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E ontem foi um dia muito movimentado no Parlamento, muito animado e que começou logo assim:
Queria fazer uma interpelação à Mesa, senhora Presidente.
Faz favor.
Senhora Presidente, eu acho que esta sala não tem condições nem para os jornalistas, nem para nós, deputados, exercermos aquilo que devíamos exercer, que era fazer bem o nosso trabalho.
Primeira coisa, não há condições. É assim. Logo para começar, não há condições para uma pessoa trabalhar.
Porque é muito difícil nós estarmos a inquirir o Ministro da Administração Interna nesta sala com tantos deputados, com tantos jornalistas, dada a importância que esta audição tem. E eu gostava de saber apenas uma coisa: esta audição estava marcada para a sala do Senado e eu gostava de saber por que foi alterada para esta sala. Se a tentativa é desvalorizar a audição ao senhor Ministro da Administração Interna ou se existem outras razões que são desconhecidas. Mas até hoje de manhã, esta audição estava anunciada na sala do Senado.
Mais um mistério, uma cabala, uma teoria da conspiração, o drama da mudança de sala. Com que objetivo? A explicação vem logo a seguir.
Muito bem, senhor deputado, dar-lhe esse esclarecimento, não é sempre esses pensamentos perversos que tem.
Os pensamentos perversos que tem. Isto é uma acusação grave. Pedro Pinto tem pensamentos perversos. A explicação é que era bastante simples.
O que acontece é que estava com problema de som a sala do Senado. Já está a dizer que é para desvalorizar. Senhor deputado, a sala do Senado estava marcada, e bem, porque nós entendíamos que precisávamos de uma sala maior, mas tendo um problema de som e tendo sido dito pelos serviços da assembleia que não podíamos fazer na sala do Senado, que estava com problema de transmissão, nós não tivemos outra alternativa, senhor deputado. É esta a razão por que foi alterado para a sala seis. Não há outra razão. Faz favor.
Era uma razão muito simples. O Chega anda com problemas com salas. Com as salas, com a segurança e com o som. Pedro Pinto, é que não gostou muito da acusação de pensamentos perversos.
Muito obrigado, senhora Presidente. Vou fazer uma pergunta que creio que é a ideia de todos os deputados aqui presentes ou praticamente todos os deputados aqui presentes. Não é um pensamento perverso. Nem lhe posso admitir que a senhora presidente diga isso já no início de uma audição, que é pensamento perverso. São ideias e opiniões que os deputados têm que ter. E os deputados foram legitimamente eleitos pelo povo português e a senhora tem que respeitar isso.
Pronto, legitimamente eleitos e opiniões e ideias que não são pensamentos perversos. Da parte da tarde, no debate sobre a moção de censura, tivemos mais um episódio da telenovela Interpelações à Mesa.
Lembro: os deputados podem interpelar a Mesa quando tenham dúvidas sobre as decisões desta, da Mesa, ou quanto à orientação dos trabalhos. É isto que é uma interpelação à Mesa. Se por acaso ela fugir disto, eu cortarei a palavra, porque é assim que deve ser o cumprimento do regimento.
Senhor Presidente, eu creio que a interpelação à Mesa serve também para distribuir documentos e é isso que eu irei fazer.
Não serve.
Serviu durante 50 anos de democracia. Se não servir a partir de agora, alguma coisa vai mal na democracia.
Não serve.
Ó senhor Presidente, peço desculpa. É interpelação à Mesa e o senhor pode dizer aquilo...
Senhores deputados.
Pelo amor de Deus!
Calma!
Pelo amor de Deus, gente! Eu sei que vocês não gostam, mas têm que ouvir.
Têm que ouvir. Pedro Pinto é o grande especialista em interpelações à Mesa, mas no debate nós tivemos também direito a poesia. A rimas, palavras que rimam com interpelações.
O que não quer dizer o mesmo que poesia.
Não é o mesmo. Rimar não é o mesmo que poesia.
Em suma, enquanto muitos estão atrelados ao seu tanque de eleições, moções, demissões, comissões, insinuações e chavões, nós estamos focados em encontrar soluções para a vida das pessoas.
Aqui está, não é poesia. Mas que rimava tudo, isso rimava. De regresso às audições, neste caso, à audição do ministro, houve mais dificuldades logísticas.
Eu agradeço que não se coloque. Nós não conseguimos movimentar para parar o tempo. Não podem estar em pé. Peço desculpa, mas interfere com o comando e nós não conseguimos parar o cronômetro. Peço desculpa.
Amigo, não dá.
Isto acontece muitas vezes. Às vezes, tem que desviar o cão para conseguir mudar de canal e no Parlamento é o mesmo problema. Nada que não se resolva com uma pausa.
Eu vou interromper. É 12:21, retomamos a segunda ronda ao 12:30, porque são mais duas horas e as pessoas também têm que desentorpecer e descansar 10 minutinhos para depois retomarmos mais duas horas na segunda ronda. Muito obrigada.
E outras coisas.
Desentorpecer. Mas isto compreende-se. Depois de uma meia maratona numa sala sem condições e com pensamentos perversos no ar, as pessoas precisam de desentorpecer.
E coisas.
Isso.