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Vou contar até três.
Então.
Há frases que ouvimos tantas vezes na infância e na adolescência que ficam gravadas e que permanecem na nossa cabeça já adultos.
E depois, malas-peras, estás a repeti-las, que é o pior.
As frases icónicas das mães são uma espécie de tesouro cultural e muitas vezes lembradas no Dia da Mãe, que se celebrou no domingo, como parte da nossa educação. "Vou contar até três" é uma delas. Não é já vou, é agora. O Carlos está: "Hum."
Claro.
Não estou bem sentada agora.
"Leva casaco, depois não digas que estás constipado."
Leva uma malinha.
Leva uma malinha. "Se eu for aí, é pior." "Quando chegares, liga." Esta é um clássico. Depois aquela frase que garantia silêncio imediato em público: "Em casa falamos."
Ui.
E aquele olhar.
Eu gosto muito do teu tom.
Parece que tenho experiência nisso. Temos também o clássico sobre a arrumação do quarto: "Eu não sou tua empregada, menina, menino."
Não há cá criados.
Não há cá criados. Não é mas nem meio mas. Não é mas nem meio mas. É assim como eu digo. É para fazer como eu digo. Quando fores mãe, vais perceber. Faz o que quiseres, mas depois não digas que eu não te avisei. Vocês estão a rever-se nisto tudo, não é só a Carla enquanto mãe.
Eu acho que toda a gente acaba por utilizar isso pelo menos uma vez na vida.
Porque sou tua mãe. Acabou a conversa.
Claro. Não há discussão.
Não há discussão. E depois o clássico: "Vai perguntar ao teu pai." Se bem que ao contrário, o vai perguntar à tua mãe é muito forte.
A tua mãe é que sabe.
Vocês têm alguma que utilizam mais?
Essas todas, de uma forma ou de outra.
E depois tenho uma interior que é eu dizer: "Eu sou a minha mãe."
Eu tornei-me a minha mãe.
Eu tornei-me a minha mãe. Pronto, é isto.
Apeceu-me recordar estas frases.
E fizeste muito bem.
Devias ter feito isto na segunda. Mas o Dia da Mãe também é quando a mãe sabe que é mãe.
O retardamento da idade. Pois muito bem. Vocês já devem ter visto a fotografia mais recente da primeira-ministra italiana que anda a circular pelas redes.
O Paulo diz que sim.
Giorgia Meloni, de lingerie.
Sim, claro.
De lingerie, deitada numa cama, numa posição muito sedutora. Tem vindo muita gente indignada a escrever nas redes sociais que isto não é pose para uma chefe de governo.
Sim, não é muito habitual.
Não é muito habitual e não é nada.
Não é mesmo.
E não é mesmo, porque é uma imagem deepfake gerada por inteligência artificial e foi a própria. Às vezes o melhor ataque é mesmo este. Foi a própria a denunciar isto no Facebook. Denunciou com assertividade, mas também com humor. Ela escreve: "Andam a circular por estes dias várias fotos minhas falsas, geradas por inteligência artificial e apresentadas por verdadeiras. Devo admitir que quem as criou até melhorou bastante a minha aparência." Que é uma forma muito engraçada de destruir qualquer tentativa um pouquinho mais baixa de qualquer coisa, porque pode ser um objetivo político, mas pode ser só por maldade, porque sabemos que é assim. E as mulheres são muito vítimas deste tipo de insinuação, porque é muito violador, quase, é muito humilhante.
A visual é muito dirigida às mulheres.
É, muito. E Giorgia Meloni acrescenta: "As deepfakes são uma ferramenta perigosa, porque podem enganar, manipular e atingir qualquer pessoa. Eu posso defender-me, muitos outros não." E este ato também é muito importante.
A pedagogia que ela faz.
Exatamente, o tipo de pedagogia. E depois deixa mesmo esta mensagem: "Verificar antes de acreditar, pensar antes de partilhar. Hoje acontece comigo, amanhã pode acontecer com qualquer um." Não é novo a forma como o governo italiano tem tentado denunciar e combater este tipo de utilização perniciosa da inteligência artificial e das deepfakes. Em setembro do ano passado, Itália tornou-se até o primeiro país da União Europeia a aprovar uma lei que regula o uso da inteligência artificial. É uma discussão também muito complicada, mas a lei italiana prevê até penas de prisão para quem utiliza ferramentas como esta das deepfakes, que possa causar danos, e aqui está a questão. Impõe também muitos limites ao acesso das crianças a este tipo de tecnologia. E a legislação à Itália foi criada precisamente depois de um outro escândalo, também a envolver Meloni e não só, de um site pornográfico que recorreu a imagens manipuladas de mulheres italianas, não só de Meloni, também da líder da oposição, em que pegavam em fotografias verdadeiras, naturalmente, das redes sociais ou de aparições públicas, depois eram alteradas com legendas sexistas e publicadas numa plataforma que tinha mais de 700 mil seguidores, o que também é muito impressionante. O site foi encerrado, mas como percebemos, isto é uma guerra com muitas batalhas, não sabemos como terminará, mas é bom que pelo menos isto se denuncie. E a forma como Giorgia Meloni lidou com o assunto se calhar é exemplar, mas ela pode e muitos outros não podem.
Ela tem voz.