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Vamos falar de outra coisa. Quem aqui ainda não se cruzou nas redes sociais com o macaquinho Pon de Panch e o seu orangotango laranja? Quem?

É verdade.

Paulo.

O Paulo não.

O Paulo não sabe?

Então nem dei conta.

Os meus filhos é que me alertaram para esta história.

Eu sei por eles e nem reparei.

A história tem comovido milhares de pessoas, com exceção do Paulo.

Mas que é um novo filme do Canalhy.

Não comoveu porque ainda não sabe.

Mas é um novo filme do Canalhy, é isso?

Exatamente. Não andas nas redes, de certeza. Tu também tens mais que fazer, não é? Futebol, tudo, atletismo, o triatlo.

Sou tudo futebol.

A novidade, mas já lá vou, para quem ainda não se cruzou com a história.

Explica, Paulo.

O Panchi-kun, é o nome em japonês, nasceu em julho do ano passado, mas foi abandonado pouco depois de nascer. Isto obrigou os tratadores do zoo de Ishikawa City, no Japão, a terem de intervir para garantir a sobrevivência do macaquinho. Como não tinha a presença da mãe, que é essencial para o desenvolvimento emocional dos macacos, os cuidadores deram-lhe um peluche laranja em forma de orangotango, para que ele sentisse algum conforto.

Já sentiu.

O Paulo já está a ficar comovido.

E ele já está a malandragem aqui. Que isso.

Mas o que ninguém esperava é que ele criasse a ligação que criou, anda com o orangotango para todo lado. Enrola-se com ele, brinca com ele.

Entretanto já cresceu, não é?

Quem?

O macaquinho, não o orangotango.

Não cresceu muito, é daqueles.

Ah, era assim pequenos.

Já cresceu, de julho para agora, cresceu.

De julho para agora são oito meses.

Não, mas desde que isto é conhecido, a história não cresceu nada. Isto tem dias. Desde que a história é conhecida, que ele se tornou viral, não cresceu muito, foi há dias. Mas pronto, as imagens têm-se tornado virais online. Por quê? Porque depois tem sido muito rejeitado pelos outros. Ele ficava só perto dos outros macacos e empurravam-no.

É o patinho feio, basicamente.

Ele é o mais pequenino deles. Então vê-se ele a ser empurrado pelos outros macacões.

Ah, coitadinho.

E procura consolo no orangotango de peluche.

Só o peluche é que o consola.

Mas é demais mesmo, ele anda com o peluche para todo lado. Bem, a novidade é que este fim de semana, depois de muita rejeição, de só ter no peluche algum conforto, um macaco adulto puxou o Pon de Panch para um abraço e começou a tratá-lo e a limpar-lhe o pelo, a catá-lo.

Enfiou-o na sala ali, na tribo.

Exatamente. E as imagens começaram a correr o mundo e foram vistas agora sim. É um claro sinal de aceitação do grupo.

Já tem amiguinhos.

Não viste? Eu estou mesmo parada.

Não vi, não.

Não te cruzas lá. Nem os teus filhos?

Já proibiram as redes sociais. Já está em vigor a proibição de redes sociais.

Lá em casa vai haver reunião de emergência. Como é que é?

Bem, mas quem não perdeu tempo para lucrar com isto foi o IKEA, porque assim que o Panch e o seu peluche se tornaram virais, a marca sueca fez logo vários anúncios com um macaquinho parecido com o Panch, que também está lá à venda por 9,99, e depois outro igual ao orangotango, porque o orangotango laranja é da IKEA.

Mas não é para montar, não?

Não é montar, é mesmo um peluche.

Nem o macaquinho.

Nem o macaquinho. As frases foram variando: "Às vezes a família é quem vamos encontrando pelo caminho.", "Às vezes o melhor tipo de conforto não diz uma palavra, aguenta-te, Panchi-kun", que é o nome em japonês, "Estamos aqui até encontrares o teu caminho." Maravilhoso.

Que bonito.

Eles aperrecaram o mundo, estava toda a gente a torcer pelo macaquinho.

Eu comovi muito.

Como um macaco gosta de banho.

Obrigado, Maria João.

De nada, Paulo. Agora quando vires já vais com o enredo todo. Paulo, viste aquela foto do ex-príncipe André? Uma foto que andou por todo lado.

Sai isto na revista.

Qual delas?

Aquela em que ele está a sair da esquadra no carro. Viste?

Ah, enterrado no banco de trás?

Enterrado que ele está no banco de trás.

Com um olhar de branco. Já é uma tradição, parece, não é? É aí que tu achas falar.

Está branco.

Vicente, o que estás a ver? Não vi o macaquinho, estava entretido a ver estas fotos do André.

Parece que já são uma tradição estas fotografias de membros da família real em bancos.

Quais são as outras?

Não é só da família real, mas de personalidades britânicas.

Ah, sim, sim. No banco de trás, não é?

Nacionais também. Desculpa, quando vão ser ouvidos na PJ?

Também há, mas a sério, houve um jornal que fez uma compilação de fotografias de figuras públicas britânicas em carros.

A sair da esquadra?

Não necessariamente a sair da esquadra, mas em situações.

Pessoas em carros.

Então, assim um pouco assustado ou com olhares assim meio esbugalhado, como é o caso do príncipe André.

Como é o caso desta fotografia, não é? E agora, quem foi o autor da fotografia?

Quem foi, cara?

Não sei se o Paulo Ferreira consegue.

Está um fotógrafo.

Estava, pá. É um fotógrafo, Phil Noble, é um fotógrafo sénior que trabalha há mais de 20 anos para a agência Reuters. Enfim, esta fotografia passaria sempre, estaria em todo lado.

Isso porque parece que é a única naquele contexto.

É a única. Imaginas se estivesse de frente com aquela luz toda?

Às vezes é um bocadinho, não queria aqui tirar o mérito ao senhor, mas sorte por causa dos reflexos.

Completamente. Está no banco de trás e tem quase tanta luz quanto quem está à frente.

O ex-príncipe André não estava preparado para o seu close-up. Ele disse: "Não, agora mais um jeitinho." Já não se fazem fotógrafos. Eu lembro-me quando era miúdo e os fotógrafos iam lá a casa.

Tu tinhas fotógrafos a ir lá a casa?

Tu não és desse. Bem, se calhar era uma coisa muito suburbana.

Os fotógrafos iam à escola, não à casa.

Iam a casa, era para fotografar as crianças, para ficarem com recordações e depois pediam para fazer aquela pose.

Aquela pose, que era o corpo para um lado e a cabecinha para o outro.

E depois com o livro, sentado num cadeirão a ler um livro.

Gatinho, vestido de branco.

Não. A comer uma maçã, por exemplo, e provavelmente o ex-príncipe André não teve essa oportunidade de pedir ao fotógrafo para mostrar o seu melhor lado.

O Bruno faz hoje anos e está mais saudoso.

Estou, estou.

Estás à maneira.

Tens aquelas fotos de bebê, não é?

Não é de bebê.

Aquelas sem roupa de bebê.

Há 44 anos, para aí, não é?

Não, 30 e...

Vocês querem ouvir a história?

Todos queremos.

Não é do senhor, é sobre a história da foto, porque é a única foto que existe e tem muita graça, porque o fotógrafo Phil Noble não tira mérito nenhum, ele próprio assume que isto é uma questão de sorte e a forma como todas as circunstâncias que levaram àquela fotografia mostram que é uma questão de oportunidade, sim, mas sobretudo de sorte. O que acontecia? Assim que ele soube da notícia, mora no norte de Inglaterra, conduz cerca de cinco horas até Norfolk naquele dia e depois ir para onde havia cerca de 20 esquadras da polícia onde o ex-príncipe poderia ter sido levado. Houve muitas pessoas a tentar perceber onde é que poderia estar ele. E ele diz que terá sido à quarta ou quinta esquadra, que a Reuters visitou, que se deparou com a esquadra. Mas ele conta que quando chegou não havia nada de anormal, não havia carros, não havia aumento de atividade e por isso estava a regressar ao hotel quando lhe ligam a dizer: "Atenção, dois carros acabaram de chegar, se calhar é melhor voltares para trás". Ele faz isso, dá meia-volta ao carro, regressa, e um minuto depois de chegar àquela esquadra, as persianas, os estores da garagem da esquadra abrem-se e dois carros saíram. Um deles tinha André lá dentro. Conta Phil Noble que meia hora antes de tirar a foto, ele já tinha feito alguns testes com outros carros que saíam da esquadra para tentar ter uma ideia aproximada do que deveriam ser as configurações da câmera, mas diz que quando o carro aparece, não há discernimento, é sorte, tem que se tentar adivinhar onde é que ele está sentado, de que lado do carro é que está, se está à frente, atrás, se o flash vai carregar a tempo ou não, e tirou seis fotos daquele momento. Duas ficaram em branco, uma ficou desfocada e duas mostravam os agentes da polícia que não interessavam. Uma única capturou o momento e ele conta que os deuses da fotografia estavam do seu lado. E depois tem esta frase lapidar, isto num vídeo em que ele explica o que aconteceu: "A minha melhor foto, provavelmente não. É um homem fotografado à noite através do vidro traseiro de um carro. Agora, é a melhor foto que já tirei? Não. É uma das mais importantes, com certeza".

É o documento.

E aqui está. É o documento que vai ficar.

E essas circunstâncias são sempre complicadas, como ele diz.

Claro, é isso.

É evidente. Já agora, voltando aqui só macaquinho Punch. A Patrícia Oliveira, que trata aí muito bem do nosso marketing, que está muito atenta, fez logo questão de me enviar aqui-

Uma foto. Já viste

Uma foto?

Várias fotos.

O link para a coleção inteira de fotos do Punch, o macaco abandonado que encontra conforto num peluche.

Já ia ali passar, limpa a lagriminha no canto do olho.

Obrigado, Patrícia.

Não vais aguentar agora.