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Não se fala de outra coisa. Uma delas é do excesso de lixo nas encostas do Everest, que já foi descrito como a lixeira mais alta do mundo. As imagens são, de fato, impressionantes: latas, tanques de oxigênio vazios, garrafas de plástico, equipamento de montanhismo, tudo. E estão espalhados pelas rotas que conduzem ao Everest, que tem mais de 9 mil metros de altitude, o cume, e continua a ser o mais cobiçado dos alpinistas. E agora, quem é que chega lá para limpar aquilo tudo? Não dá pra ir bater à porta.
Não passa o carrinho.
Eu pensei que houvesse aí um desses carros.
Não dá pra ir bater à porta de quem lá deixou o lixo, e pedir pra ir recolher. E por isso as autoridades do Nepal têm recorrido à ajuda de drones. Primeiro, para localizar e depois para remover as toneladas de lixo que os alpinistas e guias lá deixam. A partir da base, o acampamento um, que fica a 6 mil metros de altitude, foram utilizados dois drones de grande capacidade durante a última época de escalada, portanto, entre abril e junho, e até o momento já foram recolhidos 300 quilos de lixo.
Impressionante.
300 quilos de lixo. Até aqui as únicas opções eram helicóptero ou então mão de obra no terreno, e por isso os drones não só são uma ajuda enorme, capaz de transportar cargas pesadas, como são a solução mais eficiente, mais segura. Só para termos uma ideia, em apenas 10 minutos, os drones podem transportar tanto lixo como 10 pessoas em seis horas.
É impressionante.
10 minutos, 10 pessoas, seis horas.
Pois, é uma vantagem imensa.
Claro, que são caros.
E sem risco.
E sem risco.
Porque imagino que não seja fácil andar naquelas alturas.
Precisamente, portanto também são mais seguros. Importa também dizer que estes dispositivos controlados remotamente também funcionam como guias para transportar equipamentos de alpinismo, os tais tanques de oxigênio, ainda chás exercem com utilidade, escadas e cordas, e também podem servir de ajuda nas escaladas mais perigosas. Como está a correr muito bem, parece que no próximo mês, ou neste mês já, estamos em setembro, vão haver mais drones noutras áreas, noutros picos do mundo, espalhados pelo mundo, porque isto, de facto, está a correr muito bem. Nem sempre gostamos dos drones, mas neste caso estão a ser amigos do ambiente.
E era bom o contrário também, não haver tanto lixo espalhado.
Sem dúvida. Fica sempre esse alerta, mas parece que é inevitável.
Já vi fotografias, de vez em quando aparecem nas revistas, fotografias de um rasto de lixo deixado naquelas encostas.
Mas é por uma boa causa. As pessoas gostam muito de ir lá, passear e tentar subir.
Claro, e superação, essas coisas todas.
E também deixar um rasto. É uma experiência que tem de voltar de volta.
Exato. Eu percebo que não seja fácil, aquilo já é um esforço tão grande que guardar o lixo para descartar pesos, que já não são necessários, seja bem complicado.
Teria de haver ali outra solução.
Claro, sem dúvida. Está a decorrer o US Open, um dos torneios do Grand Slam de ténis, e um episódio passado este fim de semana está a dar que falar muito nas redes sociais. Isto foi depois do jogo disputado pelo tenista polaco, o Kamil Majchrzak. Estes nomes são sempre cheios de K e de R.
É, a pessoa fica logo frustrada só de olhar.
O Kamil Majchrzak. Acabou o jogo, ele venceu contra um tenista russo e no final do jogo estava ali a assinar bolas e bonés e a oferecer às pessoas que estavam na primeira fila das bancadas, como é habitual. Ele oferece um boné assinado a um miúdo, isto tudo filmado, obviamente, e caiu nas redes sociais. Hoje em dia é muito difícil eventos públicos não caírem nas redes sociais. E rapidamente ele ofereceu o boné ao miúdo, o miúdo pegou nele, rapidamente, ali num segundo, um homem que estava ao lado do miúdo saca o boné da mão do miúdo e coloca-o discretamente na mala da mulher que estava ali ao lado.
Ele estava a sambar caro.
Estava a olhar pra um lado e pra outro.
E tinha um saco pra pôr as coisas.
Eu acho que era a mala da mulher mesmo. Sim, mas devia ser um saco de mala, de marca, digo eu.
Pois.
Bom, as imagens rapidamente tornaram-se virais, muitas críticas a esta atitude e não demorou muito até que se soubesse quem era o ladrão.
O larápio.
O larápio. Ladrão, enfim, não houve violência ali, portanto, tecnicamente não foi um roubo, foi um furto.
Exatamente.
Ele já tirou aquilo das mãos do miúdo. O espectador foi identificado como um milionário polaco, empresário.
Ainda por cima!
Piotr Zerek.
Como é que achas que ele ficou milionário?
Já lá vamos, é isso mesmo. Claro, foi logo confirmada pelo próprio tenista polaco, que inicialmente não se apercebeu do incidente, isto conta o New York Post. E o tenista acrescentou que Zerek é um empresário conhecido na Polónia, patrocina a Federação de Ténis da Polónia, daí ele conhecê-lo também. E face à contestação que esta atitude gerou nas redes sociais, Zerek desativou todas as suas contas nas redes sociais. Estava farto de receber ódio. Por causa de um boné, é impressionante. Ele é dono de uma empresa de pavimentos, dizem que é líder de mercado na Polónia, portanto, tem muito dinheiro. A empresa está farta também de receber nas últimas horas reviews negativas nas redes sociais. Imagina a quantidade de gente a dizer: "Eu pus um soalho flutuante da empresa e aquilo agora não funciona." Imagino. Ele próprio, entretanto, perante isto, primeiro ficou em silêncio, depois já emitiu um comunicado, e o próprio comunicado confirma a ideia que se pode ter de uma pessoa destas. Diz que sempre defendeu na vida que temos de ser rápidos, que os primeiros a chegar são os que são servidos, a lógica de first come, first serve. E pede: "Não se faça um escândalo mundial por causa de um boné. É só um boné. Se o miúdo tivesse sido mais rápido, o boné era dele." Nem foi uma questão de rapidez. Ele roubou, literalmente, o boné. É surreal. Bom, devia ter sido ao contrário. Se ele quisesse o boné, dar ao miúdo. O miúdo tem seis, sete anos, estamos a falar de uma coisa destas. E, portanto, o incidente teve um final feliz para o miúdo, porque o tenista assim que se apercebeu daquilo que aconteceu, localizou a criança, que se chama Brock, marcou um encontro com ela lá em Flushing Meadows, onde disputou o US Open.
Deu-lhe 50 bonés.
Deu-lhe um novo boné autografado com outras lembranças autografadas, posou na fotografia ao lado dele ali e, portanto, o miúdo saiu a ganhar.
E tudo isto graças a um milionário.
Estava tudo combinado.
Sempre a trabalhar pelo bem dos outros.
Exatamente. Mas é assim que as coisas são e os adultos quando têm estas atitudes é uma vergonha.
Sem dúvida