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Não se fala de outra coisa, Bruno.

Em França não se fala mesmo de outra coisa, da morte de Quentin Deschiens, um jovem de 23 anos, estudante universitário, militante político identificado com grupos de extrema-direita. Foi agredido há dias na cidade de Lyon, em França. Morreu dois dias depois das agressões, em resultado dessas mesmas agressões. Segundo as autoridades, Deschiens foi vítima de um ataque violento por um grupo de pessoas em plena rua. Sofreu vários golpes que lhe provocaram um traumatismo craniano e depois de ter sido levado para o hospital, acabou por morrer no dia 14 de fevereiro. As agressões foram no dia 12, acabou por morrer no dia 14 de fevereiro por causa destes ferimentos. E este ataque ocorreu durante confrontos entre manifestantes de extrema-direita e ativistas considerados de extrema-esquerda, à margem de um protesto contra a visita de uma eurodeputada de esquerda a Lyon. As autoridades abriram uma investigação por homicídio voluntário, violência agravada, associação criminosa e o procurador de Lyon, Thierry Dran, confirmou que a investigação procura identificar todos os envolvidos neste ataque mortal. Já foram detidas ao todo 11 pessoas. Primeiro foi detido um grupo de quatro pessoas, incluindo um assessor parlamentar de um deputado da França Insubmissa, o partido de extrema-esquerda, o deputado Raphaël Arnault, foi um dos seus assessores que foi detido e que está em prisão preventiva. Depois foram detidas mais pessoas. Há sete homens que estão sob suspeita de homicídio voluntário, os outros quatro estão sob investigação por apoio e ajuda aos autores dos ataques. Ainda não há nenhuma acusação formal, a investigação ainda decorre e este caso acontece num clima de forte polarização política, num país, aliás, onde a moderação raramente encontra lugar. Existem muitas tensões entre a extrema-direita e a esquerda radical. Isto antes das eleições previstas agora, eleições municipais para março deste ano e a corrida presidencial do próximo ano. Figuras de centro-direita acusaram a extrema-esquerda de promover um ambiente de violência que teria contribuído para o ataque. Os líderes de esquerda, incluindo da França Insubmissa, disseram que condenam qualquer violência, repudiaram o ataque, mas também estão a ser pressionados para assumir responsabilidades políticas se se comprovar a ligação entre os autores deste ataque e os partidos. Houve uma ameaça de bomba que levou à evacuação da sede nacional da França Insubmissa em Paris, isto após as tensões, e agora está marcada para o próximo fim de semana uma marcha em homenagem à vítima, Quentin Deschiens, em Lyon, e teme-se que possa ser aqui um-

Um rastilho

...um rastilho para novos confrontos.

Já basta?

Já está.

Ótimo.

Passo.

Um minuto de silêncio, então.

Passo ou basta.

Vocês sabem que vai se discutindo. Olha o sorriso.

Mas estes silêncios são importantes também, rádio. Limpam.

Silêncios Pinterianos.

Limpa um pouco, porque as pessoas batem no rádio.

Será que está a funcionar?

Será que está a funcionar.

Lembrou-se daquele rádio que saía, que nós puxávamos e levávamos para casa.

E alguns levavam também para casa deles.

Por baixo do banco. Até que saía no Gamans.

Era muito mais fácil, já estava debaixo do banco.

Agora tem que levar o carro todo.

A discussão sobre o uso das tecnologias vai seguindo. E nós vamos vendo alguns países, nomeadamente cá em Portugal, restrições à utilização de redes sociais, sobretudo por parte de adolescentes. Mas não é um exclusivo, de facto, nem destas idades, nem das nossas sociedades. Há uma congregação em Itália, a Congregação Camaldulense da Ordem de São Bento, fundada no século XI, uma congregação religiosa de clausura, que quer também colocar regras à utilização de redes sociais por parte dos monges, quer que se abstenham de usar redes sociais, a internet e até plataformas de streaming como Netflix nas suas celas. Isto para quê? Para preservar as dinâmicas próprias da vida monástica e da vida em clausura. O The Guardian cita uma carta do líder religioso enviada à comunidade, que o Observador também cita. E nessa carta aberta, o padre Matteo Ferrari, é assim que se chama, antes de mais, o apelido dele devia ser logo pagar imposto.

Caixa de luz.

Caixa de luz. Matteo Ferrari reconhece, de facto, que as novas gerações são nativas digitais e, pensando bem, de facto, são padres depois, mas nascem e crescem como todos os outros, meio evidente. E que a Igreja Católica deve, obviamente, procurar beneficiar das possibilidades oferecidas pela internet e pelas redes sociais. Porém, há sempre aqui um mas, é necessária uma reflexão profunda e corajosa sobre o assunto, especialmente na formação dos jovens monges. É isso que defende o padre Matteo Ferrari. E ele lança várias questões. Pergunta: "Se a cela se transforma num lugar de expressão e numa sala de cinema individualista, para onde vai a nossa espiritualidade monástica?"

Para onde?

Para onde? É uma boa pergunta, não é?

É uma boa pergunta.

Ainda bem que faz essa pergunta, Paulo Ferreira.

Ele diz que existem verdadeiras dependências cinematográficas que podem levar os monges a tornarem-se especialistas em cinema, mais do que buscadores de Deus.

Dependências cinematográficas.

Exatamente.

É só mais um episódio.

Especialistas exatamente em cinema. Diz que a Netflix e outras plataformas de streaming on-line, assim como redes sociais como o Instagram ou TikTok, que são pensadas especificamente para causar dependência, e ele acha que devem ser absolutamente evitadas também por uma questão de pobreza e sobriedade. E o prior recomenda, de facto, que os religiosos se abstenham de qualquer uso das redes sociais e da internet, sobretudo à noite, após o jantar, para que o silêncio que os monges são chamados a viver na sua cela seja verdadeiramente experienciado. Cá está, carta é mais longa.

Com fones, ninguém ouve.

Não, é o silêncio na tua cabeça, Carla.

Pois. Não é para os outros, é difícil.

Não é para os outros. Isso, de facto, a tecnologia já resolve. A questão é o que se passa dentro da tua cabeça, neste caso, da cabeça dos jovens monges. Enfim, a vida moderna a interferir aqui com práticas passadas. A carta avança com outros argumentos e outra sustentação disto, mas o básico é isto: deixem lá as redes sociais em paz.