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O podcast Noite de História tem o apoio do Pingo Doce. Bem-vindo ao podcast Noite de História. Eu sou a Maria João Simões e nos próximos quatro episódios, em parceria com o Pingo Doce, vamos falar sobre o entusiasmo partilhado em família sempre que chega a hora dos mais novos irem dormir e procuram nos adultos lá de casa a última aventura para dizer adeus ao dia. Vamos falar sobre as famosas histórias para adormecer. Esta é mais uma forma do Pingo Doce promover e fomentar a leitura desde tenra idade, um compromisso que ganha forma nos seus livros infantis exclusivos, através de uma iniciativa que tão bem conhece, o Prêmio de Literatura Infantil, que tem como objetivo dar a conhecer novos talentos na área da escrita e ilustração, que resultam depois num livro infantil. Neste podcast Noite de História, falamos sobre o poder de uma boa história infantil e a dinâmica que se constrói numa família através da leitura. Com a ajuda de vários convidados, recordamos as noites passadas entre pais e filhos, o que trouxeram as histórias para a imaginação das crianças e também as memórias que ficam dos diversos livros que já ouviram ser contados. A nossa primeira convidada é a Joana Vaz, mãe de três filhos. Olá, Joana, bem-vinda e obrigada por ter aceitado o convite.
Olá. Obrigada eu pelo convite.
O gosto é nosso, Joana. Que idade têm os seus filhos? São três?
São três. O Mateus é o mais velho, tem nove anos, depois tem a Benedita que vai fazer sete, e a Piedade, que tem três.
E como é que são as vossas noites de leitura? Deve ser uma agitação, não é? Três, com essas idades.
É sempre um bocadinho, mas normalmente entre as 21:00 e as 21:30 vamos lavar os dentes, vamos para a cama. E no início comecei por ser eu, na maior parte das vezes, as noites a ler. Hoje em dia já os mais velhos tomam a iniciativa.
Era isso que eu ia perguntar, o mais velho já conta as histórias aos mais novos?
Conta, lê, elas escolhem. É sempre uma guerra para escolher qual é o livro da noite. Mas já há muita participação. A Piedade, que é mais pequena, ainda não lê, mas tem imenso interesse. Eles estão habituados a ver-nos ler.
Era isso que eu ia perguntar, como é que se incentiva, se já era deles ou se é também ver os pais, a família.
Nós costumamos, nós lemos muito, temos esse hábito, e eles desde pequeninos também têm esse gosto. Talvez o mais velho e a mais pequena acham mais graça, sempre procuraram muitos livros e leem bastante. A do meio, vai fazer sete, é a Benedita. Ela é um bocadinho mais artista, é um bocadinho desligada da leitura, mas por incentivo dos irmãos e um bocadinho por osmose, por os ver sempre agarrados aos livros, acaba por se interessar.
E são eles que escolhem as histórias, estava a Joana a dizer. É que os livros infantis exclusivos do Pingo Doce são uma delícia.
Nós temos vários.
Há alguma história que inevitavelmente tenha passado de filho para filho ou de geração para geração?
Olha, há aquelas histórias antigas clássicas, como o Capuchinho Vermelho, a Branca de Neve e os Sete Anões, e o Pingo Doce por acaso costuma fazer reedições dessas histórias. E nós temos uns livros pequeninos, umas reedições, e são livros que eles até normalmente levam para a escola. O colégio deles incentiva imenso também cada criança a levar livros.
Essa era uma das minhas perguntas, se as histórias ficam por ali na hora de dormir ou são depois transportadas para diferentes momentos do dia, para a escola, por exemplo.
São muito. Eles têm muito esse hábito de escolher um livro para levar por semana ou de 15 em 15 dias. Também às tantas não controlo isso tanto, mas eles têm muito essa iniciativa e a escola puxa muito por isso.
Sendo que há uma continuidade do trabalho que é feito em casa. Depois na escola.
Eu acho que hoje em dia incentiva-se muito a leitura das crianças. Pelo menos é o meu caso.
Pela experiência que tens, já se vê que é uma coisa de família, esse hábito de leitura.
É que eu tenho uma mãe devoradora de livros.
E ela também conta histórias?
A minha mãe tem muita, foi ela até que começou. Confesso que eu não sou a típica mãe da leitura às crianças e foi um bocadinho a minha mãe que puxou isto por mim, porque desde que eles são pequeninos, ela tem um dia normalmente que vai lá jantar fixo por semana e nesse dia é sempre o dia da história e então nunca se vai embora sem ler a história aos três. Às vezes lê uma história a cada um.
Tem tempo para isso.
Sim.
Mas isto é uma realidade, é que apesar de ser importante fomentar este gosto pela leitura, há vários estudos que mostram que muitos pais não têm esse hábito, principalmente por falta de tempo.
É isso. Claro.
Como é que é no vosso caso, a vossa dinâmica familiar? Como é que vocês se organizam quando não está lá a sua mãe para poderem ter tempo?
É verdade.
Agora os mais velhos também ajudam.
Nesta altura do campeonato, como eles ganharam esse gosto. Têm muito eles essa iniciativa, mas no início era de facto um esforço que fazíamos para haver esse momento da leitura, porque sabemos que é importante. E, portanto, fizemos sempre esse esforço. Não digo que fosse todos os dias, mas com alguma frequência.
E para aqueles que têm diferentes idades, como é que se criou o gosto pela leitura quando uma criança, por exemplo, ainda não sabe ler, como o mais pequenino?
Olha, eu acho que é um bocadinho pelo exemplo e também pelo incentivo que há na escola, portanto, esta ponte entre a casa e a escola. E acho que vai um bocadinho por aí também, porque ela vê os irmãos, vê os pais. Acho que é por isso.
E o que sente que os fascina mais? A história em si, as cores, as formas? O que é que puxa? O primeiro impacto será a capa?
No início, quando eles são mais pequenos, acho que sim. Acho que acabam sempre muito pela capa, pelas ilustrações. Hoje em dia temos milhares de editoras que fazem coisas incríveis. E depois um bocadinho pelas histórias. Há muitas histórias que puxam pelo imaginário e que não são tão evidentes. Hoje em dia há muitas histórias infantis que os metem logo desde pequeninos a pensar, a fazer questões.
E eles depois transportam as histórias para as brincadeiras do dia a dia?
Acho que sim. Não consigo fazer essa ligação. Porque, de facto, hoje em dia a vida é muito agitada.
Não há tempo para.
Não há tempo, é verdade. Mas eu acho que eles acabam sim por transportar, nem que seja para a escola. Cada vez que levam um livro para a escola, acho que deve haver esse Se transportar da história para o dia a dia deles.
Joana, nós falávamos aqui de tempo e vemos muitas vezes as crianças entregues a ecrãs, seja um tablet, seja um iPhone, seja à refeição, e muitas vezes os pais entregam os filhos a um ecrã na hora de dormir.
O que eu vou dizer é um pouco controverso e nada do que é suposto, mas eu confesso que os meus filhos, da mesma maneira que se interessam por livros e são crianças interessadas, claro que não são perfeitas, veem ecrãs. Veem televisão. O mais velho teve direito a um iPad daqueles mais baratinhos este ano quando fez anos, porque eu sinto que conseguimos equilibrar isso.
Eu não penso que seja controverso. Acho que tem a ver com o equilíbrio. E, portanto, a minha pergunta era mais no sentido que conselho deixa aos pais que entregam os filhos pura e simplesmente a um ecrã, sem que depois haja um acompanhamento, que depois haja o outro lado, o gosto pela literatura, pela leitura.
Acho que todos nós tentamos dar o nosso melhor a educar. Claro que a vida hoje, por ser muito mais rápida e com muito mais solicitações e com muito mais ofertas de eletrônicos, nós acabamos por nos entregar à tecnologia. E quer queiramos, quer não, isto vai fazer parte da vida deles. Eles vão ser muito mais tecnológicos do que nós somos.
Sim, nós ficamos impressionados como é que crianças conseguem logo fazer o scroll up.
Com dois anos sabe fazer e sabe procurar e ela não sabe ler nem escrever. Agora, eu acho que tem que haver um equilíbrio e desde que nós tenhamos isso presente e consigamos ao mesmo tempo ir estimulando outras coisas neles, seja leituras.
Brincadeiras, ao ar livre também.
Brincadeiras ao ar livre.
Exercício.
Esporte. Os meus filhos fazem imenso esporte, aliás, a avó também. Fazem demais. Eu tenho um marido que é triatleta.
É de família.
Vem de família.
E é bom essa parte.
Portanto, acho que é importante encontrar esse equilíbrio. Não quer dizer que não aconteça dias em que, de fato, os meus filhos, eu precise descansar ou precise trabalhar ou precise de ter tempo pra fazer outras coisas e eles são capazes de ficar, mas de repente há ali qualquer coisa que me chama e diz: "Joana, vai lá desligar aquilo. E meninos, vão brincar, vão ler, vão fazer o que quiserem, vão sentar."
Claro, é o bom senso, equilíbrio.
E eles próprios, se cá tenho que lhes dizer três vezes, vão e podem ficar.
Porque encontram estímulo nas outras coisas.
É isso. Não é uma novidade pra eles, estão habituados.
Joana, estamos mesmo a chegar ao fim do nosso tempo, mas gostava de perceber o que a faz mais feliz nestes momentos de partilha entre pais e filhos, nesses momentos de leitura, nos momentos em que é a Joana a contar as histórias aos seus filhos. A Joana também é transportada pra aquela realidade, por momentos.
Sim, muitas vezes faz-me lembrar a minha infância, as histórias, as interpretações que eu fazia na altura das histórias infantis. Por acaso, em relação aos livros da Herança, no outro dia fui à casa do meu pai e da minha madrasta e encontrei os livros da Sophia de Mello Breyner, que faziam parte do Plano Nacional de Leitura, a árvore.
E levou esses livros pros seus filhos?
Não, eu até disse à minha tia. São três, agora é A Menina e o Mar, e eu até me lembro de dizer: "Olha, tia, guarda isto, porque de certeza que o Mateus e as miúdas vão querer ler isto e vão achar graça". Eu não sei se fazem ainda parte do Plano Nacional.
E depois a diferença, encontrar aquilo que era no nosso tempo e está agora.
E eram nossos, meus e dos meus irmãos, portanto, estavam velhinhos, com fita cola na capa.
Só isso já é uma história.
É isso. E, portanto, é sempre muito interessante e são momentos felizes.
Principalmente em que a própria Joana também esquece um pouquinho do seu dia.
Sim.
É transportada ali pra uma realidade diferente.
É bom. E é bom vê-los com interesse. É muito agradável.
Estamos a chegar ao fim deste primeiro de quatro episódios. Joana Vaz, muito obrigada por ter se juntado a nós na estreia do podcast Noite de História. Obrigada por partilhar a sua experiência, boas histórias em família e beijinhos aos três mais novos. Obrigada. Beijinhos aos três. Obrigada, Joana. No segundo episódio da Noite de História, vamos continuar a falar sobre o poder de uma boa história infantil para o desenvolvimento dos mais novos e até pra dinâmica familiar. Com o apoio do Pingo Doce, incentivamos a leitura desde tenra idade e partilhamos histórias na primeira pessoa sobre a importância que a literatura deve ter desde cedo. Eu sou a Maria João Simões. Obrigada pela companhia. Até ao próximo episódio. O podcast Noite de História tem o apoio do Pingo Doce.