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Nos Centros de Saúde CUF encontra tudo o que precisa para cuidar da sua saúde bem perto de si. A sua equipa de família, com médico de família e enfermeiro, além de medicina dentária, análises clínicas e muito mais. Quem tem CUF à porta, tem tudo.

Cá estamos para mais um Tratado da Saúde com o doutor João Marques Santos, médico de família dos Centros de Saúde CUF. Doutor, bom dia. Bem-vindo.

Olá, bom dia, Maria João.

Costuma dizer-se que rir é o melhor remédio. É só uma força de expressão ou a ciência confirma mesmo esta ideia, doutor?

É assim, na verdade, é uma frase feita. É o saber popular nesta certa mesmice. Rir faz mesmo bem à saúde, tanto na mente como no corpo. Não é apenas uma frase feita, temos evidência científica sólida que nos demonstra que este riso provoca alterações imediatas e mensuráveis no nosso organismo.

Mas o que acontece exatamente no corpo quando damos uma boa gargalhada?

Há uma autêntica transformação positiva. Quando nos rimos, o nosso cérebro vai aumentar a libertação de endorfinas e de serotonina, que são as chamadas hormonas do bem-estar e do alívio do desconforto. Ao mesmo tempo, há uma diminuição dos níveis de cortisol e de adrenalina, que são as hormonas do estresse, e a curto prazo, isto vai reduzir a nossa frequência cardíaca, baixar a pressão arterial e trazer bem-estar.

Tão bom. Ou seja, relaxa-nos a sério, mas para ansiedade, depressão, o riso ajuda também?

Ajuda e de uma forma muito significativa. Há vários ensaios clínicos que mostram que a risoterapia reduz de forma moderada a elevada os níveis de ansiedade e de depressão. É uma abordagem complementar, segura e eficaz, e é usada em doentes oncológicos, por exemplo, para aliviar a dor e a fadiga. Ou em utentes com tuberculose, por exemplo, para melhorar a função pulmonar e até a qualidade de vida.

Falou em risoterapia. É preciso ir a consultas específicas ou ter uma dose recomendada para isto funcionar, doutor?

Sim, há de fato profissionais que trabalham especificamente a risoterapia, como a terapia através do riso. Mas, na verdade, não precisa de receita médica para rir. Nem do acompanhamento de um profissional. Há estudos que mostram que para obter benefícios claros na ansiedade, no humor e na depressão, o ideal é acumular cerca de 20 minutos de riso por dia, ao longo de três, quatro semanas.

Bem, 20 minutos por dia, doutor João, mas há dias em que uma pessoa não tem vontade nenhuma de rir. Se for assim, o riso forçado também funciona ou tem que ser 100% natural e genuíno?

Sim, há dias mais complicados, mas a boa parte é que o nosso cérebro facilmente é enganado, entre aspas. O riso voluntário ou simulado, como se faz, por exemplo, no yoga do riso, combina a respiração com o ato de rir, por exemplo, produz no organismo praticamente os mesmos efeitos fisiológicos que o riso espontâneo. Muitas vezes, este riso forçado acaba por contagiar e transformar-se numa gargalhada genuína. Vamos pensar, se experimentarmos forçar o nosso riso durante alguns segundos, na maior parte das vezes vamos acabar por rir de nós próprios. E isto acaba por ser espontâneo e bom.

Isso é uma ótima notícia. Mas então que estratégias práticas podemos adotar no nosso dia a dia?

É simplificar e priorizar o humor. Por exemplo, consumir conteúdos leves. Ver uma série de comédia, vídeos engraçados ou ouvir um podcast de humor, por exemplo. Claro que com moderação. Procurar convívios, sobretudo partilhar momentos descontraídos com amigos e família, e este riso social é muito mais fácil acontecer. E depois praticar o riso voluntário, experimentar simplesmente rir quando tomamos banho ou ao conduzir. E no início pode parecer estranho, mas depois o nosso corpo acaba por responder e há uma libertação hormonal que promove o bem-estar.

Doutor João, na verdade, é uma receita simples, sem efeitos secundários e que está ao alcance de todos.

Sem dúvida, é gratuito, é seguro, não tem efeitos adversos e não precisa de passar pela farmácia. Portanto, é tudo muito mais simples. Não vai substituir os medicamentos quando estes efetivamente são necessários, mas é um aliado fantástico e ajuda a nossa saúde.

Fica a dica para o nosso dia a dia, doutor João Marques Santos. Muito obrigada, até à próxima.

Até à próxima.

Para a semana está comigo a doutora Mariana Sobral.