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Jornal das 7 na Rádio Observador com o Luís Soares.
Cerca de 300 pessoas estão a realizar a esta hora uma vigília em Marvila contra o despejo de uma viúva de uma habitação camarada em Lisboa. Um protesto que decorre no bairro do Condado, de onde essa mulher foi despejada. Uma decisão tomada pela Campada de Lisboa, sendo que o presidente da Geobalis insistiu hoje que agiu de forma legal, uma vez que a casa onde vivia a mulher com dois filhos menores estava ocupada de forma ilegal. Vamos em direto até ao bairro do Condado, onde está o repórter Martim Madeira a acompanhar esta vigília. Martim, importa perceber também como foram recebidas aí estas declarações do presidente da Geobalis.
Foram recebidas de uma forma injusta. É o que dizem os moradores deste bairro. Falei com um dos vizinhos da senhora, um rapaz que não se quis identificar, mas apenas me disse que era uma situação bastante injusta e que a senhora não devia ser despejada. Achou que existe uma diferença de tratamento de inquilinos por serem do bairro e que estes métodos não se aplicam a regiões de Lisboa onde há mais dinheiro e posse. É o que diz este vizinho desta senhora. De resto, por aqui no bairro está a haver uma sessão onde vários moradores estão a falar no microfone aberto nesta vigília, a dar algumas conotações. Agora ouve-se alguns gritarem: "A luta continua!" Também por aqui têm distribuído vários papéis. Um dos papéis, importa aqui destacar, é sobre a manifestação do dia de amanhã, às 15h, que vai do Marquês de Pombal até à Praça do Rossio. E leio o que está escrito neste papel. Diz: "Acham problemática a nossa Madrid, imaginem quando respondermos Bonjour." Portanto, aqui uma alusão também aos protestos em Madrid e uma alusão, ou pelo menos uma espécie de ameaça, de que uma resposta, tal como está a acontecer em França, pode vir a acontecer na cidade de Lisboa.
Martim Madeira, em direto deste bairro do Condado, em Marvila, a acompanhar esta vigília. De recordar que o presidente do Conselho de Administração da Geobalis, numa conferência de imprensa esta tarde, insistiu que a lei foi cumprida no caso desta mulher e até adiantou que quem foi ilegalmente impedido de aceder à casa foi um idoso de 84 anos.
E por causa da crise na habitação, a Ordem dos Arquitetos pede ao governo a convocação extraordinária do Conselho Nacional de Habitação com máxima brevidade.
Este é o órgão responsável pela elaboração de propostas ao governo e pela emissão de pareceres sobre o Programa Nacional de Habitação e o Relatório Anual da Habitação. Numa carta enviada hoje ao Ministério das Infraestruturas e Habitação, a Ordem dos Arquitetos justifica o pedido com a centralidade crescente do tema na sociedade portuguesa. Em declarações esta tarde à Rádio Observador, o presidente da Ordem, Avelino Oliveira, defende que além da discussão pública, é também necessário um debate mais técnico.
Acreditamos que é preciso, em paralelo com o debate político, existir dentro daqueles que são agentes importantes do setor, um debate mais aprofundado e a procura de consolidar soluções. Há vários níveis. O nosso nível não é o nível do comentário político, e não é o nível do embate, ou pelo menos da discussão mais de matriz ideológica, mas sim aquele que procura materializar soluções que beneficiem as pessoas. E acho que é isso que se deve tentar fazer no Conselho Nacional da Habitação.
Avelino Oliveira deixa ainda críticas à lei do arrendamento proposta pelo governo e viabilizada com o apoio do Chega. O presidente da Ordem dos Arquitetos pede reflexão ao executivo sobre as consequências desta nova legislação.
O facto de ela desproteger um bocadinho os inquilinos, ou pelo menos evidenciar alguma desproteção dos inquilinos, com a proteção que eu acho que é necessário ter as cauções, os mecanismos de despejo, o fato de ver bem os contratos, aqueles que têm mais de 35 anos, dos que têm menos, dos que são mais antigos, parece-me que merece alguma reflexão sobre o impacto que isso possa ter no mercado. Isso é o que nos preocupa. Nós estamos a procurar que se alargue a oferta do mercado de arrendamento e não que ela se diminua.
Declarações de Avelino Oliveira, presidente da Ordem dos Arquitetos. Ordem que pede a convocação extraordinária do Conselho Nacional da Habitação com a máxima brevidade. Os arquitetos propõem a criação de um sistema nacional de habitação.
O PCP quer chamar à comissão de inquérito aos mandatos de Luís Neves, à frente da Judiciária, atuais e anteriores diretores da Judiciária.
Desde logo, o atual ministro da Administração Interna, a ex-diretora nacional adjunta e o atual diretor. A lista de pessoas que o PCP quer chamar à Comissão Parlamentar de Inquérito hoje divulgada é composta por apenas quatro nomes. Os comunistas querem ouvir a figura que está no centro do inquérito, o atual ministro da Administração Interna, anterior diretor nacional da PJ, Luís Neves, mas também Luísa Proença, que foi diretora nacional adjunta no mesmo período. O PCP quer chamar também o atual diretor nacional da Judiciária, Carlos Cabreiro, que sucedeu a Luís Neves, e ainda Álvaro Pires, diretor de Serviços de Gestão Financeira e Patrimonial da Polícia Judiciária. A Comissão Parlamentar de Inquérito para avaliar a intervenção de Luís Neves enquanto diretor da PJ durante todos os mandatos e eventual responsabilidade de membros do governo que o nomearam e titularam, tomou posse na semana passada.
E há outras notícias a marcar a tarde desta sexta-feira, 23 de outubro.
O Sistema de Segurança Interna diz estar a acompanhar de forma atenta o apelo jihadista detectado pelas autoridades espanholas para a realização de ataques durante os protestos que decorrem em vários países europeus, incluindo Portugal. É o que se lê numa resposta enviada à Agência Lusa, na sequência da notícia do "El País". O jornal espanhol refere que o Ministério do Interior de Espanha detetou mensagens que incentivam ataques contra polícias e manifestantes num site próximo ao Estado Islâmico. Na mesma nota, o secretário-geral do Sistema de Segurança Interna garante ainda estar a trabalhar em articulação com as entidades competentes. A Rússia e a Ucrânia confirmam os preparativos para um cessar-fogo localizado na cidade ucraniana de Olesky, ocupada pelas forças russas, permitindo a entrada de ajuda humanitária. O entendimento foi mediado e anunciado pela primeira-dama norte-americana, Melania Trump, deverá entrar em vigor a 27 de outubro, embora Moscovo tenha esclarecido que os militares ainda estão a acertar os detalhes da operação. Também hoje, o presidente ucraniano confirma que vão existir reuniões técnicas entre Estados Unidos, Rússia e Ucrânia em novembro, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. Volodymyr Zelensky garante que está disponível para uma reunião tripartida ao mais alto nível. Mais uma medalha para o canoísta Fernando Pimenta, desta vez medalha de bronze. Fernando Pimenta foi terceiro em K1 Short Race nos Mundiais de Maratona, que se realizam na Argentina. Falhou, no entanto, a revalidação do título que tinha conquistado no ano passado na Hungria. Foi três segundos mais lento do que o sul-africano Hamish Lovemore, que subiu ao lugar mais alto do pódio. É uma história de crime, de investigação policial e também de muitas sombras. O novo podcast do Observador está hoje em ante-estreia no nosso site e também em todas as plataformas.
Chama-se "As Sombras de Duarte Lima" e revela a história da investigação à morte da portuguesa Rosalina Ribeiro em 2009, no Brasil.
Vamos recordar quem era Rosalina, era uma das herdeiras do milionário Lúcio Tomefeteira. Na noite de 7 de dezembro de 2009, saiu de casa, no Rio de Janeiro, para uma reunião com o advogado Domingos Duarte Lima e nunca mais voltou a ser vista com vida.
Dois homens saem apressados do carro com uma Bíblia na mão. Quem já chegou ao local onde vai ser feita a última despedida de Rosalina, não reconhece aquelas caras. Aurélio e Rogério infiltram-se no velório. Ouvem várias conversas e tentam entender quem é quem. Por lá também anda o advogado brasileiro de Rosalina, Normando Marques, que por esta altura já falou com a última pessoa conhecida a ter estado com ela em vida, Duarte Lima.
Um excerto do primeiro episódio do novo podcast Plus Observador, que está hoje em ante-estreia, "As Sombras de Duarte Lima", é uma série em podcast narrada pelo ator João Reis, música original do pianista Filipe Raposo. O segundo episódio vai estar disponível já na próxima terça-feira no site do Observador, nas plataformas de podcast e também no YouTube. Importa também dizer, Ricardo, que é só nesse dia que, como é habitual, todos os assinantes têm acesso a este podcast ou aos nossos podcasts por antecipação, mas só nesse dia é que isso vai acontecer. Só na terça-feira, desta vez, é que todos vão estar disponíveis para os nossos assinantes.
E isso às vezes gera alguma confusão. Há pessoas que pensam que só sendo assinante é que se pode ouvir os Podcast Plus. Não é bem assim. A explicação é muito simples: quem é assinante do Observador, Standard ou Premium, tem acesso, quando é publicada, à série completa.
À série completa, tudo.
Aos seis episódios, logo de uma vez, pode ouvir tudo de seguida. Quem não é assinante terá de ouvir um por semana, porque eles vão saindo ao ritmo-
À moda antiga.
Exatamente, ao ritmo de um por semana. Nesta edição, nas Sombras de Duarte Lima, tivemos aqui uma ante-estreia, o primeiro episódio já está disponível. A partir da próxima terça-feira, todos os episódios vão estar disponíveis para os assinantes Standard e Premium. Quem não é assinante poderá ouvir o segundo episódio.
E o Luís Soares vai regressar às 19h30.