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Momentos de glória com o Paulo Ferreira.

Vamos lá então. Há poucos dias, nós sabemos, os deputados votaram na eleição para os órgãos externos e Pedro Pinto, do Chega, não gostou nada de ser o último a saber.

Eu queria fazer uma questão de ordem, senhor Presidente, para a condução dos trabalhos, devido aos resultados que o senhor Presidente vai anunciar daqui a pouco sobre as eleições aos órgãos externos, que eu acho profundamente lamentável que já a comunicação social há uma hora e meia ou há uma hora tem dado resultados e nós não sabemos nada. Nós somos deputados eleitos pelo povo. Devíamos ser os primeiros a saber antes da comunicação social. Portanto, esse é o lamento e esse abafo, senhor Presidente.

É verdade. Mas quem não tiver telhados de vidro, seja de onde for, em que instituição, em partidos e tal, que se chegue à frente. A verdade é que esta é uma situação que acontece em muitos sítios, não devia acontecer. Sou o primeiro a lamentar.

Lamentável, não é? Estes malandros da comunicação social que andam sempre aí a estragar as surpresas. É preciso dizer que é sempre assim, até nas noites eleitorais. Isso acontece. A comunicação social diz os resultados e eles estão todos à espera, que só são publicados os resultados oficiais, às vezes, semanas depois, dias, seguramente. Portanto, vamos lá com calma. Bom, mas de fato, não se pode acabar com esta bandalheira, diria-se. Bom, quem não se incomoda nada com isto e com estas coisas é o Lourenço, que se cruzou ontem com António José Seguro numa iniciativa sobre o Dia Mundial do Livro.

Encontrou o adversário à altura. Ouvir dizer que me queres tirar o lugar, é isso?

É.

É? Então e quando é que te vais candidatar?

Ainda não sei.

Ainda não sabes? Mas, só um pequeno pormenor. Tens que ter 35 anos.

Sim.

Sim. E não basta só isso. Tens que estudar, ler, aprender muito, conhecer muito o nosso país, que o nosso país é um país que nos enche de orgulho, é um país muito bonito. Como é que te chamas?

Lourenço.

Lourenço. Então vou fixar o teu nome. Queres mesmo ser o quê?

Presidente.

Muito bem.

O Lourenço.

Sentiu o presidente ali a medir forças. "Ainda não consegues, ó, tens que estudar muito."

Come um bocadinho.

Tens que comer a papa toda.

O Lourenço terá uns seis ou sete anos. A reportagem da RTP que retirámos este sábado nos diz, mas terá por aí seis, sete anos.

Portanto, daqui a 20 e poucos anos vamos ter o Lourenço.

Lá para 2056. Das eleições de 2056 em diante, ele poderá apresentar-se, ele sabe bem o que quer. Bom, mas até lá o Lourenço deve ir ouvindo quem conhece bem os cantos à casa e a casa, neste caso, é o Palácio de Belém. Acham que é muito confortável ou até muito romântico viver num palácio? Ouçam quem sabe.

O Palácio de Belém é um sítio muito inóspito. É um edifício muito antigo, é muito difícil de trabalhar lá, com pessoas muito envelhecidas, os funcionários que lá estão. Não gostei nada de trabalhar no Palácio de Belém, exatamente porque as condições são péssimas, como disse, as condições físicas do edifício, acho que aquilo está completamente fora de mola.

Portanto, percebes, desculpe interromper-te outra vez, Rui, mas isto é a conversa, que António José Seguro queira ir dormir a sua casa.

Percebo perfeitamente. Aliás, o presidente Marcelo, quando assumiu as funções, disse-me várias vezes e disse para quem queria ouvir lá, que, na verdade, não queria nunca utilizar o Palácio de Belém como residência, para dormir lá, etc. Mesmo até as refeições também fazia poucas lá. Ainda estamos no tempo do Fortimel e outras coisas. E, de fato, ele ia dormir todos os dias a casa e dava-se muito bem com isso.

Rui Ochôa, aqui, fotojornalista. Ele foi fotógrafo oficial de Cavaco Silva e de Marcelo Rebelo de Sousa. Pode-se dizer que tem uma memória fotográfica do Palácio de Belém. Ele esteve ontem aqui no "Contra Corrente", levantou um pouco o véu sobre os bastidores de Belém. Portanto, trabalhar de lá, sim, viver e dormir, nem pensar. Portanto, Lourenço, vai tomando nota destas coisas.

Vais ter que ter isto em conta.

E com Cavaco Silva, como era?

Foi exatamente o contrário do professor Marcelo. A doutora Maria Cavaco Silva tinha uma influência muito grande, não só no palácio, porque digamos que, por exemplo, num jantar ou almoço que havia lá, ela ia sempre ver como é que as coisas estavam e também a presença dela e o conselho era muito importante, porque o professor Cavaco Silva era um economista, portanto uma pessoa muito menos sensível para as questões estéticas e, de fato, a doutora Maria Cavaco Silva era muito importante, como também foi a doutora Maria José Rita, enfim, que são os que eu tenho mais conhecimento e mais presente. E de fato, aqui nesse caso, era do professor Cavaco, era muito importante. Foi talvez, penso eu, das primeiras-damas, entre aspas, que tiveram uma maior assertividade, uma maior influência e que no palácio, que como disse, é um palácio frio, impessoal e que, de certo modo, a presença feminina ao lado do presidente suavizou um pouco aquela austeridade.

É claro que as mulheres podem fazer toda a diferença, fazem toda a diferença. Mas se o espaço pode ser frio, pouco acolhedor e essas coisas todas, as pessoas podem fazer a diferença e criar um melhor ambiente. As pessoas que lá trabalham. Será que é mesmo assim? Vamos ouvir o Rui Alyssa.

Não gostei nada do ambiente e guardo algumas más memórias. Mas é o quê, concretamente? O Palácio não é muito... É muito formal, é isso? Exatamente, é isso, muito formal, com funcionários que estão lá há muito tempo, que fazem parte da secretaria-geral. Da mobília. Da mobília. São pessoas muito formais. Têm o ar muito frio. Exatamente. E tratam-se todos por doutores e engenheiros. Aliás, uma das coisas que quando lá chegamos, o chefe da Casa Civil, que não era nada formal, pelo contrário, o doutor Azemelo, quando chegou lá, disse aos assessores e consultores, disse-nos assim a todos: "Meus amigos, aqui não há doutores, nem engenheiros, não há nada". E de facto, nós tratávamos todos por nome. Mas a diferença entre a Casa Civil e a chamada Secretaria-Geral era abissal. Porque era o lado pesado do funcionalismo, alguns até com uma certa subserviência. Enfim, pronto, é essa a imagem que vocês têm. Isto é um bocado polémico o que eu estou a dizer, mas paciência, é aquilo que eu penso e que de facto também senti durante os 10 anos.

Pois claro.

Zero saudade.

Pois, Rui Alyssa, aqui também está a dizer: "Se tratasse num país de doutores e engenheiros, o staff do Palácio de Belém não podia despir". Bom, mas tudo isto, de facto, essa descrição da vida em Belém está mesmo a pedir um abracinho. Um abracinho igual àquele que António Gesser partilhou ontem com o Lourenço e com seus amiguinhos.

Olá. Abraçar é tão bom, não é? Abraçar é tão bom. Olá!

Oi, tão bonitinho.

Pode abraçar à vontade que ele não mora e não vai não viver no Palácio de Belém.