Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Começa aqui mais um Nem Tudo Que Vai a Rede é Bola. Sejam bem-vindos. Hoje, como habitual, com o Bruno Roseiro e a Mariana Fernandes. Não tão habitual comigo, André Maia. Na segunda parte do programa vamos estar à conversa com o agora vencedor das 24 Horas de Le Mans. Vai juntar-se a nós António Félix da Costa, que voltou a levantar bem alto a bandeira de Portugal nos últimos dias, mas isso é só para a segunda parte. Por enquanto, arrancamos a toda a velocidade para os temas da semana e começamos com a habitual dança das cadeiras nesta altura do ano no futebol. Vamos ao mercado, que tem estado bem animado, Bruno. Aliás, até corremos o risco de, desde o início do programa, já ter sido vendido mais alguém na nossa liga.
O que hoje é verdade, amanhã é mentira. Dizia Pimenta Machado. E sobretudo, são demasiadas cadeiras, tendo em conta a perspetiva que existia no final do campeonato. Basicamente, em termos nacionais, nesta altura só temos a decorrer as finais do hóquei em patins e do futsal. Tudo o resto já acabou e haverá também competições de seleções em várias modalidades. E de facto, o mercado está a ser particularmente agitado, porque na perspetiva dos três grandes havia essa possibilidade de fazerem caixa até dia 30 de junho para entrar neste relatório e contas do exercício 21/22. Mas as ofertas que têm chegado estão a superar largamente a expectativa que existia e isso está a trazer também problemas para aquilo que tinha sido pensado entre a SAD e os respetivos treinadores. Olhando para o cenário do Futebol Clube do Porto, já tinha existido a venda de Luís Dias em janeiro, já há também a confirmação da saída de Fábio Vieira por 35 milhões, mais cinco por objetivos para o Arsenal.
Que agora até já aparece no site da Premier League. Portanto, já estará praticamente feito.
Sim, a princípio já estará feito. São aqueles pormenores do costume, que depois também envolvem, por obrigação, comunicados à CMVM, etc. E depois há aqui duas grandes dúvidas que têm a ver com a hipótese A: Vitinha vai mesmo sair. E recordo que Vitinha teve uma proposta de Inglaterra próxima dos 40 milhões, que foi recusada. Existe agora a perspetiva de o Paris Saint-Germain poder acionar a cláusula de rescisão. Há mais dois médios na lista que já está a ser elaborada por Luís Campos, novo conselheiro do presidente Nasser Al-Khelaifi. Renato Sanches, que está no Lille, e o Enzo Fernández, do River Plate, que tem sido sobretudo falado para o Benfica e agora também na Argentina para o Futebol Clube do Porto. Existe também essa curiosidade. E depois existe aqui esse cenário que é Vitinha sai, em princípio, mais ninguém vai sair, a não ser alguns casos, como por exemplo, Marchesín, que nesta altura não tem hipótese de ser titular no Futebol Clube do Porto e é uma mais-valia que poderá ser vendida. Ou hipótese B, Vitinha não sai, acaba por renovar contrato, e essa também é parte da notícia, ou seja, renova contrato e fica mais um ano, e abre-se a porta à possibilidade de venda de Evanilson, que recebeu propostas que o Futebol Clube do Porto não pensava, nomeadamente uma de 105 milhões de euros, que já terá sido recusada.
Financeiramente, até seria melhor que a do Vitinha, não é?
Muito melhor e sobretudo a SAD do Futebol Clube do Porto não estava à espera que Evanilson pudesse já receber uma proposta deste género e portanto, está nesta altura na expectativa de perceber o que é que poderá acontecer com o Vitinha. Olhando para a parte do Sporting, estava definido que João Palhinha ia sair. Em condições normais, seria para o Wolverhampton, que foi quem manifestou interesse na contratação do jogador, mas entretanto o Fulham de Marco Silva conseguiu antecipar-se, conseguiu chegar a acordo também com o jogador, que entre Fulham e Wolverhampton não existe grande diferença, a vontade dele é ir para a Premier League. Existe a possibilidade de negócio por um pouco mais de 20 milhões de euros, tendo em conta valores fixos e objetivos, portanto, um pouco mais do que o Fulham apresentou. Aliás, o Fulham vai na quarta proposta já para o Sporting, em princípio deverá ser a definitiva. O que mudou aqui é que também Matheus Nunes poderá sair. O Wolverhampton aproximou-se dos 50 milhões, que era uma espécie de barreira que a SAD do Sporting tinha, e isso poderá levar a: um, criar um problema, porque Rúben Amorim aquilo que tinha falado era saía Palhinha, porque já tem um substituto natural que é o Ugarte, Matheus ia fazer mais um ano. Nesta situação, o Sporting terá de investir na contratação de um médio e ao mesmo tempo libertar dois casos que estão nesta altura presos. O Trincão, que está há muito fechado um acordo com o Sporting, falta agora definir o acordo com o Barcelona, e também um jogador com o perfil de Samuel Lino, se não puder ser Samuel Lino por empréstimo do Atlético de Madrid, que será, digamos assim, um substituto de Slimani, mesmo tendo características completamente diferentes. Ou seja, Rúben Amorim vai voltar à fórmula inicial de ter Paulinho e não ter um substituto natural, de raiz, um ponta de lança como era, por exemplo, Slimani. No caso do Benfica, já fechou a grande venda da temporada, Darwin Núñez, já resolveu a situação de Everton, que vai sair para o Flamengo por menos do que chegou. Portanto, por si só se percebe que não é propriamente o melhor negócio, mas é um negócio possível. Vai chegar David Neres, que o Benfica não irá pagar nada, ou seja, vai abater na dívida que existe do Shakhtar para com o Benfica, ainda a propósito do Pedrinho, e continuará ainda a dever três milhões, porque David Neres está avaliado em 12 milhões. Gotze tudo aponta que deverá seguir para a Alemanha e para o Eintracht Frankfurt, ou seja, um desejo aberto de Roger Schmidt que não vai ser concretizado. Enzo Fernández também é um dossiê cada vez mais complicado, porque o River não o quer libertar até ao final da Taça dos Libertadores, por perceber que pode, de facto, ganhar essa competição e por aquilo que tem jogado no campeonato, percebe-se que sim. E depois há uma série de dossiês por resolver. Weigl, que também está de saída, Pizzi, Taraabt, a própria saída do Gonçalo Ramos, que em princípio será outra mais-valia Significativa depois de Aaron Nunes e tudo isto terá de ser resolvido para depois existirem as tais entradas que Roger Schmidt pretende. Portanto, é uma revolução para um início de um novo ciclo que continua adiada por todos estes casos que continuam à espera de solução.
Vamos ver quais é que são os próximos episódios desta novela das transferências no futebol e passamos para uma novela que é só de uma transferência, neste caso no MotoGP. Mariana, afinal de contas, já sabemos quem é que vai ficar com Miguel Oliveira ou temos de esperar também mais uns episódios?
Acho que vamos ter de esperar pelos próximos episódios para ter a certeza, mas acho também que estamos cada vez mais perto de ter uma ideia sobre o futuro de Miguel Oliveira. Essa novela em relação ao futuro do piloto português, na verdade, começou com a confirmação da saída da KTM, depois de Miguel Oliveira ter recusado um regresso à equipa satélite, à Tech3. Continuou depois com aquela passagem pelas garagens da Gresini Ducati na Catalunha, que deixou a ideia de que o próximo capítulo já podia estar definido e passava então pela Ducati. Teve a passada quinta-feira como dia que estava aparentemente reservado para um grande anúncio da Ducati, que se achou que também podia passar por essa oficialização da contratação, mas começa esta nova semana agora com uma nova certeza e uma quase certeza de que a Ducati terá ficado para trás nestas negociações e de que Miguel Oliveira vai assinar pela Aprilia e vai ser piloto da Aprilia na próxima temporada. O jornal Marca foi o primeiro a avançar com esta notícia, que acabou depois por ter respaldo no programa no YouTube, que junta o Chico Lorenzo, que é o pai do Jorge Lorenzo, o antigo piloto, e o jornalista Manuel Petschino. E neste programa, este jornalista deu como garantido que Miguel Oliveira vai ser piloto da Aprilia, sendo que disse que não sabia se tinha sido o piloto português a rejeitar a Ducati ou se tinha sido a própria Ducati a optar por outro nome para substituir Jack Miller, que como se sabe, vai seguir para a KTM, onde ainda está nesta altura Miguel Oliveira. Em pista, o piloto português deixou mais um cartão de visita este domingo na Alemanha. Terminou em nono lugar depois de ter saído 14º e subiu, por isso, ao décimo lugar. Entrou no top 10 da classificação geral do mundial. E a verdade é que o futuro do piloto português, seja para o lado da Ducati, para o lado da Aprilia ou para outro lado qualquer, deverá mesmo ficar definido e oficializado nas próximas semanas.
Portanto, seja no futebol ou no MotoGP, vamos ter de esperar mais uns diazinhos para termos a vida resolvida, tanto nos clubes, neste caso nas equipas, com o nosso Miguel Oliveira. Vamos ver se na próxima semana, no próximo episódio do programa, já temos novidades. São os temas da semana. Vamos então dar cartas para esta semana. Cartas na mesa. Começamos com um ás que já não era a carta decisiva há algum tempo. Bruno, Caeleb Dressel voltou às piscinas e voltou em grande, como de resto era habitual.
Sim, ou está a voltar em grande. Esperemos que durante a semana, aliás, tudo aponta para que durante a semana ele continue a ganhar medalhas. Estão a realizar-se os Mundiais de Natação em Budapeste. O facto de não haver propriamente uma transmissão televisiva para Portugal também faz com que passe um bocadinho ao lado. Mais uma vez, Caeleb Dressel chega como a grande figura e sobretudo chega com uma vitória conseguida antes de entrar nas piscinas. E por quê? Porque ele próprio assumiu, antes desta competição, que o desgaste mental que envolveu os Jogos Olímpicos Tóquio, o adiamento da competição, o fato de preparar durante quatro anos, que nesta fase até foram cinco, provas que no máximo duram 50 segundos. Tudo isso acabou por ter reflexo no próprio Caeleb Dressel, que é a grande figura da natação masculina depois de Michael Phelps, sobretudo porque ele entrou quase numa ideia paradoxal, que era ele não queria voltar mais às piscinas, mas ao mesmo tempo sabia que as piscinas eram sua zona de conforto. E acabou por ter esse debate quase interno, que terminou da melhor forma, como se viu também nas qualificações nacionais para estes mundiais. Já ganhou duas medalhas nos 50 mariposa e nos quatro vezes 100 livres. O objetivo é chegar ou às sete medalhas de ouro ou num cenário ainda mais megalômanos, às oito medalhas, que ele já conseguiu. 2017, sete ouros e depois a seguir um exame de álgebra, que ele estava a acabar a faculdade. Em 2019, faz seis ouros e duas pratas. E continua a ser o grande destaque. Ainda assim, uma última nota para o Léon Marchand, que é um nadador francês de 20 anos, que faz uma marca muito interessante, uma das melhores marcas de sempre nos 400 metros estilos e que abre, de facto, a perspectiva para em Paris 2024 ser um nome a ter em conta também.
Mariana, o outro ás de hoje leva-nos à NBA. Temos novo campeão, não é? Os Golden State Warriors e com o senhor também do costume em destaque, Stephen Curry, é o teu ás para esta semana.
É, eu acho que já faltava pouco para que a carreira do Stephen Curry valesse um filme de Hollywood, mas a verdade é que estas finals da NBA deixaram praticamente garantido que no futuro, portanto, daqui a uns anos, alguém vai mesmo interpretar a história do jogador no cinema. Como dizias, os Golden State Warriors tornaram-se campeões da NBA pela sétima vez, quatro anos depois da última. Tinham sido campeões pela última vez em 2018 e venceram os Boston Celtics, que ali da altura até eram favoritos quando estiveram a ganhar a eliminatória por 2x1, até porque a estatística da história da NBA dizia que normalmente quem vencia por 2x1 ao fim de três jogos tinha grande probabilidade de ser campeão.
Pelo que vi, até se fizeram tatuagens.
Exatamente.
Que depois correram mal.
Que depois correram mal e que agora terão de ser revertidas. A verdade é que os Warriors contrariaram esse favoritismo dos Celtics e aos 34 anos, Curry conquistou o quarto anel da carreira, foi considerado o MVP da final pela primeira vez e bateu vários recordes, como o fato de ser agora o único jogador da história da NBA a ter marcado cinco ou mais tríplos em quatro jogos consecutivos da final, apesar de ter saído lesionado do terceiro jogo, de até ter estado em dúvida para o quarto, onde lesionado ou não, acabou por fazer 43 pontos. Para além do título e deste facto indiscutível de ser obviamente o melhor jogador dos Warriors, também podemos destacar nesta vitória o próprio treinador Steve Kerr, a importância do Andrew Wiggins ou do Jordan Poole. O Stephen Curry mostrou novamente que pode e deve ser sempre colocado ao lado de Jordan, de Kobe, de LeBron e companhia enquanto um dos melhores de sempre, para além de confirmar cada vez mais que é talvez o melhor lançador e o melhor base da história da NBA.
Caeleb Dressel e Stephen Curry são então os nossos ases para esta semana. Vamos saber quem são os jokers. Começamos agora por ti, Mariana. Começamos a sul do rio Tejo, não é? Em Alcochete. O teu joker desta semana é a formação do Sporting. Por quê?
Porque na semana em que a academia assinala 20 anos de existência, aliás, numa data que será assinalada amanhã com uma espécie de evento consagração, com presença de antigos treinadores, antigos jogadores das camadas jovens, a formação do Sporting celebrou os títulos de campeão nacional, tanto dos iniciados como dos juvenis, sendo que os iniciados conquistaram o campeonato pelo terceiro ano consecutivo, se não contarmos com os últimos dois, em que não houve campeão devido à pandemia. Foi uma época positiva para a formação leonina, que continua a ser a que mais jogadores coloca nas seleções nacionais e que conheceu, como acho que é dado adquirido, uma nova força, um novo reaproveitamento, também com a chegada de Rúben Amorim, com o lançamento de jogadores na equipe principal, como é o caso do Nuno Mendes, que entretanto já valeu um bom encaixe financeiro, do Matheus Nunes, que também poderá sair durante este verão, com o Sá e Inácio e Daniel Bragança, que estão no plantel, entre vários nomes, sendo que nas últimas horas foi também confirmado que o central Demiral, que terminou a formação na academia e que fez um jogo pela equipe principal, vai voltar a render cerca de €200 mil devido ao mecanismo de solidariedade, depois ter sido contratado pela Atalanta Juventus por €20 milhões. Portanto, é uma semana positiva com estes dois títulos e com este dado dos 20 anos, duas décadas de existência da academia do Sporting.
Parabéns à academia do Sporting e Bruno Roseiro, teu joker desta semana é um joker de montanha, não é? Vamos falar do Rúben Guerreiro.
Oxalá também possamos dizer na próxima semana parabéns ao Rúben Guerreiro.
Esperemos que sim.
Não é propriamente a coisa mais fácil do mundo, mas estamos na antecâmara do início do Tour, que já teve ali um pequeno problema com a quantidade enorme de casos que houve de Covid-19 na Volta à Suíça, inclusivamente em corredores como o Vlasov, que era um dos nomes indiscutíveis neste Tour. O Pogačar vai partir, naturalmente, como favorito a ganhar outra vez. Aliás, aquilo que ele fez esta época mostra também porque é o favorito. Ganhou a Volta aos Emirados, ganhou a Tirreno-Adriático e ganhou agora a Volta à Eslovénia. Portanto, parte claramente como favorito, mas o próprio Rúben Guerreiro, não sendo um favorito ao Tour, parece-me que tem todas as condições para poder ganhar uma medalha, até pelo que fez no Mont Ventoux, o Mont Ventoux Challenge. Ganhou de uma forma isolada, ganhou num momento que se calhar pouca gente esperava e conseguiu, sobretudo, um registo que foi a quarta subida mais rápida do século, nesta que é um dos pontos míticos de França, e a mais rápida desde 2004 com o Miguel Ángel López. Portanto, conseguiu superar triunfos de nomes como Contador, o Froome ou o próprio Pogačar, e diria que é um sinal positivo para aquilo que poderá ser o Tour do Rúben Guerreiro. O João Almeida não vai estar presente, fica guardado para a Volta a Espanha.
Esperemos que, como disseste, também possamos dar os parabéns ao Rúben. Vamos dar mais umas semanas para ver qual é a prestação dele. As escolhidas, jogas também, vamos escolher as cartas que vamos deixar de fora. Começas tu agora, Bruno. Vais deixar Novak Djokovic de fora esta semana. Por quê?
Não sou eu, é ele próprio que se está a pôr de fora. Isto é uma semana um bocado atípica, porque olhamos para os dois primeiros do ranking mundial e não vemos nem Federer, nem Djokovic, nem Nadal, que é algo que já não acontecia quase há 20 anos, mas por motivos diferentes. Olhamos para Federer, que já vai no 96º lugar do ranking, e tem tudo a ver com a longa ausência que ele atravessa por lesão e pelas operações que fez ao joelho. O Nadal, não havendo pontos em Wimbledon, também não poderá subir, mas em qualquer prova, em condições normais que ele entra, é um claro favorito. Aliás, já ganhou os dois primeiros Grand Slams da temporada. E depois chegamos a Djokovic, que desceu depois de 361 semanas na liderança do ranking ATP, desceu à terceira posição. Já sabe que não vai contar com os pontos de Wimbledon, portanto, eram pontos da vitória que ele não vai contar. Tem um outro problema que é o US Open, se não mudar nada, ele não poderá participar, a não ser que entretanto se vacine. Ou seja, o mesmo problema que aconteceu no Open da Austrália pode acontecer no US Open, onde ele foi finalista vencido contra o Medvedev. E depois há aqueles torneios como Cincinnati, por exemplo, onde ele também não poderá defender os seus pontos. Ou seja, quando nós fazemos as contas de tudo isto, aquele que era quase um crônico número um do ranking mundial poderá ir parar até à oitava posição, e vamos ver até onde é que isto vai parar.
Quem também fica fora do baralho, e já agora também fora da Liga das Nações, pelo menos da Final Four, são as seleções de Inglaterra e de França, Mariana.
Sim, esta última jornada da ronda inicial, digamos assim, da Liga das Nações, foi de tombas gigantes. Essa ideia não se prendeu também apenas com a derrota de Portugal frente à Suíça em Genebra, porque no início da semana passada, França, campeã do mundo, ainda detentora da última Liga das Nações, perdeu com a Croácia em Paris, com gol solitário de Modrić de pênalti, e Inglaterra foi completamente humilhada em casa pela Hungria, perdendo por 4 x 0 num jogo em que Gareth Southgate decidiu deixar Sterling, Mason Mount e Phil Foden no banco, entre vários outros.
Correu bem.
É, correu bem, foi uma boa ideia. Contudo, e ao contrário do que acontece com Portugal, que está no segundo lugar do grupo e, portanto, apesar de ter as contas dificultadas, ainda pode estar nessa Final Four, tanto França como Inglaterra estão em muito maus lençóis nos respectivos grupos, porque tanto franceses como ingleses ainda não venceram na competição, têm dois empates e duas derrotas em quatro jogos disputados e têm, por isso, apenas dois pontos conquistados, o que significa que estão ambos no último lugar do grupo e praticamente arredados da Final Four, o que significa que, à partida, o detentor da Liga das Nações e o vice-campeão europeu não vão estar presentes nessa Final Four da Liga das Nações.
Estão então em maus lençóis. Inglaterra e França ficam fora do nosso baralho e muito rapidamente vamos até ao túnel. Subimos para o túnel. É lá que encontramos uma questão que já tem alguns anos. Afinal de contas, Bruno, é desta vez que vamos saber quantos títulos é que tem cada clube português em futebol ou vamos ter de esperar também mais uns episódios como estavas a dizer?
Não, essa parte vai ficar fechada no dia 29 de junho. Já está marcada uma assembleia geral extraordinária da federação, onde vão ser votados dois pareceres. Em resumo, um dos pareceres defende que os campeonatos de Portugal devem ser campeonatos nacionais, mas o campeonato da liga, que foi aquela versão experimental de quatro anos na década de 30, deve contar como Taça de Portugal. Um outro parecer defende apenas e só que todos os campeonatos de Portugal devem valer Taças de Portugal. No meio disto tudo, o Sporting, que queria fazer vingar a tese de que tinha mais quatro campeonatos e foi assim que festejou o último, já apontando para o 23º e não para o 19º, que é aquele que tem oficialmente, está a tentar introduzir um terceiro parecer de Diogo Ramada Curto, que defende que todos os campeonatos de Portugal devem ser contados como campeonatos nacionais, portanto, chegando aos tais 23 no caso do Sporting. O grande problema aqui é, para este terceiro parecer ser aprovado, 10% dos clubes teriam de ser subscritores e nesta altura tudo aponta para que isso não seja possível, ou seja, aquilo que vai a votos será sempre um cenário onde o Sporting, que queria os quatro títulos nacionais ou quatro campeonatos nacionais, tem hipótese A, dois campeonatos e duas taças a mais, e com tudo aquilo que os outros clubes também terão, como é óbvio, ou hipótese B, mais quatro Taças de Portugal, mas nunca os tais quatro campeonatos que desejava.
Vamos então esperar até o dia 29 de junho para saber, até quem sabe, se o Carcavelinhos, o Marítimo e o Olhanense vão ficar com títulos de campeão.
Basta um parecer ser aprovado e têm sempre mais uma taça ou um campeonato.
Exatamente. Pelo menos mais um título vão ter. Como prometido, vamos ter a companhia do piloto português, que depois da Fórmula E conseguiu mais uma vitória para Portugal, desta vez em Le Mans, nas 24 Horas. Está conosco António Félix da Costa. António, parabéns, em primeiro lugar. Bem-vindo, obrigado por ter aceitado o nosso convite. A primeira pergunta que gostávamos de fazer está relacionada com a reação que vimos no final das 24 Horas de Le Mans. Vimos o António em lágrimas, a mostrar bem a importância da vitória que conseguiu. Por que era tão importante ganhar ali em Le Mans?
Olá a todos, obrigado pelo convite. Eu sou um bocado mariquinhas. A falar a sério, eu acho que é complicado pôr palavras e explicar o quão difícil é ganhar uma corrida destas, por várias razões. Obviamente, a longevidade da corrida, são 24 horas, e na categoria que nós estamos a fazer, são 24 horas feitas a fundo. Os carros são muito fiáveis, não dão problemas, então são 24 horas feitas a fundo. E depois nós estávamos numa situação muito boa, mas complicada, que é nós a partir dos 40 minutos de corrida, ou seja, a faltarem 23 horas e pouco para o final, passarmos para a liderança da corrida, onde nunca mais alargamos. E é muito fácil entrarmos num género de pensamento e mentalidade que agora a corrida é nossa a perder, e era essa a realidade, porque tínhamos um carro rápido, a equipa a funcionar bem, os pilotos a guiar bem, e por isso era muito fácil, com alguma pequena distração, perder a corrida. Então tivemos que aumentar ou forçar ainda mais o nosso nível de foco para garantir que não entregávamos a corrida a ninguém. E acima de tudo, é uma corrida com tanta história, há filmes, documentários, séries sobre esta corrida. Já lá vou há cinco anos a tentar ganhá-la, já ficámos em segundo há três anos e é uma corrida que só uma vez por ano e às vezes, por exemplo, o ano em que fiquei em segundo, estava contente, mas ao mesmo tempo sabia que tinha que esperar 365 dias para voltar a tentar, porque nada é garantido. O ano passado íamos à frente com um minuto de avanço quando tivemos um problema, por isso já estávamos ali a bater à porta deste resultado há muito tempo e agora finalmente alinhou-se tudo e então foi mesmo um descarga de emoção e de alegria.
Nesta edição das 24 Horas de Le Mans, o António fez turnos dentro do carro durante a noite, teve pouco tempo de descanso durante a madrugada, dormiu muito pouco. Esta edição foi mais desgastante por isso, ou seja, tendo em conta que praticamente não pôde dormir.
Foi, e por outra razão. O ano passado, nas 24 Horas de Le Mans, eu acabei por guiar 11 horas e meia no meu carro, que foi muito. Este ano fiz um cadinho menos, mas com horários piores. Fiz cerca de 10 horas, mas com horários piores. E há aqui uma variável que ainda não falámos, que é eu vim diretamente de Jacarta, da prova da Fórmula E, que é uma diferença horária de sete horas, mas infelizmente na direção errada, ou seja, o horário de Jacarta estava a obrigar-me a ir deitar cedo e acordar cedo, quando eu queria era ir dormir tarde e acordar tarde, porque eu sabia que ia ter que guiar muito durante a noite. Então houve ali uma grande dialogia durante a semana antes da corrida começar, de eu tentar alinhar com horários para estar acordado à noite. Ou seja, eu vinha com um jet lag de sete horas, mas na realidade eu tive que criar um jet lag quase de 12 horas, ou seja, eu tive que tentar piorar o meu jet lag para tentar ficar acordado à noite. Então foi uma semana muito cansativa até a corrida sequer começar. E depois à noite era isso que estavas a dizer. Eu guiei das 22h30 até 1h e pouco da manhã e depois parei só duas horas e voltei a fazer das 3h às quase 6h da manhã. O problema é que sempre que és o próximo piloto a entrar no carro, a equipa obriga-te a estar em standby na box. Ou seja, não pude ir para a minha caravana descansar, ou seja o que for. Então estás ali em modo de gastar pouca energia e assim a fechar os olhos quando podes, mas obviamente há os barulhos dos carros, tens o rádio na cabeça com o teu piloto e o engenheiro a falarem para trás e para frente, por isso é impossível descansar a fundo. E foi duro, mas fui muito bem acompanhado pelos meus treinadores, o Emiliano Ventura, que trabalha comigo há muito tempo, e a sua equipa, a níveis de alimentação, garantir que os níveis de energia estavam sempre Onde tinham que estar para as horas que eu ia estar no carro. Por exemplo, cortámos com açúcares e cafeína quarta-feira antes da semana da corrida para voltarmos a carregar com essas substâncias a essas horas da noite, e aí iria fazer um efeito maior. Já alguns truques que vamos criando ao longo dos anos e acabou por correr tudo bem.
Esses truques também funcionam para nós. Agora estava a pensar nessa parte da cafeína, às vezes também nos dá jeito. O António tinha feito em Jacarta o melhor resultado na Fórmula E este ano, ou igualado o melhor resultado, essa quarta posição. Ganha agora as 24 Horas de Le Mans. Quando olha para a frente, qual era o grande objetivo que gostava de cumprir? Já foi campeão da Fórmula E, já ganhou as 24 Horas de Le Mans. O próximo objetivo era, por exemplo, ganhar as 24 Horas de Daytona? Era, por exemplo, atirar-se para uma outra coisa, como um Dakar, por exemplo? O que gostava que acontecesse agora?
Podem me tratar por tu também, que eu tenho 30 anos, por isso estamos na boa. O meu objetivo cada vez que começa um ano, e os últimos quatro anos têm sido feitos a fazer a Fórmula E e o Campeonato de Endurance ao mesmo tempo, o objetivo era ser campeão do mundo no mesmo ano nos dois campeonatos. No ano em que fui campeão da Fórmula E, fiquei em segundo no WEC, por isso falhámos por pouco. Agora estamos à frente do WEC, mas o campeonato da Fórmula E arrancámos muito mal e agora estamos a recuperar algum terreno perdido, mas vai ser muito complicado ser campeão este ano. Por isso não acredito que essa dobradinha no mesmo ano ainda vá acontecer este ano, mas pronto, acho que como disseste, as coisas na Fórmula E estão-se a montar e estamos a criar um bom momentum para pelo menos ter aqui um bom final de época. E vai passar também por ajudar o meu colega de equipa a ser campeão, ele que sim, que está na luta, está em segundo ou terceiro do campeonato. Por isso, isso também me compromete automaticamente, já que vou ter que jogar um bocadinho para ele, coisas que eu entendo. A nível de novos objetivos, Daytona é 100% um grande sonho. Já lá fui uma vez, só fiz essa prova uma vez, ficámos em quinto. Foi a minha primeira prova de 24 horas que fiz na vida e era muito verdinho ainda na altura. Acho que se lá voltar agora, tenho muito mais experiência para fazer um bom resultado. Por isso as 24 Horas de Daytona, 100%. Tendo Le Mans no currículo, Mônaco também, para juntar aquilo que se chama Triple Crown, era só mesmo ganhar as 500 Milhas de Indianápolis. Isso sim, é um grande sonho, mas vejo a coisa mais complicada para aterrar num bom carro nas 500 Milhas de Indianápolis, mas não diria impossível.
E Dakares, nada? Essas aventuras do deserto.
Dakar eu também tenho esse sonho, só que eu ando muito, eu tenho um buggy Terra que compete no Dakar, os Can-Ams, que fazem muito Dakar. Eu tenho o meu próprio carro por acaso, que faço só para diversão e treino um bocadinho nesse carro. E adorava lá ir, mas o problema é que os últimos sete anos, o Dakar coincide sempre com a Fórmula E, aquelas duas primeiras semanas de janeiro eu estou sempre em corridas. Por isso, até agora, para já, não tenho datas para o fazer, mas pronto, ainda tenho tempo, o Dakar se for daqui a cinco, seis, 10 anos, mas esse sim, gostava mesmo de lá ir.
Então vamos nos focar na Fórmula E, olhar para o presente e já falamos aqui de pontos mais positivos até agora. Vamos olhar para aquilo que também não tem corrido tão bem depois da vitória no Mundial 2020. O António conseguiu em 2021 uma vitória, três pódios. Este ano está a ser mais regular com seis corridas no top oito, mas ainda sem um pódio. Quais é que são os pormenores que estão a falhar neste momento?
Tem sido uma época um bocadinho frustrante pro meu lado, porque temos conseguido ser rápidos, principalmente nas últimas cinco corridas, ou seja, só na primeira mesmo é que não fomos. Temos conseguido ser muito rápidos numa volta, ou seja, nas qualificações estamos a qualificar quase sempre no top cinco. Já algumas primeiras filas, várias vezes terceiro, mas não estamos a conseguir fazer boas corridas. Isto deve-se muito ao fato de a maioria dos meus engenheiros com quem eu tenho trabalhado nos últimos anos dentro da equipa foram realocados ao desenvolvimento do carro do ano que vem, ou seja, eu estou a trabalhar com muita gente nova, que são bons, mas infelizmente ainda muito verdes e temos feito muitos erros pequeninos, uns atrás dos outros, que ao nível que está a Fórmula E, acaba-se por pagar preços altos. Por exemplo, na última corrida, errámos na estimativa da quantidade, e isto é um bocadinho mais técnico, mas por exemplo, errámos na estimativa da quantidade de derrapagem que queríamos para o eixo traseiro, ou seja, basicamente eu acelerava e o carro não andava porque não me queria dar potência. Ou seja, eu estava a ser lento e a gastar pneus ao mesmo tempo, e a este nível isso paga-se um preço altíssimo. Íamos ali na frente a corrida toda e depois nas últimas 15 voltas acabei por cair. Eu já sabia desde a primeira volta que isto ia acontecer, porque eu reparei que aquilo estava mal e não há nada que eu possa fazer dentro do carro para ajudar esse problema uma vez que a corrida começa. Por isso tem sido assim, coisinhas pequeninas que nos têm custado um bocadinho de performance, mas ao mesmo tempo faz parte e torna-nos atletas mais fortes quando conseguimos lidar com calma com estas situações.
Surgiram algumas dúvidas em relação à continuidade, ao futuro da Fórmula E, depois das notícias da saída da Mercedes, mas depois essas dúvidas acabaram por ficar um bocadinho diluídas com a compra da vaga pela McLaren. Esse é também um sinal de que a Fórmula E continua a ter futuro e de que a tendência até é para haver uma maior competitividade, como aliás se vê esta temporada, com seis pole positions diferentes e também com cinco vencedores nas nove corridas feitas até agora.
Sem dúvida, eu acho que a Fórmula E continua a crescer. A Fórmula E não deixa de ser uma startup, praticamente, e estávamos aqui a perfurar o mundo do motorsport de uma forma incrível e um crescimento incrível. E a pandemia não deixou de nos afetar. Obviamente, afeta mais uma categoria mais jovem do que uma Fórmula 1. Por outro lado, a Fórmula 1 até catapultou pra cima, que foi muito bom, e é bom pra toda a gente no meio. Mas como estavas a dizer, isto é mesmo assim, há construtores que vão e há outros que vêm. A entrada da McLaren é uma notícia incrível, a Maserati também a competir, por isso temos McLaren, Porsche, Maserati, Jaguar a competirem num campeonato de carros 100% elétrico. Isso pra mim demonstra que é inevitável dar a volta neste momento, é o caminho certo no caminho da sustentabilidade. Pelo menos a médio, curto prazo, os carros elétricos vão ser o nosso futuro. Talvez um dia se passe a hidrogénio, eu acredito que seja um bocadinho mais eficiente, mas sem dúvida, o diesel e a gasolina não vão ser a solução a longo prazo. E as marcas sabem disso, usam a Fórmula E pra promover e para desenvolver toda a sua tecnologia que um dia querem trazer para os carros de estrada.
Tens falado também agora muito do futuro do António, falaste agora na questão da Porsche. Têm vindo muitas notícias a público da possível saída da DS, uma possível ida para a Porsche, que conjuga a Fórmula E também em endurance. Há alguma novidade sobre isso? O objetivo é ter uma equipa que se faça as duas coisas?
Olha, neste momento não posso revelar muito sobre isso. É verdade, sim, que estamos aqui em conversas com várias equipes. Eu acho que recebi propostas de 90% das equipes da Fórmula E, que me deixa muito orgulhoso. Fui visitar também algumas equipes de Fórmula 1 que tinham interesse que eu voltasse a entrar somente a nível de terceiro piloto e piloto de desenvolvimento, que eu agora já não tenho idade pra entrar na Fórmula 1. Temos tido aqui várias propostas, estão várias coisas em cima da mesa e acredito que daqui a três semanas, a um mês e pouco, possa revelar aqui a nossa decisão final.
Nesta altura estás naquela fase com o Miguel Oliveira, quando ele diz "MotoGP em 2023 tá certo, depois o resto logo falaremos."
Exatamente.
É um gato por aí.
Fórmula E 100%. Idealmente, um dos fatores é que quero muito conjugar a Fórmula E com o WEC, ou seja, o Campeonato do Mundo de Endurance novamente pro ano. Estamos a trabalhar pra que isso aconteça e que seja nas melhores condições.
Apanhando aí essa boleia precisamente da Fórmula 1, este fim de semana o António esteve nos comentários da Sport TV ao Grande Prêmio do Canadá, precisamente em Fórmula 1, e percebeu-se bem, obviamente, como consegue saber os momentos da prova, os momentos das equipes também por essa experiência que teve na Red Bull. Ainda existe algum saudosismo desses tempos que por duas vezes, na verdade, quase o colocaram na grelha da Fórmula 1?
Mais ou menos. Eu aprendi muito quando lá estava. Tive a sorte de estar ao lado de um Sebastian Vettel quando estava no auge da carreira dele e mesmo da equipe, quando estavam numa fase parecida à que estão agora, a dominar. E aprende-se muito. Eu era muito jovem, ou seja, tinha os ouvidos bem abertos e tudo o que eu ouvia que era informação importante, que entrava e guardava. E sinto que ainda hoje a Fórmula 1 é muito o que era naquela altura, por isso consigo entender bem tudo o que se está a passar, tudo o que se pode eventualmente passar, e isso torna a ver uma corrida de Fórmula 1 também divertida pra mim. Entretanto, a Fórmula 1, neste momento, nunca poderá ser um primeiro plano pra mim, porque todas as propostas que eu recebo são pra ser piloto de teste, desenvolvimento, simulador, tudo mais, que é um papel importante para as equipes, mas que roubam-te, no bom sentido, tanto tempo e tanta energia que eu depois acabo por tirar foco do António Félix da Costa e ter que pôr foco, seja em que fosse que equipe que eu tivesse a trabalhar, para depois ver os pilotos principais a subirem ao pódio e levantar as taças. Por isso é uma decisão complicada. Obviamente, estar ligado à Fórmula 1 é uma coisa boa, mas também acredito que tenhamos aí alguma coisa na manga para voltar a entrar nesse mundo da Fórmula 1 de alguma forma. Posso-vos garantir que não é a correr. Há muita gente que me pergunta se eu alguma vez ainda aí pra Fórmula 1, mas isso aí, pelo menos já não vou dormir, nem acordo todos os dias com esse objetivo na cabeça. Mas gostava, sem dúvida, de continuar envolvido ou de voltar a estar envolvido, porque acredito que tecnicamente também se aprende muito.
É nesta altura mais complicado entrar na Fórmula 1 do que era há 10 anos? Há 10 anos estiveste mesmo ali à porta, até por duas ocasiões. Nesta altura, é mais complicado chegar lá acima à Fórmula 1?
Eu não diria que será mais complicado, continua a ser igualmente difícil. O problema aqui é o quê? Lugares que entres somente por talento, há poucos, há muito poucos. E estamos a ver, por exemplo, agora o Oscar Piastri, se calar nem toda a gente sabe quem é, mas é um piloto australiano muito bom, onde ganhou tudo onde esteve. Ganhou a Fórmula Dois o ano passado e neste momento não tem lugar na Fórmula 1.
Mas é um nome que pelo menos já tá a assustar muita gente.
Não, e eu sei que ele já assinou para o ano, vai estar na grelha para o ano na Fórmula 1, o que são boas notícias, mas de qualquer maneira, não pode existir um piloto do nível do Oscar Piastri não ter um lugar direto na Fórmula 1. Há muitos pilotos que trazem bagagens grandes de dinheiro, como patrocinador, seja o que for, e a Fórmula 1 não deixa de ser um negócio também para as equipes. Eles têm que ganhar dinheiro, têm que apresentar balanços positivos aos seus boards e por isso há ali um equilíbrio entre dinheiro de patrocinadores e talento. E eu fui um bocadinho vítima disso, mas hoje em dia, mais velho, mais maduro, entendo tudo e respeito.
António, começamos esta entrevista com a vitória nas 24 Horas de Le Mans. Terminamos também com essa vitória, voltamos aí. E numa das muitas palavras que dedicaste a essa vitória, falaste sobre o fato de durante esses períodos de descanso de que já falaste, que foram poucos, na noite das 24 Horas de Le Mans, aproveitaste esses períodos de descanso para ver algumas séries, neste caso "How I Met Your Mother", que até é uma das minhas preferidas, e gostava de deixar esta pergunta para o fim: se tivesses uma série da tua carreira, que nome é que lhe davas e como é que seria o próximo capítulo dessa série?
É uma muito boa pergunta, mas estás a me meter aqui numa situação complicada, porque tinha que pensar num título como deve ser.
O engraçado é ser a pressão.
Exatamente. Não sei mesmo. Se calhar "How I Found My Helmet."
E o próximo capítulo? Pelo menos um lugar ou uma modalidade. Ficávamos pela Fórmula E?
Sim, para já acho que sim. Vejo a Fórmula E como o maior palco para poder mostrar o meu talento nos próximos anos, sem dúvida.
E olhando para este calendário todo, para estas provas todas, como é que tu no meio disto tudo consegues ter vida? Ou qual é a vida que tu consegues ter no meio disto tudo? Se há tempo para ver séries.
As séries é um bom truque para conseguir adormecer em Le Mans, por quê? Eu passo tantos dias em hotéis e voos sozinho que me entretenho muito com essas coisas e o meu corpo está formatado quando estou na cama e meto uma série a dar, a adormecer. Então foi isso que fiz em Le Mans. Houve ali uma altura que eu tinha mesmo que tentar dormir das 18h às 20h, mas essa hora é complicadíssima adormecermos. Então fui para a cama, meti uma série e dito e feito, adormeci direto. Já usei isso como uma pequena tática para me ajudar a descansar.
António, da próxima vez, se calhar sugerimos em podcast o "Nem tudo que vai a rede é bola" para adormecer ou para estarmos atualizados sobre aquilo que vai acontecendo todas as semanas.
Se for demasiado recente eu não adormeço.
Então neste caso não vai correr bem. António, obrigado pela disponibilidade, por ter juntado a nós neste "Nem tudo que vai a rede é bola". Parabéns mais uma vez pela vitória nas 24 Horas de Le Mans. Fica assim terminado este episódio do "Nem tudo que vai a rede é bola". Já sabe, fica disponível em podcast nas plataformas habituais. Para a semana estamos de volta com mais desporto. Um abraço.