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Crónica dos Estados Unidos contra a Bósnia. Estados Unidos venceram a Bósnia por 2 x 0 e seguem em frente no Campeonato do Mundo. Vão defrontar a Bélgica nos oitavos de final. Os Estados Unidos nunca perderam contra a Bósnia. Até hoje tinham se encontrado apenas três vezes. Mantém-se a tradição 2 x 0 para os norte-americanos. A Bósnia, em sentido inverso, diz adeus à competição. Os Estados Unidos foram para o intervalo a ganhar 1 x 0. Na segunda parte, ficaram reduzidos a 10 jogadores depois da expulsão, precisamente, do jogador que fez o primeiro gol. Ainda assim, não tremeram. Conseguiram, aliás, alargar a vantagem para 2 x 0, acredito eu, com a Bósnia mais posta também à procura desse gol. Comigo tenho o jornalista João Lourenço, esteve com um olhar atento durante todos os 90 minutos. João, o que achaste deste jogo, primeiramente?
Foi um jogo que, apesar do cartão vermelho ao Malo Gunn, foi acima de tudo uma partida de sentido único, especificamente na primeira parte. E se nós, Ricardo, ontem à noite estivemos aqui a elogiar a equipe do México, parece que em termos de objetividade, agressividade, positividade, a equipe dos Estados Unidos ruma na mesma maré. Ou seja, é uma entrada muito forte da equipe norte-americana, é uma pressão alta constante por parte dos homens liderados por Mauricio Pochettino e, acima de tudo, resulta do fato de serem atletas já com muito campeonato europeu, neste caso, muitos campeonatos europeus nas pernas, muito concretamente a Bundesliga, e acima de tudo, que conhecem aquilo que são as dinâmicas coletivas de uma formação que pode não ser enquadrada como uma das principais à conquista da vitória final, mas acima de tudo, uma seleção que já conquistou a atenção de muitas pessoas por esse mundo afora. Uma delas é a minha, acima de tudo, porque não esperava estas exibições dos Estados Unidos e que podem ser forte ameaça naquilo que será o jogo dos oitavos final. Já lá vamos à sentença, mas antes disso, há mais nomes por atribuir.
Exatamente. Pergunto então a quem é que atribuís a pérola deste jogo.
Eu tinha aqui o Font Larine Van Lagoon.
Fez o primeiro gol, certo?
E acima de tudo, teve um gol anulado, teve uma bola no poste no primeiro tempo, ou seja, não só por aquilo que já tem feito nesse campeonato do mundo, mas acima de tudo, o que fez, pelo menos no primeiro tempo, seria um forte candidato à pérola. Ora, foi expulso, bem expulso, e por isso eu vou ter que atribuir a um dos homens do meio-campo. Eu estava aqui indeciso entre o Weston McKennie, da Juventus, e o Malik Tillman, porque o Tillman fez esse gol. E que grande gol, e que grande livre o Malik Tillman marcou. Eu vou ter que atribuir a este homem de 23 anos do Bayer Leverkusen. Para além do gol, acho que o meio-campo dos Estados Unidos, no geral, esteve muito bem na pressão, na construção de jogo, na objetividade, na agressividade positiva e olhando aqui muito diretamente para os números do Tillman, é um médio jovem que tem, por exemplo, uma taxa de passes precisos de 70%, de passes no meio-campo de 91% em termos de precisão. Teve bastantes ações.
O jogo passa muito por ele, não é?
O jogo passa muito por ele, o jogo defensivo também passa muito por ele, porque teve seis recuperações, ou seja, é alguém que pode ser encarado aqui como um box to box. O gol foi de uma execução exímia, muito bonito o gol do Tillman, e por isso tem a pérola. Não conquista o Van Lagoon, porque-
Vai direto a vilão, não é?
Foi para os balneários mais cedo e é uma baixa bastante importante para a partida frente à Bélgica. Já lá vamos, mas enquanto à pérola, é para Malik Tillman, 23 anos, do Bayer Leverkusen. Muito bom jogo, coroada com um excelente gol.
Tillman fica sim com a pérola. Pergunto então, João, qual é que foi pra ti aquele momento decisivo do jogo? Qual é o joker desta partida?
Normalmente, o joker eu costumo atribuir a alguém que fez ou que teve um bom impacto ou a partir do banco, ou certamente da outra equipe, porque foi alguém que remou contra a corrente do jogo e que ainda tentou ser o mais insatisfeito naquilo que teria sido, por exemplo, a exibição da Bósnia. E eu quero aqui, por exemplo, destacar nesta seleção europeia o Tairovic, ele entrou muito bem ao minuto 51, tentou mexer muito com o jogo, principalmente no capítulo do passe e no capítulo do drible. No entanto, e até porque seria o momento que até poderia ter dado outro fulgor e outro ânimo à Bósnia, o momento da expulsão. É uma expulsão inteiramente justa, grande decisão por parte do Rafael Claus, o árbitro da partida.
Foi ao VAR.
Muito auxiliado por uma equipe de videoarbitragem. É para isso que lá está o videoárbitro, é mesmo para corrigir este tipo de erros. Não gosto muito de dizer, mas neste caso, corrigir este tipo de imprecisões no que toca ao olhar humano do árbitro, que não consegue chegar a tudo.
Mas sim, é uma falta feia.
É uma falta feia, podia ter arrumado, podia ter deitado por terra as ambições dos Estados Unidos em termos anímicos, mas não foi esse o caso. E acho que o joker teve um efeito, não vou dizer positivo, mas teve um efeito nos Estados Unidos de agregar a equipe. Ou seja, nós apesar de estarmos com menos um atleta, podemos ter aqui este momento de juntar as tropas, de dizer: "O jogo ainda está a nosso favor, estamos a jogar em casa, não vamos deixar a Bósnia ter a partida controlada, ter o seu jogo, conseguir as respectivas oportunidades e por isso, vamos em busca do segundo gol." Foi isso que aconteceu Tanto é que antes desse livre, o Pulisic teve um golo anulado por fora de jogo, ou seja, houve ali três, quatro, cinco minutos em que a Bósnia pode ter estado por cima depois dessa expulsão, mas depois disso foi totalmente os Estados Unidos. Por isso, parabéns aos Estados Unidos, parabéns ao Pochettino, que tem essa experiência. O Pochettino levou o Tottenham a uma final da Liga dos Campeões.
O que não é fácil.
O que não é fácil. E por isso é um treinador com experiência, conquistou também na liga francesa ao serviço do Paris Saint-Germain. Por isso há que dar mérito ao Pochettino, que num momento de adversidade ou de possível adversidade, conseguiu juntar as tropas e num cartão vermelho conseguiu transformar num momento de positividade e de grande genialidade nos pés do Tillman, mas acima de tudo coletividade que foi os Estados Unidos.
Abrimos então as portas do tribunal, João, para saber qual é a tua sentença deste jogo.
E a minha sentença é: os Estados Unidos ao chegarem aos oitavos de final da competição, não é a primeira vez que fazem isso e até estou aqui mais ou menos a contar, estou a recorrer aqui ao manual da história deste campeonato do mundo. É a sétima vez que a formação norte-americana atinge este patamar nesta fase final destas palavras da FIFA. Mas há aqui uma bonita, grande diferença a favor da equipe norte-americana, é que joga em casa. Voltamos à questão do fator casa. O que é que o fator casa... Precisamente. O fator casa pode mexer, acima de tudo, e falando do México, que também vai fazer essa partida dos oitavos final no Azteca. Ora, os Estados Unidos vai fazer a partida da próxima fase em Seattle, frente à Bélgica. Uma Bélgica que passou mal, passou muito mal frente à seleção do Senegal. Eu estou-me a rir porque eu, quando vinha aqui para os estúdios da Rádio Observador, eu estava a comentar no grupo que nós temos no grupo de WhatsApp, que a equipe do desporto da Rádio Observador tem, a dizer que a Bélgica estava a olhar para aquela partida e dizia: "Não, a Bélgica está fora. E junta-se à Alemanha e aos Países Baixos como seleções do velho continente que realmente têm essa palavra de velho".
Valeu-lhes um pênalti aos 120 minutos, não é?
Precisamente, valeu-lhes também, não só esse pênalti aos 120 minutos, mas muito antes disso, um reunir de tropas muito positivo. Mas o que fica para a história é que a Bélgica passou mal e passou certamente pelas brasas nesta partida dos 16 avos final. Mas encontra agora os Estados Unidos, e acima de tudo, a equipe dos Estados Unidos, que é preense, que é esta sentença, que joga em casa, que vem em boa fase, que acima de tudo, teve uma derrota assim um pouco mais complicada na última jornada da fase de grupos.
Contra a Turquia.
Frente à Turquia, por 3x2. Mas é uma equipe que tem aqui jovens valores, que tem aqui, apesar de não ter agora o Ban Logun, tem outros e, por exemplo, estou a olhar aqui para a ficha do Haji Wright, um avançado de 28 anos do Coventry. Também tem Ricardo Pepi, do PSV Eindhoven, tem o Tillman, tem Giovanni Reyna, do Monchengladbach, tem Diego Luna, que é um médio de 22 anos, também uma jovem promessa desta equipe norte-americana. Tem Timo Weah, que foi referência a um dos últimos anos da frente ataque da equipe dos Estados Unidos. E por isso esta formação norte-americana enfrentava a Bélgica com duas certezas. Uma, pode passar. Pode passar e pode discutir o resultado. Duas, joga em casa. Três, eu disse duas certezas, mas aponto mais uma. A final não há duas sem três. Já dizia o meu pai.
Qual é que é a melhor campanha dos Estados Unidos em mundiais?
1930, meias-finais.
Meias-finais, ok.
Eles atingem com esta prova, a sétima vez que vão aos oitavos de final. Nunca chegaram aos quartos, chegaram certamente mais longe, às meias-finais, lá está, em 1930.
Mas no futebol atual, digamos, no futebol moderno, não...
Não tem esse registro. Tem, acima de tudo, essa ambição. Agora, e a partir de agora, tem essa ambição de podermos eliminar a Bélgica, porque temos essas condições. Jogar em casa, ter uma boa equipe, ter um grande selecionador. Sou fã do Pochettino. Esperar para ver.
Esperar para ver e os Estados Unidos vão tentar certamente sonhar também imbuídos neste espírito de festa que se vive na América. João Lourenço, reste-nos então a mentira.
Eu vou dar a mentira, acima de tudo, à falta de aproveitamento do cartão vermelho dos Estados Unidos, neste caso, falta de aproveitamento da Bósnia.
Por parte da Bósnia, sim.
A Bósnia, nós esquecemo-nos, mas a Bósnia, para estar neste campeonato do mundo, sabes quem é que eliminou a Bósnia?
Já não me recordo.
Foi a Itália.
Itália, exatamente.
A Itália, que era um dos grandes tubarões europeus em termos de seleções, caiu aos pés da Bósnia, numa partida, neste caso, na altura, jogada em casa. A Bósnia teve esta surpresa de se apurar para a fase final deste campeonato do mundo. Era a segunda vez que teria este feito. Não lhe vou dizer, foi um mau mundial para a Bósnia. Não, não foi um mau mundial para a Bósnia.
Consegue passar a fase de grupos.
Teve aqui, certamente, o seu momento de grande inspiração nacional. Vai para casa mais cedo ou, neste caso, vai para casa, não é mais cedo, mas na altura ideal, mas poderia ter feito mais depois da expulsão. Não conseguiu ter esse sangue na guerra que nesses momentos é necessário. A partida estava 1x0, estava a um golo apenas, poderia ter levado a partida para prolongamento. Não conseguiu fazer. É mentira que a Bósnia teve um apuramento praticamente impossível, porque não foi isso que aconteceu, porque a Bósnia teve o apuramento nas mãos, muito por causa dessa expulsão do Ban Logun. Não conseguiu agarrar e a mentira é para eles.
Fica por aqui, então, esta crônica de jogo. João Lourenço, que esteve atentamente a analisar este duelo entre uma das seleções anfitriãs, os Estados Unidos e a Bósnia. Vida feliz para os norte-americanos. Seguem para os oitavos, onde vão encontrar a Bélgica. Em sentido inverso, a Bósnia, que até agora tinha marcado presença em apenas um mundial, segue para casa. Obrigado, João. Um abraço.