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As notícias com Matilde Malva Sabino. Luís Montenegro ainda sonha com uma maioria absoluta, mas pede-se à oposição que pare de falar em cercas sanitárias. Na apresentação da moção estratégica à liderança do PSD, o presidente do partido lembra as outras estruturas políticas, sobretudo o Chega e o PS, que têm a responsabilidade de contribuir para uma boa governação. Luís Montenegro acredita, no entanto, que no futuro vai ser possível estar menos dependente de outros partidos.
Maioria em democracia é ter mais um voto que os outros. Este é o conceito de maioria em democracia. Maioria absoluta é ter metade dos votos mais um. Nós ainda estamos com esse objetivo na nossa mira. Agora, não subestimem, é que nós já obtivemos duas maiorias para governar nas urnas, na base da confiança das pessoas. Não quisemos governar na base de nenhum estratagema, conluio ou combinação feita atrás da vontade das pessoas.
Luís Montenegro deixou ainda recados à oposição no que toca às reformas que o governo quer fazer. O primeiro-ministro promete obrigar os partidos a marcar uma posição.
E nós assumimos a nossa responsabilidade. Depois olharemos para os outros, para os partidos políticos, e depois veremos que eles, sempre que se mexem, estão sempre mal. Reformar sim, mas na porta ao lado, comigo não. Reformar sim, mas não no meu setor. Reformar sim, mas não na minha casa. Reformar sim, mas não coisa que cause reação, porque eu isso não quero. Eu quero ser o político ou o partido que agrada a todos. Isso vai ser até uma determinada altura, porque nós vamos forçar a decisão. Os partidos e os políticos vão ter que se revelar no momento de votar as transformações.
O recado de Luís Montenegro nesta apresentação em Sintra, onde marcaram presença figuras do partido e do governo, como o secretário-geral Hugo Soares, os presidentes das Câmaras de Lisboa, Sintra e Cascais e os ministros Gonçalo Matias e Carlos Abreu Amorim. A ministra do Trabalho considera que as palavras do Presidente da República foram interpretadas ao contrário e deram força à UGT para rejeitar um acordo laboral. Durante a campanha às eleições presidenciais, António José Seguro anunciou desde logo o veto à primeira versão da reforma laboral do governo e que só aprovaria a proposta com acordo em sede de concertação social, entendimento esse que não foi alcançado. Em entrevista à Antena Um, a ministra Maria do Rosário Palma Ramalho não responsabiliza o chefe de Estado pelo chumbo, mas entende que acabou por suportar a decisão da UGT.
Tiveram o efeito ao contrário do que ele pretendia. Em vez de entusiasmar para um acordo, não vou dizer forçar um acordo, mas exercer a sua influência para um acordo, afinal, a UGT, na verdade, ficou legitimada para não celebrar o acordo, como veio a acontecer.
Palma Ramalho manifesta confiança nos poderes constitucionais de António José Seguro e considera que se a proposta laboral chegar a Belém com o apoio parlamentar alargado, o Presidente da República vai ter margem política para recuar na intenção de vetar um diploma sem acordo em concertação social. O antigo governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, considera que o país não precisa de mais flexibilidade laboral, precisa sim de melhor flexibilidade. A rigidez do mercado de trabalho tem sido uma das bandeiras da ministra Maria do Rosário Palma Ramalho para justificar a necessidade de uma reforma laboral. Em entrevista à CNN, Mário Centeno recorreu ao exemplo dos jovens para dizer que o problema do mercado de trabalho português não está na mobilidade.
Os jovens em Portugal têm uma taxa de desemprego que é três vezes a taxa de desemprego global. É exatamente o valor dos Estados Unidos da América, 2,7, 2,78 em Portugal, em média, desde 2011. Não é por aí que nós identificamos dificuldades de inserção no mercado de trabalho dos jovens. Não é por causa da legislação. Os jovens em Portugal têm uma mobilidade maior do que aquela que nós observamos para os jovens nos Estados Unidos. Eu acho que estamos a elaborar num erro. O que era importante na legislação laboral em Portugal não era ter mais flexibilidade, era ter melhor flexibilidade.
Nesta entrevista, Mário Centeno foi ainda confrontado com a polêmica em torno da saída do Banco de Portugal, reformou-se antecipadamente com uma pensão mensal bruta de €10 mil, equivalente a mais de 70% do último salário. Centeno diz que não foi exceção, mas sim a regra. E voltamos à reforma laboral. A UGT acusa o governo de colocar linhas vermelhas à partida e rejeitar propostas antes mesmo de serem negociadas. A Central Sindical já entregou aos partidos propostas de alteração à reforma promovida pelo governo. A UGT foi uma das estruturas sindicais que participaram como convidadas nas jornadas parlamentares do Chega, em que o Executivo de Montenegro foi amplamente criticado. Vasco Maldonado Correia.
O Chega escolheu reforma laboral para abrir as jornadas parlamentares do partido em Viseu e à mesa sentou o vice-presidente da UGT, que critica a postura do governo nas negociações com os parceiros sociais.
Quando nós vamos para uma negociação, há uma coisa que nunca se deve fazer, que é meter linhas vermelhas. Nós não devemos rejeitar nenhuma proposta que nos é entregue por parceiro social que nós estamos a negociar. Pode não haver, depois, negociação, pode não dar em nada.
Rui Miranda lamenta que o debate não se tenha focado na subida do salário mínimo.
Nós temos trabalhadores com 10, 15, 20 anosQue estão a ganhar muito aproximado daquilo que é o salário mínimo nacional. Como é que nós podemos criar produtividade a essas pessoas que estão completamente descontentes em relação a isto?
Preocupação partilhada por Alexandre Carvalho, do Sindicato Independente dos Trabalhadores da Floresta, Ambiente e Proteção Civil.
Nós temos sapadores florestais a actuar na floresta portuguesa, a receber o salário mínimo nacional e eu não vejo ninguém a preocupar-se. Isto é que devia ser a reforma laboral.
E ainda que convidado pelo Chega, deixa uma ressalva.
Eu sou de esquerda, eu não tenho problemas nenhuns em afirmar isso, mas acima de tudo, sou democrata.
Para Ana Rita Cavaco, antiga bastonária da Ordem dos Enfermeiros, o tema não se reduz ao espectro político.
Para dizer como ponto prévio que me irrita, que a esquerda ache que a defesa dos trabalhadores é um património dela. Não é, eu sou de direita e fui dirigente sindical.
Protesta contra uma das medidas da proposta do governo, o alargamento dos serviços mínimos em caso de greve em vários sectores.
Todos sabemos que a greve para ser eficaz, tem que causar desconforto, tem que causar incómodo.
Preocupações ouvidas pelos deputados do Chega, Rita Matias agradece a disponibilidade de quem aceita sentar-se à mesa com o partido.
Só temos a agradecer pela ausência de preconceito ideológico e pela disponibilidade por dialogar com o Chega, apresentar soluções válidas e batalhar ao nosso lado, mesmo não se identificando 100% com o nosso partido.
A reforma laboral como tema de abertura nas jornadas parlamentares do Chega em Viseu.
O jornalista Vasco Maldonado Correia a acompanhar as jornadas parlamentares do Chega, que continuam esta terça-feira. O Ministro dos Negócios Estrangeiros quer explicações do embaixador de Israel sobre a detenção de dois médicos portugueses que seguiam na flotilha rumo a Gaza, foram detidos não em águas israelitas, mas em águas internacionais ao largo da Turquia e, por isso, Pau Rangel quer esclarecimentos.
Uma vez que esta ação feita por Israel, tal como a exatamente anterior, de há umas semanas atrás, foi feita em águas internacionais e, portanto, em violação do direito internacional, e dado que nós queremos garantir esse tratamento de respeito absoluto pela integridade e pelos direitos fundamentais dos cidadãos em causa, nós convocamos hoje mesmo para o ministério, o embaixador de Israel, para fazermos o nosso protesto, para exigirmos esse tratamento e a reposição da legalidade internacional assim que possível.
Pau Rangel adianta que o governo está a acompanhar a situação através da embaixada em Tel Aviv e dos serviços consulares. Donald Trump decidiu adiar o ataque ao Irão, previsto para esta terça-feira. O presidente dos Estados Unidos afirma que estão a decorrer negociações sérias e que vai ser alcançado um acordo aceitável tanto para Washington como para todos os países do Médio Oriente.
Outros países contactaram-me e disseram que se estavam a preparar para lançar um ataque em grande escala amanhã. Adiei-o por algum tempo, espero que para sempre, mas possivelmente apenas por algum tempo, porque tivemos conversações muito importantes com o Irão. Informámos Israel, informámos outras pessoas no Médio Oriente que têm estado envolvidas e sabem, é um desenvolvimento muito positivo, mas vamos ver se isto dá em alguma coisa. Já tivemos períodos em que pensávamos estar muito perto de chegar a um acordo e não deu certo. Mas isto é um pouco diferente. Nós estávamos prontos para avançar amanhã com uma ação de grande envergadura. Não era algo que eu queria fazer, mas não temos escolha, porque não podemos deixar que o Irão tenha uma arma nuclear.
O presidente norte-americano garante, ainda assim, ter dado ordens para que os Estados Unidos estejam prontos a avançar com o ataque total e em larga escala a qualquer momento, caso não seja alcançado um consenso. Em resposta a Donald Trump, as forças iranianas afirmam que têm o dedo no gatilho. O chefe do Comando das Forças Armadas iranianas, citado pela agência de notícias Tasnim, avisa os Estados Unidos e os aliados contra qualquer erro estratégico e de cálculo, mais uma vez. Nos Estados Unidos, pelo menos cinco pessoas morreram num tiroteio na Califórnia. Duas das vítimas mortais são os próprios atiradores. Abriram fogo esta segunda-feira numa mesquita da cidade norte-americana de San Diego. As autoridades indicam que os corpos dos suspeitos da autoria destes disparos foram encontrados dentro de um carro com ferimentos de bala autoinfligidos. Eram adolescentes de 17 e 19 anos. O FBI está a investigar as motivações dos disparos como um crime de ódio. Vladimir Putin viaja esta terça-feira para a China e reúne uma extensa delegação. O presidente russo vai reunir-se com Xi Jinping numa visita oficial a Pequim. A agência Tass avança que Putin leva uma vasta comitiva, não só de ministros, mas também de CEOs das maiores empresas russas, em particular da banca e do setor energético. Na análise, Liliana Reis, especialista em relações internacionais, deteta nesta visita um recado, em particular aos Estados Unidos, principalmente por ter sido marcada tão pouco tempo depois da visita de Donald Trump a Pequim.
Ora, este hiato de tempo tão curto, aquilo que parece é que efetivamente há aqui uma tentativa de reafirmar publicamente que o eixo sino-russo continua muito sólido, apesar desta aparente abertura diplomática com Donald Trump e podem estar em cima da mesa outras questões que podem efetivamente denunciar outro tipo de aproximação, nomeadamente a questão energética e a discussão do gasoduto Power of Siberia 2.
Liliana Reis no programa Gabinete de Guerra, da Rádio Observador. A especialista reforça também a ideia de que Vladimir Putin chega a este encontro numa posição bastante fragilizada. E foi a notícia de fecho deste jornal. A informação volta às 17h. Até já.