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Não se fala de outra coisa. Gostam de gelados? Qual é o vosso sabor favorito? Mais ou menos.

Chiclete.

Chiclete?

Chiclete.

Paulo? Eu agora ando numa de iogurte.

Chiclete de nozes, por exemplo, também é bom. Stracciatella.

Stracciatella.

Stracciatella.

Chachatella.

Eu gosto de iogurte. Dá para misturar com tudo.

Pois.

Os gelados de iogurte, sim.

Iogurte não é assim um bocadinho baunilha?

Não é. É muito menos doce.

Isso é dos outros, Paulo. Estás numa.

Sim, é mais...

Estás muito enganado.

Tens de provar.

Estás muito enganadinho, Paulo.

E tu, Carla, não gostas muito?

Não sou fã.

Eu também não sou, mas quando como.

Não és fã de quê? De gelados? Não é.

Sim, eu não sou.

Não.

Não. Caramelo salgado, gostas?

Eu não gosto.

Caramelo salgado é muito bom.

Menta. Eu não gostava de menta.

E em gelado gostas?

Não gostava de menta nos gelados, mas acho que é um gosto que se adquire.

O que é certo é que há sabores para todos os gostos.

Sardinha, até.

Exatamente. Sardinha, pastel de nata, sabor a travessado de Sintra que ainda não inventaram. Pelo menos não me lembro de ver gelado com sabor a travessado de Sintra.

A cozida à portuguesa.

Tão bom, travessado de Sintra. E que tal recordarmos a infância, voltar atrás no tempo e experimentarmos um geladinho com sabor a leite materno? Não podia vir mais a propósito, não era?

Crianças que estão na amamentação. Em vez de se amamentar, dá-se um geladinho.

Ainda se lembra ou que sabe? Eu não faço ideia.

Não faço a mínima ideia.

Não fazes ideia.

Não faço ideia.

Agora é a vez de matarem saudades.

Se houver aí algum adulto que saiba, acho que estamos num problema.

É capaz de haver, porque nos Estados Unidos-

Há um famoso livro que fala de uma receita com leite materno.

Pois!

Certo.

Olá, José Rodrigues dos Santos.

O que é certo é que nos Estados Unidos, uma marca de produtos para mães e bebês uniu-se a uma geladaria de Nova York para lançar um gelado inspirado precisamente nesse sabor. Mas ninguém andou a tirar leite do peito de uma mãe com aquelas bombas, não.

É só uma fórmula.

É, não contém leite humano real. Utilizaram uma fórmula para imitar o sabor, utilizando colostro bovino lipossomal.

Não sei se é melhor.

É logo apelativo, não é?

Parece muito bem.

Caramelo salgado, xarope de mel e corante amarelo, mas tem mais.

Mas o que eu gosto é do colostro.

Tem mais. Tem nutrientes semelhantes aos do leite materno, como ômega-3, lactose, vitaminas B e D, zinco, cálcio e ferro, e água para hidratação. Eu pergunto: quem terá servido para fazer a prova? Mais um bocadinho disto.

Espera, é porque o sabor do leite materno varia de acordo com aquilo que a mãe vai comendo.

Pois.

É?

É, sim.

Faz sentido.

Uma mulher a amamentar não-

Tem restrições alimentares.

Por exemplo, o picante.

Claro.

O álcool é também por isso.

O picante. Podia fazer um com picante.

O filho a mamar e ficar com os olhinhos todos a chorar. Bem, doce, ligeiramente salgado, cremoso, com notas de mel e toques de colostro, apresentando um tom amarelo característico do colostro. É assim que a gelataria OddFellows descreve a mais recente criação, que tem dado o que falar. A internet, claro, tem se dividido entre quem considera a ideia genial e quem considera isto uma coisa ruim, nem pensar. Insólito.

E nós ficamos a assistir de cadeirinha.

O certo é que o gelado com este tal sabor a leite materno, que é uma edição limitada que só iria estar disponível até este domingo, esgotou logo no lançamento. Foi no início da semana. Nem uma semana durou.

Curiosidade.

Talvez.

Sim, curiosidade.

Mesmo assim não sei se teria curiosidade. Não sei. É estranho. Mas a campanha coincide com o Mês Nacional de Consciencialização para o leite materno nos Estados Unidos. Portanto, há aqui um porquê disto ter acontecido. Não tem nada a ver com o nosso problema em especial.

Nos Estados Unidos, as empresas não perdem uma. Aproveitam tudo.

Gelado com travessado de Sintra. Enquanto não há gelado.

Fica a dica para todas as geladarias portuguesas.

Um colostrozinho. Um gelado que eu gosto. Muito bem. Há mais um caso de magreza doentia extrema em modelos que levou uma proibição no Reino Unido, a Zara. A Zara foi a vítima disto, foi obrigada a remover duas fotografias da loja online por causa das autoridades reguladoras da publicidade britânica, que falam exatamente nessa expressão da magreza doentia e de irresponsabilidade. Foram muito duros por causa de duas fotografias. Numa delas pode ver-se uma modelo com um vestido branco curto, a mostrar umas pernas, de fato, muito magrinhas, uns ombros salientes. Aliás, a entidade reguladora descreve ombros fora de proporção. Numa outra imagem eram as clavículas da modelo que eram muito evidentes e muito criticadas por parte desta entidade que zela pela responsabilidade dos anúncios e da imagem que é transmitida na moda. As imagens foram, de fato, apagadas pelo site. A Zara, no entanto, defendeu-se e diz que as duas modelos, e isto também é um pouco um sinal dos tempos, tinham um atestado médico que comprovavam a boa saúde enquanto decorreu esta sessão fotográfica e também garantiu que não houve nenhuma modificação, um Photoshop, uma modificação digital. Não é a primeira vez que há problemas destes, sobretudo no Reino Unido. Há uma outra história de um anúncio da Next, em que as imagens usadas para vender umas calças de ganga justas chamavam a atenção também para a magreza do modelo, e a marca recorreu também dizendo isto: a modelo era magra, sim, mas tinha um físico saudável e tonificado, e na defesa dizia: "Mas por que existe esta perseguição às mulheres magras quando os anúncios com mulheres obesas não são criticados e a obesidade também não promove exatamente a saúde?" A verdade é que o tema, volta não volta, ganha nova importância e agora há uma nova preocupação com o Ozempic, aquele medicamento que está a ser utilizado.

Para emagrecimento.

E há quem diga, há muitas celebridades que estão a usar o Ozempic. Há uma mudança na cultura em relação à maneira como estamos a pensar os nossos corpos e como os abordamos, e por isso é importante que todos os corpos sejam representados na moda. Volta não volta, este assunto está aqui. Se calhar também é por isso que se recorre à inteligência artificial, como eu te lembrava.