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Ora, de mais um não se fala de outra coisa. Algumas das histórias que têm suscitado muita curiosidade?

Esta marcou o fim de semana, foi a morte de um jovem forcado, numa corrida de touros no Campo Pequeno, na passada sexta-feira. Manuel Maria Trindade, de 22 anos, que já tinha muita experiência, apesar de ainda ser bastante jovem, desde pequeno estava ligado à tauromaquia e sempre quis ser forcado, seguindo as pisadas do pai. Era oriundo do Alentejo, este jovem. Como disse, já tinha alguma experiência para a idade, mas não resistiu aos ferimentos. Foi a primeira pega da noite, com um touro de 695 quilos, que o fez embater nas tábuas e apesar de todos os esforços das equipes médicas, não sobreviveu. Nestas situações, aproveita-se muitas vezes para discutir novamente a questão das touradas. E é isso que se tem falado muito nas redes sociais. Sabemos que há quem aproveite estes momentos para comentários que eu diria que são, no mínimo, de mau gosto, não são oportunos. Ou há quem também até vá mais longe e celebre a morte de alguém por ser contra as touradas e aproveitar estas situações para falar e exigir o fim das touradas. Não foi o caso da porta-voz do PAN, Inês de Sousa Real, que não aproveitou este momento. Comentou, desejou, endereçou as condolências à família e pediu para que se fale também do fim das touradas com algum equilíbrio. Apesar de tudo, é conhecida a clara posição do PAN em relação a esta matéria.

Até porque podem ser as duas faces da mesma moeda. Isto é, a crítica que se faz às touradas, pelos atropelamentos todos, e também a morte de intervenientes nas touradas.

É claro. Pode-se, obviamente, que as duas coisas não são mutuamente exclusivas e pode-se falar de uma e de outra. Agora já sabemos que, sobretudo no clima, na atmosfera das redes sociais, perde-se um bocadinho.

Isso descamba.

Perde-se um bocadinho o controle desde os comentários nas caixas de comentários das notícias, até mesmo nas redes sociais. Há aqui depois um descontrole e que já não aproveita a ninguém e que já não se está a discutir nada de útil. Pode-se ser contra as touradas e a favor do fim das touradas. Aproveitar estes momentos ou estas ocasiões até para discutir isso, desde que, digo eu.

Não se esqueça aqui.

Não se perca um pouco a humanidade, apesar de tudo.

Até porque, já agora, no espetáculo das touradas, os forcados são claramente o elo mais fraco.

Sim.

São os que vão à luta.

São aqueles que dão a cara.

Literalmente, dão o corpo, neste caso, ao touro.

Mas há aqui uma história, e também tem sido mencionada, esta história deste jovem que perdeu a vida na passada sexta-feira e que está contada também no Observador. Tem aparecido também noutros meios de comunicação, mas há um artigo no Observador, bastante longo, com a informação sobre o trajeto, a história e também os comentários dos amigos, de quem o conhecia e da paixão que ele tinha pela tauromaquia e pelas pegas, algo que também vem de uma tradição familiar. E foi um dos assuntos que clara dominaram o fim de semana.

Claro. E sabemos bem por notícias recentes que tornar públicas as imagens de um casal pode ter um impacto muito grande na vida das pessoas em causa.

É verdade.

Vimos isso no caso daquele casal que tentava esconder-se e que apareceu no concerto dos Coldplay, imagens que se tornaram virais. Mas há agora um outro vídeo que foi partilhado nas redes sociais e que arruinou a vida de um casal britânico, mas neste caso, por motivos bem diferentes. Em causa está uma partilha descontextualizada de um vídeo de uma família num parque, que deixava implícito que um avô estaria a comportar-se de forma imprópria com as netas. O vídeo foi partilhado por um ultranacionalista britânico, em que aparecia o vídeo do avô com as netas e com a legenda: "Que raio é que se está a passar aqui? Onde estão os pais?" Imagens que mostravam dois homens negros a brincar com as netas de um deles num parque infantil. O The Guardian explica que esta partilha descontextualizada parecia sugerir que as crianças estavam longe da família, na companhia de dois estranhos, e colocou a família sob suspeitas infundadas. Um dos homens, músico de profissão, chegou mesmo a ser suspenso pelo manager por estar debaixo de todos os holofotes por causa deste vídeo que se tornou viral. E a família conta também que mesmo na rua ouvia gritos de pedófilo, enfim, tudo por causa deste vídeo, sendo que a polícia local disse que não havia muito a fazer, porque a partilha do vídeo por si só não constituía nenhum crime e, portanto, não poderia fazer nada. A verdade é que desde a republicação dessas imagens descontextualizadas, a família tem sido alvo de ameaças, todos se sentem em risco e explicam que não passam de uma família normal, que foi ao parque com as netas para um passeio normal, mas que viram as vidas completamente arruinadas. De resto, vários comentários pediam a remoção do vídeo, que acabou por ser depois retirado. O homem que publicou esse vídeo descontextualizado é acusado de crimes de violência, fraude financeira e migratória, posse de cocaína. Foi condenado à prisão em 2024, mas saiu em liberdade mais cedo, em maio deste ano, após ter demonstrado uma mudança de atitude e acabou por usar este vídeo descontextualizado.

Um bom cidadão a tentar dar o exemplo.

Exatamente.

Que horrores também.

Ou está a dizer a outros.