvaria cinco. Portanto, eu estou perfeitamente de acordo. Nós temos que salvar as pessoas antes de salvar instituições que nos custaram milhões e que muitas vezes estão pejadinhas de corporações partidárias. Isso é que não é preciso para nós.
Este é um tema que gera sempre muitas reações, por isso, caso queira partilhar as suas reações, a sua opinião conosco, 91 002 41 85 é o número do WhatsApp da Rádio Observador Viseu, e também pode fazê-lo através do e-mail viseu@observador.pt. João Tilly, vamos agora aqui falar de outro tema que traz alguma esperança. E vamos falar de turismo e de números bem recentes. Nos primeiros oito meses deste ano, 2024, as dormidas na região de Viseu, Dão Lafões, aumentaram 14,2%. Segundo o INE, houve mais 53 mil dormidas em comparação com 2023. A que se deve este crescimento e como é que este crescimento se pode tornar ainda mais gradual nos próximos anos?
Sim, senhor, é um assunto bastante mais agradável. Realmente, em termos turísticos, Viseu está acima da média, está na linha da frente. Olhe, só em julho e agosto, em dois meses, aumentamos 13,4%, para além dos números que nos indicou, onde a média nacional é 4,1. Tivemos 426 mil dormidas, mais 53 mil que o ano passado. O número de hóspedes subiu 20% para 234 mil. O crescimento nacional foi só 5,1 e nós subimos 20. Portanto, a oferta turística em Viseu realmente é muito diversificada, alicerça-se na natureza, na cultura, no património, gastronomia e enoturismo, que é muito importante, tanto no Douro como cá embaixo, na região, também de Nelas, Mangualde, por aí, e os eventos. Estamos aí no bom caminho, mas não podendo nem devendo uma região inteira dedicar-se exclusivamente ao turismo. Mas a verdade é que Viseu também não se dedica exclusivamente. Neste aspecto, o futuro está salvaguardado. Tem uma forte componente industrial a sul, Viseu, e uma forte componente agrícola a norte, aliás, muito esquecida. Bom, mas essa oferta turística pode e deve ser complementada com uma dimensão de turismo histórico, de que lhe falei na primeira entrevista que me recordo que lhe dei.
Sim, falámos disso.
Falámos disso. Viseu é o berço da nossa portugalidade. Aqui nasceu o nosso primeiro rei e aqui ele aprendeu as primeiras letras, em Lamego. Também aqui viveu os seus últimos dias, em São Pedro do Sul. Aqui viveram também o seu aio Egas Moniz, em Britiande, também Lamego, de que a Torre de Loucalha, por exemplo, e o Mosteiro de Salzedas, o de São João de Tarouca, são símbolos imponentes. Aqui viveu também o nosso rei intelectual, Dom Duarte, embora por poucos anos, e o seu filho Dom Afonso V. As muralhas afonsinas são bem visíveis em muitas zonas turísticas de Viseu, nomeadamente junto à Sé. Mas Viseu é muito mais antiga do que Portugal. É preciso ver. E na chamada Cava de Viriato, podemos apreciar a maior construção romana e árabe da Península Ibérica em extensão. Cabe lá dentro uma grande vila ou uma pequena cidade. Falamos de um milênio inteiro antes de Dom Afonso Henriques, século I ou século XI. Isso não está a ser explorado no turismo de Viseu.
O que pode ser ainda mais uma alavanca também para esta região
Gigante, porque há muita gente que se interessa por história e a história é a paixão de muita gente. E não só, mesmo o cidadão normal gosta de saber que o chão que pisa já foi pisado por os nossos grandes reis. Por exemplo, não só Viseu, São João da Pesqueira, que não é recordado. O Marquês de Pombal viveu em São João da Pesqueira e foi ele que mandou derrubar as fragas do rio Douro que deram o nome à vila Pesqueira, que era um sítio onde se pescavam os peixes com cestos, porque as fragas não deixavam que os peixes passassem para o rio lá embaixo, era muito alto. E foi ele que fez com que o Douro passasse a ser navegável também ali na zona. Ninguém tira partido disto. Já para não mencionar, talvez a mais linda, a mais bela das nossas lendas. Isto é uma lenda, claro, mas é a lenda do Mosteiro de Santa Maria de Cárcere, em Resende, em que se funda uma das mais antigas e bela história sobre os primeiros dias do nosso rei fundador, que se diz que nasceu turíbio das pernas e que foi lá que houve um milagre e ele ficou um moço muito pujante. Falta explorar toda essa vertente histórica, que pode trazer a quatro cidades de Viseu, nós temos sete, mas a quatro, diretamente, pode trazer muita gente. À própria capital, Viseu, também a Lamego, a São Pedro do Sul e a Tarouca. Muitos milhares de amantes de história e da cultura da península ibérica. O turismo histórico e cultural pode amplificar muito a afluência de turistas ao nosso distrito. E é isso que nós pensamos e é por isso que vamos pugnar também.
Muito bem. João Tília, e só para fechar aqui a nossa conversa, nos 45 anos do Instituto Politécnico de Viseu, foi anunciado um novo curso que vai começar em São Pedro do Sul: Termalismo, Saúde e Bem-Estar, sendo São Pedro do Sul o ex-libris da questão a nível de termas. É uma boa notícia também para todo o distrito de Viseu, esta nova oferta que surge nos 45 anos do IPV.
É muito boa notícia, mas também temos as termas do Carvalhal. Ali para as lados de Castro Daire também são muito importantes e muito antigas. São Pedro do Sul, como disse há pouco, foi para onde se foi recuperar fisicamente Dom Afonso Henriques quando, depois do grande desastre de Badajoz em 1169, ele foi para ali repousar e dali já nunca mais cavalgou, ficou sempre a ser transportado em liteira. São Pedro do Sul, as termas são muito mais antigas também, do tempo dos romanos. É realmente uma das nossas cidades ex-libris, lindíssima. Eu acho que se os europeus, já não falo dos americanos, conhecessem a beleza daquelas redondezas, daquele centro, eu acho que ficariam apaixonados. E temos muitos hotéis caros, hotéis mais acessíveis. São Pedro do Sul realmente é uma das nossas cidades a explorar. Está adormecido, como Tarouca, por exemplo, e outras cidades, Mangualde, estão adormecidas. Nós precisamos de as dinamizar.
O que interpreta como adormecidas?
Adormecidas, quer dizer, é aquele ram, ram. Desculpe a expressão.
Ao nível da atividade econômica, do turismo, no que é que se pode classificar essa questão?
No caso de São Pedro do Sul, a atividade industrial não será muito fácil, embora haja ali em Vouzela, logo ao lado, grandes empresas. Quer dizer, grandes para o nosso nível. A nível europeu são minúsculas. Mas a nível regional são já empresas que empregam dezenas de pessoas, isso é importante. Eu não estou a imaginar que São Pedro do Sul possa ser o albergue para grandes empresas, mas São Pedro do Sul é realmente de uma beleza tal que só por si, e ao contrário do que eu digo generalizadamente em termos de Viseu, que não se pode fundar apenas só no turismo, mas São Pedro do Sul até talvez possa, porque realmente as termas, como sabe, antes das praias, era o destino turístico das pessoas abastadas, das pessoas endinheiradas no século XVIII, século XIX, iam para as termas, as praias não valiam nada. As praias eram para os pescadores pescarem peixe, ninguém imaginava ir pra praia. Portanto, as termas sempre foram os locais luxo, a Rainha D. Amélia fundou várias. E portanto, sim, São Pedro do Sul é realmente um local paradisíaco, que merece que haja esse curso, que seja aberto esse curso de termalismo, não esquecendo, como digo, mais uma vez, o Carvalhal, que também são realmente termas muito importantes.
Muito bem, João Tília, muito obrigado por ter estado conosco mais uma vez aqui no Linha da Beira Alta e até uma próxima oportunidade. Até breve.
Eu é que agradeço. Muito obrigado, João. Agradeço.