Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

7 horas, 43 minutos. Está na hora do "Não Se Fala de Outra Coisa", espaço onde destacamos histórias que têm suscitado curiosidade ou que estão a dar que falar nas redes sociais. Quem é que começa hoje?

Posso começar eu. Tenho aqui uma notícia. Não é uma notícia, é um apanhado do estado atual da discussão sobre os efeitos do álcool na saúde. Não sei se já repararam, houve recentemente vários artigos a falar sobre como até um consumo moderado de álcool pode ter efeitos na saúde, por exemplo, no câncer, o que tem motivado alguma polêmica, porque as associações do setor dizem que é exagerada essa ligação entre o consumo, mesmo que moderado, de álcool e os riscos para a saúde, nomeadamente do câncer. O jornal "Público" fez aqui um apanhado das várias notícias que têm saído e estudos que têm sido divulgados mais recentemente para saber, afinal de contas, como é que estamos, quais são as opiniões sobre o tema. E começa por responder à pergunta: por que esta questão da ligação entre consumo de álcool e saúde ganhou tanta visibilidade recentemente? Os primeiros estudos já datam da década de 1980, mas em 2023, a revista "The Lancet", que é uma das mais prestigiadas do mundo, publicou um estudo com o título "Saúde e Riscos de Cancro Associados ao Consumo de Níveis Baixos de Álcool". A partir daí, a OMS, a Agência da Organização das Nações Unidas dedicada à saúde, determinou que no que diz respeito ao consumo de álcool, não há um nível de consumo seguro que não afete a saúde.

Nada, nem um copinho?

Não. Pelo menos foi isso que a OMS acabou-

O tal copinho à refeição.

Nada, o copinho ao pequeno-almoço.

Exatamente. Nós crescemos com essa ideia, um copinho de vinho à saúde.

Vinho tinto.

À refeição.

Tem que ser tinto.

Tinto, faz bem à saúde, mas este estudo vinha contrariar essa ideia. Mesmo um consumo bastante moderado pode ter algum risco.

O álcool é tóxico, ponto.

Claro, e é um carcinogênio e isso ficou-

Sabes que eu faço o "Aprender a Comer" com a nutricionista Mariana Chaves e já falamos bastantes vezes sobre este assunto.

Sobre este assunto. Eles não falam de outra coisa.

O álcool é tóxico, é uma das premissas da Mariana sobre o assunto.

O que pode variar é a dose e assim, correspondentemente, da toxicidade, mas que algum mal deve fazer. Também pode ter algum efeito benéfico. Isso também é discutido aqui, porque se dizia aquilo que estávamos a falar, que um copo de vinho, o consumo moderado, era considerado bom pra saúde cardiovascular. E neste artigo do "Público", Pedro Graça, que é diretor da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto, diz que é preciso distinguir a questão do câncer, sobre a qual a evidência científica é robusta, ou seja, há dados que apontam, dependendo depois das pessoas, que há um efeito, há um impacto do consumo de álcool no risco do câncer e das doenças cardiovasculares. No caso das doenças cardiovasculares, há alguma contradição entre diferentes trabalhos, mas existe alguma esperança. Calma, existe alguma esperança pra quem defenda um consumo moderado, de que beber no máximo um copo de vinho por dia às refeições principais possa originar alguma proteção. Portanto, nem tudo está perdido. Aquilo que nós pensávamos, que nós ouvimos-

Tanto se tiveres umas sete refeições principais por dia.

Por dia, está tudo bem. Só tens é de convencer o teu corpo das refeições principais. Mas tem-se falado muito disto porque cria uma grande ansiedade, porque todos nós bebemos o nosso copinho de vez em quando e não queremos que isto nos afete em demasia.

Mas é dos assuntos mais discutidos sobre nutrição.

Sobretudo quando se bebe um copo.

Sem dúvida. Ainda não percebi, de facto, a questão do leite também.

Sim. O leite. Eles é que são os especialistas dessas coisas.

Explica-nos sobre o leite.

Não faço ideia, mas o leite, como o vinho, acontece isto, aqui batemos em ciências que nos dizem uma coisa e ciências que nos dizem outra. Há um estudo sobre, há outro estudo que contradiz o anterior.

E provavelmente estão todos certos.

Nunca saberemos qual é o certo.

Reúnam-se à mesa, bebam um copo e resolvam o assunto.

Com queijinho.

Mais notícias, temos Paulo Frankly.

Tenho aqui uma. Não é uma história agradável, mas é o que é, é sinal dos tempos também. Nos Estados Unidos estão a espalhar-se caixas onde é possível abandonar recém-nascidos de forma anônima São frequentes nos estados em que o aborto é proibido ou é mais restrito, e elas surgem como forma de combater o chamado abandono perigoso, visto que é deixar o bebê recém-nascido muitas vezes num sítio desperdiçado. São caixas conhecidas como baby boxes, portanto, caixas para bebês, que mais parecem gavetas de rua na parede de um edifício. Imaginem uma tampa de uma lareira, em que há uma gaveta que se puxa.

Também há disso nas morgues, não é?

De certa maneira, sim. E há um espaço acolchoado lá dentro. Aquilo está em edifícios que prestam esse serviço. Paulo, isso é a Roda que tivemos cá na Santa Casa. É a Roda. Em que os bebês eram entregues também.

Eram deixados na Roda e depois girava, e para os pais não serem identificados.

Está voltado de uma forma- Significativa ...só para termos ideia, cada caixa tem o custo de $16 mil. Já existem 344 nos Estados Unidos, portanto, isto é uma forma instituída. São IPSs e associações. É a sociedade civil que vai criando isso, a Igreja também.

Onde é que se vê essa história?

Eu li na CNN Internacional, que cita, por sua vez, uma reportagem da Time sobre isto, com estes números. E de facto, desde a proibição do aborto por parte de alguns estados, várias comunidades e organizações sem fins lucrativos têm promovido a instalação destas caixas para bebês, com o objetivo de reduzir o abandono de recém-nascidos em condições perigosas e de oferecer uma alternativa a mulheres em situação de crise. Há aqui também uma abordagem, se quisermos, ideológica e política a isto. Nalguns estados, como o Indiana e o Missouri, estes estados financiam publicamente, com dinheiro dos contribuintes, a instalação e a promoção desta dita alternativa ao aborto. É assim que é colocado, para dar a tal saída a mães que não abortaram e que acabam por ter as crianças. Obviamente que este rápido crescimento destas baby boxes está a gerar debate. Especialistas em saúde, ética e adoção alertam para as consequências destas caixas. Argumentam que o anonimato priva as mães de acompanhamento médico e psicológico, elas próprias após o parto, impede as crianças de conhecerem a sua origem biológica ou historial médico. E alguns críticos consideram que as caixas simplificam uma questão que é muito complexa. Em vez de apoiarem as mulheres para que possam criar os seus filhos, elas canalizam recursos para uma medida que não resolve o problema. É um cenário que não é nada simpático, mas está a crescer nos Estados Unidos. Só mais um número: cerca de 62 bebês já foram deixados nestas caixas, em contraste com mais de 230 entregas presenciais facilitadas por linhas de apoio de entidades sociais. Portanto, é uma realidade que vai crescendo nos Estados Unidos.