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Era bom que a Carla aqui estivesse, porque isto é coisa de mulheres. Por isso falo para os nossos ouvintes.
Se calhar, se quiser, vamos embora.
Não, vocês aqui em estúdio vão dizer se bate certo ou não, mas para as senhoras: pense em quantas vezes já pediu ao seu namorado, ao marido ou ao melhor amigo para lhe tirar aquela fotografia num cenário incrível e o resultado foi um autêntico desastre. Foi mesmo tudo ao lado. O enquadramento todo torto, as sombras a tapar a cara ou o ângulo que não favorece ninguém.
Sempre se troca esse namorado ou marido e acabou-se.
Não é que somos nós que somos esquisitinhas. Há uma explicação para isto.
Científica? Mais ou menos.
Tornou-se um fenómeno viral nas redes sociais e até já deu origem a um debate. Por que é que, em regra geral, os homens tiram piores fotografias às suas companheiras do que as mulheres tiram aos seus parceiros? A resposta não é má vontade.
Já estamos a esse nível? Muito bem.
A resposta não é má vontade.
É científica, amiga.
É ciência, entre aspas, e perspectiva. A explicação que está a dar que falar baseia-se num conceito chamado: o olhar da pessoa amada. A teoria explica que a forma como fotografamos alguém reflete a maneira como vemos essa pessoa. Mas calma. As mulheres, quando pegam no telemóvel para fotografar o companheiro, costumam prestar atenção a tudo. À iluminação, o ângulo, o fundo, até a postura, para garantirem que ele saia o melhor possível. Já os homens, isto não é uma generalização, portanto não se zanguem comigo, tendem a ter uma abordagem mais direta e literal. Quando um homem olha para a mulher que ama, ele já a acha fantástica.
Não tem que olhar para mais nada.
É só carregar.
Exatamente, por isso, ao tirar a foto, o objetivo é só registrar o momento tal como ele é, sem se preocupar se a luz está perfeita, se o ângulo o favorece. Para ele, a pessoa bonita é bonita. Logo, a foto está boa.
Sempre que ela fala: "Querida, para mim está sempre bem. Está sempre ótima". Isto quando não-
Não, fica. É a mesma coisa
...quando, por acaso e por acidente, não focou a loira que está lá atrás.
Exato. É a mesma coisa quando as mulheres pedem a opinião sobre o vestido. "Está sempre ótimo."
"Estou sempre bem."
"E este aqui, mas este fica-me bem ou não?" "Não, ficam todos bem."
Portanto, elas fotografam com o intuito de criar uma imagem estética e cuidada, enquanto eles fotografam, é só mais um registro mental, é só para ficar na história do casal. Portanto, da próxima vez que ficar desiludida, agora estou a falar outra vez para os nossos ouvintes, com a fotografia das férias, pense pelo lado positivo. Se a foto ficou péssima, é só porque ele a ama exatamente como é. Não precisa de filtros, nem de ângulos perfeitos.
Está tão cego que nem consegue ver bem a foto.
Por experiência própria, eu confirmo. Bate certo.
Se querem boas fotografias, contratem um profissional, está bem?
Maria João, essa coisa de trazeres as tuas queixas pessoais e transformar isso em ciência.
Mas é porque há muito amor ali por trás da câmara.
Da câmara.
Agora vamos falar.
Agora vamos mudar para um tema um pouco mais sensível.
E de facto não se fala de outra coisa.
Tem-se falado muito deste caso do julgamento de Lindsay Clancy, a mulher de 36 anos que matou os três filhos em Massachusetts, nos Estados Unidos. O júri ainda não chegou a um veredicto unânime e o juiz deu mais tempo para deliberação. É uma decisão que não será nada fácil. O caso não está a dividir apenas os jurados, está a dividir a opinião pública, a sociedade. Há quem condene esta mulher.
Matou três filhos.
Exatamente. Quanto a isso, não há dúvidas, foi ela que matou os filhos. Depois, a questão passa para a responsabilidade e se poderá ser considerada ou não culpada, dado o estado em que se encontrava, saúde mental, no momento em que cometeu o ato. Também tem havido uma onda de apoio à Lindsay Clancy, e que tem sublinhado precisamente a questão das doenças mentais, as depressões pós-parto, que terão estado na origem deste caso. O juiz acabou por permitir que o júri fizesse uma pausa nas deliberações e já regressou ontem para tentarem chegar a um veredicto, mas ainda não foi possível. Foram ouvidas 80 testemunhas, o júri teve acesso a 300 provas e neste momento estão cinco opções de veredicto em cima da mesa. Lindsay Clancy pode ser culpada de homicídio qualificado, homicídio simples, homicídio involuntário, inocente por falta de responsabilidade criminal e inocente. Portanto, há várias hipóteses em cima.
Eu creio que esse último é o mais complicado.
O inocente é muito pouco provável. Aliás, pode-se imaginar, até mesmo pela dificuldade em chegar a um consenso, muito dificilmente será essa opção. Uma vez, como dizíamos há pouco, que foi ela que cometeu o ato, quanto a isso não há dúvidas. A defesa argumentou que Lindsay Clancy matou os filhos durante um episódio de psicose pós-parto. E isto, claro, reduziria a responsabilidade de Lindsay Clancy e a defesa pediu que não fosse condenada por homicídio intencional, procurando uma defesa por insanidade, que raramente é reconhecida nos Estados Unidos, mas aqui há muitas diferenças de estado para estado. A acusação defende que a Lindsay Clancy tomou uma decisão calculada ao matar as crianças e que deve ser responsabilizada. A procuradora adjunta do condado de Plymouth, em Massachusetts, responsável pela acusação, diz que ela sabia exatamente o que estava a fazer. No estado de Massachusetts, a condenação por homicídio qualificado, que é o first-degree murder em inglês, acarreta uma pena obrigatória de prisão perpétua, sem possibilidade de liberdade condicional. Há aqui várias possibilidades em cima da mesa. A sociedade está dividida, os jurados também estão divididos. Não se sabe quando é que vão chegar a uma decisão. Em princípio, deverá ser ainda esta semana, mas as dúvidas, as incertezas em relação à decisão do júri mostram também, refletem também a divisão que este caso gerou, a análise a este caso.
E daí também todo este mediatismo.
E que já até ultrapassou as fronteiras dos Estados Unidos. Tem-se falado sobre isto em todo o mundo. Há, de facto, aqui uma questão relacionada com a saúde mental, que muitas vezes não é tida em conta. Por outro lado, há, de facto, uma responsabilidade.
Três crianças que morreram. Um pai que ficou sem três filhos.
Que morreram. Depois, nós já sabemos como é que as coisas funcionam. Nestes casos, uma grande polarização nas opiniões, opiniões muito extremadas, opiniões a atacar o pai e a família do marido. Outras a atacarem.
Até os médicos.
Até os médicos, exatamente, por não terem dado uma resposta, porque a Lindsay Clancy foi acompanhada.
Sim, mas manifestou várias vezes, mesmo junto à família, dos próprios médicos.
E não terá tido esse acompanhamento devido, pelo menos é isso que também alega a defesa e quem tem nas redes sociais, por exemplo, defendido Lindsay Clancy. É um caso que vamos continuar a acompanhar, porque, de facto, não se tem falado de outra coisa.