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4700 milhões. 43 milhões de euros.

Peço desculpa, mas são muitos números.

E hoje, no "Moeda de Troca", Paulo Ferreira, vamos olhar para os negócios de Isabel dos Santos em Portugal.

Sim, já tivemos posições empresariais de Isabel dos Santos arrestadas em Angola na última semana do ano, isso começou por lançar o alerta. As posições que a empresária Angola tem em Portugal não estão, para já, em causa, mas agora, como vemos, aperta-se o cerco e não se sabe quais serão os próximos passos das autoridades, tanto em Angola como em Portugal, como eventualmente noutros países onde haja interesses da empresária. Não se sabe se estas novas revelações dos Luanda Leaks, de dados e de documentos feitos nas últimas horas, pode finalmente fazer atuar, por exemplo, as autoridades portuguesas e por isso importa saber que patrimônio empresarial, além do patrimônio pessoal, de que já falamos hoje, esta manhã, tem Isabel dos Santos em Portugal.

E Paulo, a filha do ex-presidente angolano tem quatro participações importantes em empresas de referência em Portugal: a Galp, NOS, Efacec, também o Banco Eurobic. Cada uma delas representa uma preocupação diferente. Portanto, talvez comecemos pela Galp.

Pela Galp, por exemplo. O controle da petrolífera portuguesa, que é a maior empresa deste setor em Portugal, é feito através de um sistema de várias empresas em cascata, com algumas delas sediadas na Holanda e com controle maioritário do Grupo Amorim, o grupo que é líder da cortiça em Portugal e em todo o mundo. Isabel dos Santos, feitas bem as contas, tem depois uma posição indireta de cerca de 15% do capital da Galp, mas o controle aqui das sociedades que têm a maioria na Galp, são do Grupo Amorim. Depois há a NOS, o operador de telecomunicações e que também tem salas de cinema. Isabel dos Santos tem metade do capital de uma empresa que controla 52% da NOS. A outra metade pertence ao Grupo Sonae.

E depois passamos para a Efacec, que Isabel dos Santos controla nesta empresa cerca de 75% do capital. A empresa não está cotada em bolsa, é dirigida por Mário Leite da Silva, o gestor de negócios de Isabel dos Santos em Portugal. E há também o Eurobic, que Isabel dos Santos controla com 42,5% do capital e também com outras parcelas do capital na posse de aliados.

Exato. Então, disto tudo, o caso menos complicado é claramente o da Efacec, que é uma empresa que não é cotada em bolsa, que é controlada por ela. Se houver problemas, pode ser vendida e outros acionistas podem pegar nela. E depois há dois casos distintos: o caso da NOS e da Galp, que estão cotadas, portanto, merecem mais controle por parte das autoridades e é importante perceber que neste momento não é bom ser sócio de Isabel dos Santos, portanto, quer o Grupo Amorim, quer o Grupo Sonae, terão aqui um problema de reputação para resolver e a questão mais delicada é claramente o Eurobic, que é um banco, tem regulação direta do Banco de Portugal, é muito mais sensível à reputação e portanto, aqui terá que haver um controle muito grande das autoridades, sendo certo que não é bom também que Isabel dos Santos apareça como, neste momento, dominadora deste banco.

Paulo Ferreira e Miguel Cordeiro com o "Moeda de Troca" na Rádio Observador e sempre em podcast.

4700 milhões. 43 milhões de euros.

Peço desculpa, mas são muitos números.