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Olá, bem-vindo ao podcast O Ingrediente Invisível. Tal como na cozinha, nas empresas também há coisas que não vêm no rótulo, mas que mudam completamente o resultado final: a cultura, o propósito, a empatia e a forma como lideramos. Neste primeiro episódio, numa iniciativa que reflete o compromisso da Nestlé Portugal com temas que impactam a nossa sociedade, vamos falar de liderança no feminino. E para isso, a minha convidada, a CEO da Nestlé Portugal, a Raquel Muller, que lidera uma equipe de mais de 3 mil pessoas. Raquel, bem-vinda. Obrigada por estar conosco.
Muito obrigada.
A Raquel tem um percurso fascinante em vários mercados e culturas, do México ao Brasil, passando pela Suíça. Quando olha para trás, qual foi o ingrediente invisível que mais moldou a sua forma de liderar até chegar agora à liderança da Nestlé Portugal?
Como você falou, como todas as receitas, eu acho que talvez não seja só um ingrediente, vai ser uma combinação. Acho que, sem dúvida, curiosidade é um fator que me acompanhou em todos os lugares para poder aprender o máximo que eu podia. Eu acho que um outro ingrediente é a inconformidade, não se conformar com as coisas como são, senão como a gente gostaria que fosse, ir atrás de construir essa nova realidade ou essa evolução. E eu diria que um terceiro é a presença, de estar realmente feliz e dedicado aonde você está naquele momento, não estar num lugar que a gente está em outro. Às vezes a gente vai morar em outros países e quer só a comida do povo que a gente deixou, o jeito que a gente vivia antes. E acho que essa presença de aproveitar exatamente o que cada lugar tem para oferecer, seriam meus três ingredientes.
Sobre a igualdade de gênero, muitas vezes fala-se disso como um dever ético, mas na Nestlé abordam a diversidade como uma prioridade clara de negócio. Por quê, Raquel? O que uma empresa e a sociedade ganham quando garante a igualdade de gênero nas equipes e em cargos de liderança?
Eu diria que relevância, porque a gente achar que nós vamos construir uma solução relevante, um produto relevante, um serviço relevante para consumidores, quando as pessoas que estão construindo não têm nenhuma relação com quem a gente está criando, torna tudo muito mais difícil. Eu acredito muito em fomentar que as organizações tentem ser um espelho da sociedade. O que eu tenho lá fora, deveria ter a mesma representatividade dentro, para que essa riqueza de ideias e essa troca de pontos de vista possam construir uma melhor solução.
Portugal é um país com talento enorme. Exemplo disso é a Nestlé, que integrou centenas de novos colaboradores e tem apostado forte em iniciativas como o Born to Talent e o Summer Trainees. Quando a Raquel olha para a nova geração, que está a entrar agora no mercado de trabalho, o que elas e eles procuram numa liderança?
Primeira coisa, eu diria, acho que verdade, autenticidade. Nós estamos num momento do mundo que todo mundo quer poder confiar e realmente ver que aquilo é real. Então eu acho que esse tema da autenticidade é muito importante, mas ele caminha com o tema de coerência. Porque eu acho que cada vez mais nas organizações, como pessoas, como líderes, a gente tem que tomar muito cuidado para ser coerente com o que a gente fala e como a gente age, as decisões que tomamos e como caminhamos no nosso dia a dia.
No processo todo, não é? Do início ao fim.
Acho que hoje a liderança é muito mais próxima, muito mais tangível e, portanto, deveria ser capaz de ser muito mais vulnerável também, porque quando somos autênticos, é parte do ser humano.
Sem dúvida. Ser CEO da Nestlé Portugal e liderar uma casa que junta mais de 60 nacionalidades e um ainda maior número de marcas, com peso enorme no dia a dia das famílias portuguesas, traz, imagino eu, uma grande responsabilidade. Quando olha para a próxima geração de líderes da Nestlé, espera que um dia deixemos de falar de liderança no feminino e falemos simplesmente de boa liderança. O que falta acontecer para chegarmos a esse ponto?
Eu acho que a discussão do gênero e das mulheres é muito importante no contexto que nós estamos, e acho que nós ainda não cruzamos para o outro lado, por mais que muitas vezes a gente fale que os números já acompanham. Mas eu acredito muito que além dos números, é muito importante que nós possamos criar o contexto para que essa liderança no feminino aconteça na realidade. Porque nós muitas vezes temos mulheres que são inseridas em contexto onde não exercem o seu potencial todo porque estão encaixando num modelo pré-existente. Então, em qualquer uma dessas conversas de diversidade e inclusão, eu acho que tem um terceiro passo, que é criar o contexto para que aquela pessoa, e aí independente do gênero, possa dar o melhor de si como um todo. Eu ainda acho que nós, além dos números, temos muito para caminhar nessa criar esse contexto, para que a liderança possa ser exercida desde um lugar mais humano, com menos modelos, com menos caixas, com menos coisas pré-determinadas, senão que cada um possa chegar com o que tem para oferecer.
Para terminar, Raquel, estamos a chegar ao fim do nosso tempo. A assinatura histórica da Nestlé é Good Food, Good Life. Se tivesse que resumir numa frase o seu ingrediente invisível para uma boa vida profissional e também para inspirar futuros líderes, mulheres em Portugal, qual seria? O que diria?
Eu diria compromisso com a presença e com o futuro melhor.
Raquel Muller, muito obrigada pela partilha e por esta conversa tão inspiradora. Obrigada.
Muito obrigada.
Chegamos ao fim do primeiro episódio do Ingrediente Invisível, um podcast apoiado pela Nestlé Portugal. Ficamos por aqui, mas a conversa sobre o que realmente importa nas organizações e também na nossa vida continua no próximo episódio. Por isso, espero por si.